31/03/2019

Alumiar os que erram


Ao arcebispo de Granada, disse um criado seu, palavras pesadas, descomedindo-se com ele com maior liberdade do que se podia esperar da dignidade de um e ofício de outro. O bom prelado esteve muito em si, sem responder-lhe; e quando o viu partir, colérico, de sua presença, pegou do castiçal e o foi alumiando pela escada abaixo.
Que faz Vossa Senhoria? Aonde vai? – disse o criado, assustando-se com aquela acção de humildade.
Respondeu o prelado:
A fazer o meu ofício, que é alumiar os que erram.
Ficou o criado confundido; e prostrando-se a seus pés, lhe pediu perdão.

Pe. Manuel Bernardes in «Nova Floresta», 1706.

29/03/2019

Ideologias contra a Verdade


No tempo de Estaline, os grandes biólogos russos, que descobriram o gene como núcleo invariável da herança humana, foram condenados por Lisenko e enviados a morrer na Sibéria. De facto, o gene, invariável, estabilizado, passando a mesma herança cromossómica de pais para filhos, não se acomodava à dialéctica marxista, e era, segundo a óptica dos funcionários do partido, uma heresia idealista. Mas mais recentemente, nos Estados Unidos, vários professores universitários foram banidos e caluniados por terem descoberto uma sensível diferença entre a inteligência de negros, brancos e mestiços. Além disso, puseram a claro uma correlação entre a herança genética e o grau de inteligência. Tais descobertas iam contra a ideologia reinante que afirmava ser a inteligência um factor igual para todos e só dependente da educação e do meio familiar. Toda a investigação foi paralisada e os cientistas foram condenados como racistas e nazis.
Estes dois exemplos demonstram que embora a ciência contrarie as teses fundamentais das ideologias mais divulgadas, estas conservam a sua dinâmica e poder de proselitismo, porque o seu impacto nas massas não se baseia na verdade, ou falsidade, dos seus dogmas e explicações. Antes repousa nos mitos, nas emoções que desencadeiam e nos interesses que cobrem.

António Marques Bessa e Jaime Nogueira Pinto in «Introdução à Política», 1977.

28/03/2019

Municipalidade


MUNICIPALIDADE – Segundo o puríssimo anagrama quer dizer: Capi mal uniti, cabeças mal unidas. Como quer que seja, ou o anagrama tenha sido formado do vocábulo, ou este do anagrama, o certo é que a Europa não há visto outras Municipalidades que capi mal uniti, cabeças mal unidas, e unidas para o mal. Para que se veja que nem ainda a etimologia dos vocábulos republicanos se deve desprezar.

Frei Fortunato de São Boaventura in «Novo Vocabulário Filosófico-Democrático», 1831.

25/03/2019

25 de Março


25 de Março – Anunciação do Anjo a Maria.


25 de Março de 1646 – Coroação da Imaculada Conceição como Rainha de Portugal.


25 de Março de 1991 – Falecimento de Mons. Marcel Lefebvre.


25 de Março de 1996 – Nascimento do Príncipe Real, D. Afonso.

22/03/2019

Habitação


Seria possivelmente mais fácil resolver o problema da habitação no sentido vertical, no bloco imenso. Mas a casa pequena, independente, é o sossego, a tranquilidade, o amor, o sentimento justo da propriedade, a família. A colmeia é a promiscuidade, a revolução, o ódio, simultaneamente o indivíduo e a multidão.

António de Oliveira Salazar in «Homens e Multidões» de António Ferro, 1938.


Relembro: A família e o lar.

20/03/2019

Civilização


O Homem deve à Europa aquilo que mais contribuiu para lhe modelar a personalidade e para lhe indicar o caminho – uma Filosofia, um Direito e uma Teologia, e todos três orientados no sentido da criação de uma Ordem.

João Ameal in «Europa e os seus fantasmas», 1945.

