Mostrar mensagens com a etiqueta Arquitectura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arquitectura. Mostrar todas as mensagens

09/04/2019

Da arquitectura moderna


A arquitectura pré-modernista foi concebida para aproveitar a luz solar para o aquecimento e iluminação dos edifícios (e as brisas, que também são produzidas pela acção solar no ar, para o arrefecimento). O desenvolvimento dessas técnicas tradicionais foi uma acumulação lenta e dolorosa de experiências ao longo de séculos. Foi a abundância anómala de petróleo e gás baratos na nossa época que permitiu aos construtores, e sobretudo aos arquitectos, preocupados com questões de estilo, afastarem-se das práticas tradicionais que tiravam partido da energia solar passiva. O século XX foi a era das curtain walls de vidro nos prédios de escritórios, das janelas que não abriam (ou que não existiam), das fachadas em titânio e de outras façanhas da moda destinadas a decorar os edifícios para proclamar o génio ousado e criativo de quem os concebia. Este comportamento narcisista só foi possível numa sociedade com uma energia barata, na qual pouco mais importava na arquitectura do que a moda e o estatuto, associados a um lugar de vanguarda. Num museu concebido por Frank Gehry, pouco importava que entrasse ar ou luz, porque era para isso que serviam o ar condicionado e os focos de halogéneo. O que importava era que a cidade fosse abençoada com um objectivo da moda criado por um xamã célebre. Ora, nada está mais sujeito a desvalorizar-se por deixar de estar na moda, do que uma coisa que só é valorizada por ser moderna.

James Howard Kunstler in «The Long Emergency», 2005.

30/05/2016

O embrutecimento artístico


Quando começamos a substituir os Salmos de David pelos conselhos de auto-ajuda, e os trágicos gregos e Dante, por biografias de celebridades, já não conseguimos exigir muita coisa da inteligência. E com o consequente embotamento da sensibilidade, os nossos olhos e os nossos ouvidos perdem a antiga capacidade de captar imagens e sons que dantes faziam parte do registo poderoso de uma cultura da qual ficámos, em poucas décadas, completamente órfãos.

Ângelo Monteiro in «Arte ou Desastre», 2011.

22/10/2014

Proporção

Que casa escolherá esta família?

Quais são os elementos primordiais de que o arquitecto dispõe para o seu trabalho? Se existisse um evangelho da arquitectura, começaria por certo assim: "No princípio era a Proporção..." E realmente é a proporção base de toda a arquitectura.

Raul Lino in «Casas Portuguesas», 1933.

07/04/2014

Imaginem um mundo sem modernismo


A beleza fundamental do aspecto exterior de uma casa está nas suas proporções; estas, porém, não se estabelecem por meio de tabelas; é indispensável uma educação especial do sentido da vista para se poder proporcionar com harmonia e nobreza. No entanto, de um modo geral se pode afirmar que está actualmente incutido entre nós um gosto desnatural, uma noção falsa de elegância, a qual se julga ser exclusivamente atributo das coisas altas e estreitas; como se vãos, pilastras, painéis, esteios, – tudo tivesse para ser elegante.
É um vício de sentimento cuja origem facilmente se descobre.
É que desde que há decadência do sentimento artístico, todas as vezes que se pretende fazer obra imponente, antolha-se-nos grandeza das coisas passadas; quando há compreensão grosseira da arquitectura, julga-se ganhar imponência pelo simples aumento das dimensões.

Raul Lino in «A Nossa Casa», 1918.