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08/05/2019

Nikola Tesla sobre a teoria da relatividade


Tesla descreveu a teoria da relatividade como «uma massa de erros e ideias enganosas, violentamente opostas aos ensinamentos dos grandes homens de ciência do passado e até mesmo ao senso comum».
«A teoria», disse ele, «envolve todos esses erros e falácias, e veste-os em magníficos trajes matemáticos que fascinam, deslumbram, e deixam as pessoas cegas aos erros subjacentes. A teoria é como um mendigo vestido de púrpura a quem pessoas ignorantes tomam por um rei. Os seus expoentes são homens brilhantes, mas são mais metafísicos do que cientistas. Nem uma única das proposições da relatividade foi provada».

Fonte: Jornal «The New York Times», 11 de Julho de 1935.

22/04/2019

Cauchy: matemático e católico convicto


Eu sou cristão, isto é, creio na divindade de Jesus Cristo, como Tycho Brahe, Copérnico, Descartes, Newton, Fermat, Leibniz, Pascal, Grimaldi, Euler, Guldin, Boscovich, Gerdil, como todos os grandes astrónomos, todos os grandes físicos, todos os grandes geómetras dos séculos passados. Eu sou católico como a maioria deles; e se me perguntassem a razão, eu responderia de bom grado. E veríamos que as minhas convicções são o resultado, não de preconceitos de nascimento, mas de um exame aprofundado. Veríamos como estão gravadas na minha mente e no meu coração, verdades mais incontestáveis do que o quadrado da hipotenusa ou o teorema de Maclaurin.

Augustin Louis Cauchy in «Considérations Sur Les Ordres Religieux», 1844.

29/03/2019

Ideologias contra a Verdade


No tempo de Estaline, os grandes biólogos russos, que descobriram o gene como núcleo invariável da herança humana, foram condenados por Lisenko e enviados a morrer na Sibéria. De facto, o gene, invariável, estabilizado, passando a mesma herança cromossómica de pais para filhos, não se acomodava à dialéctica marxista, e era, segundo a óptica dos funcionários do partido, uma heresia idealista. Mas mais recentemente, nos Estados Unidos, vários professores universitários foram banidos e caluniados por terem descoberto uma sensível diferença entre a inteligência de negros, brancos e mestiços. Além disso, puseram a claro uma correlação entre a herança genética e o grau de inteligência. Tais descobertas iam contra a ideologia reinante que afirmava ser a inteligência um factor igual para todos e só dependente da educação e do meio familiar. Toda a investigação foi paralisada e os cientistas foram condenados como racistas e nazis.
Estes dois exemplos demonstram que embora a ciência contrarie as teses fundamentais das ideologias mais divulgadas, estas conservam a sua dinâmica e poder de proselitismo, porque o seu impacto nas massas não se baseia na verdade, ou falsidade, dos seus dogmas e explicações. Antes repousa nos mitos, nas emoções que desencadeiam e nos interesses que cobrem.

António Marques Bessa e Jaime Nogueira Pinto in «Introdução à Política», 1977.

14/09/2018

Vestígios da religião primitiva de Adão (Parte II)



O Ser Supremo, entre quase todas as tribos pertencentes à cultura primitiva, é o supremo legislador e juiz moral das acções humanas, se bem que certas tribos deduzam disto conclusões bastante curiosas, como esta: Todos os velhos são bons; de contrário, Deus já os teria punido, tirando-lhes a vida.
A crença de que Deus pune e premeia as acções dos homens nesta terra não se opõe à de uma remuneração mais perfeita, na outra vida. Mas em que consiste esta outra vida, nem todos sabem explicar (G. SCHMIDT, 1938). Por isso algumas tribos, como os Yámanas, mostram grande tristeza quando morrem os seus parentes.
Alguns primitivos admitem uma vida celeste, outros, uma vida semelhante à terrena, mas mais feliz para os bons e mais triste para os maus.
Segundo os Maidu, o caminho para o Céu é representado pela Via Láctea, e onde esta se divide, separar-se-ão os bons e os maus. Para outros, por exemplo os Andamaneses, o arco-íris serve de ponte para o Céu.
Mas o atributo, direi, mais radicado, é o da bondade de Deus. O Ser Supremo é exclusivamente, essencialmente bom. D'Ele não pode vir senão bem e felicidade. Por isto, alguns povos, para explicar o mal físico e moral do mundo, recorrem a outro ser, que se rebelou contra o Grande Manitu e que, por ódio a Este, espalha o mal.
Os modos mais comuns de honrarem o Ser Supremo são a oração e o sacrifício.
A oração não é sempre oral; entre alguns povos é muda, isto é, só do coração e da mente, acompanhada quanto muito por algum gesto. Por isso, certos exploradores acreditaram de princípio que não tinham oração.
O sacrifício é menos frequente que a oração, mas também bastante difundido e praticado com todo o seu profundo significado, qual atestação da total submissão da natureza humana ao Ser Supremo, ou, então, como expiação dos próprios pecados (W. SCHMIDT, 1935).
Geralmente, oferecem as primícias da caça ou das colheitas, uma porção de alimento antes de o terem provado (O. MENGHIN, 1931). Outras vezes, oferecem o crânio e os ossos compridos dos animais caçados (ursos, renas) contendo ainda as partes mais apreciadas: os miolos e a medula, como é costume entre algumas tribos primitivas do círculo árctico (A. GAHS e W. SCHMIDT, 1928).

