27/04/2017

A Páscoa na União Soviética

Propaganda ateia na URSS.

Na noite de Sábado para Domingo de Páscoa, antes do início da missa, os templos cristãos em Moscovo eram cercados por polícias e drujiniki (uma espécie de milícias populares) que identificavam as pessoas antes de as deixarem entrar. No caso de estudantes da Universidade de Moscovo (Lomonossov), onde eu estudei, a ida a uma dessas cerimónias poderia significar a expulsão da escola superior... Além disso, a fim de afastar os cidadãos soviéticos das igrejas, principalmente jovens, a televisão transmitia programas musicais em que participavam cantores nacionais e estrangeiros que só muito raramente podiam ser vistos nos ecrãs.

José Milhazes in «A Mensagem de Fátima na Rússia», 2016.


24/04/2017

Defensor de "causas perdidas"


Já citei aquele pensamento salutar: não se é obrigado a vencer; mas toda a gente é obrigada a lutar.
Neste, como noutros campos, lutarei, sozinho, sem esperanças de ser ouvido; já estou habituado ao silêncio – ou a minha doença me não tivesse ensinado a conformar-me com o silêncio...
Lutarei, pois, sozinho, sem esperanças de ver os meus esforços serem secundados.
Já um dia me chamaram, com envenenada má-fé, «defensor de causas perdidas».
Admirável coisa esta de defender causas vencidas, homens vencidos, sobre que as vagas alterosas da Vitória passam, altaneiras e invencíveis! Com essa defesa, não se colhem bens, nem louros; colhem-se antes desgostos e lágrimas. Mas fica-nos a consciência tão límpida como a água que brota de rocha virgem...

Alfredo Pimenta in «Três Verdades Vencidas: Deus, Pátria, Rei», 1949.

19/04/2017

O Erro não tem direitos


O nada não tem direito nenhum, visto que não existe. É impossível, aquilo que não existe, ter direitos. Atribuir direitos ao nada é portanto uma injustiça. Ora, o que se faz quando se atribui direito ao erro? Atribui-se direito ao nada. Basta tomar consciência do que são a verdade e o erro para entender. A verdade encontra-se na inteligência, na medida em que a inteligência reproduz exactamente uma realidade existente. Quando a inteligência produz intelectualmente uma coisa que não é, então há erro. Ora, o que acontece em caso similar? Tenho na minha mente a ideia de uma coisa como se fosse. Atribuo-lhe o direito de ser na minha mente como se existisse. Na realidade não é. Visto que não é, ela é uma criação do meu próprio espírito, sem fundamento nenhum. Como posso dar como base à minha vida, à minha actividade, uma realidade que não existe? O que deve resultar de uma tal aberração? O que resulta necessariamente em todo o prédio que se constrói sem fundamento. Dou como base à minha vida e à minha actividade uma ideia a que não corresponde nada de objectivo e de real, necessariamente todo o edifício intelectual e social, que se ergue assente nesta ideia, está destinado a ruir. Para uma vida e uma acção não pode haver outro fundamento senão uma realidade verdadeira. E por isso, só a verdade tem, na ordem individual e social, o direito à existência. Sob nenhum ponto de vista, o erro pode reivindicar este direito. Quando o erro se instala numa inteligência, ou nas multidões, usurpa os direitos que não lhe pertencem; é injusto.

Pe. Philippe C.SS.R. in «Catecismo dos Direitos Divinos na Ordem Social».

14/04/2017

Anima Christi


Alma de Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro das Vossas Chagas, escondei-me.
Não permitais que de Vós me separe.
Do espírito maligno, defendei-me.
Na hora da minha morte, chamai-me.
E mandai-me ir para Vós,
para que Vos louve com os Vossos Santos,
por todos os séculos dos séculos.
Ámen.

Santo Inácio de Loyola

09/04/2017

Jesus Cristo e o sentido da História


Qual é pois o verdadeiro sentido da História? Há por acaso um sentido da História? Toda a História tem por centro uma pessoa: Nosso Senhor Jesus Cristo, porque como diz São Paulo: "Nele foram fundadas todas as coisas, as dos céus e as que estão sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, dominações, principados ou potestades. Tudo foi criado por Ele e n'Ele, e Ele é antes de todas as coisas e n'Ele todas subsistem. Ele é a cabeça do corpo da Igreja, sendo Ele mesmo o princípio (...) para que em tudo tenha o primeiro lugar. Deus quis que toda a plenitude habitasse n'Ele, e por meio d'Ele reconciliar todas as coisas tanto as da Terra como as do Céu, trazendo a Paz mediante o sangue de Sua Cruz".

