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22/04/2019

Cauchy: matemático e católico convicto


Eu sou cristão, isto é, creio na divindade de Jesus Cristo, como Tycho Brahe, Copérnico, Descartes, Newton, Fermat, Leibniz, Pascal, Grimaldi, Euler, Guldin, Boscovich, Gerdil, como todos os grandes astrónomos, todos os grandes físicos, todos os grandes geómetras dos séculos passados. Eu sou católico como a maioria deles; e se me perguntassem a razão, eu responderia de bom grado. E veríamos que as minhas convicções são o resultado, não de preconceitos de nascimento, mas de um exame aprofundado. Veríamos como estão gravadas na minha mente e no meu coração, verdades mais incontestáveis do que o quadrado da hipotenusa ou o teorema de Maclaurin.

Augustin Louis Cauchy in «Considérations Sur Les Ordres Religieux», 1844.

14/09/2018

Vestígios da religião primitiva de Adão (Parte II)



O Ser Supremo, entre quase todas as tribos pertencentes à cultura primitiva, é o supremo legislador e juiz moral das acções humanas, se bem que certas tribos deduzam disto conclusões bastante curiosas, como esta: Todos os velhos são bons; de contrário, Deus já os teria punido, tirando-lhes a vida.
A crença de que Deus pune e premeia as acções dos homens nesta terra não se opõe à de uma remuneração mais perfeita, na outra vida. Mas em que consiste esta outra vida, nem todos sabem explicar (G. SCHMIDT, 1938). Por isso algumas tribos, como os Yámanas, mostram grande tristeza quando morrem os seus parentes.
Alguns primitivos admitem uma vida celeste, outros, uma vida semelhante à terrena, mas mais feliz para os bons e mais triste para os maus.
Segundo os Maidu, o caminho para o Céu é representado pela Via Láctea, e onde esta se divide, separar-se-ão os bons e os maus. Para outros, por exemplo os Andamaneses, o arco-íris serve de ponte para o Céu.
Mas o atributo, direi, mais radicado, é o da bondade de Deus. O Ser Supremo é exclusivamente, essencialmente bom. D'Ele não pode vir senão bem e felicidade. Por isto, alguns povos, para explicar o mal físico e moral do mundo, recorrem a outro ser, que se rebelou contra o Grande Manitu e que, por ódio a Este, espalha o mal.
Os modos mais comuns de honrarem o Ser Supremo são a oração e o sacrifício.
A oração não é sempre oral; entre alguns povos é muda, isto é, só do coração e da mente, acompanhada quanto muito por algum gesto. Por isso, certos exploradores acreditaram de princípio que não tinham oração.
O sacrifício é menos frequente que a oração, mas também bastante difundido e praticado com todo o seu profundo significado, qual atestação da total submissão da natureza humana ao Ser Supremo, ou, então, como expiação dos próprios pecados (W. SCHMIDT, 1935).
Geralmente, oferecem as primícias da caça ou das colheitas, uma porção de alimento antes de o terem provado (O. MENGHIN, 1931). Outras vezes, oferecem o crânio e os ossos compridos dos animais caçados (ursos, renas) contendo ainda as partes mais apreciadas: os miolos e a medula, como é costume entre algumas tribos primitivas do círculo árctico (A. GAHS e W. SCHMIDT, 1928).

