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19/08/2019

Traços do carácter português


Aquelas qualidades que se revelaram, e fixaram, e fazem de nós o que somos e não outros; aquela doçura de sentimentos, aquela modéstia, aquele espírito de humanidade, tão raro hoje no mundo; aquela parte de espiritualidade que, mau grado tudo que a combate, inspira ainda a vida portuguesa; o ânimo sofredor; a valentia sem alardes; a facilidade de adaptação e ao mesmo tempo a capacidade de imprimir no meio exterior os traços do modo de ser próprio; o apreço dos valores morais; a fé no direito, na justiça...; tudo isso, que não é material nem lucrativo, constitui traços do carácter nacional.

António de Oliveira Salazar, discurso de 27 de Abril de 1943.

31/07/2019

Salazar não foi ditador?

Dizem alguns, numa tentativa de aligeirar o Estado Novo, que este nunca foi uma ditadura, mas antes um governo de tendência autoritária. E reforçam a ideia, dizendo que constitucionalmente o regime nunca se chamou de ditadura. É evidente que não, mas também nunca se chamou de governo de tendência autoritária, ou nacional-conservador, ou outras tolices que queiram inventar.
Contudo, sobretudo até 1945, nunca houve qualquer problema em chamar Salazar de ditador, até porque a palavra ditadura não tinha a conotação negativa, que muitos hoje atribuem.


A palavra ditadura tem origem na Antiga Roma. O ditador era o magistrado romano que, em circunstâncias excepcionais, concentrava em si todos os poderes públicos. Era nomeado em situações graves e de emergência, por decisão do Senado.
E Salazar, numa situação grave e excepcional, não foi convocado pelo Exército a governar com autoridade quase absoluta? Pois parece-me que a designação de ditadura se aplica muito bem ao governo de Salazar. Com o Legítimo ausente e a desordem instalada, coube a Salazar segurar as rédeas do Estado. Tratou-se por isso de uma ditadura, no exacto sentido do termo. Tenhamos, então, a coragem de chamar as coisas pelos seus próprios nomes. A bem da verdade.

31/05/2019

Estado Novo não foi República Nova


Mário Soares, figura maior do regime nascido a 25 de Abril de 1974, sempre recusou referir o Estado Novo como IIª República, por este não comungar dos valores republicanos: democracia, parlamento, sufrágio universal, soberania popular, partidos políticos, laicismo. Por isso é que quando confrontado com a acusação de ter pisado a bandeira Verde Rubra, em Londres, em 1973, Mário Soares afirmou: «nunca iria pisar a bandeira da República, que nunca foi a bandeira do salazarismo» (Mário Soares: Ditadura e Revolução, 1996).

De resto, relembro as seguintes publicações:

28/05/2019

Viva o 28 de Maio! Abaixo a República!


Somos antiparlamentares, antidemocratas, antiliberais e queremos construir um Estado corporativo. Tais afirmações são capazes de fazer tremer certos povos – e até mesmo de causar horror a alguns –, mais habituados a corrigir pelas virtudes da sua formação social os defeitos do seu sistema político, do que a vislumbrar os danos causados por estas mesmas instituições nos países que têm uma formação diferente.

António de Oliveira Salazar in «Como se levanta um Estado», 1936.

28/04/2019

130º aniversário de nascimento de Salazar


Algumas citações do último grande Estadista português:

«Não tem que agradecer-me ter aceitado o encargo, porque representa para mim tão grande sacrifício que por favor ou amabilidade o não faria a ninguém. Faço-o ao meu País como dever de consciência, friamente, serenamente cumprido.
Não tomaria, apesar de tudo, sobre mim esta pesada tarefa, se não tivesse a certeza de que ao menos poderia ser útil a minha acção, e de que estavam asseguradas as condições de um trabalho eficiente.» [27 de Abril de 1928]

«Advoguei sempre a política do simples bom senso contra a dos grandiosos planos, tão grandiosos e tão vastos que toda a energia se gastava em admirá-los, faltando-nos as forças para a sua execução.
Advoguei sempre uma política de administração, tão clara e tão simples como a pode fazer qualquer boa dona de casa – política comezinha e modesta que consiste em se gastar bem o que se possui e não se despender mais do que os próprios recursos.» [9 de Junho de 1928]

