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19/07/2019

O mito da ignorância medieval


Longe de ser um período de trevas, como quiseram os historiadores do século passado, a Idade Média revela uma dinâmica tecnológica de grande envergadura: cria a agro-pecuária produtiva de afolhamento trienal, descobre a exploração e cultivo de terras húmidas e pesadas, inventa a navegação contra o vento, prepara o uso do cavalo na tracção, resolvendo o problema da atrelagem e da ferradura, aplica o estribo, inventa novos aproveitamentos de energias naturais e põe de pé a cidade moderna, muito diferente da cidade clássica, tão grata a romanos e gregos.

Fonte: Revista «Futuro Presente», Janeiro/Março de 1984.

14/05/2019

Chafariz d'El-Rei e as sãs desigualdades naturais


Em 1551 fez o Senado a seguinte Postura:
«Constando ao Senado que há homens brancos, negros e mouros que se vão pôr às Bicas do Chafariz d'El-Rei a vender a água a quem a vai buscar, de que se seguem brigas, ferimentos e mortes, faz a sua postura para a repartição das ditas Bicas pela maneira seguinte.
Na primeira Bica indo da Ribeira para ela, encherão pretos forros e cativos, e assim mulatos índios, e todos os mais cativos, que forem homens.
Logo na segunda seguinte, poderão encher os mouros das Galés somente a água que for necessária para suas aguadas, e tendo cheios seus barris, ficará a dita Bica para os negros e mulatos conforme a declaração a traz.
Na terceira e quarta, que são as duas do meio, encherão nelas os homens e moços brancos, – e na quinta seguinte, logo encherão as mulheres pretas, mulatas, índias forras e cativas, – e na derradeira Bica da banda de Alfama encherão as mulheres e moças brancas, conforme a declaração das Bicas, sob pena de quem o contrário fizer do que está dito, sendo pessoa branca e forra, assim homem como mulher, pagará 2$000 réis de pena e estará na Cadeia três dias sem remissão; de que haverá metade da pena do dinheiro quem o acusar e a outra metade para a Cidade. Da mesma pena terão os ditos brancos, mulatos, índios e pretos forros, que encherem por dinheiro, ou achando-se que encham em qualquer outra Bica das que se lhe nomeiam, posto que corra a dita água no chão, e não poderão encher nas declaradas, e os negros, e cativos, e os mais escravos e escravas, como foram pessoas cativas, que o contrário fizerem do que está dito, serão publicamente açoitados com baraço e pregão de redor do dito Chafariz, sem remissão conforme a Provisão d'El-Rei Nosso Senhor novamente passada, as quais penas se executarão três dias depois da publicação desta postura, que se lhe dão para vir primeiro à notícia dos moradores desta Cidade.»

José Sérgio Veloso d'Andrade in «Memória sobre chafarizes, bicas, fontes e poços públicos de Lisboa, Belém e muitos lugares do termo», 1851.

20/03/2019

Civilização


O Homem deve à Europa aquilo que mais contribuiu para lhe modelar a personalidade e para lhe indicar o caminho – uma Filosofia, um Direito e uma Teologia, e todos três orientados no sentido da criação de uma Ordem.

João Ameal in «Europa e os seus fantasmas», 1945.

17/12/2018

Da Cristandade


Noutras épocas – não em si totalmente imunes de falhas e erros – uma fé religiosa penetrava e invadia o conjunto da sociedade, especialmente a vida familiar, sendo as paredes do lar adornadas com o crucifixo e imagens piedosas. A literatura e a arte da casa eram baseadas na Sagrada Escritura. As cidades, vilas, montanhas, nascentes, levavam os nomes dos santos, ao longo das vias na zona rural e em cruzamentos, o viajante contemplava a imagem de Cristo Crucificado e de Sua Mãe Santíssima. Parecia que tudo, o próprio ar, falava de Nosso Senhor, porque os homens viviam em contacto estreito com Deus, viviam conscientes da Sua presença universal e do Seu poder soberano. O sino da igreja acordava-os e convidava-os para o sacrifício divino; a oração do Angelus, três vezes ao dia, para as funções do sagrado; governava a rotina diária do trabalho, assim como o sacerdote assegurava que o trabalho fosse bem feito. Cada família de então possuía um Catecismo, uma História da Bíblia, muitas vezes, também, a vida dos santos para cada dia do ano. Mas quantas casas existem hoje, mais ou menos desordenadas com várias publicações, com romances e contos, mas com a falta daqueles livros! Quantos pais não estão, justamente, ansiosos por garantir que os seus filhos aprendam bem as regras de higiene, mas dificilmente prestam todos estes cuidados à sua educação religiosa!

Papa Pio XII, alocução às moças da Acção Católica, 6 de Outubro de 1940.