Jesus Cristo é portanto o pólo da História. A História tem somente uma lei: "É necessário que Ele reine" (I Coríntios 15, 25). Se Ele reina, reinam também o verdadeiro progresso e a prosperidade, que são bens muito mais espirituais do que materiais. Se Ele não reina, vem a decadência, a caducidade, a escravidão em todas as formas, o reino do mal. É o que profetiza a Sagrada Escritura: "Porque a nação e o reino que não Te servem perecerão, estas nações serão completamente destruídas" (Isaías 60, 12). Há excelentes livros sobre a filosofia da História, mas que me deixam surpreso e impaciente ao comprovar que omitem este princípio absolutamente capital, ou não o põe no lugar que lhe é devido. Trata-se do princípio da filosofia da História, sendo também uma verdade de Fé, verdadeiro dogma revelado e confirmado centenas de vezes pelos factos!

Eis a resposta à pergunta: Qual é o sentido da História? A História não tem um sentido, uma direcção imanente. Não existe o sentido da História. O que há é um fim da História, um fim transcendente: a "recapitulação de todas as coisas em Cristo"; é a submissão de toda ordem temporal à Sua obra redentora; é o domínio da Igreja militante sobre a cidade temporal que se prepara para o reino eterno da Igreja triunfante no Céu. A Fé afirma e os factos o demonstram que a História tem um primeiro pólo: a Encarnação, a Cruz, Pentecostes; ela teve o seu completo desenvolvimento na cidade católica, quer seja em Carlos Magno ou em Garcia Moreno; e terminará, chegará ao seu pólo final quando o número dos eleitos se completar, depois do tempo da grande apostasia (II Tessalonicenses 2, 3); não estamos vivendo este tempo?

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

06/04/2017

História dos Milagres do Rosário (VII)

(continuação da parte VI)

Declara-se o fundamento da história e diálogo que é uma peregrinação, que três Teólogos pregadores do Colégio Real da Purificação da Universidade de Évora fizeram a Nossa Senhora de Guadalupe.

Entre outras muito magníficas e reais obras, que o Sereníssimo Rei Dom Henrique, de gloriosa memória, fez sendo Cardeal e Arcebispo de Évora, depois de haver fundado o Colégio da Companhia de Jesus e sua Universidade, com largueza e magnificência que convinha a sua pessoa Real, e zelo que tinha do acrescentamento da religião Cristã foi levantar de novo Colégio para Colegiais Teólogos, que chegassem a número de cento, e este com tanta grandeza e formosura de edifício, que bem parece obra digna de tal Rei. Nele se recebem os Colegiais por oposição e concurso, como se costuma em todas as outras Universidades, e recebidos se criam todos em letras e virtude, como convém ao fim para que são recebidos. E porque o que pretendeu seu fundador foi ajudar as almas de todo este Alentejo, e Reino de Portugal, sua ocupação (depois da que tem nas letras) e de exercícios muito acomodados à perfeição do Sacerdócio e pregação Evangélica a que todos vão encaminhados, sendo em tudo ajudados do Reitor do Colégio e Universidade da Companhia, a que está em tudo sujeito este da Purificação.

Introduzimos pois (imitando muitos e graves autores) o que realmente muitas vezes aconteceu em semelhantes colégios, três Colegiais sacerdotes e pregadores, todos de muitas letras e exemplo de virtudes, entre os quais havia particular amizade espiritual, todos muito zelosos da honra de Deus, e de aproveitar as almas, com pregar e confessar, o que muitas vezes tinham feito e por tempo. Um deles se chamava Anselmo, homem já de idade e que por muitos anos se tinha ocupado em pregar em diversas partes deste Reino. Marcelo era também pregador e muito inclinado a ouvir confissões, com que tinha feito grande fruto: e Eusébio era Diácono, que tinha acabado seus estudos de Teologia e dava esperanças de que havia de ser um grande sujeito e instrumento, de que os prelados se ajudassem de seu talento.