Quanto à moral, existem laços rigorosos nas relações sexuais, e o sentimento do pudor é geralmente muito vivo. Os vestidos nos adultos são claramente sugeridos pelo pudor. O Pe. Shebesta teve a felicidade de assistir entre os Semang à repreensão, dada por um adulto a um rapazote, que tinha pronunciado, na presença dos companheiros, frases lúbricas. «Lawaid Karei!», disse em tom ameaçador o velho voltado para o jovem, o que queria dizer: isto é pecado contra o Ser Supremo Karei, e o jovem calou-se imediatamente (G. SCHMIDT, 1931).
Os Negritos das ilhas Filipinas e os Coriacos da Kamchatka exigem a castidade pré-conjugal, nas raparigas. As eventuais transgressões são punidas com penas severas. A monogamia, por preceito ou de facto, é a forma de matrimónio absolutamente dominante (G. WUNDT, 1929; O. MENGHIN, 1931).
A indissolubilidade do vínculo matrimonial não é, de igual modo, observada entre todos os primitivos, sendo menos rigorosa entre os primitivos do Norte. Merece menção o facto de entre algumas tribos (Pigmeus de África, Bosquímanos) não ser possível a dissolução do matrimónio, desde que nasce um filho. Entre estas tribos é muito rara a infidelidade conjugal, sendo punida severamente e até com a morte (L. LIVI, 1937; G. SCHMIDT, 1931).
Não existem entre estas antiquíssimas fases de cultura, nem promiscuidade, nem troca de mulheres. Não se vêem crimes de infanticídio ou outros que se encontram em tribos de ciclo cultural superior. Numa palavra, e etnologia moderna chegou à conclusão à qual tinha chegado, um século atrás, o famoso etnólogo jesuíta Pe. Lafitau, fundador da moderna etnologia: «Os povos primitivos – escrevia ele – na maior parte dos casos, não são produtos de degeneração, de decadência de civilizações elevadas; mas, antes, conservam até aos nossos dias as fases primordiais do desenvolvimento da humanidade» (PE. LAFITAU, Moeurs des Sauvages Amériquains, Comparées aux Moeurs des Premiers Temps, 1724).
Os homens primitivos têm um conceito bastante elevado da moral e de Deus, que honram com sacrifícios; praticam a monogamia, como afirma a Sagrada Escritura a respeito dos primeiros homens. Logo, as afirmações da Sagrada Escritura são verdadeiras e é falso o evolucionismo religioso.

Pe. Victor Marcozzi in «Deus e a Ciência», 1957.

12/09/2018

Vestígios da religião primitiva de Adão (Parte I)


O estudo objectivo da religião destes povos primitivos levou às seguintes conclusões: «Em todos os grupos étnicos de cultura primitiva existe a crença num Ser Supremo, senão entre todos com a mesma forma e força, certamente em toda a parte com a força suficiente para excluir toda a dúvida acerca da sua acção predominante» (G. SCHMIDT, Manual de História Comparada das Religiões, 1938).
A crença num Ser Supremo é claríssima em todas as tribos de pigmeus da África e da Ásia (H. BAUMANN, 1936). Até há pouco tempo, o que sabíamos da maior parte dos pigmeus da África era quase nada e tinha um conceito diverso das suas crenças religiosas; mas investigações recentes de Trilles no Gabão, de Schumacher no Ruanda, de Schebesta no Congo, puseram em evidência, com toda a clareza, a crença deles no Ser Supremo. O mesmo se pode dizer de algumas tribos africanas, como os Ajongos, Vátuas, Bagellos, Bambutos e outros; de povos primitivos do Sul, como os Bosquímanos, os habitantes da Terra do Fogo e os australianos de cultura primitiva; no círculo polar árctico, como os Samoiedos, os Coriacos e os Ainu, e numerosas tribos da América do Norte. Mas aquilo que mais surpreende, ainda, é que a ideia deste Ser Supremo é tanto mais pura, isto é, menos ofuscada de ideias de outros deuses menores, quanto mais a tribo apresenta caracteres primitivos.
Alguns primitivos, como os Fueguinos, Negritos, Bátuas, Andamaneses, afirmam que o Ser Supremo é imperceptível aos sentidos, inaferível como o vento.
Outros dão-lhe um aspecto humano, venerando, com longa barba, mas dotado de caracteres superiores ao homem; umas vezes, é resplandecente como o fogo; outras, circundado por uma auréola solar. O arco-íris, entre algumas tribos, é a fímbria do manto do Ser Supremo. Significativo é o facto de que mesmo as tribos que representam o Ser Supremo com feições humanas, quase nunca lhe atribuem mulher e filhos, achando irreverente até a pergunta se o Ser Supremo é casado.
Múltiplos e expressivos são os nomes pelos quais é designado o Ser Supremo, sempre pronunciados com respeito e em raras ocasiões; mas nunca, sem necessidade. Em muitos casos recorrem a circunlóquios ou sinais. Por exemplo: um aceno para o céu, como fazem os Juin com Daramulum e os Kulin com Bundyil.
Três grupos de nomes são mais frequentes, e precisamente os que exprimem paternidade, ou a obra criadora e a morada no céu. Os pigmeus do Ituri, os Bosquímanos e muitos outros chamavam-lhe simplesmente: pai. Os Samoiedos usavam esta invocação: meu pai Nun, meu pai celeste. Os Ainu chamavam-lhe: o Divino Construtor dos mundos. Muitas tribos norte-americanas chamavam-lhe simplesmente: o Criador, o Artífice, o Criador da Terra. Os Samoiedos: o Criador da vida.
Encontram-se outras expressões que indicam, ou a morada de Deus, como esta: Aquele que habita no alto, ou outros atributos: o Antiquíssimo, o Suporte do universo, o Grande Manitu, isto é, o Grande Espírito (Algonquinos), Gawa, o Invisível (Bosquímanos), o Omnipotente, o Vigilante, o Eterno, etc.
Já por estes nomes, que acabamos de enumerar, se revela o conceito, como se vê, altíssimo, que tinham estes povos do Ser Supremo, bastante semelhante àquele que tinham os Patriarcas do Génesis.
Mas, mesmo quando não existe um nome para exprimir os atributos de Deus, existe sempre o conceito, que exprimem recorrendo a circunlóquios. A eternidade do Ser Supremo é conhecida por quase todos os povos primitivos. A omnisciência está em estreitíssima relação com a vigilância que o Ser Supremo exerce sobre as acções morais dos homens. As tribos da Austrália sul-oriental avisam disto os jovens, tanto no rito da iniciação, como noutras ocasiões, com a advertência que o Omnisciente sabe também punir (F. GRAEBNER, 1926). Os Bátuas do Ruanda dizem claramente: nada existe mais que Imana, o Ser Supremo. Ele sabe tudo. Conhece até os pecados secretos do pensamento.


