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09/11/2018

Patriotismo: um dever de caridade


Se o Catolicismo fosse um inimigo da Pátria, não seria uma religião divina. A Pátria é um nome que trás à nossa memória as recordações mais queridas, ou porque carregamos o mesmo sangue que os nascidos no nosso próprio solo, ou devido ainda à mais nobre semelhança de afectos e tradições, a nossa Pátria não é apenas digna de amor, mas de predilecção.

Papa São Pio X, discurso pronunciado a 20 de Abril de 1909.

28/10/2018

Dia de Cristo Rei

Santuário de Cristo Rei (Almada)

Instituindo a festa de Cristo Rei, o Papa Pio XI quis proclamar solenemente a realeza social de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre o mundo. Rei das almas e das consciências, das inteligências e das vontades, Cristo é também o Rei das famílias e das cidades, dos povos e das nações, o Rei de todo o universo. Como Pio XI demonstrou na encíclica Quas Primas de 11 de Dezembro de 1925, o laicismo é a negação radical desta realeza de Cristo; organizando a vida social como se Deus não existisse, leva à apostasia das massas e conduz a sociedade à ruína.
Toda a missa e o ofício da festa de Cristo Rei são uma proclamação solene da realeza universal de Cristo contra o laicismo do nosso tempo. A missa começa por uma das mais belas visões do Apocalipse, em que o Cordeiro de Deus, imolado, mas doravante na glória, é aclamado pela imensa legião dos anjos e dos santos. Fixada no último domingo de Outubro, no fim do ciclo litúrgico, e precisamente nas vésperas de Todos os Santos, a festa de Cristo Rei apresenta-se como a coroa de todos os mistérios de Cristo e como a antecipação no tempo, da realeza eterna por Ele exercida sobre todos os eleitos na glória do Céu. A grande realidade do Cristianismo é Cristo ressuscitado, reinando com todo o esplendor da Sua vitória, no meio dos eleitos que são a Sua conquista.

Fonte: «Missal Romano Quotidiano», 1963.

§

Hino: Ó Cristo, nós vos proclamamos Príncipe dos séculos, Rei das nações, único árbitro dos espíritos e dos corações. Ámen.

27/10/2018

Quantidade não é qualidade


Porque é muito melhor ter poucos ministros, mas bons, idóneos e úteis, do que ter muitos que de nada servirão para a edificação do Corpo de Cristo, que é a Igreja Católica.

Papa Bento XIV in «Ubi Primum», 1740.

06/09/2018

O Catolicismo e a vida rural


A vida rural tem muito a ver com a vida religiosa dos lavradores. A Igreja cuidou que as principais festas do ano litúrgico coincidissem sempre que possível com o ciclo das estações e as fainas do campo correspondentes, realizando-se assim uma interessantíssima comunhão entre a vida espiritual e o acontecer cósmico. O sino da paróquia, ou do convento, conferia à existência camponesa um ritmo não só cronológico, mas também sacral. Pouco antes da aurora tocava a laudes e encerrava a jornada na hora das vésperas. Deste modo, a oração matutina e a prece vespertina marcavam o trabalho, conferindo-lhe uma significação transcendente. Os dias de festa eram numerosos, muito mais do que no nosso tempo. Tanto aos domingos como nos dias festivos os camponeses assistiam à Santa Missa e com frequência aos ofícios das Horas canónicas. Participavam também nas procissões, presenciavam nos átrios representações teatrais dos mistérios sagrados, ouviam sermões e homilias, aprendiam o Catecismo. Tudo isso somado às visitas domiciliares dos sacerdotes, constituía uma espécie de cátedra ininterrupta para sua educação nos princípios da fé e da moral. Toda a existência do camponês pulsava ao ritmo estabelecido pela Igreja. Desde o nascimento até à morte, passando pelo matrimónio e as enfermidades, os momentos fundamentais da sua vida eram sublimados pelo alento sobrenatural da liturgia.

Pe. Alfredo Sáenz in «La Cristiandad y su Cosmovisión», 1992.