«Num sistema de administração em que predomina a falta de sinceridade e de luz, afirmei, desde a primeira hora, que se impunha uma política de verdade. Num sistema de vida social em que só direitos competiam, sem contrapartidas de deveres, em que comodismos e facilidades se apresentavam como a melhor regra de vida, anunciei, como condição necessária de salvamento, uma política de sacrifício. Num Estado que nós dividimos, ou deixámos dividir, em irredutibilidades e em grupos, ameaçando o sentido e a força da unidade da Nação, tenho defendido, sobre os destroços e os perigos que dali derivaram, a necessidade de uma política nacional[21 de Outubro de 1929]

«Temos de olhar com calma, mas com firmeza, para a desorientação do momento, e pôr na defesa do interesse de toda a colectividade, pelo menos a energia e a decisão com que outros pretendem impor-nos o interesse do seu grupo, do seu partido, da sua classe, ou simplesmente os triunfos das suas ideologias desvairadas.» [30 de Dezembro de 1930]

«Esforcei-me, tanto quanto pude, para eliminar da vida nacional as preocupações mesquinhas, as coisas insignificantes, sem valor real, e dar-lhe horizontes amplos, dignidade, elevação, nobreza. Lutei para substituir a tristeza da decadência e o espírito das lutas internas, pelo amor pela terra e pelos homens, com a alegria da vida saudável, com o vigor português, com a grandeza da Nação.» [29 de Julho de 1933]

«Professor estrangeirado na política, fiz do Governo zelo de magistério, fazendo sempre apelo, sobretudo e apesar de tudo, à força e à nobreza do espírito.» [28 de Janeiro de 1934]

«Um moralista deixou escrito: Deus nos dê o sábio para nos ilustrar, o santo para nos edificar, o homem prudente para nos governar. O autor encontrara no seu bom senso a verdade política que a experiência humana tem inteiramente consagrado.» [10 de Fevereiro de 1935]

«A garantia suprema da estabilidade da obra realizada está precisamente na reforma moral, intelectual e política, sem a qual as melhorias materiais, o equilíbrio financeiro e a ordem administrativa, ou não se podem realizar, ou não podem durar.» [27 de Abril de 1935]

«Às almas dilaceradas pela dúvida e o negativismo do século, procurámos restituir o conforto das grandes certezas. Não discutimos Deus e a Virtude; não discutimos a Pátria e a sua história; não discutimos a Autoridade e o seu prestígio; não discutimos a Família e a sua moral; não discutimos a glória do trabalho e o seu dever. Assim se assentaram os grandes pilares do Edifício, e se construiu a paz, a ordem, a união dos portugueses, o Estado forte, a autoridade prestigiada, a administração honesta, o revigoramento da economia, o sentimento patriótico, a organização corporativa e o império colonial.» [28 de Maio de 1936]

«Temos passado anos a pregar, pela palavra e pelo exemplo, persistentemente, teimosamente, que todos não somos demais para continuar Portugal. Com o alto nível da nossa tradição histórica e as exigências de uma herança de pesados deveres para com a nossa gente e para com os outros povos, seria louca tentativa – louca e vã – construir sobre lutas de partidos, ódios de classes, antagonismos de fortuna ou profissão, divisões em nós mesmos. Nós o havemos compreendido e, sem abdicar do sentido da hierarquia necessária à vida social, revelamo-nos como membros solidários de uma comunidade que se funda no mesmo sangue, se alimenta dos mesmos frutos do trabalho e vive do mesmo espírito. No trabalho ou nos sacrifícios, no sofrimento ou na caridade, nas alegrias ou nas preocupações da vida individual e colectiva, fomos guiados – e salvos – pelo amor pátrio a reencontrar o elo de solidariedade que devia prender-nos como as pedras de um edifício – a sermos finalmente perante o Mundo todos como um só.
É por um lado nesta já agora indestrutível unidade nacional, e por outro no valor dos princípios informadores da nossa vida material e moral, e na consciência desse valor, que deve repousar a nossa maior confiança.» [28 de Abril de 1941]

22/03/2019

Habitação


Seria possivelmente mais fácil resolver o problema da habitação no sentido vertical, no bloco imenso. Mas a casa pequena, independente, é o sossego, a tranquilidade, o amor, o sentimento justo da propriedade, a família. A colmeia é a promiscuidade, a revolução, o ódio, simultaneamente o indivíduo e a multidão.

