28/12/2015

TV: arma de estupidificação em massa


Ver televisão é a actividade de lazer (ou melhor, não-actividade) preferida de milhões de pessoas em todo o mundo. O americano médio, aos sessenta anos, passou quinze anos em frente a um ecrã de televisão. Passa-se o mesmo em muitos outros países.
Muitas pessoas acham que ver televisão é "relaxante". Observe de perto e perceberá que quanto mais tempo o ecrã for o centro da sua atenção, mais a sua actividade mental se torna suspensa, e nos longos períodos em que está a ver um talk-show, um concurso, uma comédia, ou até publicidade, não há qualquer pensamento gerado na sua mente. Não apenas não se lembra mais dos seus problemas, como se torna temporariamente livre de si mesmo – o que poderá ser mais relaxante que isso?
Ver televisão cria um espaço interior? Torna-o presente? Infelizmente, não. Apesar de, por longos períodos a sua mente possa não gerar qualquer pensamento, está ligada ao show televisivo. A sua mente está inactiva apenas no sentido em que não produz pensamentos. Continua, no entanto, a absorver continuamente pensamentos e imagens que atravessam o ecrã de televisão. Isto induz a uma espécie de transe, um estado passivo de alta susceptibilidade, não muito diferente da hipnose. Por isso, a televisão está ligada à manipulação da "opinião pública". Políticos e grupos de interesse, assim como publicitários, sabem-no e, por isso, pagam milhões de dólares para apanhar o espectador nesse estado de receptividade descuidada. Eles querem que os seus pensamentos se tornem os pensamentos do espectador, e normalmente conseguem.

Eckhart Tolle in «A New Earth».

4 comentários:

Anónimo disse...

Completamente d'acordo com esta opinião abalizada da estupidificação ou borrificação (como eu costumo chamar-lhe) que a televisão representa para as populações. Sem dúvida alguma. Não será isto mesmo que todas as televisões querem? Lembro-me de antes do 25/4 as emissões com horário reduzido no tempo e os seus telejornais, programas de entretenimento e outros, serem relativamente exíguos e dir-se-ia parcas, isto comparativamente com os programas das televisões de alguns países europeus e mais ainda norte-americanos, que eu conhecia razoàvelmente bem.

Veio a 'democracia' acompanhada da 'liberdade' para todos e TUDO e foi então que começou a pouco e pouco, aumentando ràpidamente com uma fúria incontrolável, o alienamento do povo com especial incidência para a juventude. As emissões com a duração de quatro horas e mais, sem interrupção, de grupos heavy-metal, que preenchiam a tarde inteira, seguindo-se, à medida que os anos iam passando, programas vindos da estranja de qualidade mais do que duvidosa, com destaque para novelas brasileiras, a maioria delas (salvo excepções) com argumentos promovendo propositadamente a degradação dos costumes e das relações familiares e subreptìciamente das sociais. Seguiram-se, sempre em crescendo, as séries norte-americanas de baixíssimo nível a puxar para o deboche, quando não da pornografia explícita (o mesmo na cinematografia que foi aparecendo particularmente a enviada dos States, em ambos os casos prolongando-se e agudizando-se até aos dias de hoje) e a promoção diária de grupos-rock de sofrível qualidade, sempre com o objectivo específico de atrair para o seu modo de vida promíscuo e mesmo degradante (dos próprios grupos e estendendo-se às mensagens subliminares implícitas nas letras das canções dos ditos) uma juventude inocente, generosa e extremamente influenciável, acompanhados de filmes com argumentos cada vez mais debochados. Na remessa vinda dos E.U. com destino às democracias europeias, tendo a nossa, pelo facto de estar novinha em folha, obtido um lugar preferencial na lista para a respectiva 'exportação', com a inestimável e preciosa ajuda dos 'grandes libertadores do povo português', então foi uma festa, incluíam-se quantidades industriais de filmes com argumentos violentíssimos, incluíndo desenhos animados de terror e horror para crianças de poucos anos, alguns deles com o patrocínio de outra comunista, M. Alberta Menéres, bem como daquele apresentador também comuna cujo nome não me recordo de momento, mas que era famoso por apresentar desenhos animados para crianças antes do 25/A e que, uma vez introduzida a dita de má memória, aproveitou logo a deixa e começou d'imediato a apresentar os mais violentos e assustadores desenhos animados (a maioria oriundo da Polónia, imagine-se?!; a Menéres também recorreu a estes execráveis desenhos animados) durante vários anos, que foram aumentando exponencialmente tanto em violência como de forma aviltante, desde então até há relativamente poucos anos. Embora - a comunagem não dorme em serviço - tal continue a verificar-se ainda em muitos campos, sejam eles filmes, documentários e reportagens e até em novelas portuguesas e brasileiras.
(cont.)