05/09/2018

Pelos frutos se conhece a árvore


Guardai-vos dos falsos profetas, que vêem a vós com vestidos de ovelhas, e por dentro são lobos rapaces. Pelos seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinhos, ou figos dos abrolhos? Assim toda a árvore boa dá bons frutos, e a árvore má dá maus frutos. Não pode uma árvore boa dar maus frutos, nem uma árvore má dar bons frutos. Toda a árvore, que não dá bom fruto, será cortada e lançada no fogo. Vós os conhecereis, pois, pelos seus frutos.
Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus; mas o que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus, esse entrará no Reino dos Céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em Teu nome, e em Teu nome expelimos os demónios, e em Teu nome fizemos muitos milagres? E então eu lhes direi bem alto: Nunca vos conheci; apartai-vos de Mim, vós que obrais a iniquidade.

Evangelho segundo São Mateus, VII, 15-23.

20/08/2018

Patriotismo e Catolicismo


O patriotismo, princípio interno de unidade e ordem, ligação orgânica dos membros de uma mesma pátria, era considerado pela elite dos pensadores da Grécia e da Roma antiga, como a mais alta das virtudes naturais. Aristóteles, o príncipe dos filósofos pagãos, determinava que o desinteresse ao serviço da Cidade, isto é, do Estado, é o ideal terrestre por excelência.
A religião de Cristo faz do patriotismo uma lei: não há cristão perfeito que não seja patriota perfeito.
Ela eleva o ideal da razão pagã e o esclarece, mostrando que ele só se realiza no Absoluto [que é Deus].
(...)
À luz deste ensinamento, que é repetido por São Tomás de Aquino, o patriotismo assume um carácter religioso.

Cardeal Mercier in carta pastoral de 25 de Dezembro de 1914.

08/08/2018

A Fé e a "fé"


Segundo a doutrina católica, a Fé é uma anuência, uma submissão da inteligência à autoridade de Deus que revela, sob o impulso da vontade livre movida pela Graça. Por um lado o acto de Fé deve ser livre, ou seja, deve escapar a toda a coacção exterior que tivesse por objecto ou por efeito directo obtê-lo contra a vontade da pessoa. Por outro lado, sendo o acto de Fé uma submissão à autoridade divina, nenhum poder ou terceira pessoa tem o direito de se opor à influência da Verdade primeira, que tem o direito inalienável de iluminar a inteligência do fiel. Disto se segue que o fiel tem direito à liberdade religiosa; ninguém tem o direito de o coagir, e ninguém tem o direito de impedi-lo de abraçar a Revelação divina ou de realizar com prudência os actos exteriores de culto.

Entretanto os liberais, esquecidos do carácter objectivo, completamente divino e sobrenatural do acto de Fé, e os modernistas que correm no seu rastro, fazem da Fé uma expressão da convicção subjectiva do sujeito no fim da sua procura pessoal, ao tentar responder às grandes interrogações que lhe apresenta o universo. A Igreja, que propõe o facto da Revelação divina exterior, dá lugar à invenção criadora do sujeito, ou pelo menos o sujeito deve esforçar-se para ir de encontro à fonte... Sendo assim, então a Fé divina é rebaixada ao nível das convicções religiosas dos não-cristãos, que pensam ter uma fé divina, quando não têm mais do que uma persuasão humana, pois o motivo para aderir à sua crença não é a autoridade divina, mas o livre julgamento do seu espírito. Aí está a sua inconsequência fundamental: os liberais pretendem manter para este acto de persuasão completamente humano, o carácter de inviolabilidade e isenção de toda a coacção que não pertence senão ao acto de Fé divina. Eles asseguram que, pelos actos das suas convicções religiosas, os adeptos de outras religiões põem-se em relação com Deus, e que a partir daí esta relação deve ficar livre de toda coacção que possa afectá-la. Eles dizem: «Qualquer fé religiosa é respeitável e intocável».

Mas estes últimos argumentos são visivelmente falsos, pois pelas suas convicções religiosas, os adeptos das outras religiões não fazem mais do que seguir invenções do seu próprio espírito, produções humanas que não têm em si nada de divino, nem em seu princípio, nem em seu objecto, nem no motivo pelo qual aderiram a elas.

Isto não quer dizer que não há nada de verdadeiro nas suas convicções, ou que não possam conservar sinais da Revelação primitiva ou posterior. Mas a presença destas semina Verbi, não bastam, por si, para fazer das suas convicções um acto de Fé divina. Principalmente porque se Deus quisesse suscitar este acto sobrenatural pela Sua Graça, na maioria dos casos ver-se-ia impedido pela presença de inúmeros erros e superstições aos quais estes homens continuam ligados.