06/09/2018

O Catolicismo e a vida rural


A vida rural tem muito a ver com a vida religiosa dos lavradores. A Igreja cuidou que as principais festas do ano litúrgico coincidissem sempre que possível com o ciclo das estações e as fainas do campo correspondentes, realizando-se assim uma interessantíssima comunhão entre a vida espiritual e o acontecer cósmico. O sino da paróquia, ou do convento, conferia à existência camponesa um ritmo não só cronológico, mas também sacral. Pouco antes da aurora tocava a laudes e encerrava a jornada na hora das vésperas. Deste modo, a oração matutina e a prece vespertina marcavam o trabalho, conferindo-lhe uma significação transcendente. Os dias de festa eram numerosos, muito mais do que no nosso tempo. Tanto aos domingos como nos dias festivos os camponeses assistiam à Santa Missa e com frequência aos ofícios das Horas canónicas. Participavam também nas procissões, presenciavam nos átrios representações teatrais dos mistérios sagrados, ouviam sermões e homilias, aprendiam o Catecismo. Tudo isso somado às visitas domiciliares dos sacerdotes, constituía uma espécie de cátedra ininterrupta para sua educação nos princípios da fé e da moral. Toda a existência do camponês pulsava ao ritmo estabelecido pela Igreja. Desde o nascimento até à morte, passando pelo matrimónio e as enfermidades, os momentos fundamentais da sua vida eram sublimados pelo alento sobrenatural da liturgia.

Pe. Alfredo Sáenz in «La Cristiandad y su Cosmovisión», 1992.

20/06/2018

Portugal: um exemplo sem igual


Em todas as regiões do mundo por onde passei, sempre que via uma ponte perguntava quem a construíra e sempre me respondiam: os Portugueses. Diante de uma estrada e ao fazer semelhante pergunta, a resposta era idêntica: os Portugueses. E quando se tratava de uma igreja ou de uma fortaleza, sempre a mesma resposta: os Portugueses, os Portugueses, os Portugueses.
O meu desejo seria que, se Marrocos se tornasse algum dia esquimó ou chinês, os nossos sucessores lá encontrassem tantas reminiscências francesas como portuguesas nós temos achado.

Marechal Hubert Lyautey, General-Residente de França em Marrocos (1912-1925).

15/12/2017

Rei de Jerusalém


Acaba de ser publicado no amigo blogue FIDELISSIMUS o brasão que a Cristandade reconhece como sendo do católico Rei de Jerusalém. É muito apropriado para o momento, na esperança de católicas pessoas enganadas abdicarem do erro judaizante e sionista, lugares por onde já infelizmente andam lançados.

17/03/2017

Da proibição do véu islâmico

Portuguesa

Alguns direitistas rejubilam quando em França se proíbe o uso do véu islâmico. Julgam eles que essa é uma medida em prol das nacionalidades e da Civilização europeia. Enganam-se. A República que proíbe o uso do véu islâmico é a mesma República que proíbe o uso de crucifixos. Por isso, tais medidas anti-véu não são feitas em favor das pátrias e da Europa. São feitas em favor da república, do laicismo, da maçonaria, e visam neutralizar o "extremismo" para favorecer um "moderantismo" bastardo e aglutinador.
Lembrem-se, direitistas, que o uso de véu ou de lenço na cabeça, não é algo anti-europeu. Pelo contrário, se observarem como se vestiam os nossos antepassados, concluirão que as modas modernas é que são anti-europeias.

11/12/2015

Sem um ideal elevado de vida, perecemos


A natureza humana não pode subsistir sem algum tipo de esperança e de propósito, ou como diz a Bíblia, quando não há ideal, o povo perece.

G. K. Chesterton in «Hereges».

30/11/2015

Catolicidade


A nota de catolicidade da Igreja reside precisamente na sua capacidade de reunir numa unidade sublime de Fé, os povos de todos os tempos, de todas as raças e de todos os lugares, sem suprimir as suas legítimas diversidades.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987

13/03/2015

Renascença Carolíngia


Para desmistificar a ideia de que a Idade Média era uma idade de trevas:

Se muitos se deixarem contagiar por essa aspiração, criar-se-á na França uma nova Atenas, uma Atenas mais refinada que a antiga, porque, enobrecida pelos ensinamentos de Cristo, superará toda a sabedoria da Academia. Os antigos tiveram por mestres apenas as disciplinas de Platão, que, inspiradas nas sete artes liberais, ainda brilham com esplendor: mas os nossos estarão dotados também dos sete dons do Espírito Santo e superarão em brilho toda a dignidade da sabedoria secular.

Santo Alcuíno em carta a Carlos Magno, citado por Thomas E. Woods Jr. in «O que a Civilização Ocidental deve à Igreja Católica».

