04/12/2011

Exercícios mentais

Imaginem, por um momento, que o doente exigia ao médico o tratamento que mais lhe agradaria para (talvez) alcançar a cura; que a tripulação de um navio se lembrava e começava a dar ordens ao timoneiro; ou ainda, mais absurdo, que as ovelhas passavam a guiar o pastor.

Estúpido, não é?

Pois, com certeza. Então expliquem-me vocincelências qual é o fundamento lógico da Democracia, mediante uma concepção orgânica do Poder (e da Sociedade).

2 comentários:

Reaccionário disse...

Amigo Sebastianista,

Este exercício mental trouxe-me à memória uma citação de Aldous Huxley que, apesar de estar nos nossos antípodas políticos e religiosos, teve a capacidade de reconhecer os erros e contradições da Democracia:

Que todos os homens são iguais é uma proposição à qual, em tempos normais, nenhum ser humano sensato deu, alguma vez, o seu assentimento. Um homem que tem de se submeter a uma operação perigosa não age sob a presunção de que tão bom é um médico como outro qualquer. Os editores não imprimem todas as obras que lhes chegam às mãos. E quando são precisos funcionários públicos, até os governos mais democráticos fazem uma selecção cuidadosa entre os seus súbditos teoricamente iguais.
Em tempos normais, portanto, estamos perfeitamente certos de que os Homens não são iguais. Mas quando, num país democrático, pensamos ou agimos politicamente, não estamos menos certos de que os Homens são iguais. Ou, pelo menos – o que na prática vem ser a mesma coisa – procedemos como se estivéssemos certos da igualdade dos Homens.

Ludovico Cardo disse...

Sebastianista, já tenho saudades dos nossos agradáveis serões em que fazíamos semelhantes exercícios mentais...