Quanto à moral, existem laços rigorosos nas relações sexuais, e o sentimento do pudor é geralmente muito vivo. Os vestidos nos adultos são claramente sugeridos pelo pudor. O Pe. Shebesta teve a felicidade de assistir entre os Semang à repreensão, dada por um adulto a um rapazote, que tinha pronunciado, na presença dos companheiros, frases lúbricas. «Lawaid Karei!», disse em tom ameaçador o velho voltado para o jovem, o que queria dizer: isto é pecado contra o Ser Supremo Karei, e o jovem calou-se imediatamente (G. SCHMIDT, 1931).
Os Negritos das ilhas Filipinas e os Coriacos da Kamchatka exigem a castidade pré-conjugal, nas raparigas. As eventuais transgressões são punidas com penas severas. A monogamia, por preceito ou de facto, é a forma de matrimónio absolutamente dominante (G. WUNDT, 1929; O. MENGHIN, 1931).
A indissolubilidade do vínculo matrimonial não é, de igual modo, observada entre todos os primitivos, sendo menos rigorosa entre os primitivos do Norte. Merece menção o facto de entre algumas tribos (Pigmeus de África, Bosquímanos) não ser possível a dissolução do matrimónio, desde que nasce um filho. Entre estas tribos é muito rara a infidelidade conjugal, sendo punida severamente e até com a morte (L. LIVI, 1937; G. SCHMIDT, 1931).
Não existem entre estas antiquíssimas fases de cultura, nem promiscuidade, nem troca de mulheres. Não se vêem crimes de infanticídio ou outros que se encontram em tribos de ciclo cultural superior. Numa palavra, e etnologia moderna chegou à conclusão à qual tinha chegado, um século atrás, o famoso etnólogo jesuíta Pe. Lafitau, fundador da moderna etnologia: «Os povos primitivos – escrevia ele – na maior parte dos casos, não são produtos de degeneração, de decadência de civilizações elevadas; mas, antes, conservam até aos nossos dias as fases primordiais do desenvolvimento da humanidade» (PE. LAFITAU, Moeurs des Sauvages Amériquains, Comparées aux Moeurs des Premiers Temps, 1724).
Os homens primitivos têm um conceito bastante elevado da moral e de Deus, que honram com sacrifícios; praticam a monogamia, como afirma a Sagrada Escritura a respeito dos primeiros homens. Logo, as afirmações da Sagrada Escritura são verdadeiras e é falso o evolucionismo religioso.

Pe. Victor Marcozzi in «Deus e a Ciência», 1957.

12/09/2018

Vestígios da religião primitiva de Adão (Parte I)


