Tenho vindo a constatar um reavivar das difamações contra D. Carlota Joaquina por parte dos partidários de Rosario Poidimani, o charlatão italiano que diz ser herdeiro da Coroa Portuguesa. As calúnias não são mais do que uma repetição dos panfletos do século XIX e prendem-se sobretudo com a acusação nojenta de que D. Miguel não seria filho de D. João VI, e por conseguinte, não seria legítimo Herdeiro da Coroa. O objectivo, está claro, é afastar D. Duarte (descendente de D. Miguel) da linha de sucessão do Trono, assim como evitar quaisquer pretensões tradicionalistas (anti-liberais). Mas donde surgiram essas calúnias? António Sardinha esclarece:
Tentaram eles [os maçons] estultamente atirar-nos contra a Santa Aliança numa guerra em que a nacionalidade certamente se pulverizava. Só uma figura se levanta, rugindo, protestando. É D. Carlota Joaquina, – é a cidadã ex-rainha, como se atreveram a designá-la, ao instaurarem-lhe um processo de rebelião, com pena de desterro. Sofreu por isso a calúnia dos panfletários a soldo das facções. Mas basta ler as instruções maçónicas do Grande Oriente Espanhol-Egípcio, para que D. Carlota Joaquina se nos apresente limpa de toda a baba de infâmia que enegrece a memória.
António Sardinha in «Ao Ritmo da Ampulheta».
Ou seja, a maçonaria espanhola deu indicações específicas para caluniar a rainha consorte. Motivos? D. Carlota Joaquina, espanhola de origem e acérrima anti-liberal, fazia frente aos planos da sociedade secreta.
Esclareço ainda que, mesmo que essas calúnias fossem autênticas, o Sr. Rosario Poidimani não tem qualquer direito à Coroa Portuguesa, porque:
1. Não é descendente dos Reis de Portugal.
2. É estrangeiro.
3. Representa por procuração o ramo ilegítimo de D. Pedro, imperador do Brasil.