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11/11/2019

São Francisco de Assis e o Sultão do Egipto


Há exactamente oito séculos, em 1219, São Francisco de Assis reunia-se com o Sultão do Egipto na cidade de Damieta. Desse encontro, recordo este singular episódio:

O Sultão apresentou também outra questão: «Vosso Senhor ensina no Evangelho que vós não podeis retribuir o mal com o mal, e que não podeis recusar o manto a quem vos quiser tirar a túnica, etc. Então, vós cristãos não podeis invadir as nossas terras, etc.».
Respondeu São Francisco: «Parece-me que não haveis lido todo o Evangelho. Noutra parte, de facto, é dito: Se o teu olho é para ti ocasião de escândalo, arranca-o e lança-o para longe. E com isto, Ele quer-nos ensinar que, mesmo que um homem seja amigo ou parente, ou até tão caro quanto a pupila dos olhos, devemos estar dispostos a separá-lo, a removê-lo, a arrancá-lo de nós, se ele nos tentar afastar da fé e do amor de Nosso Senhor. E precisamente por este motivo, os cristãos agem conforme a justiça quando invadem as vossas terras e vos combatem, porque vós blasfemais o nome de Cristo e trabalhais para afastar o maior número possível de homens da Sua Religião. Mas se em vez disso, vós quisésseis conhecer, confessar e adorar o Criador e Redentor do mundo, então eles vos amariam como a si mesmos».
Todos os que assistiam ficaram admirados com as suas respostas.

Fonte: «Fonti Francescane», 2011.

07/02/2019

Da primeira embaixada de Portugal a Ormuz


Instruções dadas por D. Afonso de Albuquerque ao representante português:

Com esta carta deu a Ruy Gomes apontamentos do que havia de fazer e dizer, a saber: que ele nunca se apartaria da pessoa do embaixador, e não pedisse nada, por mingua que tivesse, nem comesse mais do que lhe dessem, nem o pedisse, e que nada perguntasse, nem se espantasse de nada que visse, nem se detivesse por olhar nada, nem se mostrasse merencório por nada que lhe fizessem, nem se risse de chocarreiros, nem de coisa que visse, nem falasse nunca, somente respondesse ao que lhe perguntassem, nem por nada perguntasse. E que em todas suas coisas se mostrasse muito repousado e vagaroso. E que indo ante a pessoa do Xeque Ismael lhe fizesse muito maior cortesia do que visse que outros lhe faziam, e que ante ele nada fizesse, nem falasse senão com ele, e que lhe perguntando das coisas de Portugal, e d'El-Rei, de tudo lhe desse tal relatório que o Xeque Ismael folgasse de o perguntar e ouvir; recontando-lhe as grandezas da pessoa d'El-Rei, e da Rainha, e seus serviços, casas reais, vestidos, riquezas de suas pessoas, fidalgos, damas, corte, cidades, vilas, rendas, armadas, conquistas d'África, amizades, casamentos com os Reis cristãos seus vizinhos; e de nossa fé e adoração somente o que ele perguntasse, e tudo em tal ordem, e com tanto aviso, que não caísse em erro de mentira, nem falar a coisa duas vezes; e a língua não falasse nada mais que o que ele falasse, e que se fosse possível, hora nenhuma se apartasse do embaixador, nem saísse da casa em que o aposentassem, e que a língua ou o seu moço em apartado que o não vissem; e escrevesse todas as lembranças que lhe bem parecesse do que visse e ouvisse. E que nunca pedisse seu despacho para importunação, e que desse esmola a quem lha pedisse, e que por coisa deste mundo lhe não viesse a tentação de mulher, nem ele, nem seu língua, nem criado: e com isto outras substâncias de muita prudência e aviso, como cumpria, por ser o primeiro português que fora ante o Xeque Ismael; e lhe deu dinheiro para seu gasto em abastança, com que foi seu caminho.

Gaspar Correia in «Lendas da Índia», 1526.

22/11/2018

Islamofilia e Lusofobia

Em 2015 a Câmara Municipal de Lisboa, liderada pelo socialista Fernando Medina, iniciou o projecto de construir uma mesquita no bairro da Mouraria. A obra, participada pela Câmara em 3 milhões de euros, irá ser construída no lugar de edifícios classificados. Moradores indignados protestaram, mas a Câmara já avançou com a desclassificação e com a expropriação dos edifícios.