O estudo objectivo da religião destes povos primitivos levou às seguintes conclusões: «Em todos os grupos étnicos de cultura primitiva existe a crença num Ser Supremo, senão entre todos com a mesma forma e força, certamente em toda a parte com a força suficiente para excluir toda a dúvida acerca da sua acção predominante» (G. SCHMIDT, Manual de História Comparada das Religiões, 1938).
A crença num Ser Supremo é claríssima em todas as tribos de pigmeus da África e da Ásia (H. BAUMANN, 1936). Até há pouco tempo, o que sabíamos da maior parte dos pigmeus da África era quase nada e tinha um conceito diverso das suas crenças religiosas; mas investigações recentes de Trilles no Gabão, de Schumacher no Ruanda, de Schebesta no Congo, puseram em evidência, com toda a clareza, a crença deles no Ser Supremo. O mesmo se pode dizer de algumas tribos africanas, como os Ajongos, Vátuas, Bagellos, Bambutos e outros; de povos primitivos do Sul, como os Bosquímanos, os habitantes da Terra do Fogo e os australianos de cultura primitiva; no círculo polar árctico, como os Samoiedos, os Coriacos e os Ainu, e numerosas tribos da América do Norte. Mas aquilo que mais surpreende, ainda, é que a ideia deste Ser Supremo é tanto mais pura, isto é, menos ofuscada de ideias de outros deuses menores, quanto mais a tribo apresenta caracteres primitivos.
Alguns primitivos, como os Fueguinos, Negritos, Bátuas, Andamaneses, afirmam que o Ser Supremo é imperceptível aos sentidos, inaferível como o vento.
Outros dão-lhe um aspecto humano, venerando, com longa barba, mas dotado de caracteres superiores ao homem; umas vezes, é resplandecente como o fogo; outras, circundado por uma auréola solar. O arco-íris, entre algumas tribos, é a fímbria do manto do Ser Supremo. Significativo é o facto de que mesmo as tribos que representam o Ser Supremo com feições humanas, quase nunca lhe atribuem mulher e filhos, achando irreverente até a pergunta se o Ser Supremo é casado.
Múltiplos e expressivos são os nomes pelos quais é designado o Ser Supremo, sempre pronunciados com respeito e em raras ocasiões; mas nunca, sem necessidade. Em muitos casos recorrem a circunlóquios ou sinais. Por exemplo: um aceno para o céu, como fazem os Juin com Daramulum e os Kulin com Bundyil.
Três grupos de nomes são mais frequentes, e precisamente os que exprimem paternidade, ou a obra criadora e a morada no céu. Os pigmeus do Ituri, os Bosquímanos e muitos outros chamavam-lhe simplesmente: pai. Os Samoiedos usavam esta invocação: meu pai Nun, meu pai celeste. Os Ainu chamavam-lhe: o Divino Construtor dos mundos. Muitas tribos norte-americanas chamavam-lhe simplesmente: o Criador, o Artífice, o Criador da Terra. Os Samoiedos: o Criador da vida.
Encontram-se outras expressões que indicam, ou a morada de Deus, como esta: Aquele que habita no alto, ou outros atributos: o Antiquíssimo, o Suporte do universo, o Grande Manitu, isto é, o Grande Espírito (Algonquinos), Gawa, o Invisível (Bosquímanos), o Omnipotente, o Vigilante, o Eterno, etc.
Já por estes nomes, que acabamos de enumerar, se revela o conceito, como se vê, altíssimo, que tinham estes povos do Ser Supremo, bastante semelhante àquele que tinham os Patriarcas do Génesis.
Mas, mesmo quando não existe um nome para exprimir os atributos de Deus, existe sempre o conceito, que exprimem recorrendo a circunlóquios. A eternidade do Ser Supremo é conhecida por quase todos os povos primitivos. A omnisciência está em estreitíssima relação com a vigilância que o Ser Supremo exerce sobre as acções morais dos homens. As tribos da Austrália sul-oriental avisam disto os jovens, tanto no rito da iniciação, como noutras ocasiões, com a advertência que o Omnisciente sabe também punir (F. GRAEBNER, 1926). Os Bátuas do Ruanda dizem claramente: nada existe mais que Imana, o Ser Supremo. Ele sabe tudo. Conhece até os pecados secretos do pensamento.


Pe. Victor Marcozzi in «Deus e a Ciência», 1957.

10/01/2018

O Marxismo e a Ciência


A interpretação marxista é não só estranha à ciência, como também incompatível com ela, como se tem verificado sempre que os materialistas dialécticos, saindo do puro verbalismo teórico, se lançam a iluminar as vias da ciência experimental com a ajuda das suas concepções. Neste caso o desastre foi total. O próprio Engels foi levado a rejeitar, em nome da dialéctica marxista, uma das maiores descobertas do seu tempo: a Segunda Lei da Termodinâmica... E foi em virtude do mesmo princípio... que Lisenko acusava os geneticistas russos de sustentarem uma doutrina radicalmente incompatível com o materialismo dialéctico e, por consequência, necessariamente falsa. Apesar dos desmentidos dos geneticistas russos, Lisenko tinha razão: a teoria do gene como determinante hereditário invariante através de gerações, e mesmo hibridações, é com efeito absolutamente inconciliável com os princípios dialécticos. É por definição uma teoria idealista, dado que se apoia num postulado de invariância.

