19/03/2012

Impressões da visita a Auschwitz e Birkenau

Recentemente tivémos oportunidade de visitar os campos de concentração de Auschwitz e Birkenau, localizados no centro da Europa, em território hoje polaco. Aproveitamos para deixar algumas impressões sobre o que vimos, tecendo considerações e fazendo perguntas.

Tido como Evangelho pós-II Guerra Mundial, o chamado Holocausto é uma verdade absoluta. Todos conhecemos de cor pormenores, factos, números. Um catecismo autêntico, sem lugar para dúvidas ou discussões. Um dogma religioso.

Bom, nós que temos o hábito da indagação, fomos de espírito aberto para ver o que nos seria servido. Umas cinco horas de visita, injecções de sentimentalismo barato, factos absurdos, irracionalidade, senso comum abaixo do nível da água, mas nota para uma crueldade e frieza reais dos nazis.

A guia, uma polaca com um ódio de morte a todos os alemães (incluindo os não nazis, que hoje são a maioria), era uma mistura de Manuela Moura Guedes e Oprah. Entre cinco horas ininterruptas a ouvi-la bombardear-nos com técnicas de lavagem cerebral rudimentares e de pouco conteúdo, foram-se apagando as suas frases. Lembramo-nos apenas de algumas:
- Apontando para uma foto de uma criança, comenta-nos: “Olhem para esta criancinha. Têm de ver. Olhem. Eu tenho uma filha desta idade que come, canta e coisas assim. É feliz. Agora olhem para esta criancinha, como está esmagada pelo sofrimento”. (suspiro e snif) (?)
-“Vejam, os prisioneiros eram tatuados com um número e tratados por algarismos. Não mais eram pessoas”. (suspiro e snif). Bom, na escola, no secundário, na Universidade, no serviço nacional de saúde, no registo civil, sempre me trataram como um número: secretaria, cantina, serviços em geral. E daí?
-”Olhem para esta foto: à chegada os cabelos eram rapados e as roupas tiradas e substituidas por estes factos horríveis. Notem que quando se faz isto a uma pessoa, rouba-se-lhe a identidade.” (suspiro e snif). Ai é? Sempre pensei que a identidade era um fenómeno interior...
- O sorriso que nos abriu quando apontou para uma estrutura de madeira e disse: “aqui foi enforcado o comandante do campo. Pena que só tenha sido ele”. (não houve suspiro nem snif).


O campo de concentração de Auschwitz é surpreendentemente pequeno. O que chamam de “barracões” são umas vivendas em tijolo vermelho e estrutura de madeira, construção típica alemã, muito espaçosa e agradável – com aquecimento original (que também se encontra nos barracões de madeira em Birkenau) – onde não nos importariamos nada de viver.
Em cada uma delas era um ror de palavreado: "extermínio", "solução final", "entre no caminho da morte", "veja o horror", "experiências médicas", e até o que reconheci, sem dificuldade, ser um edificio típico que servia como um antigo posto de correio dos alemães tinha uma placa "perigo de morte". Histeria total.

Já Birkenau é outra conversa. Um campo enorme, lamacento, esmagador e depressivo. Mas que diabo, aquilo era mesmo para ser uma prisão e não um campo de férias. Passámos por baixo da torre que todos conhecem da Lista de Schindler ou de A Vida é Bela, pelo lugar de selecção entre os capazes e incapazes de trabalhar e por fim fomos levados às câmaras de gás e aos crematórios. O que são? Bom, um amontoado informe de pedra, ferro, tijolo e betão dentro dos quais, em supostas perfeitas condições, eram exterminadas 3000 pessoas de cada vez. Tudo aquilo me pareceu improvável e burlesco.

Um pequeno pote com cinzas. Meia dúzia de óculos. Uns montes de cabelo humano. Umas dezenas de malas vazias. Oito mil pares de sapatos. Não há uma foto, uma imagem, uma prova real de exterminios em massa em lado algum. Não existe uma câmara de gás – a "única" está em Auschwitz, e a própria guia admitiu, é uma reconstrução recente. Não nos admiramos da existência de crematórios, já que a organização dos campos tinha de dar destino aos corpos dos que morriam por exaustão, fuzilamento, tortura, fome, maus tratos. Mas com o número de judeus que hoje há no Mundo (cerca de 15 milhões) e com os que existiam antes da II Guerra Mundial, como foi possível desaparecerem 6 milhões? Cada casal teria de ter tido, em média, 50 filhos para repor os números, segundo a gíria.

Ambos os campos são geridos pelo estado polaco, ao que consta, com uma participação de fundação judaica. Vimos centenas e centenas de pessoas e o bilhete custa cerca de 10 euros.

3 comentários:

Anónimo disse...

O Nazismo "bem explorado" dá muito dinheiro a ganhar..basta ver os livros sobre o Hitler...Hitler Homosexual,Hitler na sanita,Hitler e as mulheres,Hitler e a mãe Judia,Hitler isto, Hitler aquilo,...etc,etc, tudo vende e na maior parte dos casos tornam-se best sellers.Tudo serve.A história foi escrita pelos vencedores...logo..há sempre a tendência para exagerar os factos.

Reaccionário disse...

Amigo Sebastianista,

Nem de propósito! Ia eu publicar um vídeo sobre a indústria do anti-semitismo quando me deparo com este teu testemunho. É sinal que estamos de facto em sintonia.

Abraço.

Ludovico Cardo disse...

Formidável e detalhada descrição da experiência.

Qualquer dia os Alemães corrigem esses e outros erros históricos.