Mostrar mensagens com a etiqueta Goulart Nogueira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Goulart Nogueira. Mostrar todas as mensagens

29/03/2016

Europa acorda!


A hora de hoje é confusionista e adversa. Reinam os miasmas e as várias formas de opressão. Nós somos um reduto de fiéis, uma simples minoria contra a avalanche dos bárbaros e dos guzanos, hábeis, diabólicos, aliciadores. Mas quando a dissolução e o paganismo dominavam o Império Romano (o mundo de então), a minoria cristã soube resistir e criar prosélitos e expandir-se; quando a heresia dos arianos tomou conta dos povos europeus, a minoria ortodoxamente católica resistiu e jugulou-a; quando a Península caiu, de lés-a-lés, nas mãos dos mouros, a minoria cristã, confinada a um migalho das Astúrias, resistiu e desencadeou dali a Reconquista.
Na História, nenhum estádio é definitivo, nenhuma provação é inultrapassável. Os ventos da História são pretensiosa invenção e grosseiro determinismo de quem nos quer desarmar. «O mundo só tem o sentido que nós lhe dermos», proclamou Schiller.
Lúcidos, fiéis, ardorosos, combativos – acabaremos por vencer.

Goulart Nogueira in jornal «Agora», 9 de Setembro 1967.

21/11/2015

A demissão suicidária dos neo-europeus


Mas a civilização ocidental findou, aniquilada pelo cancro da autodemissão. Tudo aquilo que constituía a definição, a força e a realidade da civilização ocidental, quer dizer, europeia, é negado, minimizado, combatido pelos próprios europeus. A Europa já não crê na sua própria alma. A raça branca quer submeter-se, retirar ou diluir-se nas outras raças. A Europa e a raça branca perderam o sentido de missão, nem acreditam já na validade do que criaram, nem na necessidade da sua orientação.

Goulart Nogueira in revista «Tempo Presente», nº 12, Abril de 1960.

12/05/2015

Libelo contra a direita conservadora


Não se trata de defender uma atitude de pura destruição, nem de anarquismo, nem de futurismo desgarrado, nem de progressismo utópico ou que vai sumir-se no ventre da esquerda, nem de revolução total e cega. Existem valores permanentes, realidades a conservar, naturezas a assumir, existem coisas que se transmitem, com justiça, através dos tempos e no concreto.
O que eu combato é a posição de rotina e o materialismo prático. (...)
Dizem que o conservador pertence às direitas. Talvez, mas então será a sua degradação e caricatura, a sua doença e o criminoso da família. Porque nem toda a direita é aquilo. (...)
A direita conservadora quer a tranquilidade e a segurança – e para isso venderá a alma ao diabo e acabará enterrando na adega quantos ideais houver. Não admite é sobressaltos, violências, extremismos. Tem um arrepio e lança uns protestos indignados, quando conspurcam as glórias pátrias, atacam a nossa herança ultramarina, fazem a demolição ciclónica da religião, ameaçam frontalmente dissolver a família, ou clamorosamente, em regabofe, praticam e trombeteiam o amor livre. Mas se a coisa vier docemente, empantufada, com flores e por aliciantes arroios – com boas maneiras, sim! –, já o caso muda de figura. A direita conservadora fica a escutar violinos, ao canto da lareira, a ver televisão ou ronronando, tolera, fecha os olhos, abranda, deglute o bolo às migalhas e acaba por ser habituar. Sobressaltos, violências, extremismos é que não!
A direita conservadora é moderada. Claro que existem coisas más, feias, indignantes. Mas não é preciso reagir de dentuça arreganhada, ao tabefe e com pulso de ferro, ou de arma aperrada e fulgurante. Claro que o espírito e o ideal são precisos e bons; mas não exageremos, nem vamos perder o sossego e o bem-estar, em aventuras, perigos e aflições, por causa das ideias, de espiritualismos e quejandos enxoframentos de adolescente cabeça ardorosa.
A direita conservadora não quer pensar muito; nem sentir muito. Disso, um condimentozinho apenas; q.b. Livra!, que doses altas podem tirar o sono ou dificultar a digestão! Portanto, adoram um governante que pense por ela, como ela sensatamente, tolerante, de fino trato, prático, livre da terrível praga da ideologia; e que sinta? Também sim, que sinta que ela, direita conservadora, não quer sobressaltos e que não se importa de deslizar para qualquer banda, no caso de ser sem prejuízos materiais e sem violências. A direita conservadora é centrista e, assim, voga, beatamente, se preciso, segundo os ventos da História – mas sem o dizer.
A direita conservadora é um molusco. E no entanto, resulta num penhasco gigantesco e obstrutor para o movimento (...) de Justiça e Ideal.

Goulart Nogueira in «Política», n.º 19, 30 de Setembro de 1970.

26/04/2015

Para trás não se volta?