Praça do Martim Moniz

Entretanto, surgiu um novo projecto que visa "requalificar" a Praça do Martim Moniz, igualmente no bairro da Mouraria. O projecto, a cargo da empresa Moon Brigade (Brigada da Lua), também já foi alvo da crítica dos moradores, e visa, entre outras coisas, "reabilitar" dois pequenos lagos já existentes na praça. Um dos lagos é em formato de Rub el Hizb, uma estrela de oito pontas que é usada no Alcorão para marcar o fim de cada capítulo e que também foi usada como bandeira de Marrocos dos séculos XIII a XVII. O outro lago é em formato de meia-lua, famoso símbolo islâmico. Vale a pena lembrar que Martim Moniz, cavaleiro da corte de D. Afonso Henriques, foi herói mártir e é um dos maiores símbolos da reconquista de Lisboa.

Sheik Munir e Fernando Medina

Maquiavélico? Pois... parece que existe uma agenda oculta que visa promover o anti-Portugal dentro de Portugal.

17/03/2017

Da proibição do véu islâmico

Portuguesa

Alguns direitistas rejubilam quando em França se proíbe o uso do véu islâmico. Julgam eles que essa é uma medida em prol das nacionalidades e da Civilização europeia. Enganam-se. A República que proíbe o uso do véu islâmico é a mesma República que proíbe o uso de crucifixos. Por isso, tais medidas anti-véu não são feitas em favor das pátrias e da Europa. São feitas em favor da república, do laicismo, da maçonaria, e visam neutralizar o "extremismo" para favorecer um "moderantismo" bastardo e aglutinador.
Lembrem-se, direitistas, que o uso de véu ou de lenço na cabeça, não é algo anti-europeu. Pelo contrário, se observarem como se vestiam os nossos antepassados, concluirão que as modas modernas é que são anti-europeias.

24/12/2016

O falso Natal e a invasão da Europa


Lido na rede social Facebook:

"Saibam quantos este texto virem, que no ano da graça de dois mil e dezasseis é impossível comprar cartões de Natal alusivos ao verdadeiro significado da data: o nascimento de Cristo. Já ninguém os vende. Hoje só há cartões do Pai Natal, do barrete do Pai Natal, de árvores de Natal, de ursinhos, de sininhos, de prendinhas de Natal, de bonecos de neve, de bolas de Natal, etc. Do Natal mesmo é que não há nada. Duvido que subsista tipógrafo que mande imprimir uma Sagrada Família ou um Presépio. Criou-se uma geração ou duas de europeus na ideia de que a representação do Natal são bolas de neve com lacinhos. Ao mesmo tempo os terroristas islâmicos massacram-nos dentro das nossas fronteiras, sem que ninguém tope a relação entre os dois fenómenos." – Bruno Santos.

16/08/2016

A República "Francesa" contra os bons costumes

Francesas na praia (início do século XX)

A República Francesa – como revolucionária e maçónica – rejeita a moral e os bons costumes dos seus antepassados católicos.
A República Francesa – como revolucionária e maçónica – tanto promove aquilo que o Islão tem de mau, como ataca aquilo que o Islão tem de bom, ou de potencialmente bom.
Perante isto, ninguém se pode admirar que grandes e graves castigos recaiam sobre a França.

Ao longo de milénios, na nossa Civilização católica e europeia, o pudor sempre foi visto como uma virtude a desejar e a manter. Porém, hoje querem nos fazer crer que o pudor é um vício de extremistas radicais, e que nada tem a ver com a nossa civilização e cultura.

