28/10/2018

Dia de Cristo Rei

Santuário de Cristo Rei (Almada)

Instituindo a festa de Cristo Rei, o Papa Pio XI quis proclamar solenemente a realeza social de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre o mundo. Rei das almas e das consciências, das inteligências e das vontades, Cristo é também o Rei das famílias e das cidades, dos povos e das nações, o Rei de todo o universo. Como Pio XI demonstrou na encíclica Quas Primas de 11 de Dezembro de 1925, o laicismo é a negação radical desta realeza de Cristo; organizando a vida social como se Deus não existisse, leva à apostasia das massas e conduz a sociedade à ruína.
Toda a missa e o ofício da festa de Cristo Rei são uma proclamação solene da realeza universal de Cristo contra o laicismo do nosso tempo. A missa começa por uma das mais belas visões do Apocalipse, em que o Cordeiro de Deus, imolado, mas doravante na glória, é aclamado pela imensa legião dos anjos e dos santos. Fixada no último domingo de Outubro, no fim do ciclo litúrgico, e precisamente nas vésperas de Todos os Santos, a festa de Cristo Rei apresenta-se como a coroa de todos os mistérios de Cristo e como a antecipação no tempo, da realeza eterna por Ele exercida sobre todos os eleitos na glória do Céu. A grande realidade do Cristianismo é Cristo ressuscitado, reinando com todo o esplendor da Sua vitória, no meio dos eleitos que são a Sua conquista.

Fonte: «Missal Romano Quotidiano», 1963.

§

Hino: Ó Cristo, nós vos proclamamos Príncipe dos séculos, Rei das nações, único árbitro dos espíritos e dos corações. Ámen.

27/10/2018

Quantidade não é qualidade


Porque é muito melhor ter poucos ministros, mas bons, idóneos e úteis, do que ter muitos que de nada servirão para a edificação do Corpo de Cristo, que é a Igreja Católica.

Papa Bento XIV in «Ubi Primum», 1740.

23/10/2018

Os humanistas


Como os modernos intelectuais desaprovam o patriotismo, uma estranha frieza e irrealidade paira sobre o seu amor pelos homens. Se lhes perguntar se amam a humanidade, eles responderão prontamente que sim. Mas se lhes perguntar a respeito das classes que compõem essa mesma humanidade, descobrirá que as odeiam todas. Odeiam reis, odeiam padres, odeiam soldados, odeiam marinheiros, desconfiam dos homens de ciência, denunciam as classes médias, desprezam os trabalhadores, mas adoram a humanidade. Eles falam sempre da humanidade como se fosse uma curiosa nação estrangeira. Eles estão a separar-se cada vez mais dos homens para exaltar a estranha raça da humanidade. Estão a deixar de ser humanos, num esforço para serem humanistas.

G. K. Chesterton in «The Patriotic Idea», 1904.

20/10/2018

A Verdade e a "verdade" do Partido


Perguntaram a um missionário na China: «O que é a verdade?». Depois de a explicar, o juiz comunista respondeu: «Não! A verdade é o que diz o Partido!». Daqui, o que hoje dizemos, ser "verdadeiro" para hoje. O que dissermos amanhã, embora seja ao contrário do que se disse ontem, será o "verdadeiro" da altura. A táctica segue a situação histórica de dado período. Como disse Lenine: «Para conseguirmos a revolução no mundo devemos empregar todos os estratagemas, manobras, métodos ilegais, mentiras e subterfúgios».

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

16/10/2018

O mal menor


O princípio moral de que é lícito escolher um mal menor só vale em determinados casos, por exemplo o da legítima defesa, servato moderamine inculpatae tutelae, como dizem. Não vale sempre. No caso de consciência proposto pelo filme Seven Waves Away, por exemplo, o capitão do barco salva-vidas que dá directamente a morte a alguns náufragos para salvar o resto, procede imoralmente.
No caso do erro, não se pode escolher o "erro menor". Qual é o erro menor? Porventura o erro misturado com verdades? Esses geralmente são os mais perniciosos... O liberalismo é um erro. Posso escolher o liberalismo para afastar o comunismo? Não. Devo rejeitar ambos. O erro é o maior mal do homem. O liberalismo é pecado, escreveu Sardá y Salvany, um livrinho muito útil (...).
Se há uma discussão entre sete homens, um dos quais diz que dois mais dois são quatro, outros três dizem que dois mais dois são cinco, e os três restantes que dois mais dois são quatrocentos, deverá o primeiro pôr-se a favor dos que afirmam cinco porque é um erro menor?