Frente ao subjectivismo e ao naturalismo dos liberais, devemos reafirmar hoje o carácter objectivo e sobrenatural da Fé divina que é a Fé católica e cristã. Somente ela tem o direito absoluto e inviolável ao respeito e à liberdade religiosa.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

29/07/2018

As bem-aventuranças


Vendo Jesus aquela multidão, subiu a um monte, e, tendo-se sentado, aproximaram-se d'Ele os seus discípulos. E Ele, abrindo a Sua boca, os ensinava, dizendo:
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Bem-aventurados os que têm fome e sede da justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de Mim. Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos Céus, pois também assim perseguiram os profetas, que existiram antes de vós.

Evangelho segundo São Mateus, V, 1-12.

27/07/2018

Declaração de um historiador agnóstico


Sempre e por toda a parte, desde há mil e oitocentos anos, quando o Cristianismo desfalece, os costumes públicos e privados degradam-se. Na Itália, durante a Renascença, na Inglaterra, sob a Restauração, em França, durante a Convenção e o Directório, viu-se o homem tornar-se pagão como nos primeiros séculos. Achava-se como no tempo de Augusto ou de Tibério, voluptuoso e duro. Abusava dos outros e de si próprio. O egoísmo brutal e calculista tomara o ascendente. Faziam estendal a crueldade e a sensualidade. A sociedade convertia-se numa Falperra e em lugar suspeito.

Hippolyte Taine, citado por Jacques Ploncard d'Assac in «Três Estudos Políticos», 1956.

26/06/2018

Não se pode servir a dois senhores


Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há-de odiar um e amar o outro, ou há-de afeiçoar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.

Evangelho segundo São Mateus VI, 24

06/06/2018

Do fim para que somos criados


O homem é criado para louvar, prestar reverência e servir a Deus nosso Senhor e, mediante isso, salvar a sua alma; e as outras coisas sobre a face da Terra são criadas para o homem, para que o ajudem na prossecução do fim para que é criado. Donde se segue que o homem tanto há-de usar delas quanto o ajudem para o seu fim, e tanto deve afastar-se delas quanto para isso o impedem. Pelo que é necessário fazer-nos indiferentes a todas as coisas criadas, em tudo o que é concedido à liberdade do nosso livre-arbítrio, e não lhe está proibido; de tal maneira que não queiramos da nossa parte mais saúde que doença, riqueza que pobreza, honra que desonra, vida longa que vida curta, e consequentemente em tudo o mais; mas somente desejando e elegendo o que mais nos conduz ao fim para que somos criados.

Santo Inácio de Loyola in «Exercícios Espirituais», 1548.

31/05/2018

A Santa Comunhão


O que é a Comunhão?
É a recepção do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo sob as espécies sacramentais do pão e do vinho. A palavra comunhão quer dizer união com, união de Jesus Cristo e da alma que a recebe. E, com efeito, não há união mais íntima, já que comemos a Carne e bebemos o Sangue de Jesus. Nosso Senhor instituiu a Comunhão quando instituiu o sacrifício da Missa, dizendo: «Tomai, isto é o Meu Corpo; bebei, este é o Meu Sangue».

Três espécies de Comunhão: a sacrílega, a tíbia, e a fervorosa
1. A comunhão sacrílega. A própria palavra faz horror. Comungar em estado de pecado mortal, receber o Deus de toda a santidade e pureza numa alma cheia de lama do pecado, encerrar num mesmo coração a Deus e a Satanás, enfim, como diz São Paulo, calcar aos pés o Corpo e Sangue de Jesus. Que profanação! Que crime! Mas também que castigos! Muitas vezes doenças terríveis, morte desgraçada, condenação eterna. «Quem comunga indignamente, come e bebe a sua própria condenação», diz o mesmo Apóstolo. Se outrora tivéssemos tido a infelicidade de fazer comunhões sacrílegas, não obstante a enormidade do pecado, deveríamos ter a confiança na misericórdia de Jesus. Após uma sincera confissão, procuremos reparar com comunhões fervorosas as comunhões indignas do passado.
2. A comunhão tíbia. É a comunhão feita por rotina, sem fruto, sem preparação nem acção de graças que valham. Há pessoas que comungam quase todos os dias e não se emendam dos seus defeitos, nem fazem progresso na virtude. De manhã, na mesa da comunhão; à noite, no espectáculo, no baile; de manhã, recolhidas; todo o resto do dia dissipadas; de manhã, derretidas em devoção; de tarde, de mau humor; de manhã, na igreja em oração; o dia inteiro, em maledicência, disputas, leituras frívolas, exibição de vaidade. Cuidado! São Paulo compara estas almas com a terra que frequentemente recebe a chuva do céu e nada produz, senão espinhos e abrolhos. Neste caso será melhor afastar-se da mesa da comunhão? Não! Seria imitar o homem que está fraco e não se alimenta. O que se deve fazer é, por meio da mortificação e da oração, sacudir fora essa frieza e continuar a comungar.
3. A comunhão fervorosa. É a comunhão feita com boa vontade, com proveito, precedida de uma séria preparação e seguida de uma fervorosa acção de graças.