Pe. Victor Marcozzi in «Deus e a Ciência», 1957.

30/10/2017

Pelo verdadeiro Halloween


Apesar de hoje em dia se associar o Halloween a um fenómeno neo-pagão inventado nos E.U.A., a verdade é que o Halloween é uma festividade cristã. Tal como o Natal não é a festa do Pai Natal, o Halloween não é a festa das bruxas. Halloween vem da contracção das palavras All Hallows Evening, que se traduz em português como Vigília de Todos os Santos. Trata-se, portanto, da tradicional vigília de preparação para o Dia de Todos os Santos. Cabe-nos então repor a verdade e celebrar o seu verdadeiro significado.

06/05/2016

O ateísmo é ilógico


Testemunho de um ateu que se converteu ao Cristianismo:

O meu argumento contra Deus era o de que o universo parecia injusto e cruel. No entanto, de onde eu tirara essa ideia de justo e injusto? Um homem não diz que uma linha é torta se não souber o que é uma linha recta. Com o que eu comparava o universo quando o chamava de injusto? Se o espectáculo inteiro era mau do começo ao fim, como é que eu, fazendo parte dele, podia ter uma reacção assim tão violenta? Um homem sente o corpo molhado quando entra na água porque não é um animal aquático; um peixe não se sente assim. E claro que eu poderia ter desistido da minha ideia de justiça dizendo que ela não passava de uma ideia particular minha. Se procedesse assim, porém, o meu argumento contra Deus também desmoronaria – pois depende da premissa de que o mundo é realmente injusto, e não de que simplesmente não agrada aos meus caprichos pessoais. Assim, no próprio acto de tentar provar que Deus não existe – ou, por outra, que a realidade como um todo não tem sentido –, vi-me forçado a admitir que uma parte da realidade – a saber, a minha ideia de justiça – tem sentido, sim. Ou seja, o ateísmo é uma solução simplista. Se o universo inteiro não tivesse sentido, nunca perceberíamos que ele não tem sentido – do mesmo modo que, se não existisse luz no universo e as criaturas não tivessem olhos, nunca nos saberíamos imersos na escuridão. A própria palavra escuridão não teria significado.

C. S. Lewis in «Cristianismo Puro e Simples».

26/02/2016

Porque se desenvolveu a ciência no Ocidente?