Jacques Monod, prémio Nobel da Fisiologia (Medicina) em 1965.

21/11/2017

A Termodinâmica contraria o Marxismo


Em primeiro lugar há uma matéria macrofísica, que vai desde o objecto conhecido às estrelas e galáxias. Está formada por sistemas de moléculas, de átomos, de partículas, e é governada pelo princípio da degradação de energia (em virtude da segunda lei da Termodinâmica). Num sistema fechado, a energia degrada-se, ou seja, passa de formas mais complexas de organização para outras menos complexas e menos estruturadas. Aqui encontra o materialismo dialéctico a sua sentença de morte, já que a matéria que ele perspectiva não é passível de evolução, ou seja, de passar a níveis superiores de organização e heterogeneidade. O que sucede é precisamente o contrário e por isso mesmo, no seu tempo, Marx e Engels se recusaram, com inteira lógica, a aceitar como verdadeira a segunda lei da Termodinâmica.

António Marques Bessa in «Ensaio sobre o fim da nossa Idade», 1978.


Nota: Assumindo as leis físicas da Termodinâmica, não apenas o Marxismo, mas também o Evolucionismo é uma impossibilidade física e natural.

31/05/2017

Das três raças do Homem


Porquê esta tentativa de esmagar ou fazer desaparecer este pequeno livro? Porque, hoje em dia, não existe maior tabu do que falar sobre raça. Em muitos casos, basta ser acusado de racismo para se ser despedido. Apesar disso, os professores na América sabem que as raças diferem quanto aos seus desempenhos escolares; a polícia tem conhecimento de que as raças se diferenciam no que respeita aos índices de criminalidade; os assistentes sociais sabem que as raças diferem quanto ao grau de dependência da segurança social e quanto ao número de infectados pelo VIH/SIDA. Os adeptos de desporto sabem que os negros são excelentes no boxe, basquetebol e corridas de pista e todos se admiram porquê. Alguns responsabilizam a pobreza, o racismo dos brancos e, finalmente, o legado da escravatura. Embora muitos duvidem de que o "racismo dos brancos" seja o verdadeiro responsável de toda esta realidade, somente alguns ousam partilhar as suas dúvidas. Quando o assunto é a raça, alguém se atreve a dizer o que realmente pensa?
Os grupos raciais diferem muito mais do que a maioria das pessoas pensa. No entanto, certos grupos de opinião muito activos nos meios académicos e nos meios de comunicação social proíbem, pura e simplesmente, o público de participar numa discussão franca sobre o assunto. Para muitos, é inquietante que o facto de se mencionar que as raças diferem, possa levar à criação de estereótipos e limitar oportunidades. Mas o facto de olharmos a raça como um todo, não significa que ignoremos os indivíduos como tal. Isso pode até ajudar a que melhor nos inteiremos dos seus anseios pessoais.
Este livro apresenta a prova científica de que a raça é uma realidade biológica com implicações na ciência e na vida quotidiana. Outros livros recentes sobre o assunto são: "The Bell Curve", o êxito editorial de 1994 escrito por Richard Herrnestein e Charles Murray; "Why Race Matters", livro publicado em 1997 pelo filósofo Michael Levin; "The G Factor", um livro do psicólogo Arthur Jensen de 1998; e "Taboo: Why Black Athletes Dominate Sports and Why We are Afraid to Talk About It", um livro recente do jornalista premiado Jon Entine.

(...)

A informação contida neste livro mostra-nos que existem diferenças raciais importantes. Diferem, em média, no tamanho do cérebro, inteligência, comportamento sexual, fertilidade, personalidade, maturidade, tempo de vida, crime e estabilidade familiar. Os Orientais situam-se num extremo do padrão de três vias das diferenças raciais, os Negros no outro extremo e os Brancos geralmente a meio. Somente uma teoria que leve em conta os genes e o ambiente pode explicar a razão por que as raças se diferenciam de uma forma tão consistente em todo o mundo e ao longo do tempo.
Tanto a ciência como a justiça, exigem-nos que procuremos e digamos a verdade, e não que digamos mentiras nem induzamos em erro. Embora a pesquisa que serve de base a este livro tenha aparecido primeiro em jornais académicos da especialidade, muitas pessoas nos meios de comunicação social, no governo e infelizmente até mesmo em escolas e universidades, deliberadamente tentam evitar estas evidências. Esperamos que esta edição abreviada ajude a repor a verdade e a permitir que as últimas descobertas sobre a raça e comportamento fiquem à disposição de todos.
Se queremos compreender o comportamento humano, as ciências sociais e as ciências da biologia devem caminhar juntas de novo. Este livro é um passo nessa direcção. Quando consideramos os genes e o ambiente em conjunto, então estaremos aptos a compreender os problemas humanos. Com esse conhecimento a sociedade poderá então tentar resolvê-los. Para todos nós, o primeiro passo é ser honesto tanto quanto possível acerca das raças, das suas características e do seu comportamento.

