06/04/2018

Da tirania bancária


O carácter mais sinistro e anti-social do dinheiro escriturado é a sua não existência. Os bancos devem ao público uma quantia total de dinheiro que não existe. Comprando e vendendo por meio de cheques, só se produz uma troca no particular a quem o dinheiro é devido pelo banco. Enquanto a conta de um cliente é debitada, a de outro cliente é creditada, e os bancos podem continuar a dever indefinidamente essa quantia.
Só o capital do grande negócio bancário, tal como existe hoje, beneficia com a emissão de dinheiro. Graças a uma artimanha, tendo começado sem nada próprio, os banqueiros puseram o mundo inteiro a dever-lhes dinheiro. Esse dinheiro nasce cada vez que os bancos "emprestam" e desaparece cada vez que o empréstimo é devolvido. De maneira que, se a indústria pagar tudo, o dinheiro da nação desaparece. É isto que torna a prosperidade tão "perigosa", já que destrói o dinheiro justamente quando é mais necessário, precipitando a crise.
Não nos resta mais nada, a não ser afundar cada vez mais em dívidas ao sistema bancário, de forma a fornecer as quantidades crescentes de dinheiro que a nação requer para a sua expansão e crescimento. Um sistema monetário honesto é a única alternativa.

Frederick Soddy in «Wealth, Virtual Wealth and Debt», 1926.

2 comentários:

Anónimo disse...

«Convém que o povo não perceba como funciona o sistema bancário e monetário, pois se percebesse acredito que haveria uma revolução antes de amanhã de manhã.» - Henry Ford, 1922.
(Stonefield)

Anónimo disse...

Qual o país que conseguiu pagar os JUROS da dívida? Quem em seriedade e juízo pede empréstimos a juros exorbitantes, sem ter qualquer garantia que pode pagar? Como achar que o empréstimo trará desenvolvimento, se aqueles que estão supostamente muito mais desenvolvidos o fizeram também? Afinal, de que serviria a desculpa do "desenvolvimento" se, ao mesmo tempo, era dado o argumento de "se não nos endividamos, ficamos para trás dos outros que se endividaram"... Portanto,criamos dívida para ficarmos na mesma posição a nível internacional, e a nível interno ficamos hipotecados (nem mais donos do que dizemos ser nosso). Grande ardil... em suma: os europeus não são mais os "proprietários" da Europa! ...