A ciência desenvolveu-se no mundo ocidental por três razões:
1. Porque a natureza se desviou da significação mitológica, tal como existe no Oriente, onde se mistura o animismo com o politeísmo e o panteísmo. E a ciência só pode desenvolver-se apenas quando a Natureza é estudada como Natureza.
2. Porque o pensamento ocidental aplica à Natureza dois princípios básicos da razão: a causalidade e a uniformidade. Estas constituem a base de toda a ciência.
3. O Cristianismo, acentuando a disciplina, a razão e o valor da Natureza, como tal, tornou-se a rocha em que a ciência empírica se fundamenta. A ciência nasceu e pode desenvolver-se apenas numa civilização cristã. O Oriente, sem este fundamento, nunca se tornará científico. O pensamento oriental dá pouca importância à causalidade e está muito mais relacionado com a sensação, as emoções, a consciência e a inconsciência [exemplo: Budismo e Hinduísmo], em que tudo principia a aglutinar-se e a fundir-se numa unidade.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

13/03/2015

Renascença Carolíngia


Para desmistificar a ideia de que a Idade Média era uma idade de trevas:

Se muitos se deixarem contagiar por essa aspiração, criar-se-á na França uma nova Atenas, uma Atenas mais refinada que a antiga, porque, enobrecida pelos ensinamentos de Cristo, superará toda a sabedoria da Academia. Os antigos tiveram por mestres apenas as disciplinas de Platão, que, inspiradas nas sete artes liberais, ainda brilham com esplendor: mas os nossos estarão dotados também dos sete dons do Espírito Santo e superarão em brilho toda a dignidade da sabedoria secular.

Santo Alcuíno em carta a Carlos Magno, citado por Thomas E. Woods Jr. in «O que a Civilização Ocidental deve à Igreja Católica».

08/03/2015

Confissão


Os homens receberam de Deus um poder que não foi dado aos anjos nem aos arcanjos. Nunca foi dito aos espíritos celestes: "O que ligardes e desligardes na Terra será ligado e desligado no Céu". Os príncipes deste mundo só podem ligar e desligar o corpo. O poder do sacerdote vai mais além; alcança a alma, e exerce-se não só em baptizar, mas ainda mais em perdoar os pecados. Não coremos, pois, ao confessar as nossas faltas. Quem se envergonhar de revelar os seus pecados a um homem, e não os confessar, será envergonhado no Dia do Juízo na presença de todo o Universo.

São João Crisóstomo in «Tratado sobre os Sacerdotes».

06/12/2014

São Nicolau e o Pai Natal


Quem deu força à lenda do Pai Natal foi Clement Clarke Moore, um professor de literatura grega em Nova Iorque, com o poema "Uma visita de São Nicolau", escrito para os seus filhos em 1822. Moore divulgou a versão de que São Nicolau viajava num trenó puxado por renas e ajudou a popularizar outras características, como o facto de ele entrar pela chaminé na Noite de Natal. A explicação da chaminé vem da Finlândia, uma das fontes de inspiração do poema. Os antigos lapões viviam em pequenas tendas cobertas com pele de rena. A entrada era um buraco no telhado. E assim, de personagem real na Ásia Menor [Bispo de Mira], o Pai Natal imaginário passou a vir do Pólo Norte.
A última e mais importante característica incluída na figura do Pai Natal é a sua roupa vermelha e branca. Antigamente, ele vestia-se como bispo ou usava cores próximas do castanho, com uma coroa de azevinhos na cabeça ou nas mãos. Mas não havia um padrão. O seu visual actual foi obra do ilustrador Thomas Nast, na revista Harper's Weekly, em 1886, numa edição especial de Natal. Em alguns lugares da Europa ele ainda é representado com os paramentos eclesiásticos de bispo e, ao invés do gorro vermelho, tem uma mitra episcopal.

Adaptado de «Guia de Curiosidades Católicas» de Evaristo Eduardo de Miranda.

09/08/2014

O único Senhor


Rejeitar o senhorio de Cristo é colocar as premissas para uma recaída na sujeição a alguma tirania renascida, que sob disfarces diversos se queira voltar a apresentar à ribalta da História. Quem não acolhe Jesus ressuscitado como único Senhor muito frequentemente acaba por se deixar dominar por eventuais novos "donos dos homens", por diversos ídolos que exigem uma adoração indevida, ou pelos mitos arbitrários que exigem ser honrados como a verdade. Diz repetidamente Santo Ambrósio: "Quantos donos acaba por ter, quem se afasta do único Senhor!".