J. Philippe Rushton in «Raça, Evolução e Comportamento», 2000.

§

Nota: Apesar de residual, não reconhecemos certo conteúdo teórico-ideológico deste livro (darwinismo), mas apenas aquilo que é factual na natureza humana.

26/02/2016

Porque se desenvolveu a ciência no Ocidente?


A ciência desenvolveu-se no mundo ocidental por três razões:
1. Porque a natureza se desviou da significação mitológica, tal como existe no Oriente, onde se mistura o animismo com o politeísmo e o panteísmo. E a ciência só pode desenvolver-se apenas quando a Natureza é estudada como Natureza.
2. Porque o pensamento ocidental aplica à Natureza dois princípios básicos da razão: a causalidade e a uniformidade. Estas constituem a base de toda a ciência.
3. O Cristianismo, acentuando a disciplina, a razão e o valor da Natureza, como tal, tornou-se a rocha em que a ciência empírica se fundamenta. A ciência nasceu e pode desenvolver-se apenas numa civilização cristã. O Oriente, sem este fundamento, nunca se tornará científico. O pensamento oriental dá pouca importância à causalidade e está muito mais relacionado com a sensação, as emoções, a consciência e a inconsciência [exemplo: Budismo e Hinduísmo], em que tudo principia a aglutinar-se e a fundir-se numa unidade.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

27/03/2013

A vida é fruto do acaso?


Suponhamos que, chegando a uma ilha desabitada, encontramos uma estátua maravilhosamente esculpida. Certamente – concluiremos – esta ilha foi em tempos habitada ou, pelo menos, visitada por homens que ali deixaram aquela estátua.
Que diríamos, porém, se alguém quisesse troçar da nossa natural suposição e nos dissesse: Mas quê? Isso é uma explicação gratuita, devida simplesmente à tendência que tendes de interpretar antropomorficamente as coisas! A estátua não é obra do homem! Foram as chuvas e os ventos que, primeiro, arrancaram da montanha o mármore; os agentes atmosféricos e os temporais que depois o trabalharam e, por fim, uma rajada violenta que a pôs de pé!
Quem poderia aceitar uma tal explicação sem renunciar ao mais elementar bom senso?
Mas, se o acaso é impotente para produzir uma estátua, que apenas é uma imagem da vida, como poderemos nós supor que o mesmo tenha produzido um organismo, inteiro e complexo, com todos os seus órgãos maravilhosos?

Pe. Victor Marcozzi in «Deus e a Ciência», 1957.

