10/02/2012

Portugal, Nação Europeia?

Não posso deixar de ficar abalado com a quantidade de vezes que leio nos blogs, no facebook e por aí em diante, as expressões do “Portugal Europeu”. Como me parece que estamos perante uma corrente única e perigosa, porque ignora parte da História de Portugal e o seu legado, aproveito para escrever sobre o assunto e partilhar outra perspectiva.

Não se pode negar, de todo, que Portugal tem raízes profundas na Europa: a língua que deriva do latim, a religião cristã católica submissa a Roma (Cidade Eterna) uma herança da civilização greco-romana (e também judaica do Médio Oriente, para todos os males) entre outros aspectos. Com efeito.

Todavia, estamos a falar da construção da Nação Portuguesa; não podendo ignorar, sob pena de se ser tudo menos um Patriota, a fase seguinte – a da Expansão. Nesta, a Nação vira as costas à terra e parte pelo mar. Consequentemente, e ao abrigo da descoberta das novas terras, funde-se com outros povos. Sabiamente, o Professor Marques Bessa – que nenhum Português autêntico e no seu juízo perfeito se atreverá a dizer que não é homem conhecedor de Portugal – resume esta realidade na frase “há muito que deixamos de ser povo de uma só raça” e nesta construção está a base de uma Nação Marítima que é o contrário de uma Nação Continental – a típica da Europa (para lá dos Pirinéus).

De facto, entramos na questão primordial. Os camaradas que falam da Nação Portuguesa como “nação europeia” estão convencidos que uma nação se define por termos raciais. Chegam até a evocar “etnia” como sinónimo de “raça”, o que é um erro conceptual de monta. Acontece que a Nação é um agregado humano geográfico e cultural. E esta designação simples é suficiente para aqueles que defendem a Nação, poderem rejeitar o multiculturalismo e a imigração desregrada. Sem problema.

Mas voltando ao assunto principal, é importante reconhecer o facto que aqueles que não aceitam a cultura portuguesa e os seus elementos – como a língua portuguesa, a nossa História (completa e não apenas partes do que nos interessa), a nossa música e outras formas de arte, a nossa gastronomia (porque não?) –, e ainda que tenham nascido e vivam em espaço geográfico português, não são portugueses. E se neste grupo estiver um branco e no outro grupo estiver um mulato – que se calhar até é filho de um negro que lutou ao lado dos Portugueses no Ultramar contra a mão-cheia de marxistas que destabilizaram o território – então, eu não tenho pudor nenhum em excluir o branco e abraçar o mulato, porque não é na cor da pele que eu encontro afinidade, mas no sentimento comum de ser português.

3 comentários:

Miguel Carmona disse...

Totalmente de acordo. Infelizmente existe muito boa gente desviada por ideologias, centro europeias, totalmente alheias à história da nossa nação e não compreendem que a vitória delas, basicamente, é uma negação da nossa história e viver...

Cumprimentos.

Reaccionário disse...

Caro amigo Sebastianista,

Em primeiro lugar, sê muito bem-regressado às lides blogosféricas! A Acção Integral precisa de ti!

Porém, permite-me discordar em parte da tua análise. Já tivemos a oportunidade de falar sobre este assunto, por isso vou apenas recordar a minha opinião: Entendo a Europa enquanto uma Civilização de homens de origem comum europeia (i.e. brancos, caucasianos, arianos, etc.), assente em 3 pilares fundamentais que lhe serve de matriz: Religião cristã, Política romana e Filosofia grega. Ora, se Portugal cumpre estes requisitos sem mácula, então podemos afirmar, sem complexos, que Portugal é de facto uma Nação europeia. Mas tem Portugal uma vocação atlântica? Sem dúvida! Mas isso é derivado da sua própria posição geográfica. Todas as nações têm características específicas, umas são continentais, como a Alemanha ou a Rússia, outras são atlânticas, como Portugal ou o Reino Unido. No fundo, a raça é em parte moldada pela terra. E é isso que também torna as nações diferentes umas das outras.

Para mim o conceito de Nação é semelhante àquele que era entendido por Salazar, isto é, Nação enquanto «uma entidade moral, que se formou através de séculos pelo trabalho e solidariedade de sucessivas gerações, ligadas por afinidades de sangue e de espírito». Sublinho, «afinidades de sangue e de espírito». De onde se conclui que para se ser português é necessário cumprir duas condições: ter «sangue português» e ter «espírito português». O que significa que um negro não é de nacionalidade portuguesa por não ter «sangue português», assim como um comunista não é de nacionalidade portuguesa por não ter «espírito português».