Pe. Leonardo Castellani in «El mal menor», 1958.

08/10/2018

Satanás no mundo


Abordemos o problema mais de perto. Em que reconhecemos, sobretudo, a presença de Satanás? É ao Evangelho, fonte de toda a clareza, que convém perguntar.
Jesus Cristo disse sobre Satanás uma certa quantidade de coisas que devemos reunir e meditar.
Falando aos fariseus, que não cessavam de acusá-Lo, disse um dia: "Vós tendes por pai o demónio, e quereis satisfazer os desejos do vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não permaneceu na verdade; porque a verdade não está nele. Quando ele diz a mentira, fala do que é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira." (João, VIII, 44).
Acaso isto não está suficientemente claro?
Se queremos saber como se manifesta a presença de Satanás entre nós, no próprio dia em que nos encontramos, tratemos de discernir as grandes mentiras destes tempos, por um lado, e os progressos alcançados na arte de matar os homens, por outro.
Quanto mais uma época está embebida em mentiras, quanto mais seja tida em menor consideração e seja esmagada a vida dos homens sob a ameaça da morte, mais estará aí Satanás!
Podemos duvidar destes dois pontos? A mentira e o homicídio são os dois sinais da presença de Satanás. Não corremos, pois, o risco de nos enganarmos ao afirmar esta presença no coração das principais mentiras e das principais ameaças de morte que comprovamos neste momento.
(...)
A negação de Deus é o primeiro e mais grave dos embustes do nosso mundo actual. Mas não é o único. Estamos submersos na mentira, ao ponto de respirá-la sem quase darmos conta.
E o sinal desta mentira é a contradição.
(...)
Mentira e contradição, tal é o primeiro sintoma da presença de Satanás no mundo moderno.

Mons. Léon Cristiani in «Présence de Satan dans le monde moderne», 1959.

01/10/2018

70º aniversário da morte do "Santinho" Padre Cruz


Perto das nove horas da manhã do dia 1 de Outubro, primeira sexta-feira do mês consagrado à devoção do Santo Rosário, desprendeu-se dos laços da terra, inesperadamente, o grande homem de Deus e grande apóstolo de Portugal, o venerando Dr. Francisco Rodrigues da Cruz, o popularíssimo Padre Cruz.
Completara, em Julho, 89 anos de idade e tinha enchido Portugal inteiro com a fama dos seus milagres e o esplendor das suas virtudes durante mais de meio século.
Bons e maus, crentes e descrentes, todos o veneravam. Corriam para ele a toda a hora e de toda a parte os que sofriam do corpo ou da alma, e também muitos que pretendiam favores avantajados de ordem sobrenatural.
A sua bênção era ambicionada e recebida como penhor seguro de graças. Ele a ninguém a recusava, para a cura e bom despacho ou para resignação e conformidade com a vontade de Deus.
Pediam-lha até os que governavam na Igreja ou no Estado. Tal era o prestígio da sua virtude e o crédito da eficácia da sua oração!
Quando morreu, choraram-no as lágrimas de muitos e a saudade de todos. Mas ele é imortal.
Como os santos – únicos no gozo deste privilégio – nem a memória da sua santidade se extinguirá da lembrança dos vivos até ao fim dos séculos, nem há-de desaparecer jamais a sensação viva da sua presença, no meio de nós, pela comunicação incessante e perpétua dos favores que sempre lhe iremos pedindo em súplicas de necessitado, e que ele, ainda mais agora no Céu do que anteriormente na Terra, será pronto em alcançar para todos.
Desde a hora em que o seu corpo entrou no jazigo do Cemitério de Benfica, nunca mais cessou a peregrinação dos que vão pedir-lhe graças, ofertar-lhe flores e tocar objectos nas tábuas do seu ataúde. Sacerdotes e leigos ajoelham diariamente diante daquele caixão de morto, quando voltam de acompanhar outros à sepultura.
Fala-se já de grandes curas operadas por sua intercessão. Parece certa a de uma senhora francesa, residente em Lisboa, e curada instantaneamente de tuberculose óssea na espinha dorsal. A ciência e a Igreja ajuizarão do carácter miraculoso deste e de outros casos.
O Secretariado do Monumento de Cristo Rei, dedicando boa parte deste número de «O Monumento» à memória da pessoa e benemerências do Padre Cruz, cumpre um dever de gratidão para com ele, que tão grande amigo e intercessor era deste empreendimento da glorificação monumental de Cristo Rei.

Simão de Xavier in jornal «O Monumento», 24 de Dezembro de 1948.