António de Oliveira Salazar in «Homens e Multidões» de António Ferro, 1938.


Relembro: A família e o lar.

11/03/2019

A família e o lar


A família exige por si mesma duas outras instituições: a propriedade privada e a herança. Primeiro a propriedade – a propriedade dos bens que possa gozar e até a propriedade dos bens que possam render. A intimidade da vida familiar reclama aconchego, pede isolamento, numa palavra, exige a casa, a casa independente, a casa própria, a nossa casa. Há impossibilidade, haverá mesmo em muitos casos inconveniente em que o trabalhador possua os meios de produção e em deixar dividir a terra por minúsculas parcelas, dando-se a todos um pedaço para a cultura. Mas é utilíssimo que o instinto de propriedade que acompanha o homem possa exercer-se na posse da parte material do seu lar. É naturalmente mais económica, mais estável, mais bem constituída a família que se abriga sob tecto próprio. Eis porque nos não interessam os grandes falanstérios, as colossais construções para habitação operária, com seus restaurantes anexos e sua mesa comum. Tudo isso serve para os encontros casuais da vida, para as populações já seminómadas da alta civilização actual; para o nosso feitio independente e em benefício da nossa simplicidade morigerada, nós desejamos antes a casa pequena, independente, habitada em plena propriedade pela família.

António de Oliveira Salazar in discurso de 16 de Março de 1933.

15/11/2018

É Portugal que revive


A charrua penetra o solo mais que o ferro da espada; o suor fertiliza a terra mais que o sangue das veias; o espírito afeiçoa e transforma os homens e a natureza mais profundamente que a força material dos dominadores. As fundas pegadas e traços que ficaram de nós na terra e nas almas, por muita parte onde não é hoje nosso domínio político, e têm maravilhado os observadores desde as costas de Marrocos à Etiópia e do Mar Vermelho aos Estreitos e ao Mar da China, vêm exactamente de que a nossa obra não é a do caminheiro que olha e passa, do explorador que busca à pressa as riquezas fáceis e levantou a tenda e seguiu, mas a do que, levando em seu coração a imagem da Pátria, se ocupa amorosamente em gravá-la fundo onde adrega de levar a vida, ao mesmo tempo que lhe desabrocha espontâneo da alma o sentido da missão civilizadora. Não é a terra que se explora: é Portugal que revive.

António de Oliveira Salazar in discurso de 9 de Outubro de 1939.

16/07/2018

Do valor da terra


Eu sou um rural e, embora em situação diferente, vivi duas guerras, uma em que interviemos activamente nos quadros de uma aliança, outra em que não batalhámos mas houvemos de organizar a defesa nos quatro cantos do mundo. Daí vem compreender o campo e conhecer as necessidades vitais que o campo de satisfazer. Independentemente do que se possa chamar poesia campestre, que atrai os sorrisos um tanto desdenhosos da economia industrial, por mim, e se tivesse de haver competição, continuaria a preferia a agricultura à indústria; mas se quereis ser ricos não chegareis lá pela agricultura, ainda que progressiva e industrializada, neste País de solos pobres e climas vários. A terra é humilde, tanto que se deixa a cada momento pisar; o trabalho da terra é humilde, porque o homem a cultiva, humildemente debruçado sobre as leivas; o fruto do trabalho na terra é pobre porque está no início do ciclo das operações comerciais ou industriais destinadas a valorizá-lo ou a enriquecê-lo. Assim a faina agrícola, sujeita à torreira do sol ou à impertinência das chuvas, é acima de tudo uma vocação de pobreza; mas o seu orgulho de que só ela alimenta o homem e lhe permite viver. Quando se governa um país, e se nos deparam os mercados difíceis, os mares impraticáveis, as bocas famintas sem saber de onde há-de vir um bocado de pão, a terra pobre, a terra humilde sobe então à culminância dos heroísmos desconhecidos e dos valores inestimáveis.

António de Oliveira Salazar in discurso de 18 de Fevereiro de 1965.

28/05/2018

Viva o 28 de Maio! Abaixo a República!