24/03/2014

Resumo da história do Cisma do Oriente


O Cisma do Oriente nasceu da revolta do Patriarca de Constantinopla contra a autoridade do Papa. Isso quer dizer que o Cisma nasceu do orgulho.
Constantinopla foi fundada pelo Imperador Constantino, o Grande, aquele que deu liberdade aos cristãos, no ano 313, e transferiu o poder imperial para o Oriente, fundando então Constantinopla.
O título de Patriarca era dado apenas aos bispos das cidades que haviam recebido a pregação de um Apóstolo.
Assim eram reconhecidos como patriarcas o Bispo de Alexandria, onde pregara o evangelista São Marcos. O Bispo de Jerusalém, onde fora bispo o Apóstolo São Tiago. O Bispo de Antioquia, cidade em que viveu e foi bispo São Pedro. E, finalmente, Roma, que teve o mesmo São Pedro como seu primeiro Bispo.
É claro que Constantinopla, por ter sido fundada apenas no século IV, não poderia ter, normalmente, o título de Patriarca, pois nenhum Apóstolo pregara nessa cidade, que ainda não existia nos tempos apostólicos.
Entretanto, por ser a capital do Império do Oriente, os Arcebispos de Constantinopla reivindicavam essa honra, que Roma afinal lhe concedeu, a título honorário.
Cedo, alguns patriarcas orientais, especialmente o de Constantinopla, reivindicaram uma paridade com o Papa, querendo que a Igreja não fosse uma monarquia, e sim uma pentarquia. (Erro que está, hoje, em voga entre alguns orientais...).
Pretendia-se que o Papa fosse apenas um chefe honorífico da Igreja, um "primus inter pares", um superior em honra, entre os patriarcas, que seriam iguais em direito.
Ora, isto vai contra o Evangelho, que mostra Cristo ter fundado a Igreja sobre Pedro apenas. Cristo fez a Igreja monárquica e não pentárquica.
No século IX, o Arcebispo de Constantinopla, Fócio, revoltou-se contra o Papa São Nicolau I, que excomungou esse rebelde em 863.
Como resposta, Fócio auto-proclamou-se Patriarca Ecuménico de Constantinopla e "excomungou" o Papa São Nicolau I. Com a subida ao poder em Constantinopla do Imperador Basílio, o Macedónico, Fócio perdeu o poder que tinha.
A questão entre Roma e Constantinopla foi ainda mais envenenada pelo problema da processão do Espírito Santo, que os Orientais dizem proceder apenas do Pai, enquanto a Igreja ensina que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho.
Fócio retomou o poder em Constantinopla, mesmo depois da sua solene condenação, no ano 870. De novo, o Papa João VIII renovou a condenação de Fócio. Com o advento ao trono do Imperador Leão, o Filósofo, Fócio é expulso pela segunda vez de Constantinopla, terminando o cisma pouco depois.
No século XI, Miguel Cerulário, Patriarca de Constantinopla, causou a separação definitiva da Igreja do Oriente, separando-a da obediência ao Papa, no tempo do Papa Leão IX. Miguel Cerulário foi excomungado pelo Papa em 1054.
Desde esse tempo, os Orientais estão separados de Roma, portanto em cisma. A esse mal, vieram acrescentar-se a negação dos dogmas proclamados pela Igreja, após a separação do Oriente. Os Orientais possuem sucessão apostólica, isto é, os seus bispos são legítimos, assim como os seus sacerdotes. Em consequência, os seus sacramentos são válidos, embora ilicitamente administrados, por causa da sua separação do Papa.

08/02/2014

A superioridade da Igreja Católica


A Igreja contém o que o mundo não contém. A própria vida não atende tão bem como a Igreja a todas as necessidades de viver. A Igreja pode orgulhar-se da sua superioridade sobre todas as religiões e sobre todas as filosofias.
Onde têm os estóicos e os adoradores do passado um Menino Jesus? Onde está a Nossa Senhora dos muçulmanos, a mulher que não foi feita para nenhum homem e que está sentada por cima de todos os anjos? Qual é o S. Miguel dos monges de Buda, cavaleiro e clarim que guarda para cada soldado a honra da espada? Quem poderia representar S. Tomás de Aquino na mitologia do bramanismo, ele que restabeleceu a ciência e o raciocínio da Cristandade?
E o mesmo nas filosofias ou heresias modernas. Como passaria Francisco, o Trovador, entre os calvinistas e, ainda, entre os utilitaristas da escola de Manchester? Como passaria Joana d'Arc, uma mulher, esgrimindo a espada que conduzia os homens à guerra, entre os Quakers ou a seita tolstoiana dos pacifistas? E, entretanto, homens como Bossuet e Pascal são tão lógicos e tão analistas como qualquer calvinista ou utilitarista, e inumeráveis santos católicos passaram suas vidas predicando a paz e evitando as guerras.