19/02/2013

Sobre a tradição e a ciência náutica


Efectivamente, não concordo com a interferência decisiva dos judeus peninsulares nesse período áureo da nossa existência nacional, embora à célebre Junta dos Estrólicos, que funcionava junto de El-Rei D. João II, pertencessem vários astrónomos hebreus. E não concordo porque, posta a questão em termos gerais, é bom recordar que Renan, na Histoire Générale et Systèmes Comparés des Langues Sémitiques assegurava, com a autoridade da sua larga competência filológica, que a raça semita se define quase unicamente por caracteres negativos. O semita individualiza-se, na verdade, não por qualidades criadoras, que não possui, mas antes por preciosos recursos de assimilação que ele valoriza excepcionalmente. Não dispõem assim duma arte, ou duma civilização, no sentido alto da palavra. Não é outro o juízo de Renan, ao escrever, no pequeno estudo De la Part des Peuples Sémitiques dans l'Histoire de la Civilisation, «que o negócio e a indústria foram pela primeira vez exercidos em grande escala pelos povos semitas, ou pelo menos falando uma língua semita, – os fenícios. Na Idade Média, os árabes e os judeus tornaram-se também os senhores do nosso comércio. Todo o luxo europeu, desde a antiguidade até ao século XVII, veio-nos do Oriente. Eu digo o luxo, e não a arte porque duma ao outro lado está o infinito a separá-los».
Entende-se já porque eu não adiro incondicionalmente à tese do senhor Bensaúde. O Ocidente possuía uma ciência náutica remotíssima, com memória na Odyssea. A navegação aqui sobe aos fins do neolítico. É donde derivam as tradições apagadas que enchem de mistério e encanto o périplo decalcado por Rufius Festus Avienus na Ora Marítima. Claro que a estas tradições se ligaria forçosamente uma arte de navegar. Não é por literatura que Séneca afirma não ser Thule o ponto final do Orbe (non erit terris ultima thule), conforme o pretendia a geografia antiga. O mar imenso, o oceano sem limites, é nos Errores de Ulisses que nos aparece pela primeira vez, se não me engano.
E tão ocidentais são as impressões contidas no Nostos, tão atlânticas elas são, que, localizando o poema de Homero no declinar resplendente de Micenas, as moradas que lá encontramos descritas não guardam em nada a sumptuosidade da casa típica dos átridas! A habitação de Ulisses é mais uma cabana nórdica, tal como no-la sugerem as sagas medievais, do que o palácio dum rei, com o requinte egeano os sabia erigir.
Foi, pois, o Levante que recebeu o influxo ocidental no conhecimento das coisas do mar. No descalabro da civilização do Cobre, quando nós mergulhamos na sombra, para só ressurgirmos depois de Roma, alguma coisa subsistiria no entanto. Em forma de conto, em forma de superstição, naturalmente. É que ao espírito empreendedor do ocidental correspondera, decerto, uma regra, como que uma direcção, tirada do convívio dos astros na dimensidão das águas. Com o adiantamento das horas da história, essa herança perdida passa para o património da astrologia. A astrologia é exercida na Idade Média, cavalheiresca e militante, por judeus e árabes, visto que a defesa do europeísmo, expressa na fé da Igreja, impunha aos cristãos o uso exclusivo da espada. Nós não ignoramos por outro lado que a chamada ciência hebraica e islamita não é mais do que uma apropriação da filosofia clássica, na sua forma racionalista, – o Helenismo. É a altura de ouvirmos de novo Renan.
«Fala-se muitas vezes duma ciência e duma filosofia árabe, – observa ele; na realidade, durante um século ou dois na Idade Média, os árabes foram nossos mestres, mas só enquanto não conhecemos os originais gregos. A ciência e a filosofia árabe nunca deixaram de ser uma mesquinha tradução da ciência e da filosofia grega. Desde que a Grécia autêntica despertou, essas míseras traduções ficaram sem sentido e não foi sem razão que os filólogos da Renascença iniciaram contra elas uma verdadeira cruzada. De resto, olhando de perto, essa ciência não tinha nada de árabe. O seu fundo é puramente grego, e entre os que a criaram não se aponta um único semita. Eram espanhóis e persas, escrevendo o árabe. O papel filosófico dos judeus na Idade Média é também o de simples intérpretes.
A filosofia hebraica desta época é a filosofia árabe sem modificações. Uma página de Roger Bacon encerra mais espírito científico do que toda essa ciência em segunda mão, respeitável, sem dúvida, como um anel de tradição, mas despida de grande originalidade».
Fui longo demais na transcrição de Renan. Mas o seu depoimento ajuda-nos a invalidar a tese geral do rabino Yahuda e ensina-nos, muito particularmente, como no caso das Descobertas a influência hebraica seria resumida, ao contrário do que pretende o senhor Joaquim Bensaúde. Ninguém duvida que da Junta dos Estrólicos «faziam parte israelitas, Físicos do Rei, mas lá estava também o bispo de Ceuta, D. Diogo Ortiz».
E tanto as minhas reflexões ao trabalho do senhor Bensaúde correspondem ao aspecto definitivo do problema, que o astrolábio náutico não é mais do que a simplificação do astrolábio plano que os árabes recolheram dos gregos e introduziram na Península. De quem o recolheriam os gregos na sua indicação originária senão das civilizações sepultas em Creta e em Micenas, da extinta talassocracia do Egeu, impulsionada cá do Ocidente, talvez da misteriosa Társis de mais uma passagem da Bíblia? Assim não nos espanta que a construção do primitivo astrolábio que é o plano, se estude já minuciosamente nos Libros del Saber de Astronomia de Afonso, o Sábio de Castela. Há a acrescentar, ainda em favor do meu ponto de vista, que, na necessidade de se ordenarem tábuas de declinação do sol, para o efeito do cálculo das latitudes, do nosso D. João II é que partira a ideia, encarregando ele e os seus estrólicos de resolverem a dificuldade.

António Sardinha in «Na Feira dos Mitos».