31/03/2012

Deus, Pátria, Rei

O Essencial que pode unir-nos e a Inteligência esclarecida proclama, e as lições multiseculares da História confirmam; o Essencial que pode unir-nos e a Filosofia formula, e a Experiência garante, é constituído por três noções substanciais que eu, desde a maioridade do meu Espírito, caracterizada pela mais intensa independência e a mais manifesta autonomia, infatigavelmente afirmo: Deus, Pátria e Rei.
Deus – na pureza do Dogma católico – o único verdadeiro; Pátria, na plena manifestação da sua soberania indecomponível; Rei – como sempre foram os Reis legítimos: responsáveis perante Deus, sem os outros embaraços nas suas determinações que não sejam os da sua consciência e os da compreensão dos seus deveres.
Deus – não o Deus dos vários cultos, superstições, idolatrias, ou religiões, mas o Deus da Igreja Católica Apostólica Romana que tem sido, até agora, a única Religião verdadeira no mundo, e que para mim, será, até o último alento, a única religião verdadeira na vida.
Deus – o Deus do Catolicismo definido e rigoroso, e não o Deus do Cristianismo furta-cores, saco onde cabe tudo – desde o Rotarismo maçónico ao Liberalismo maritainesco, desde a heresia luterana ao teosofismo americano.
Deus – o Deus do Catolicismo que é o único em que creio, o único que adoro, e não o Deus dos conclaves internacionais, pau para toda a obra, leitmotiv de todos os discursos de todas as chafaricas leigas e racionalistas, moeda de troca no balcão de Estaline, ou no guichet de Truman.
Pátria – a Pátria dos nossos antepassados que se fez contra o castelhano ou contra o mouro, que teve os judeus concentrados nos seus ghettos, e abriu as portas do mundo aos outros povos.
Pátria – a Pátria dos portugueses, cuidadosa das suas fronteiras, ciosa da sua liberdade, e inflexivelmente fiel à sua soberania, e não a Pátria bastarda, diminuída na sua vontade, algemada na sua expansão, e cerceada no seu Direito.
Pátria – a Pátria de Ourique e de Aljubarrota, de Montes Claros e do Bussaco; a Pátria que dominou os mares e a Índia, que fez o Brasil, e deu a volta ao mundo, e, em pleno século XIX, perante a Europa atónita, trouxe à corte de Portugal, como escravo, o maior e mais temível régulo da África oriental – amigo de S. Majestade a Rainha Victória da Grã-Bretanha, e Imperatriz das Índias...
Pátria – a Pátria da luminosa dinastia dos soldados do Ultramar, que começa em Ceuta, na madrugada do século XV e vive ainda, palpitante de glória e de audácia, no século XIX representada pelos legítimos émulos dos Albuquerques, dos Joões de Castro, dos Duartes Pachecos, dos Salvadores Correia de Sá.
Pátria – a Pátria que cantou e lavrou, navegou e batalhou, de cara erguida, e só se humilhou, contrita e frágil, a pedir perdão a Deus.
É essa Pátria imortal e altiva, capaz de dizer sim e capaz de dizer não, a Pátria das minhas convicções e das minhas aspirações, e não a Pátria que me querem dar, enquadrada em Federações ocidentais, sacrificando a sua independência em benefício dos outros, diminuindo a sua Vontade de Poder, para servir os outros, algemada, encadeada, mutilada, decepada para vantagem e gozo dos outros.
Rei – aquele Rei que a Realeza legítima e pura – legítima e pura na sua origem, legítima e pura na sua orgânica, legítima e pura na sua finalidade –, compreende, forma e garante.