Então e o Império Português? Será que o Ultramar não era Portugal? Claro que sim! Aqueles territórios eram nossos por legítimo direito! Foram conquistados com o sangue e o suor dos nossos maiores! E só um traidor podia pensar em entregar aquilo nas mãos dos terroristas! Contudo, importa não confundir a Nação com o Império. Portugal foi uma Nação que se fez Império. Mas nem todas as populações do Império eram de nacionalidade portuguesa. No Império Português sempre existiram diversas nacionalidades, entre europeus, africanos, asiáticos e sul-americanos. E mesmo mais recentemente, na África Portuguesa, havia os «negros indígenas» e os «negros aculturados». E só os «aculturados» tinham cidadania (e não nacionalidade) portuguesa. Uma ideia que não deveria repugnar nenhum nacionalista, uma vez que durante o Império a Nação Portuguesa nunca esteve em causa. Antes pelo contrário, foi durante o Império que a Nação conheceu o seu apogeu. Mas infelizmente não é isso que se verifica. Hoje em dia a maioria dos que se dizem nacionalistas têm vergonha da sua própria História. No fundo, eles não são nacionalistas, são apenas racistas.

Todavia, temos que pensar no presente. Hoje Portugal já não é Império, e a Nação definha... As nossas energias devem por isso estar focadas no sentido de reconstruir Portugal.

Um abraço.

Sebastianista disse...

Caro Miguel Carmona,
Assim é. Não se pode deixar este tema central na penumbra, tem de ser trazido à luz.

Cumprimentos.

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Meu prezado Reaccionário,
Obrigado pelas tuas palavras. O teu comentário é bastante interessante e revela que reflectes sobre o assunto.

Basicamente corroboras a base do meu pensamento – escreves também acerca do Cristianismo e da herança civilizacional greco-latina. Por outro lado, eu sou mais cuidadoso ao abordar a questão do que designas de “origem comum europeia”que nada mais é do que um eufemismo para raça. Creio que te enviei há uns tempos um pequeno opúsculo que escrevi sobre a Roménia e nele eu refiro as invasões constantes que a Europa sofreu de cumanos, avaros, mongóis e essa gente toda que não são brancos e muito menos arianos etc. (e que assentaram arraiais) entre os quais estão os hunos, que marcaram profundamente os húngaros (estes magiares, de origem asiática) - não é por acaso que este povo tem os olhos mais oblíquos e a pele muito mais escura de que os povos vizinhos. Daí que a questão não seja tão linear.

Agora, o problema essencial que te faz admitir alguma discordância, é que eu separo “raízes” daquilo que tu consideras serem “laços fortes”, e eventualmente actuais. Em termos culturais, não haveria grande problema, mas na questão política essa ideia pode, de uma maneira ou outra, legitimar a nossa opção de estar na União Europeia. E eu não acredito que tu alinhes por aí.

Enfim, considero que a Nação Portuguesa é uma nação atlântica no seu mais profundo sentido, e não apenas uma vocação. Com certeza que a geografia marca a raça e as opções Geopolíticas não lhe são alheias, Ratzel já disse outrora, mas a questão não é determinista. É antes uma opção política. E essa foi tomada pela Dinastia de Avis – a mais brilhante de todas – que poderia simplesmente não a ter tomado.

Meu caro Reaccionário, eu não posso aceitar essa menção ao sangue na definição da Nação. Como eu escrevi “cultura” será mais do que suficiente. Primeiro porque houve negros a dar o seu sangue (o seu sangue, insisto) pelo Portugal verdadeiro no Ultramar. Segundo, e indo a um exemplo concreto, a tua definição exclui considerar Rainer Daehnhardt “português”, um homem que conhece e ama Portugal e a sua História tão profunda e apaixonadamente como qualquer Patriota de gema, como tu ou eu… E isso não seria justo.

Então, mas estas convicções que exponho não são separáveis do nosso antigo Império, não compreendi a tua interpelação. Por outro lado, citaste Salazar, mas para ele o Império era constituído por uma só Nação (e esta ideia pode ser discutível, como levantas). Mas aproveito também para citar de memória (pelo que não será tão preciso): “tão português é o nativo de Angola, nos limites da sua incultura, como um letrado de Goa”. Como fica a questão?

Um última nota para o teu apelo. É certo que já não temos Império (infelizmente) mas essa realidade reporta a duas necessidades. A primeira é afastar de nós o racismo, porque ao incluí-lo estamos a renegar a nossa História. A segunda são as opções de Política Externa que Portugal deveria tomar o quanto antes – sair da União Europeia e criar um espaço “comum” com o seu antigo Império. É nisto que eu acredito.

Um abraço,
Sebastianista