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31/05/2018

A Santa Comunhão


O que é a Comunhão?
É a recepção do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo sob as espécies sacramentais do pão e do vinho. A palavra comunhão quer dizer união com, união de Jesus Cristo e da alma que a recebe. E, com efeito, não há união mais íntima, já que comemos a Carne e bebemos o Sangue de Jesus. Nosso Senhor instituiu a Comunhão quando instituiu o sacrifício da Missa, dizendo: «Tomai, isto é o Meu Corpo; bebei, este é o Meu Sangue».

Três espécies de Comunhão: a sacrílega, a tíbia, e a fervorosa
1. A comunhão sacrílega. A própria palavra faz horror. Comungar em estado de pecado mortal, receber o Deus de toda a santidade e pureza numa alma cheia de lama do pecado, encerrar num mesmo coração a Deus e a Satanás, enfim, como diz São Paulo, calcar aos pés o Corpo e Sangue de Jesus. Que profanação! Que crime! Mas também que castigos! Muitas vezes doenças terríveis, morte desgraçada, condenação eterna. «Quem comunga indignamente, come e bebe a sua própria condenação», diz o mesmo Apóstolo. Se outrora tivéssemos tido a infelicidade de fazer comunhões sacrílegas, não obstante a enormidade do pecado, deveríamos ter a confiança na misericórdia de Jesus. Após uma sincera confissão, procuremos reparar com comunhões fervorosas as comunhões indignas do passado.
2. A comunhão tíbia. É a comunhão feita por rotina, sem fruto, sem preparação nem acção de graças que valham. Há pessoas que comungam quase todos os dias e não se emendam dos seus defeitos, nem fazem progresso na virtude. De manhã, na mesa da comunhão; à noite, no espectáculo, no baile; de manhã, recolhidas; todo o resto do dia dissipadas; de manhã, derretidas em devoção; de tarde, de mau humor; de manhã, na igreja em oração; o dia inteiro, em maledicência, disputas, leituras frívolas, exibição de vaidade. Cuidado! São Paulo compara estas almas com a terra que frequentemente recebe a chuva do céu e nada produz, senão espinhos e abrolhos. Neste caso será melhor afastar-se da mesa da comunhão? Não! Seria imitar o homem que está fraco e não se alimenta. O que se deve fazer é, por meio da mortificação e da oração, sacudir fora essa frieza e continuar a comungar.
3. A comunhão fervorosa. É a comunhão feita com boa vontade, com proveito, precedida de uma séria preparação e seguida de uma fervorosa acção de graças.

Pe. Guilherme Vaessen in «O Pequeno Missionário», 1953.

26/05/2016

Festa de Corpo de Deus


A minha carne é verdadeiramente alimento e o meu sangue é verdadeiramente bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica em Mim e Eu nele. (João 6: 56-57)

Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálix, anunciareis a morte do Senhor até que Ele venha. Por isso todo aquele que comer deste pão e beber do cálix do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. (I Coríntios 11: 26-27)

04/06/2015

A procissão do Corpo de Deus em Lisboa

Procissão do Corpo de Deus na Lisboa quatrocentista.

A procissão do Corpo de Deus faz-se há anos com uma pompa e solenidade, que excede tudo o que se pratica nos outros lugares da Cristandade.
As ruas, por onde passa, estão juncadas de verdura e de flores, e guarnecidas de tropa. As casas estão cobertas de parte a parte na altura dos telhados de damasco e carmesim, forrado por cima de toldos de linho. De distância a distância vêem-se grandes lustres e magníficos altares de descanso.
Há neste dia no Terreiro do Paço e no Rossio uma colunata de madeira em arcada muito larga e muito elevada, em forma de algo de triunfo todo pintado, e ornado de belos painéis, por baixo do qual passa a procissão, como em todo o resto do trânsito, a coberto das injúrias do tempo. As casas estão armadas de seda; às janelas vêem-se as damas riquíssimamente enfeitadas e é defeso aos homens aparecer às janelas.
El-Rei assiste à cerimónia acompanhado de todos os grandes da Corte, e precedido de todas as confrarias, dos cavaleiros de Cristo, de Avis e de São Tiago, de todas as ordens eclesiásticas, e do Patriarca com seu clero, a que dão grande realce os principais mitrados.
A Rainha nesta ocasião vai para casa do Ministro, a qual está situada de maneira que Sua Majestade fica no centro da procissão; porque a descobre ao longe vindo da esquerda, donde se estende depois pela grande rua dos ourives do ouro, que está em frente das janelas que ela ocupa; e depois vê-se dar volta pela rua dos mercadores, que lhe fica à direita. Esta procissão mete tanto povo que há já uma boa parte de volta antes da outra ter acabado de desfilar neste sítio; de maneira que a Rainha, descobrindo a procissão toda de ponta a ponta a igual distância das janelas, que ocupa, vê-a assim em forma de cruz, formando um soberbo espectáculo.

Pierre Prault in «Description de la ville de Lisbonne», 1730.