Não esse Rei serventuário dos caprichos das turbas, enfeudado aos interesses volúveis das facções, enredado nos concluios dos grupos, à mercê, como catavento dócil, das combinações e das ambições dos demagogos e aventureiros, – mas aquele Rei que possa dizer, como no verso de Horácio: «Non ego uentosa plebis suffragia uenor».
Não a esse Rei, boneco de Entrudo, palhaço de feira, movido a cordel, como os títeres das barracas dos Robertos, que o Liberalismo inventou, espalhou e consagrou – mas aquele Rei que reina e governa, que não cede o leme da Nau, porque só ele é responsável, perante Deus e perante a História, dos destinos do seu Povo.
Não podia dispensar-me de lembrar e fixar esta base doutrinária, porque só ela explica e justifica aquilo que vou dizer. É absolutamente necessário partir-se dessa base prévia e tê-la presente, para se compreender a posição que vou marcar.
Sou intransigentemente, fanaticamente católico; sou intransigentemente, fanaticamente patriota; sou intransigentemente, fanaticamente monárquico.
A intransigência não exclui a compreensão dos princípios, dos pontos de vista diferentes: antes a supõe: é precisamente porque compreendo o erro, que sou intransigentemente pela verdade.
O fanatismo não exclui a consciência raciocinante e a objectividade analítica: antes as supõe: é precisamente porque, em profundidade e em largueza, vivo, discuto, ausculto e critico; é precisamente porque estudo a frio, sem paixão que perturbe, sem amor que deforme, sem interesse que perverta, ou sem receio que acobarde, que sou fanático da Ideia que sustento, do plano em que me coloco.
Porque intransigente, não abdico, não contemporizo, não cedo; porque fanático, não me conformo nem me convenço.
Católico – sou católico integral, na aceitação do Dogma, na sujeição ao Credo que é indiferente ao que foi ou poderá ser; patriota – sou patriota integral, exclusivista, só duma peça; monárquico – sou monárquico integral, não admitindo transacções, subterfúgios, plebiscitos.
Não sou, pois, católico progressivo, papagaio de Maritain, a proclamar que a Igreja viveu vinte séculos no erro e no desvairo, sem se aperceber de que outro era o caminho a seguir, na sua missão e no seu dever, e de que o Social deve ser anteposto a tudo, substituindo a Terra em que vivemos ao Céu a que aspiramos e para que nascemos.
Não sou, pois, patriota manchado de Internacionalismo, pacifista por definição, e perpetuamente agachado diante do Estrangeiro – seja a Inglaterra que nos despreza, a Espanha que nos amesquinha, e o Brasil que nos não pode ver.
Não sou, pois, monárquico que reconhece a República, que a confunde com a Pátria, que a julga capaz de bem servir a Pátria.
O Catolicismo progressivo é a Formiga Branca introduzida na Igreja. O Patriotismo internacionalizado é a anemia da Nação; o Monarquismo conchavado com a República é a Realeza traída.
O Catolicismo, o Patriotismo, o Monarquismo são conceitos fechados, noções rígidas, que não toleram elasticidade, mais ou menos. Toda a fissura que se abra nesses conceitos ou nessas noções é ataque fundamental à sua natureza; todo o énthema que se introduza nessas noções ou nesses conceitos é instrumento de corrupção do seu sistema; toda a emenda, correcção ou acrescento que se proponha a tais noções ou conceitos é o seu descrédito.
Toda a relatividade é diminuição do Ser. Ora os conceitos que acabo de enunciar são absolutos como o sim ou o não.
Salazar, ficando a meio caminho, disse um dia: «não se discute Deus, não se discute a Pátria». Eu acrescento: «não se discute a Realeza – porque Portugal é obra de Deus, do Rei e do Povo»...