17/03/2019

Párocos e Fregueses: obrigações do 4º Mandamento


P. Que obrigações têm os Fregueses a respeito dos seus Párocos?
R. Muitas; porque devem honrá-los, como tendo o lugar de Deus: devem ouvir com respeito as suas instruções e advertências; devem obedecer-lhes no que lhes pertence, como a Jesus Cristo; e devem contribuir ao seu sustento com o que for de costume.
P. E que obrigações têm os Párocos a respeito dos Fregueses?
R. Também são muitas.
P. Quais são?
R. Devem instruí-los; devem dar-lhes bom exemplo; devem socorrê-los nas suas necessidades, e devem orar a Deus por eles.
P. E se os Párocos não instruírem os seus Fregueses, porque chamando-os eles, os Fregueses não acodem às instruções, quem é que faz o pecado?
R. Os Fregueses, que devem buscar e aproveitar as instruções que os Párocos lhes oferecem.

Fonte: «Catecismo da Doutrina Cristã», 1791.


15/03/2019

700º aniversário da Ordem de Cristo


Em Março de 1319, por bula do Papa João XXII é fundada a Ordem Militar de Jesus Cristo, a qual viria a incorporar os bens e os privilégios da Ordem do Templo em Portugal, extinta em 1312 pelo Papa Clemente V.
Como os Templários, a Ordem de Cristo segue a regra de Cister e o hábito dos cavaleiros é branco com uma cruz vermelha. O seu primeiro Mestre foi D. Gil Martins da Ordem de São Bento de Avis.
A sede da Ordem foi no Castelo de Castro Marim até 1357, ano em que mudou em definitivo para o Castelo de Tomar.

14/03/2019

O saco de penas


Era uma vez um homem que, por inveja, caluniou gravemente um amigo seu, levando-o à ruína.
Anos depois, arrependido do mal que as suas calúnias fizeram ao seu amigo, procurou um velho sábio, perguntando-lhe: "Que posso eu fazer para corrigir todo o mal que fiz ao meu amigo?" O velho respondeu: "Pega num saco cheio de penas de ave e solta-as ao vento".
No dia seguinte, o homem voltou ao velho sábio: "Já fiz como me mandaste". Ao que o velho lhe respondeu: "Essa foi a parte mais fácil, agora volta a encher o saco com as mesmas penas que soltaste ao vento". Mas o homem entristeceu-se, pois sabia que a tarefa era impossível.
E o velho sábio acrescentou: "Assim como não consegues juntar todas as penas que espalhaste ao vento, também não consegues reparar todo o mal que se espalhou de boca em boca. Vai, sê humilde e caridoso, pedindo perdão ao teu amigo e falando bem dele".

Catecismo Maior de São Pio X:
Quem pecou contra o Oitavo Mandamento [não levantar falsos testemunhos], não basta que se confesse disso, mas é também obrigado a retractar tudo o que disse caluniando o próximo, e a reparar, do melhor modo que possa, os danos que lhe causou.

11/03/2019

A família e o lar


A família exige por si mesma duas outras instituições: a propriedade privada e a herança. Primeiro a propriedade – a propriedade dos bens que possa gozar e até a propriedade dos bens que possam render. A intimidade da vida familiar reclama aconchego, pede isolamento, numa palavra, exige a casa, a casa independente, a casa própria, a nossa casa. Há impossibilidade, haverá mesmo em muitos casos inconveniente em que o trabalhador possua os meios de produção e em deixar dividir a terra por minúsculas parcelas, dando-se a todos um pedaço para a cultura. Mas é utilíssimo que o instinto de propriedade que acompanha o homem possa exercer-se na posse da parte material do seu lar. É naturalmente mais económica, mais estável, mais bem constituída a família que se abriga sob tecto próprio. Eis porque nos não interessam os grandes falanstérios, as colossais construções para habitação operária, com seus restaurantes anexos e sua mesa comum. Tudo isso serve para os encontros casuais da vida, para as populações já seminómadas da alta civilização actual; para o nosso feitio independente e em benefício da nossa simplicidade morigerada, nós desejamos antes a casa pequena, independente, habitada em plena propriedade pela família.

António de Oliveira Salazar in discurso de 16 de Março de 1933.