Ora nós quisemos dar ao País, assolado pelas devastações da sua anarquia, um regime novo; mas muitos dos nossos homens públicos, educados na filosofia política do século XIX, têm-nos considerado sempre um governo à espera de eleições «livres» para uma «assembleia constituinte» que vote «nova Constituição» e com ela garanta ao povo «todas as felicidades». De modo que se verifica o seguinte: abolidas neste País as instituições tradicionais, não se encontra de 1820 a 1926, através das Constituições, Carta Constitucional e Actos Adicionais à Carta, entre revoluções, golpes de Estado, ditaduras ou vida constitucional, não se encontra regime, dizia, de que possa afirmar-se ter vivido ao menos os quarenta anos que para o ano perfaremos. Ao mesmo tempo, nenhum foi tão estável, tão pacífico e eficiente como o actual. E daí provir o absurdo de o provisório ser mais duradouro que o definitivo e o temporário mais estável que o consagrado para a eternidade.

António de Oliveira Salazar in discurso de 18 de Fevereiro de 1965.

23/02/2018

O Estado Novo não era republicano


A Revolução de 28 de Maio não abriu um novo capítulo na conturbada história da República, deu origem a um outro regime, bem diferente daquele que os revoltosos da Rotunda impuseram pela força ao nosso País.
Aconteceu que, constitucionalmente, o regime salazarista conservou o nome de república, herdado da situação anterior: mas isso não quer dizer nada porque a palavra em si não tem significado especial, o que importa realmente é o qualificativo que acompanha a referida expressão. A República Corporativa, como estabelece a Constituição Política do Estado, perdeu a maior parte dos vícios inerentes ao sistema demo-liberal e preservou a essência monárquica do Poder, afastando da plebe a escola dos governantes. Neste sentido, a república corporativa é muito mais autoritária e monárquica do que certos reinos minados pelo cancro democrático.

Luís Fernandes in jornal «Agora», 26 de Outubro de 1968.

25/11/2017

A infância de Salazar


Presentemente conhecem-se muito poucos pormenores sobre a infância de Oliveira Salazar. Mas não é difícil imaginá-lo crescendo naquela casa de gente trabalhadora e educada, tão perto da terra e do céu, passando o tempo a brincar com moderação, pois o futuro ditador sempre foi uma pessoa moderada – nunca se separando dos verdes campos, nunca contrariando os seus pais. Todas as informações biográficas disponíveis falam de Oliveira Salazar como uma criança exemplar, dotada de virtudes precoces: meiguice, moderação, filho exemplar, amigo exemplar. O pequeno Oliveira, segundo alguns biógrafos, esconde nos bolsos o pão a que tem direito, para o distribuir pelos pobres da aldeia. Nunca briga com outras crianças. Não falta a nenhuma missa na Igreja de Nossa Senhora.
É, sem dúvida, uma criança precoce, mas também uma criança feliz. Na casa dos pais tem uma vida de amor sereno e concórdia, de que nunca se esquecerá. Dom António e Dona Maria são pessoas tementes a Deus, trabalhando muito, mas felizes por estarem juntos e poderem criar os filhos, apesar de alguns sacrifícios. A grata recordação da vida familiar estará sempre presente no pensamento e actividade política de Salazar, e domina, hoje, a concepção do Estado Novo português.
Se quiséssemos ir ainda mais longe com a análise da formação moral e política de Salazar, poderíamos descobrir outros elementos fundamentais, que só uma infância como a sua podia aperfeiçoar e promover. Por exemplo, a grande importância que Salazar não se cansa de dar, ainda antes de ser professor de Economia Política e Finanças, à agricultura e aos trabalhos agrários. Passou a sua infância em Santa Comba, junto à terra, conhecendo a gloriosa servidão do lavrador, tão rica em significados morais e religiosos, que dificilmente poderia trocar pela vida pulverizada, artificial e acósmica do trabalhador da cidade. De igual modo, a importância que Salazar dá à religião na vida do homem e da sociedade tem raízes na sua infância piedosa, inabalada por crises. Os seus pais eram pessoas com uma religiosidade moderada – o tipo de piedade católica popular. Oliveira Salazar nunca perdeu a sua fé, na infância ou no princípio da adolescência, para a reencontrar mais tarde, após longos devaneios e lutas. A sua religiosidade é totalmente desprovida de dramatismo. É algo que aprendera na infância e que compreendeu com a maturidade. "Aprendera", aqui, é utilizado sem nenhum sentido pejorativo; aprendeu a religião, amando-a, tal como aprendem as crianças todas as coisas fundamentais: o andar, o falar, os jogos, as canções.
Como desde muito cedo demonstrou ser uma criança-prodígio, moderada em tudo, os pensaram dar-lhe uma formação sacerdotal. Gostava das actividades da igreja, integrava o coro infantil e dava as respostas ao Senhor Padre António, em latim, talvez com alguns erros, mas de um modo que encantava a sua mente, maravilhada com todos os mistérios eclesiais. Aprendeu a ler e a escrever com um certo Dom José Duarte, e depois na escola primária que fora construída no Vimeiro. Fez amizade com algumas crianças, entre os 10 e os 14 anos, que estudavam com "a menina Isabel", antiga governanta da família do Barão de Santa Comba. Alguns biógrafos falam de uma paixão de Oliveira Salazar para com a filha de um fazendeiro abastado. Era a rapariga mais bonita do Vimieiro e todas as crianças podiam brincar com ela, excepto o pequeno Oliveira; os pais não lhe permitiam ficar muito amigo da filha de um homem tão rico. Essa tenra paixão teria sido, segundo alguns biógrafos, a verdadeira razão para Oliveira Salazar abraçar a vida eclesiástica. A família, e sobretudo a Dona Maria, encorajou-o nessa decisão. Nada seria tão lisonjeiro para os pais do que vê-lo, um dia, sacerdote em Santa Comba. Uma vida tranquila, ao lado dos seus familiares, livre de quaisquer preocupações; esse ideal correspondia perfeitamente à piedade calma do pequeno Oliveira Salazar.