Alfredo Pimenta in «Contra a Democracia».

19/03/2012

Difamação: A Indústria do Anti-Semitismo

Impressões da visita a Auschwitz e Birkenau

Recentemente tivémos oportunidade de visitar os campos de concentração de Auschwitz e Birkenau, localizados no centro da Europa, em território hoje polaco. Aproveitamos para deixar algumas impressões sobre o que vimos, tecendo considerações e fazendo perguntas.

Tido como Evangelho pós-II Guerra Mundial, o chamado Holocausto é uma verdade absoluta. Todos conhecemos de cor pormenores, factos, números. Um catecismo autêntico, sem lugar para dúvidas ou discussões. Um dogma religioso.

Bom, nós que temos o hábito da indagação, fomos de espírito aberto para ver o que nos seria servido. Umas cinco horas de visita, injecções de sentimentalismo barato, factos absurdos, irracionalidade, senso comum abaixo do nível da água, mas nota para uma crueldade e frieza reais dos nazis.

A guia, uma polaca com um ódio de morte a todos os alemães (incluindo os não nazis, que hoje são a maioria), era uma mistura de Manuela Moura Guedes e Oprah. Entre cinco horas ininterruptas a ouvi-la bombardear-nos com técnicas de lavagem cerebral rudimentares e de pouco conteúdo, foram-se apagando as suas frases. Lembramo-nos apenas de algumas:
- Apontando para uma foto de uma criança, comenta-nos: “Olhem para esta criancinha. Têm de ver. Olhem. Eu tenho uma filha desta idade que come, canta e coisas assim. É feliz. Agora olhem para esta criancinha, como está esmagada pelo sofrimento”. (suspiro e snif) (?)
-“Vejam, os prisioneiros eram tatuados com um número e tratados por algarismos. Não mais eram pessoas”. (suspiro e snif). Bom, na escola, no secundário, na Universidade, no serviço nacional de saúde, no registo civil, sempre me trataram como um número: secretaria, cantina, serviços em geral. E daí?
-”Olhem para esta foto: à chegada os cabelos eram rapados e as roupas tiradas e substituidas por estes factos horríveis. Notem que quando se faz isto a uma pessoa, rouba-se-lhe a identidade.” (suspiro e snif). Ai é? Sempre pensei que a identidade era um fenómeno interior...
- O sorriso que nos abriu quando apontou para uma estrutura de madeira e disse: “aqui foi enforcado o comandante do campo. Pena que só tenha sido ele”. (não houve suspiro nem snif).


O campo de concentração de Auschwitz é surpreendentemente pequeno. O que chamam de “barracões” são umas vivendas em tijolo vermelho e estrutura de madeira, construção típica alemã, muito espaçosa e agradável – com aquecimento original (que também se encontra nos barracões de madeira em Birkenau) – onde não nos importariamos nada de viver.
Em cada uma delas era um ror de palavreado: "extermínio", "solução final", "entre no caminho da morte", "veja o horror", "experiências médicas", e até o que reconheci, sem dificuldade, ser um edificio típico que servia como um antigo posto de correio dos alemães tinha uma placa "perigo de morte". Histeria total.

Já Birkenau é outra conversa. Um campo enorme, lamacento, esmagador e depressivo. Mas que diabo, aquilo era mesmo para ser uma prisão e não um campo de férias. Passámos por baixo da torre que todos conhecem da Lista de Schindler ou de A Vida é Bela, pelo lugar de selecção entre os capazes e incapazes de trabalhar e por fim fomos levados às câmaras de gás e aos crematórios. O que são? Bom, um amontoado informe de pedra, ferro, tijolo e betão dentro dos quais, em supostas perfeitas condições, eram exterminadas 3000 pessoas de cada vez. Tudo aquilo me pareceu improvável e burlesco.

Um pequeno pote com cinzas. Meia dúzia de óculos. Uns montes de cabelo humano. Umas dezenas de malas vazias. Oito mil pares de sapatos. Não há uma foto, uma imagem, uma prova real de exterminios em massa em lado algum. Não existe uma câmara de gás – a "única" está em Auschwitz, e a própria guia admitiu, é uma reconstrução recente. Não nos admiramos da existência de crematórios, já que a organização dos campos tinha de dar destino aos corpos dos que morriam por exaustão, fuzilamento, tortura, fome, maus tratos. Mas com o número de judeus que hoje há no Mundo (cerca de 15 milhões) e com os que existiam antes da II Guerra Mundial, como foi possível desaparecerem 6 milhões? Cada casal teria de ter tido, em média, 50 filhos para repor os números, segundo a gíria.

Ambos os campos são geridos pelo estado polaco, ao que consta, com uma participação de fundação judaica. Vimos centenas e centenas de pessoas e o bilhete custa cerca de 10 euros.