Depois que entraram naquele Colégio, se assinalaram em letras e virtude, e como tinham os mesmos intentos para os levar adiante, tratavam todos três muito particular amizade, ocupando-se sempre em santos exercícios, de modo que quem os via dizia que não lhes faltava nada para ser religiosos senão a profissão e hábito. Atava esta amizade uma particular propriedade que todos três tinham, a qual era serem muito devotos de Nossa Senhora, e muitas vezes quando se ajuntavam falavam dela e tratavam de suas devoções, e do modo com que fariam devoto a todo o mundo. Chegado o tempo das férias, que começa o primeiro de Agosto e acaba o último de Setembro, estando todos três em boa conversação, disse Anselmo: Temos chegado às férias, nas quais são muito diferentes as ocupações e exercícios, que os estudantes nelas tomam para suas recreações, eu desejo alguma que fosse de proveito para nossas almas e para as dos próximos. Certo, respondeu Marcelo, não se pode cuidar melhor coisa que ela, nem empregar o tempo em outra. Alegrou-se muito Eusébio e disse: Este mesmo pensamento tive esta manhã, desejando de não passar ocioso estes dois meses de férias, mas não me ocorreu até agora exercício em que os pudesse bem gastar, e aquela que apontou o senhor Anselmo, que seja proveitosa para nossas almas e para as dos próximos, me contenta sobre todas: mas ainda até agora não dou no particular dela. Muitas pode haver, acudiu Anselmo, muito próprias de sacerdotes e pregadores, como todos somos, e a mim se me oferece uma que cuido todos devem de aprovar, e é, que façamos todos três uma peregrinação a Nossa Senhora de Guadalupe, pregando no caminho a todos e em todos os lugares, vilas, e a imitação de Cristo, a devoção do santíssimo Rosário, e da Coroa e de seus milagres, e outras devoções, e com isto confessaremos a todos os que se quiserem confessar, e ensinaremos a doutrina aos que a quiserem ouvir. Ficaram estranhamente contentes Marcelo e Eusébio com o alvitre de tão boa e santa ocupação, e confirmou Marcelo o intento de Anselmo, com dizer assim se costumava antigamente, e que de Roma os Papas mandavam sacerdotes pregadores por toda a Itália, para que pregassem e confessassem, e o mesmo faziam os prelados que tinham zelo de aproveitar as suas ovelhas, e que havia poucos anos que o Cardeal Bartolomeu Arcebispo de Milão viera a pé, em forma de peregrino com alguns seus clérigos a Sabóia adorar o Santo Sudário, e naquela peregrinação fizeram tão grande fruto, assim com a doutrina, como com o exemplo: e se os Cardeais isto faziam em Itália, que também seria de muita edificação fazerem-no os sacerdotes em Portugal, e em Évora. Estando todos neste acordo, foram dar conta ao Reitor da Universidade deste seu conselho e peregrinação, o qual como homem muito espiritual e zeloso da honra de Deus, se alegrou grandemente de ver seus santos desejos, e abraçando-os a todos com muito amor, lhe deu sua bênção e os animou com muitos santos conselhos, louvando a boa obra em que se ocupavam, e que teria muito cuidado de os mandar encomendar a Deus, para que fosse muito servido nesta peregrinação. Eles despedidos de todos os Colegiais, se partiram caminho direito de Nossa Senhora de Guadalupe, no qual lhe aconteceram as coisas que a história nos irá descobrindo.

(continuação parte VIII)

01/04/2017

Dia das mentiras?


Que é a mentira?
A mentira é um pecado que consiste em afirmar como verdadeiro ou como falso, por meio de palavras ou de acções, o que se sabe não ser assim.

De quantas espécies é a mentira?
A mentira é de três espécies: jocosa, oficiosa e danosa.

Que é a mentira jocosa?
Mentira jocosa é aquela pela qual se mente por gracejo e sem prejuízo para ninguém.

Que é a mentira oficiosa?
Mentira oficiosa é a afirmação de uma falsidade para utilidade própria ou alheia, sem prejuízo para ninguém.

Que é a mentira danosa?
Mentira danosa é a afirmação de uma falsidade com prejuízo do próximo.

É lícito alguma vez mentir?
Nunca é lícito mentir, nem por gracejo, nem para proveito próprio ou alheio, porque é coisa má por si mesma.

Que pecado é a mentira?
A mentira, quando é jocosa ou oficiosa, é pecado venial; mas, quando é danosa, é pecado mortal, se o prejuízo que causa é grave.

Retirado do «Catecismo Maior de São Pio X» (que é uma simplificação por meio de perguntas e respostas do Catecismo Romano de 1566, o catecismo católico propriamente dito).