27/07/2016

Sermão da Primeira Cruzada


Povo dos Francos, povo de além Alpes, povo – como reluz em muitas de vossas acções – eleito e amado por Deus, distinguido entre todas as nações pela posição do vosso país, pela observância da fé católica e pela honra que presta à Santa Igreja, a vós se dirige o nosso discurso e a nossa exortação.
Queremos que vós saibais do lúgubre motivo que nos conduziu até às vossas terras; da necessidade – para vós e para todos os fiéis – de conhecerem o motivo que nos impeliu até aqui.
Desde Jerusalém e desde Constantinopla chegou até nós, mais de uma vez, uma dolorosa notícia: os turcos, povo muito diverso do nosso, povo de facto afastado de Deus, estirpe de coração inconstante e cujo espírito não foi fiel ao Senhor, invadiu as terras daqueles cristãos, as devastou com o ferro, a rapina e o fogo.
Levou parte dos habitantes como prisioneiros até ao seu país, outra parte matou com infames estragos, e as igrejas de Deus, ou as destruiu até aos fundamentos, ou as entregou ao culto da religião deles.
Derrubam os altares após profaná-los imundamente, circuncidam os cristãos e espalham o sangue da circuncisão sobre os altares ou jogam-no nas pias baptismais; e àqueles que querem condenar a uma morte vergonhosa, perfuram o umbigo, arrancam os genitais, os amarram a um pau e, chicoteando-os, levam-nos pelas ruas, para que com as vísceras de fora, acabem caindo mortos prostrados por terra.
Outros se servem deles como alvo de flechas após amarrá-los a um pelourinho; a outros, após obrigá-los a dobrar a cabeça, atacam-nos com espadas e tentam decapitá-los de um só golpe.
O que dizer da violência nefanda praticada com as mulheres, sobre a qual é pior falar do que calar?
O reino dos gregos já foi atingido tão gravemente por eles e tão perturbado na sua vida diária, que não pode ser atravessado sequer numa viagem de dois meses.
A quem, pois, cabe o ónus de vingá-lo e de reconquistá-lo se não a vós a quem Deus, mais de que aos outros povos, concedeu a insigne glória das armas, grandeza de alma, agilidade de corpo, força para humilhar a fundo aqueles que a vós resistem?
Que a gesta dos vossos antepassados vos mova, que excite as vossas almas a actos dignos dela, a probidade e a grandeza do vosso rei Carlos Magno e de Luís, seu filho, e de outros soberanos vossos que destruíram o reino dos pagãos e até eles estenderam os confins da Igreja.
Sobretudo que vos incite o Santo Sepulcro do Senhor, nosso Salvador, que está nas mãos de gentes imundas, e os lugares santos, que agora estão por eles vergonhosamente possuídos e irreverentemente profanados com a sua imundície.
Ó soldados fortíssimos, filhos de pais invictos, não vos mostreis decadentes, mas lembrai-vos da coragem dos vossos predecessores; e se vos segura o doce afecto dos filhos, dos pais e das consortes, atentai para o que diz o Senhor no Evangelho: "Quem ama o pai ou a mãe mais que a Mim, não é digno de Mim. Todo aquele que deixar seu pai ou sua mãe, ou a mulher ou os filhos ou as terras por amor de Meu Nome receberá o cêntuplo nesta terra e terá a vida eterna".
Não vos detenha o pensamento de alguma propriedade, nenhuma preocupação pelas coisas domésticas, pois esta terra que vós habitais, circundada por todo lado pelo mar ou pelas montanhas, ficou estreita para a vossa multidão, não é exuberante de riquezas e apenas fornece do que viver a quem a cultiva.
Por isso vós vos ofendeis e vos hostilizais reciprocamente, vós vos fazeis guerra e com frequência vos matais entre vós mesmos.
Cessem, pois os ódios intestinos, apaguem-se os contenciosos, aplaquem-se as guerras e sossegue toda a discórdia e inimizade.
Empreendei o caminho do Santo Sepulcro, arrancai aquela terra àquele povo celerado e submetei-la a vós: ela foi dada por Deus em propriedade aos filhos de Israel [=cristãos]; como diz a Escritura, nela correm rios de leite e de mel.
Jerusalém é o centro do mundo, terra feraz por cima de qualquer outra quase como um paraíso de delícias; o Redentor do género humano a tornou ilustre com a Sua vinda, a honrou com a Sua passagem, a consagrou com a Sua Paixão, a redimiu com a Sua morte, e a tornou insigne com a Sua sepultura.
Exactamente esta cidade real posta no centro do mundo, agora é tida em sujeição pelos próprios inimigos e pelos infiéis, feita serva do rito pagão.
Ela eleva a sua lamentação e deseja ser libertada, e não cessa de implorar que vós andeis no seu socorro.
De vós mais do que qualquer outro povo ela exige ajuda, pois vos tem sido concedida por Deus, por sobre todas as estirpes, a glória das armas.
Empreendei, pois, este caminho em remissão dos vossos pecados, certos da imarcescível glória do reino dos Céus.
Ó irmãos amadíssimos, hoje em nós manifestou-se o que o Senhor diz no Evangelho: "Onde dois ou três estarão reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles".
Se o Senhor Deus não tivesse inspirado os vossos pensamentos, a vossa voz não teria sido unânime; e ainda que tenha ressoado com timbres diversos, foi única, entretanto a sua origem: foi Deus que a suscitou, foi Deus que a inspirou em vossos corações.
Seja, pois, esta vossa voz, o vosso grito de guerra, posto que ele vem de Deus.
Quando fores ao ataque dos bélicos inimigos, seja este o grito unânime de todos os soldados de Deus: "Deus o quer! Deus o quer!"
Nós não convidamos a empreender este caminho aos velhos ou àqueles que não são aptos para portar armas, nem às mulheres; que as mulheres não partam sem os seus maridos, ou sem irmãos, ou sem representantes legítimos: todos estes são mais um impedimento do que uma ajuda, mais um peso do que uma vantagem.
Que os ricos sustentem os pobres e levem a seu custo homens prestes para combater.
Aos sacerdotes e clérigos de qualquer ordem não seja lícito partir sem licença do seu bispo, porque esta viagem lhes seria inútil sem esse assentimento; e nem sequer aos leigos seja permitido partir sem a bênção do seu sacerdote.
Todo aquele que queira cumprir esta santa peregrinação e que faça promessa a Deus e a Ele se tenha consagrado como vítima viva, santa e aceitável, leve sobre o seu peito o sinal da Cruz do Senhor.
Aquele que, após ter cumprido o seu voto, queira retornar, dê meia-volta.
Cumprirão assim o preceito que o Senhor dá no Evangelho: "Quem não carrega sua cruz e não vem detrás de Mim, não é digno de Mim".