Mircea Eliade in «Salazar e a Revolução em Portugal».

19/10/2017

Se é uma nova nacionalidade, é outra nacionalidade


A nacionalidade portuguesa não é matéria alterável, porque advém da própria essência de Portugal, que é imutável por definição.
Portugal, na boa acepção de Salazar, é "sobretudo uma entidade moral, que se formou através de séculos pelo trabalho e solidariedade de sucessivas gerações, ligadas por afinidades de sangue e de espírito". Daí que nascer em território português não seja condição suficiente para Ser Português, da mesma forma que nascer num galinheiro não é condição suficiente para ser uma galinha.
Já nas primitivas Cortes de Lamego essa ideia ficou bem clara, quando se deixou escrito que os Judeus e os Mouros não são Portugueses.
A República pode até inventar nacionalidades, mas não pode e não consegue, mudar a natureza e essência de Portugal.

27/07/2017

As cruzes dos nossos mortos


Quando se tem vivido uma vida já longa, e, sobre longa, intensa, de trabalhos, de fadigas, de inquietações, até de sonhos, o caminho que percorremos fica ladeado de numerosas cruzes – as cruzes dos nossos mortos. E se essa vida foi sobretudo colaboração íntima, soma de esforços comuns, inteiro dom das qualidades nobres da alma, eles não ficam para trás: continuam caminhando a nosso lado, graves e doces como entes tutelares, purificados pelo sacrifício da vida, despidos da jaça da terra, sublimados na serenidade augusta da morte. Na verdade, há mortos que não morrem...

António de Oliveira Salazar in «Discursos e Notas Políticas».

23/07/2017

28/05/2017

Os princípios base da política de Salazar


Nesta óptica, de resto, não pedimos grande coisa: noção e sentido da Pátria e da solidariedade nacional; família – célula social por excelência; autoridade e hierarquia; valor espiritual da vida e do respeito devido à pessoa humana; obrigação do trabalho; superioridade da virtude; carácter sagrado dos sentimentos religiosos – eis o essencial para a formação mental e moral do cidadão do Estado Novo. Somos, pois, contra todos os internacionalismos, contra o comunismo, contra o socialismo, contra o sindicalismo libertário, contra tudo o que diminui, divide, desagrega a família, contra a luta de classes, contra os sem-Pátria e os sem-Deus, contra a escravidão do trabalho, contra a concepção puramente materialista da vida, contra a força como origem do direito. Somos contra todas as grandes heresias do nosso tempo, tanto mais que nunca tivemos a prova da existência de um único lugar no mundo onde a liberdade de propagar semelhantes heresias tenha constituído uma fonte de bem; esta liberdade, quando se a concede aos bárbaros dos tempos modernos, só serve para minar os fundamentos da nossa civilização.