G. K. Chesterton in «The Everlasting Man», 1925.


Relembro: Falso Ecumenismo.

27/03/2013

A vida é fruto do acaso?


Suponhamos que, chegando a uma ilha desabitada, encontramos uma estátua maravilhosamente esculpida. Certamente – concluiremos – esta ilha foi em tempos habitada ou, pelo menos, visitada por homens que ali deixaram aquela estátua.
Que diríamos, porém, se alguém quisesse troçar da nossa natural suposição e nos dissesse: Mas quê? Isso é uma explicação gratuita, devida simplesmente à tendência que tendes de interpretar antropomorficamente as coisas! A estátua não é obra do homem! Foram as chuvas e os ventos que, primeiro, arrancaram da montanha o mármore; os agentes atmosféricos e os temporais que depois o trabalharam e, por fim, uma rajada violenta que a pôs de pé!
Quem poderia aceitar uma tal explicação sem renunciar ao mais elementar bom senso?
Mas, se o acaso é impotente para produzir uma estátua, que apenas é uma imagem da vida, como poderemos nós supor que o mesmo tenha produzido um organismo, inteiro e complexo, com todos os seus órgãos maravilhosos?

Pe. Victor Marcozzi in «Deus e a Ciência», 1957.

16/01/2013

Fora da Igreja não há Salvação


A Santíssima Igreja Romana crê firmemente, professa e prega que nenhum dos que existem fora da Igreja Católica, não só pagãos como também judeus, heréticos e cismáticos, poderá ter parte na vida eterna; mas que irão para o fogo eterno que foi preparado para o demónio e os seus anjos, a não ser que a ela se unam antes de morrer; e que a unidade deste corpo eclesiástico é tão importante que só aqueles que se conservarem dentro desta unidade podem aproveitar-se dos sacramentos da Igreja para a sua salvação, e apenas eles podem receber uma recompensa eterna pelos seus jejuns, pelas suas esmolas, pelas suas outras obras de piedade cristã e pelos deveres de um soldado cristão. Ninguém, por mais esmolas que dê, ninguém, mesmo que derrame o seu sangue pelo Nome de Cristo, pode salvar-se, a não ser que permaneça no seio e na unidade da Igreja Católica.

Papa Eugénio IV in «Bula Cantate Domino».

30/12/2012

Da Moral


A moral é a base da sociedade; se tudo, porém, é matéria em nós, não há realmente vício nem virtude, e por consequência não há moral.
As nossas leis, sempre relativas e mutáveis, não podem servir de ponto de apoio à moral, sempre absoluta e inalterável; é pois preciso que ela tenha origem numa região mais estável que esta, e cauções mais seguras que recompensas precárias ou castigos passageiros. Alguns filósofos acreditaram que a religião fôra inventada para a sustentar, sem se avisarem de que tomavam o efeito pela causa. Não é a religião que deriva da moral, é a moral que nasce da religião, pois é certo, como há pouco dissemos, que a moral não pode ter a sua origem no homem físico, ou na simples matéria; pois é certo ainda, que, quando os homens perdem a ideia de Deus, se despenham em todos os crimes, a despeito das leis e dos verdugos.

François-René de Chateaubriand in «O Génio do Cristianismo».

18/11/2012

Deus criou o Mal?


O Frio é ausência de Calor, a Escuridão é ausência de Luz, o Mal é ausência de Bem. Possivelmente, Einstein nunca proferiu as palavras descritas no vídeo. No entanto, a mensagem é bastante esclarecedora quanto à existência do Mal: ausência e negação do Bem. Da mesma forma que só existe Doença enquanto degeneração de um estado de Saúde que a precede, só existe Mal porque existe o Bem que o precede.

04/11/2012

A Cruz e o Círculo


O círculo é perfeito e infinito por natureza, mas ele está para sempre amarrado a suas dimensões, não podendo crescer ou diminuir, já que na sua definição o raio é constante. Mas a cruz, embora tenha no centro uma colisão e uma contradição, pode sempre estender os braços sem modificar sua forma. Pelo facto de abrigar um paradoxo em seu centro, a cruz pode crescer sem mudar. O círculo volta-se sobre si mesmo como prisioneiro. A cruz abre seus braços aos quatro ventos e serve de marco indicador aos viajantes livres.

Gilbert Keith Chesterton in «Ortodoxia».