26/09/2015

D. João V e as "praxes" académicas


Hoje têm o nome de "praxes", mas até ao século XVIII fala-se de "investidas". Os rituais destinados aos novatos da Universidade de Coimbra foram muitas vezes marcados por alguma dose de violência, várias vezes postos em causa e até proibidos. Em 1727, por exemplo, D. João V interditou totalmente qualquer "investida". Alegou o Rei que as actividades, apesar de serem muito antigas na universidade, se haviam tornado cada vez mais bárbaras. A morte de um estudante, no ano anterior, poderá ter sido a última gota. E o monarca deliberou: "É por bem, e mando que todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos".

4 comentários:

Telmo Pereira disse...

Hoje, o que se confunde é a Praxe e a mobilização do caloiro.
Uma é a Praxe, outra é a mobilização. Qual a diferença? Praxe são os usos e costumes dos estudantes, passados por tradição, e recentemente codificados nos Códigos de Praxe (bem ou mal isso é outra questão).
A Praxe não é necessariamente má. Quando se diz isto, pensa-se logo em: sim a praxe serve para conhecer os colegas de turma e os doutores. É daqui que grande parte confunde. A Praxe não é necessariamente má, porque os costumes que foram trazidos tem séculos. E advieram de séculos onde havia catolicismo. É como a escravatura, que não é necessariamente má. Mas na escravatura não cabe os abusos, isso seria contra a própria escravatura. É como funciona a Praxe.
Um exemplo: é de Praxe, trajar bem a "capa e batina". É de praxe quando estamos na Missa a capa estar descaída sobre os ombros (o mesmo quando estamos diante de uma pessoa importante, ou outra situação solene). Isto até são costumes bastante nobres.
Hoje, D. João V proibiria as mobilizações ou os gozos. Hoje, proibir estas "praxes" era até boa coisa. A única coisa positiva que tem é que conhece-se os colegas. ensinamentos morais - nenhuns...

A AAC tem um site a informar quando à "praxe" e quando não há. Por exemplo, quando a UC decreta luto académico. Isto está errado. Nesse tal site, não deveria dizer: Hoje não há praxe. O que devia dizer era: hoje não pode haver as tais "investida", hoje mobilização ou gozos, ou trupes. Aliás, é de Praxe o estudante andar com capa descaída sobre os ombros, e abotoar o colchete de forma que a batina se feche em cima e pouco se veja a camisa.

Reaccionário disse...

Praxe vem do grego práxis que significa prática, costume ou regra. Portanto quando falamos em praxes académicas, falamos de facto de práticas ou costumes académicos, como o uso do traje, etc. Contudo, o termo praxe ganhou uma conotação negativa de ritual de humilhação ao caloiro. E hoje em dia já ninguém se lembra que é da praxe trajar com capa e batina, etc. Enfim, tudo produto de uma degeneração moral e cultural.

Caloiro disse...

Caloiros trocam praxes por enxadas e pincéis

Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/nacional/sociedade/detalhe/caloiros_trocam_praxes_por_enxadas_e_pinceis.html

Telmo Pereira disse...

Pois é, caro Reaccionário, é como estamos.

Peço ao autor do blogue que me permita responder ao "Caloiro".

Caloiro. Isso não é da Praxe. Era preferível que os "doutores" dissessem: "bem, quem quer vir ocupar o tempo destinada à mobilização em fazer actos sociais?" Agora transformar isto em praxe, é ridículo. Parece que há uma tentativa de legitimação de um "praxe boa". Não há praxe praxe boa, nem há praxe má. Há sim Praxe. E tudo o que pode ameaçar a moral é um abuso.

"Dura Praxis, sed Praxis."