António de Oliveira Salazar in «Como se levanta um Estado», 1936.

08/03/2017

A mulher, o trabalho e a família


Quem diz família diz lar; quem diz lar diz atmosfera moral e economia própria – economia mista de consumo e de produção. O trabalho da mulher fora do lar desagrega este, separa os membros da família, torna-os estranhos uns aos outros. Desaparece a vida em comum, sofre a obra educativa das crianças, diminui o número destas; e com o mau ou impossível funcionamento da economia doméstica, no arranjo da casa, no preparo da alimentação e do vestuário, verifica-se uma perda importante, raro materialmente compensada pelo salário recebido. Por vezes perde-se de vista a importância dos factores morais no rendimento do trabalho. O excesso da mecânica que aproveita o braço leva a desinteressar-se da disposição interior. Em todo o caso continua exacto ainda hoje, na maior parte da produção, que a alegria, a boa disposição, a felicidade de viver, constituem energias que elevam a qualidade e a quantidade do trabalho produzido. A família é a mais pura fonte dos factores morais da produção.

António de Oliveira Salazar, discurso de 16 de Março de 1933.

17/02/2017

Salazar devia ter restaurado a Monarquia?

Ao visitar um grupo pseudo-tradicionalista no facebook, deparei-me com a seguinte imagem:


A respeito do "erro" de Salazar em não ter restaurado a Monarquia, vejamos a opinião de um verdadeiro monárquico em 1949:

Consequentemente, a Realeza a restaurar não é a Realeza liberal, constitucional, democrática, parlamentar, que aí tivemos a abrir a catástrofe de 1910 – mas a outra, a Realeza que vem de 1128 a 1820, a quem se deve a formação, a consolidação, o prestígio de Portugal; a quem se devem os fundamentos sobre que repousa a Nacionalidade; a quem se devem as fronteiras portuguesas, no continente europeu e no Ultramar. A Realeza postiça de 1834 a 1910, devemos a República, que foi a consequência lógica das lutas partidárias que a Realeza de então não podia evitar, porque ela própria saíra de uma luta partidária vitoriosa; que ela não podia condenar, porque era da sua essência reconhecê-las; que ela não podia dominar, porque fôra ela quem as desencadeara. Já não sei se há monárquicos em Portugal capazes de um movimento transcendente, como este que preconizo – tão afastado vivo de todos e de tudo – desde o Rei até à mais rudimentar organização da chamada Causa Monárquica. Fiel aos princípios, cada vez mais integrado neles, vivo distante dos homens que têm a fama de os representar, por incompreensão mútua: nem eles me entendem, nem eu os entendo a eles. A hora é dos videirinhos e dos trafulhas, e eu limito-me a assistir, de longe, como de longe das roletas do Estoril ou das celas do Limoeiro, à acção e ao triunfo admirável de uns e de outros. Eu sou o irrequieto, porque não me conformo com que se ponham no mesmo plano, homens honestos e homens desonrados, aventureiros e homens sérios; eu sou o conflituoso, porque digo que um gato é um gato, e um coelho é um coelho; eu sou réprobo, porque me caracterizam estas duas qualidades, que pelos vistos são defeitos, e se traduzem pela expressão adoptada por um alto espírito português: a independência dos meus juízos, e a firmeza das minhas convicções. Por tudo isto, vivo distante, em isolamento que progride, porque não dou um passo, nem esboço um gesto para conter ou limitar. E assim não sei se há monárquicos em Portugal capazes de dar à doutrina monárquica a forma que ela requer, e a força que ela solicita, para poder emergir dos escombros em que a Vitória das Democracias a sepultou. Monárquicos, é claro, que não tragam à frente, como o judeu das tâmaras, o balcão dos negócios; monárquicos que não sejam comerciantes e traficantes, e não façam da doutrina monárquica moeda de compra e venda.
Se os há, bom seria que alguém os juntasse, e os animasse à obra que tudo indica como indispensável.
Se os não há... Nem por isso me demitirei de dizer o que é necessário realizar.

Alfredo Pimenta in «Três Verdades Vencidas: Deus, Pátria, Rei», 1949.