Pe. Guilherme Vaessen in «O Pequeno Missionário», 1953.

03/03/2018

Veritas liberabit vos


Prefácio à reedição do livro «Catecismo dos Direitos Divinos na Ordem Social: Jesus Cristo, Mestre e Rei» do Padre Philippe C.SS.R.:

Nestes tempos de grande e universal apostasia, bem-aventurados são aqueles que se interessam em conhecer a sua fonte envenenada para viver só da Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo e para reencontrar n'Ele todos os efeitos da Redenção e da Sua graça para a santificação das pessoas, das famílias e das sociedades.
O veneno de todas as perversões do espírito moderno é o Liberalismo, tantas vezes apontado pelos Papas, tantas vezes condenado por eles nos mais vigorosos termos.
Aqueles que desejam expurgar o seu espírito e preservar-se deste ambiente, deveriam ler atentamente obras boas, como esta em que se respira o ar salutar do Cristianismo.
Deveriam também ler as encíclicas dos Papas dos séculos XIX e XX até João XXIII exclusivamente – e os livros que se inspiram neste ensinamento, bem como aqueles livros recomendados na bibliografia do livro do Padre Roussel intitulado «Liberalismo e Catolicismo», e especialmente:
Louis Veuillot: «A Ilusão Liberal».
Padre Barbier: «História do Catolicismo Liberal».
Monsenhor Delassus.
Monsenhor Sarda y Salvany: «O Liberalismo é Pecado».
Cardeal Billot: De Ecclesia, IIª parte.
Padre Roussel: «Liberalismo e Catolicismo».
Padre Raoul: «A Igreja Católica e o Direito Comum».
E este «Catecismo dos Direitos Divinos na Ordem Social» do Padre Philippe.
Todos estes deveriam ser conservados preciosamente nas bibliotecas e difundidos largamente, uma vez reeditados.
Apenas posso encorajar neste propósito a leitura dos livros das edições de Chiré-en-Montreuil do Sr. Auguy.
A inconcebível situação da Igreja, ocorrida na altura do Vaticano II e depois do Vaticano II, não se pode entender sem termos o conhecimento dos ensinamentos da Igreja sobre o Liberalismo antes do Vaticano II.
Veritas liberabit vos – "A Verdade vos proporcionará a Liberdade". Há entre as duas noções uma relação transcendental. Separá-las é arruinar ambas.

Marcel Lefebvre
Libreville, 3 de Março de 1986.

07/02/2018

A Igreja e a Juventude (I)


Mudança na Igreja pós-Conciliar em relação à juventude. Delicadeza da obra educativa.