Anónimo disse...

(Conclusão)

Porém e não obstante, os programas televisivos do antigo regime, com horário preciso (e decente) e não muito variados, tinham o enorme mérito, pelo menos alguns deles, de serem especialmente didácticos e de elevada concepção e realização e de qualidade superior pelos extraordinários intelectuais que os apresentavam, muito apreciados e acarinhados pelo público, com especial destaque para os incomparáveis João Villaret, Vitorino Nemésio, António Lopes Ribeiro e José Hermano Saraiva.

Nesses tempos a única televisão que havia emitia em sinal aberto durante poucas horas, é certo, mas as que existiam eram respeitadoras do público e este era de todas as idades, assim como da moral e dos costumes, além de promover e dar trabalho a artistas e pessoal técnico prioritàriamente nacional, além de òbviamente possuir nos seus quadros excelentes jornalistas. Aquela de então não tem comparação possível com a que veio depois e que ainda aguentamos com dificuldade. A programação, a maioria indignante e/ou de baixo nível, que as nossas televisões têm exibido nos últimos quarenta anos - com algumas as naturais alterações e menos restrições estatais verificadas nos programas televisivos dos respectivos países desde que a implosão da União Soviética - nem as televisões dos países sob regime soviético eram autorizadas a passar e muito menos e sobretudo grupos de rock e de heavy-metal que eram aliás totalmente proibidos nesses países, os mesmos cujo regime tão idolatrado era e ainda é, apesar de já ser inexistente na Europa, pelos hipócritas e cínicos comunistas e esquerdistas de todos os matizes que por cá ainda vicejam e que após o 25/4 brotaram do nada como cogumelos para nos vir infernizar o corpo e a alma e simultâneamente fazer vingar malèficamente as regras, hábitos e costumes dos regimes comunistas de então que defendiam e continuam a defender com unhas e dentes, regimes esses cujas leis estatais despòticamente introduzidas no sistema - e caso fossem desrespeitadas seriam severamente punidas com prisões psiquiátricas, gulags e inclusive pena de morte - sinónimo de uma ditadura sanguinária, queriam então e continuam ainda a querer introduzir no nosso País, agora já não à força mas de um modo mais diabóico porque cínica e sub-reptìciamente, como um estilo de vida política, social e moral.

Se isto não significa estarmos perante doutrinadores incansáveis de algo tremendamente maléfico e em simultâneo introdutores voluntariosos no nosso País de um regime que foi/é consabidamente tirânico, sinónimo do verdadeiro espírito do Mal, então terão que ser inventados novos adjectivos para os qualificar como realmente merecem.
Maria

Anónimo disse...

No primeiro comentário, leia-se "... e dir-se-ia parcos"

E "(a maioria oriunda da Polónia...)"

E há mais algumas pequenas faltas.

Maria

Anónimo disse...

Não há uma sem duas, nem duas sem três:) Esta pequena nota devia ter sido acrescentada aos meus anteriores comentários. Aliás já a devia ter enviado há muito tempo, facto de que me penintencio.

Deixo-lhe os meus parabéns pelos brilhantes textos que aqui vem reproduzindo e que vou lendo com imenso gosto desde sempre.
Maria