14/08/2013

Aljubarrota


Festa popular e festa de mocidade. Nuno Álvares tinha vinte e três anos quando da revolução em Lisboa, e 25 em Aljubarrota; D. João I, 25 ao ser proclamado defensor do reino e 27 na segunda daquelas datas. O estado maior do Condestável eram rapazes de pouca idade, com o espírito aventuroso e irrequieto dos jovens, insofridos nas pelejas, mas obedecendo cegamente ao chefe. Com estes se fez a campanha e se assegurou a independência de Portugal.
Hoje como então se exige espírito novo para fazer a revolução nacional. O espírito novo é mais fácil encontrá-lo em novos que em velhos, ainda que haja velhos com mocidade de espírito e moços gastos por interesses e preocupações que não costumam ser da sua idade. É, porém, essencial que o espírito da mocidade seja por nós formado no sentido da vocação histórica de Portugal, com os exemplos de que é fecunda a História, exemplos de sacrifício, patriotismo, desinteresse, abnegação, valentia, sentimento da dignidade própria, respeito absoluto pela alheia.
Facto cheio de ensinamentos é o comemorado hoje: homens que sirvam de exemplo para a nossa formação esses que, à volta de D. João I e do Condestável, batalharam e serviram e foram de tamanha estatura que futuros séculos de maravilha não lhes tocaram nem os puderam diminuir. Sobretudo esse Condestável D. Nuno, depois Frei Nuno de Santa Maria, guerreiro e monge, chefe de exércitos e edificador de conventos, vencedor de castelhanos e distribuindo em maus anos seus bens pelos mesmos que derrotara em batalhas para que não mandassem na sua terra, erguendo sua valentia no altar da Pátria como a Igreja o havia de erguer pelas suas virtudes nos altares da fé, cheio de honras e riquezas e enterrado em vida no Convento do Carmo, na dura estamenha de frade, quando depois de Ceuta lhe pareceu já não ser necessária a espada para defesa da Pátria, mas disposto de novo a vestir as armas se el-Rei de Castela mais alguma vez se tentasse a invadir Portugal.

António de Oliveira Salazar in «A Voz», n.º 3048, 15 de Agosto de 1935.

1 comentário:

Anónimo disse...

Brilhante testemunho de um Português de Lei, exaltando os Gloriosos e inesquecíveis Feitos de outro Grande dentre os Grandes e Valente dentre os Valentes, da nossa Pátria Imortal.
Exemplos sublimes e imorredouros de um espírito guerreiro sobre-humano com que um punhado de Heróis, vertendo sangue, suor e lágrimas derramados sobre este chão sagrado que é o nosso, perservou e nos legou uma Nação Gloriosa, Independente e Soberana. Para que a juventude actual saiba quem fomos durante 900 anos e no que nos tornámos, graças a outro punhado agora não de heróis mas dos maiores traidores a que o nosso País jamais assistiu e a quem, para nossa extrema infelicidade e eterna desgraça, num dia tremendamente cruel e azarento, concederam total permissão para a entrada num território durante séculos e séculos uno e indivisível, dando início à incomensurável tragédia e um crime sem perdão, que foi o princípio do fim de Portugal.
Maria