Outros aspectos da realidade humana também são contemplados com visão distinta pela Igreja após o Concílio. Da nova consideração sobre a juventude, existia já um sinal indirecto na deminutio capitis infligida à ancianidade na Ingravescentem aetatem de Paulo VI. Mas outros documentos expressam directamente este novo ponto de vista.
A filosofia, a moral, a arte e o senso-comum, ab antiquo até ao nosso tempo, consideraram a juventude como uma idade de imperfeição natural e de imperfeição moral. Santo Agostinho, que no sermão Ad iuvenes escreve flos aetatis, periculum tentationis (P.L. 39, 1796), insistindo depois na imperfeição moral chega a chamar estultícia e loucura ao desejo de repuerascere.
Devido à debilidade da sua razão, ainda não consolidada, o jovem é cereus in vitium flecti (Horácio, Ars poet., 163) e a sua menoridade reclama um tutor, um conselheiro e um mestre. Com efeito, faz-lhe falta luz para dar-se conta do destino moral da vida, assim como uma ajuda prática para transformar-se e moldar as inclinações naturais da pessoa sobre a ordem racional. Esta ideia foi colocada como fundamento da pedagogia católica por todos os grandes educadores, desde São Bento de Núrsia a Santo Inácio de Loiola, de São José de Calasanz até São João Baptista de La Salle ou São João Bosco.
O jovem é um sujeito na posse de livre-arbítrio e deve ser formado para exercê-lo de maneira que, escolhendo o cumprimento do dever (a religião não dá à vida outro propósito), se determine a si mesmo escolher esse unum, para o qual precisamente nos é dada a liberdade. A delicadeza da acção educativa deriva de ter como objecto um ser que é um sujeito, e como fim a perfeição deste. Em suma, é uma acção sobre a liberdade humana, que não a limita, mas que a produz. Sob este aspecto, a acção educativa é uma imitação da causalidade divina, a qual, segundo a doutrina tomista, produz a acção livre do homem precisamente enquanto livre.
A conduta da Igreja face à juventude não pode, por conseguinte, prescindir da oposição entre os seguintes elementos correlativos: quem é imperfeito ante quem é perfeito (relativamente, entenda-se), e quem não sabe, e portanto aprende, ante quem sabe (relativamente, entenda-se). Não pode deixar-se de lado a diferença entre as coisas e tratar os jovens como maduros, aos proficientes como perfeitos, aos menores como maiores, e, em última análise, ao dependente como independente.

Características da juventude. Crítica da vida como alegria.

Também em relação à juventude, a profunda doutrina tomista da potência e do acto serve de guia ao estudioso das realidades humanas, sustentando-a na busca das características essenciais desta idade da vida, e preservando-a do desvio que a conduzem as opiniões hoje dominantes.
Sendo a juventude uma vida incipiente, é necessário que compreenda e lhe seja explicado o todo da vida, isto é: o fim no qual a virtualidade do incipiente deve realizar-se, e a forma na qual a potência deve desenvolver-se. A vida é difícil, ou se quiser, séria. Em primeiro lugar, porque o homem é uma natureza débil, em combate com a sua finitude no meio da finitude de outros homens e da finitude das coisas (que tendem a invadir-se mutuamente).
Em segundo lugar (e isto é um dado de fé católica), o homem está corrompido e tende ao mal. E a causa das más inclinações, a condição da vida humana, atraída por motivos opostos, é uma condição de milícia, ou melhor, de guerra, ou melhor ainda, de cerco.
A vida é difícil, e as coisas difíceis são as coisas interessantes, porque o interessante está situado na essência (inter-est), dada como potência e que quer sair e explicitar-se.
O homem não deve realizar-se (como se costuma dizer), mas sim realizar os valores para os quais foi criado e que exigem a sua transformação. E é curioso que apesar da teologia pós-conciliar utilizar a palavra metanóia, que quer dizer transformação da mente, dê tanta ênfase à realização de si mesmo. Seguir as inclinações é suave; castigar o próprio Eu para o moldar, é duro. Tal dureza foi reconhecida na filosofia, na poesia gnómica, na política, no mito. Todo o bem é adquirido ou conquistado com fadiga. Os deuses, disse o sábio grego, interpuseram o suor entre nós e a virtude, e afirma Horácio: multa tulit fecitque puer, sudavit et alsit (Ars poet. 413). Que a vida humana é combate e fadiga era um lugar-comum da educação antiga e a letra épsilon converteu-se no símbolo disso, não a de dois braços igualmente inclinados, mas a pitagórica com um braço recto e outro inclinado. A antiguidade formou sobre ela a divulgadíssima fábula de Hércules na encruzilhada.
Hoje apresenta-se a vida aos jovens de um modo não realista, como alegria, substituindo a alegria da esperança que serena o ânimo in via, pela alegria plena que o apaga somente in termino. Nega-se ou dissimula-se a dureza do viver humano, descrita em tempos como vale de lágrimas nas orações mais frequentes. E depois, com essa mudança, apresenta-se a felicidade como o estado próprio do homem, constituindo assim algo que lhe é devido, o ideal consiste em preparar aos jovens uma senda livre de todo o obstáculo e sofrimento (Purg., XXXIII, 42).
Por isso, aos jovens, parece uma injustiça qualquer obstáculo que lhes surge, e não consideram as barreiras como uma prova, mas como um escândalo. Os adultos abandonaram o exercício da autoridade para deste modo agradar-lhes, porque crêem que não podem ser amados se não se comportam com suavidade e não lhes concedem os seus caprichos. A eles é dirigida a admoestação do Profeta: Vae quae consuunt pulvillos sub omni cubito manus et faciunt cervicalia sub capite universae aetatis ad capiendas animas (Ez. 13, 18).


