Por essas e por outras é que sempre aconselho aos jovens intelectuais a prática de trabalhos manuais. Aprendam a consertar torneiras, a descobrir curto-circuitos e assim terão um exercício de docilidade ao real. Não é só com a cabeça que o homem pensa, é também com as mãos. É preciso nunca ter mudado um fusível ou nunca ter pregado um botão nas calças para chegar ao irrealismo profundo dos "intelectuais" que trazem seus brilhantes talentos para pronunciamentos que deveriam versar sobre coisas simples como o pão e a água, e por excesso de categorias mentais deixam de ver o elefante, o piano e outras coisas mais volumosas.
Gustavo Corção in jornal «O Globo», 29 de Agosto de 1970.












