01/03/2017

Quarta-feira de Cinzas


Lembra-te ó homem que és pó, e que em pó te hás-de tornar. (Génesis 3, 19)

É certíssimo que todos devemos morrer, mas não sabemos quando. "Nada há mais certo do que a morte – diz Idiota – porém nada mais incerto do que a hora da morte".
Meu irmão, estão fixados ano, mês, dia, hora e momento em que terás que deixar este mundo e entrar na eternidade; porém nós o ignoramos. Nosso Senhor Jesus Cristo, a fim de estarmos sempre bem preparados, disse que a morte virá como um ladrão, oculto e de noite (I Tessalonicenses 5, 2). Outras vezes exortou a que estejamos vigilantes, porque, quando menos esperarmos, virá Ele a julgar-nos (Lucas 12, 40). Disse São Gregório que Deus nos oculta, para nosso bem, a hora da morte, a fim de que estejamos sempre preparados para morrer. Disse São Bernardo: A morte pode levar-nos em qualquer momento e em qualquer lugar; por isso, se queremos morrer bem e salvar-nos, é preciso que a estejamos à espera em qualquer tempo ou lugar.
Ninguém ignora que deve morrer; mas o mal está em que muitos vêem a morte a tamanha distância que a perdem de vista. Mesmo os anciãos mais decrépitos e as pessoas mais enfermas não deixam de alimentar a ilusão de que hão-de viver mais três ou quatro anos. Eu, porém, digo o contrário: Devemos considerar quantas mortes repentinas vemos em nossos dias. Uns morrem caminhando, outros sentados, outros dormindo em seu leito. É certo que nenhum deles julgava morrer tão subitamente, no dia em que morreu. Afirmo, ademais, que de quantos no decorrer deste ano morreram na sua própria cama, e não de repente, nenhum deles imaginava que devia acabar sua vida neste ano. São poucas as mortes que não chegam inesperadas.
Assim, pois, cristão, quando o demónio te provoca a pecar, sob o pretexto de que amanhã te confessarás, diz-lhe: Quem sabe se não será hoje o último dia da minha vida? Se esta hora, se este momento, em que me apartasse de Deus, fosse o último para mim, de modo que já não restasse tempo para reparar a falta, que seria de mim na eternidade? Quantos pobres pecadores tiveram a infelicidade de ser surpreendidos pela morte ao recrearem-se com manjares intoxicados e foram precipitados no inferno? "Assim como os peixes caem no anzol, assim são colhidos os homens pela morte num momento mau" (Eclesiastes 9, 12). O momento mau é exactamente aquele em que o pecador ofende a Deus.
Diz o demónio que tal desgraça não nos há-de suceder; mas é preciso responder-lhe: E se suceder, que será de mim por toda a eternidade?

Santo Afonso Maria de Ligório in «Preparação para a Morte».

E se o justo a custo se salva, o que virá a ser do ímpio e do pecador? (I Pedro 4,18)

1 comentário:

Josephvs disse...

Uma prece pla Alma de meu pai Adelino
Obrigado