Romano Amerio in «Iota Unum», 1985.

§

Tradução das expressões latinas mais relevantes:
Deminutio capitis – Diminuição de capital.
Ab antiquo – Da antiguidade.
Ad iuvenes – Aos jovens.
Flos aetatis, periculum tentationis – Flor da idade, perigosas tentações.
Repuerascere – Rejuvenescimento.
Cereus in vitium flecti – Cera inclinada pelo vício.
Inter est – Entre o ser.
Multa tulit fecitque puer, sudavit et alsit – Suportou e fez muito quando menino, suou e passou frio.
Vae quae consuunt pulvillos sub omni cubito manus et faciunt cervicalia sub capite universae aetatis ad capiendas animas – Ai daquelas que cosem almofadas para todos os cotovelos e fazem travesseiros para as cabeças de pessoas de todas as idades, a fim de lhes apanharem as almas!

26/12/2017

O Natal já acabou?


Não... o Natal ainda agora começou!
Infelizmente, nos nossos dias, poucos são os que ainda conhecem a verdadeira essência do Natal. E também por isso acham que o Natal acaba no dia em que ele começa...
O Tempo do Natal vai de 25 de Dezembro a 13 de Janeiro. Eis as suas principais Festas:

25 de Dezembro – Nascimento do Menino Jesus.
28 de Dezembro – Massacre dos Santos Inocentes.
Domingo entre o Natal e a Oitava – Apresentação do Menino Jesus no Templo.
1 de Janeiro – Oitava de Natal.
Domingo entre a Oitava e a Epifania – Festa do Santíssimo Nome de Jesus.
6 de Janeiro – Epifania ou Dia de Reis.
Domingo depois da Epifania – Festa da Sagrada Família.
13 de Janeiro – Baptismo de Jesus Cristo.

15/12/2017

Rei de Jerusalém


Acaba de ser publicado no amigo blogue FIDELISSIMUS o brasão que a Cristandade reconhece como sendo do católico Rei de Jerusalém. É muito apropriado para o momento, na esperança de católicas pessoas enganadas abdicarem do erro judaizante e sionista, lugares por onde já infelizmente andam lançados.

12/12/2017

Da primeira encíclica de São Pio X


Em Outubro de 1903, o Papa São Pio X publicava a sua primeira encíclica, e nela falava dos males anunciados para o fim dos tempos. Mas hoje as coisas estão muito piores do que há 114 anos...