08/03/2019

Feminismo


Certas mulheres têm teorias sobre como salvar o mundo, mas não são capazes de lavar uma chávena de café. Se lhes apontarmos isto mesmo, dir-nos-ão: "lavar chávenas de café não é importante". Infelizmente é. Sobretudo para um homem que empregou oito horas seguidas, mais duas extraordinárias, num torno-revólver. Começamos a salvar o mundo, salvando um homem de cada vez; tudo o mais é romantismo pomposo ou política.

Charles Bukowski in «Histórias de Loucura Normal», 1983.

06/03/2019

Meditação sobre o Inferno


Todo o Inferno está nestas palavras de Jesus Cristo: «Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno».

1º O Inferno é a separação, a perda de Deus. «Afasta-te de Mim, pecador». É assim que Deus repele para longe de Si a alma pecadora. É a perda de Deus, a perda da suma beleza, da suma bondade, do sumo bem. Enquanto a nossa alma estiver presa no cárcere da carne, não poderá nunca compreender a imensidade desta desgraça que, na frase dos santos, constitui o inferno dos infernos.

2º O Inferno é a maldição de Deus. «Afasta-te, pecador maldito». A maldição eficaz de um Deus todo-poderoso. Se é terrível a maldição de um pai, de uma mãe, que será a maldição de Deus? Pecador maldito, maldito no corpo, maldito na alma. Olhos, língua, mãos, pés, inteligência, coração, vontade, tudo é maldito, porque tudo serviu de instrumento ao pecado.

3º O Inferno é o fogo. «Afasta-te de Mim, pecador maldito, para o fogo». Quando os profetas falam do Inferno, logo se lhes apresenta à imaginação o mar, o mar sem limites e sem fundo, e os condenados, nadando e mergulhando neste abismo de fogo. O fogo os envolve, penetra-os, circula em suas veias, insinua-se até à medula dos ossos.

4º O Inferno é a eternidade. «Afasta-te, pecador maldito, para o fogo eterno». A eternidade... quem pode compreendê-la! É um tempo que não acaba. Mil anos, milhões de anos, mil milhões de anos. Contai as gotas de água do oceano, os grãos de areia das praias, as folhas das árvores... a eternidade tem mais anos, mais séculos. Sempre! Nunca! Sempre queimar, sempre sofrer! Nunca o menor alívio, a menor esperança!

Se os condenados que estão no Inferno pudessem voltar à Terra, que fariam? Procurariam outra vez a ocasião do pecado, as danças, os espectáculos, as tabernas, as casas de perdição? Não! Correriam para a igreja, ao pé do altar do Santíssimo Sacramento, de Nossa Senhora, ao pé do confessor principalmente, para alcançar o perdão dos seus pecados. O que os condenados não podem mais, vós o podeis. Não estais no Inferno, mas talvez estejais no caminho do Inferno. Quanto antes, voltai para trás; talvez amanhã seja tarde.

Pe. Guilherme Vaessen in «O Pequeno Missionário», 1953.

04/03/2019

Pecados contra o Espírito Santo

Santíssima Trindade

Quantos são os pecados contra o Espírito Santo?
Os pecados contra o Espírito Santo são seis:
1. Desesperação de Salvação;
2. Presunção de se salvar sem merecimentos;
3. Contradizer a Verdade conhecida como tal;
4. Ter inveja das mercês que Deus fez a outrem;
5. Obstinação no pecado;
6. Impenitência final.

Porque é que estes pecados se chamam particularmente: pecados contra o Espírito Santo?
Estes pecados chamam-se particularmente contra o Espírito Santo, porque se cometem por pura malícia, a qual é contrária à Bondade que se atribui ao Espírito Santo.

Fonte: «Catecismo Maior de São Pio X», 1908.

02/03/2019

Riqueza e cerejas

Apanha da cereja no Fundão

O mundo em que a riqueza era contada em cerejas, e como tais, era consumida, estava menos sujeito à falência e ao desespero, do que o mundo em que vivemos, que depende dos especialistas em finanças, comprando e vendendo plantações de cerejas que eles nunca viram e que provavelmente nem existem.

G. K. Chesterton in jornal «G. K.'s Weekly», 5 de Dezembro de 1931.