Bem os ouvimos, tonitruantes ou em voz blandiciosa. Bem os ouvimos, mas não os queremos escutar, recusamo-nos a atendê-los e a ceder.
Eles argumentam com a mudança dos tempos, com o realismo de situações diferentes, com outras mentalidades e necessidades. Os estádios novos não se compadecem, pois, com o Estado Novo...
O mundo já não é o mesmo, dizem eles, o nosso País já não é o mesmo. As pessoas têm outro crer e outro querer. Os costumes, os comportamentos, as modas, o estilo, o ambiente alteraram-se. Há que acertar o passo, há que nos adaptarmos, há que abandonar o que a gente de hoje nega, o que os donos do mundo e da inteligência e do sentimento condenam, o que o dilúvio do pós-guerra submergiu. Uma outra era nasceu, desde o material ao espírito, desde a técnica às consciências, desde a religião à política.
E, então, vá de resistir pelo figurino reinante. Para não ficar para trás, para não ser acusado de passadista e reaccionário, para não sofrer as acusações e as condenações dos que enchem a praça e dominam os areópagos internacionais, agora. Para ser bem visto... A Verdade? O Bem? A Justiça? A Fidelidade? Ora, ora! Temos de ser realistas... E, assim, a Ideia fica atirada às urtigas.
Eles, os práticos e realistas, os que enterram o passado a mil metros do chão incorrupto, despem a alma com a mesma facilidade com que tiram os sapatos, enchendo o ar com a pestilência dos pés e da sua vidinha. Eles namoram a opinião pública e trapaceiam-na, babujam os tornozelos do povo e sujam-no, idolatram o Homem e demitem-no e envenenam-no. Eles não têm fé, nunca tiveram fé, limitaram-se, a todas as horas e sempre, a papaguear as palavras e as ideias que estavam ou estão na moda, vanguardistas da cauda, epígonos-saguís. Debitam palavras e ideias que convenham ao adaptacionismo nojento, as boas como as más, as verdadeiras como as falsas; com os mesmos gestos e tons entusiásticos ou graves, ardorosos ou sensatos. Os espertalhões. Os palhaços.
«Para trás não se volta», argumentam, «o passado está passado». E, portanto, vá de traírem-se a si mesmos, vá de negarem-se, caso eles tivessem, autenticamente, sido alguma vez o que proclamaram. Mas as suas ideias e palavras justas, certas, proferidas algum dia, testemunham contra eles, hoje.
Desculpam-se: reflectiram, observaram o mundo, as coisas, as gentes, os acontecimentos, receberam uma experiência longa, e concluíram que estavam enganados... Mentira! Querem, simplesmente, estar à la page, acertar o passo pelo desconcerto presente, obter a aprovação do que está. Ondeiam como répteis e querem um lugar na nova Babilónia dissoluta.
«Para trás não se volta»? Sofismadores cobardes! Sim, volta-se. Volta-se quando foram abandonadas as virtudes antigas, quando o caminho certo se perdeu. O filho pródigo voltou. Restaura-se o que foi injustamente banido. A independência recobra-se, muita vez. O catolicismo tornou a regiões que a heresia ou falsas religiões tinham submergido. As terras da península hispânica voltaram à cristandade, após o longo domínio muçulmano. Santo Agostinho, que perdera a fé, readquiriu-a com fervor acrescentado. Até a maldita Democracia banida regressou, impante e ditatorial, após a última Grande Guerra. Para esta gente, cortesã da modernidade, Penélope não devia esperar por Ulisses, a pureza expulsa não deve retomar-se, quem assiste à idolatria não deve esperar e lutar pela reconversão à lei de Deus.
Os modernaços! Trinam a Democracia e o Liberalismo, negam os Mestres e a Ideia antiga, renegam o baptismo que receberam. Ou pretendem conspurcá-los em conúbios monstruosos. Falsários e mendazes, calcam, com a botarra ou a pantufa, os símbolos, os signos e os ideais que, noutro tempo, veneraram e ergueram como bandeira luminosa.
Velharias... Mas a Democracia e o Liberalismo não são velhos? Não estiveram expulsos e desacreditados já? O Comunismo e o Anarquismo são mais recentes do que a Nova Ideia que deu asas aos estados e aos povos no segundo quartel do século XX? O Estado Novo é caquético e a Democracia uma adolescente brunida e o Liberalismo uma primavera em flor?
«Para trás não se volta», murmuram-nos, gritam-nos eles, insistentes e arrotando sabedoria. Tecnocratas ou ideólogos da adaptação democratóide e liberalóide, sabotadores do Regime em construção, trânsfugas da Verdade e da Fé, habilidosos saloios, querem destruir-nos o fundamento e abandalhar a alma. Dizemos-lhes que não.
Corajosamente, firmemente, implantados no passado que, tradicionalmente, continua presente para mais altas subidas e mais vastas expansões, mantemos a nossa lealdade, no centro do coração e nas circunvoluções da inteligência e na lâmina fulgurante da vontade. Nesta data do 28 de Maio, proclamamos aos quatro cantos da Pátria, a todos os ventos do globo, que o Passado não morreu!

Goulart Nogueira in «Política», nº 33, 15 de Maio de 1971.

10/06/2014

Rosa de Armas


Deus a cada Nação um anjo deu.
Porque n'Ele as Nações serão eternas,
Mesmo que o tempo as desbarate e coma.

Anjo de Portugal! Te imploro! Imploro!
Defende Portugal, e continua-o!
Mesmo oculto e assombrado pelo mundo,
Como um corpo sem alma ou como alma
Penada a vaguear, ausente, ausente.
Mesmo que sendo só quase memória.
Defende Portugal! E, sob as asas,
Guarda-o, não vá ele enregelar.
Acende-lhe lá dentro uma candeia,
Que um dia voltará a ser archote
E fogueira a cantar no acampamento
E uma bola de fogo, um sol no empíreo,
Um coração nas ondas do Império.

Anjo de Portugal! No mais recesso
De nós mantem ainda esta semente,
Esta migalha, este ínfimo estilhaço,
Esta saudade, esta esperança e fé.
Este globo partido, Anjo! Recobra-o!
Retira-o do abismo, recompõe-o,
Altaneiro refá-lo, alto desvela-o,
Desfralda-o pela glória e pelos ventos,
De norte a sul, de leste a ocidente,
Que volte Portugal ressuscitado.

Goulart Nogueira