17/03/2012

António Sardinha e o Fascismo


Coube à Itália romper a jornada sonhada por nós para Portugal. E tão depressa os loureiros romanos acolheram na sua sombra patrícia os legionários audazes do Fascio, toda a sagrada terra latina se agitou. Giovineza! Giovineza! Primavera di belleza! Sacudindo o seu marasmo centenário, o Ocidente acordava para as sugestões exaltadoras do futuro... O que nós quiséramos para Portugal, pôde Mussolini empreendê-lo... Enche-nos essa vitória de animadoras certezas, tanto mais que, na vizinha Espanha, um ditador se levanta também e, com gentil bravura, liberta a Realeza dos vergonhosos compromissos partidários que a diminuíam e manietavam... De modo que Benito Mussolini e Primo de Rivera, reagindo cada um segundo as possibilidades e o temperamento dos seus respectivos países, confirmam experimentalmente a admirável atitude contra-revolucionária assumida em França por Maurras e pelos seus companheiros, – atitude que o Integralismo Lusitano, por seu turno, corporizou e definiu entre nós...

António Sardinha in «A Prol do Comum: Doutrina e História».

15/03/2012

Para quando a construção do Museu?

Autarquia regista a marca 'Salazar'


A Câmara de Santa Comba Dão registou a marca 'Salazar' para promover os produtos do concelho. O primeiro artigo a ser lançado no mercado será o vinho Memórias de Salazar, em Agosto. A marca foi registada pela empresa municipal Combanima e insere-se na política autárquica de promoção turística do município, e tem como principal objectivo a construção do Museu do Estado Novo.
João Lourenço, presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, acredita que a marca Salazar vai contribuir para o desenvolvimento e promoção do concelho. "Numa altura de grave crise temos de deitar mão a tudo o que nos possa ajudar a ultrapassar as dificuldades", explicou ontem ao CM o autarca, reconhecendo que se trata de uma iniciativa que "vai ser criticada por muitos e elogiada por outros tantos".
O autarca não quer, para já, divulgar o nome do produtor que vai lançar o vinho Memórias de Salazar, mas "vai ser muito bom porque é da região do Dão. Outros vão pensar que é veneno".
O presidente da câmara garante que ainda não desistiu da construção do Museu do Estado Novo. Para isso precisa de 10 milhões de euros – parte do investimento tem de ser de privados, diz João Lourenço – e de chegar a acordo com dois herdeiros, sobrinhos de Oliveira Salazar, para a compra de património do antigo ditador.
A União dos Resistentes Antifascistas Portugueses já disse que a criação da marca Salazar vai "contar com a firme oposição" dos seus membros.

CM

11/03/2012

A Direita

A Direita não é uma ideologia, é um estilo de vida que coincide com os valores fundamentais e dentro desses valores, em primeiro lugar, como cúpula de todos eles, estão os valores cristãos. A Direita é um estilo de vida permanente dentro do qual está o amor, a família, a propriedade privada, a fé religiosa, a moral, o heroísmo na guerra como na paz, esses são os valores fundamentais que sempre caracterizaram as Direitas porque contra eles sempre se manifestaram os de Esquerda (...). Eles inventaram uma ideologia, uma filosofia para poder atacar estes valores que não necessitam de nenhuma ideologia (...). A Direita representa a vida e a Esquerda a morbidez (...). A Direita é pelo amor normal ou natural, contra o aborto, em defesa da família, contra a droga, e não em vão, porque isto significa defender a vida. Do outro campo, do campo das ideologias, que são sempre de Esquerda, vêm sempre os ataques contra a vida, defendendo sempre atitudes contra-natura.

Vintilă Horia

03/03/2012

01/03/2012

Estudo «científico» legitima infanticídio

Dois investigadores defenderam num artigo publicado no 'Jornal de Ética Médica', do conceituado grupo British Medical Journal, que bebés recém-nascidos não são pessoas e que matá-los, logo nos primeiros dias de vida, não é muito diferente de fazer um aborto. (CM)