Além disto, e para passar em silêncio muitas outras razões, Nós experimentávamos uma espécie de terror em considerar as condições funestas da humanidade na hora presente. Pode-se ignorar a doença profunda e tão grave que, neste momento muito mais do que no passado, trabalha a sociedade humana, e que, agravando-se dia a dia e corroendo-a até à medula, arrasta-a à sua ruína? Essa doença, Veneráveis Irmãos, vós a conheceis, e é, para com Deus, o abandono e a apostasia; e, sem dúvida, nada há que leve mais seguramente à ruína, consoante essa palavra do profeta: Eis que os que se afastam de Vós perecerão (Sl. 72, 27).
(...)
Em nossos dias é sobejamente verdadeiro que as nações fremiram e os povos meditaram projectos insensatos (Sl. 2, 1) contra o Criador; e quase comum se tornou este grito dos Seus inimigos: Retirai-Vos de nós! (Job 21, 14). Daí, na maioria, uma rejeição completa de todo o respeito a Deus. Daí hábitos de vida, tanto privada quanto pública, que nenhuma conta fazem da soberania de Deus. Bem mais, não há esforço nem artifício que não se ponha em acção para abolir inteiramente a d'Ele, e até a Sua noção.
Quem pesa estas coisas tem direito de temer que uma tal perversão dos espíritos seja o começo dos males anunciados para o fim dos tempos, e como que a sua tomada de contacto com a terra, e que verdadeiramente o filho da perdição de que fala Apóstolo (2 Tess. 2, 3) já tenha feito o seu advento entre nós, tamanha é a audácia e tamanha a sanha com que por toda a parte se lança o ataque à Religião, com que se investe contra os dogmas da Fé, com que se tende obstinadamente a aniquilar toda a relação do homem com a Divindade! Em compensação, e é este, no dizer do mesmo Apóstolo, o carácter próprio do Anti-Cristo, com uma temeridade sem nome o homem usurpou o lugar do Criador, elevando-se acima de tudo o que traz o nome de Deus. E isso a tal ponto que, impotente para extinguir completamente em si a noção de Deus, ele sacode entretanto o jugo da Sua majestade, e dedica a si mesmo o mundo visível, à guisa de templo onde pretende receber a adoração dos seus semelhantes. Senta-se no templo de Deus, onde se mostra como se fosse o próprio Deus (2 Tess. 2, 2).
Qual venha a ser o desfecho desse combate travado contra Deus por uns fracos mortais, nenhum espírito sensato pode pô-lo em dúvida. Certamente, ao homem que quer abusar da sua liberdade lícito é violar os direitos e a autoridade suprema do Criador; mas ao Criador fica sempre a vitória. E ainda não é dizer o bastante: a ruína paira mais de perto sobre o homem justamente quando mais audacioso ele se ergue na esperança do triunfo. É o que o próprio Deus nos adverte nas Sagradas Escrituras. Dizem elas que Ele fecha os olhos sobre os pecados dos homens (Sab. 11, 24), como que esquecido do Seu poder e da Sua majestade; mas em breve, após essa aparência de recuo, acordando como um homem cuja força a embriaguez aumentou (Sl. 77, 65), Ele quebra a cabeça dos seus inimigos (Sl. 67, 22), a fim de que todos saibam que o Rei de toda a terra é Deus (Sl. 46, 8), e a fim de que os povos compreendam que não passam de homens (Sl. 9, 20).
Papa São Pio X in «E Supremi Apostolatus», 1903.

16/10/2017

O Tradicionalismo tem que vir da Tradição (II)


Mas o que é a Tradição? Parece-me que, com frequência, a palavra é imperfeitamente compreendida: comparam-na às tradições como existem nas profissões, nas famílias, na vida civil: o bouquet colocado sobre o telhado quando se põe a última telha, o cordão que se corta para inaugurar um monumento, etc. Não é nada disto que eu falo; a Tradição não são os costumes legados pelo passado e conservados por fidelidade a este, mesmo na ausência de razões claras. A Tradição define-se como o depósito de fé transmitido pelo Magistério de século em século. Este depósito é aquele que nos deu a Revelação, isto é, a palavra de Deus confiada aos Apóstolos e cuja transmissão é assegurada pelos seus sucessores.

Mons. Marcel Lefebvre in «Carta Aberta aos Católicos Perplexos», 1984.

02/10/2017

2 de Outubro: Dia dos Anjos da Guarda

Iluminura Manuelina

O nosso Santo Anjo da Guarda tem por missão proteger-nos e defender-nos, pôr-nos ao abrigo das ciladas do Demónio e dos inimigos da alma, para podermos alcançar a vida eterna. Este fiel companheiro merece o nosso reconhecimento e a veneração que convém a um santo que goza da visão de Deus no Céu. Por isso, roguemos ao nosso Anjo da Guarda:

Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, pois que a ti me confiou a piedade divina, hoje e sempre me governa, rege, guarda e ilumina. Ámen.

Também as famílias, os povos, os reinos, as dioceses, as igrejas, as comunidades religiosas, todos têm o seu Anjo da Guarda que as protege dos perigos e adversidades. Assim, roguemos também ao Santo Anjo Custódio de Portugal, que sempre defenda e dignifique a nossa Pátria:

Vinde, Anjo de Portugal, livrar a Pátria e os portugueses de todo o mal.

Vinde, Anjo de Portugal, afastar da Pátria a vós confiada os males espirituais assim como tudo o que puder perturbar a paz dos portugueses.

Anjo Custódio de Portugal, defendei a nossa Pátria!
Anjo Custódio de Portugal, salvai a nossa Pátria!
Anjo Custódio de Portugal, santificai a nossa Pátria!

25/09/2017

As sete abominações


Seis são as coisas que ao Senhor aborrece e sete as que a Sua alma abomina: Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que maquina projectos iníquos, pés apressados para o mal, testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia discórdias entre irmãos.

Provérbios VI, 16-19