16/02/2015

A decadência interna


O maior perigo para qualquer país é o da decadência interna, devida a uma rendição moral e espiritual. Arnold Toynbee na sua monumental História da Civilização mostra que de dezanove civilizações, não menos de dezasseis se afundaram internamente sem que qualquer força estranha lhes desse um golpe mortal.
Por vezes, na verdade, foram os violentos ataques externos que provocaram a morte de civilizações que já se encontravam agónicas.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

05/11/2014

Portugal fez o Brasil


Recentemente, alguém fazendo-se passar por uma actriz brasileira de ascendência italiana, disse que Portugal foi o primeiro responsável pela decadência brasileira. Ora, o raciocínio do dito ladrão de identidades assenta em premissas totalmente falsas. São elas:

1) O Brasil já existia antes de 1500 e era uma nação próspera e coesa.
2) Portugal invadiu e explorou, isto é, usurpou e pilhou, esse preexistente Brasil.

Infelizmente este tipo de discurso falacioso é comum entre um grande número de brasileiros. Tal deve-se a uma tentativa forçada das elites intelectuais brasileiras em criar uma identidade própria separada de Portugal, uma espécie de pátria crioula. Daí também que muitos escritores do século XIX, como Machado de Assis, José de Alencar, Castro Alves ou Gonçalves Dias, tenham apostado numa exaltação desmesurada dos índios e dos pretos. O Brasil seria, segundo esta elite intelectual, uma criação exclusivamente afro-indígena, na qual Portugal teve um contributo mínimo e até negativo. Importa pois corrigir esse erro e dizer que o papel de Portugal na Terra de Vera Cruz foi de modo algum irrelevante ou prejudicial. O território brasileiro antes da chegada de Pedro Álvares Cabral era uma manta de retalhos de tribos de caçadores-recolectores – alguns canibais –, pagãos e idólatras, sem ciência desenvolvida ou linguagem escrita. Coube assim a Portugal o papel de conquistar o Pindorama para a Fé e para a Civilização, tal como sempre foi reconhecido e apoiado pela Igreja – o reinado de Cristo sobrepõe-se a qualquer direito humano. Portanto, quem acusa Portugal de roubar ou destruir o Brasil, mente. Até porque Portugal jamais poderia roubar aquilo que lhe pertencia por direito – ninguém se rouba a si mesmo. Contudo, Portugal não é responsável pelo que se sucedeu após 1822. Se hoje o Brasil é uma nação falhada e inviável, tal deve-se em exclusivo aos próprios brasileiros e ao seu afastamento da matriz original portuguesa.

14/10/2014

Astúrias: Cristianismo e Reconquista


A Crónica de Afonso III mostra-nos o sentido que na corte ásturo-leonesa se dava à obra da Reconquista; nela, o reino ásture reivindicava o seu carácter de sucessor do reino visigodo de Toledo, cuja queda se justificava pelo estado de pecado em que se encontravam os reis e sacerdotes daquele reino nos seus últimos tempos. Assim, o reino ásture iniciava a Reconquista sob o signo do Cristianismo. Já na Crónica de Albelda, os Ástures aparecem claramente identificados com os cristãos e a expansão do reino ásture com a da Igreja.

Adaptado de «História Universal», Volume II, Publicações Alfa, 1985.

10/10/2014

Batalha de Poitiers


Neste mês de Outubro, há 1282 anos, as tropas francas de Carlos Martelo travavam o exército sarraceno do Califado de Córdoba, em Poitiers. Era o fim da expansão mourisca na Europa e o início da Reconquista. Pelo enorme feito, Carlos Martelo recebeu do Papa Gregório III o título de Herói da Cristandade.

31/08/2014

Portugal na Capela Sistina


Os feitos portugueses causaram muita admiração em Roma; e Deus quis que Miguel Ângelo desse testemunho disso, para os que haveriam de vir, no painel principal da Capela Sistina (sobre o altar-mor), pintando a cena "o resgate dos escravos" (na qual Portugal com um longo rosário faz subir a África e a Índia).
Entre as dezenas de figuras desenhadas por Miguel Ângelo na famosa pintura "Juízo Final" – almas perdidas, anjos, demónios, apóstolos e santos – destacam-se dois homens pendentes num rosário, em movimento ascendente de Salvação.
Eles estabelecem uma relação simbólica com Portugal. São um negro e um indiano agarrados a um terço. O primeiro representa o continente africano, o segundo o mundo oriental e o rosário representa a oração.
Falta um índio da América – facto que talvez se possa atribuir à animosidade que então reinava contra os espanhóis. Mas a mensagem é clara: levado pelos missionários portugueses, o Evangelho salvaria o novo mundo do Fim dos Tempos.

Fonte: Ascendens

28/01/2014

Ave Pater Europae


Celebram-se hoje os 1200 anos da morte de Carlos Magno, Imperador dos Romanos, Rei dos Francos e "Pai da Europa". – Beato Carlos Magno, rogai por nós!