Beato Papa Urbano II, 27 de Novembro de 1095.

23/07/2016

As Cruzadas não foram agressivas, mas defensivas


O crítico das Cruzadas fala como se elas tivessem atacado uma tribo inofensiva ou um templo no interior do Tibete, que desconhecia antes de a invadir. Parecem esquecer que antes de os cruzados sonharem em ir a Jerusalém, os muçulmanos quase chegaram a Paris. Parecem esquecer que se os cruzados quase conquistaram a Palestina, isso apenas foi uma reacção aos muçulmanos que quase conquistaram a Europa.

G. K. Chesterton in «The New Jerusalem», 1920.

16/07/2016

Taqiyya: o engano sagrado islâmico


Atenção: Discordo de Bill Warner quando este refere que os europeus sempre deram igualdade de tratamento aos não-europeus. Essa igualdade entre diferentes é uma invenção liberal que nunca se verificou em épocas transactas. Nos reinos católicos, os estrangeiros e os adeptos das falsas religiões, estavam sujeitos à autoridade e às leis gerais do Reino. Por exemplo, um muçulmano ou um judeu que vivesse em Portugal estava proibido de exercer o seu culto religioso de forma pública, mas não de o prestar de forma privada. Portanto, não se tratava todos de forma igual. Trava-se o diferente como diferente, e o igual como igual. Fazia-se justiça.

07/05/2016

Rios de Sangue


Enoch Powell, no seu discurso de 1968 Rivers of Blood, avisou para os perigos de uma política de portas abertas à imigração. No entanto, muitos preferiram apelidá-lo de louco, extremista e exagerado. Mas eis agora os frutos da cegueira dos seus detractores:

14/09/2015

Socorro!


A Junta de Freguesia do Socorro, na Mouraria, tem cerca de 15 mil habitantes, 11 mil dos quais já são estrangeiros, revelou à Lusa o presidente da junta, Marcelino Figueiredo (PSD).
A população envelhecida da freguesia do Socorro, bairro histórico da capital, tem sido renovada com imigrantes estrangeiros «que diariamente solicitam os serviços da junta com o objectivo de regularizarem a sua situação em Portugal», afirmou o presidente.
Questionado sobre a evolução do número de estrangeiros que têm chegado à freguesia, o presidente da junta respondeu: «Não sei. O que sei é que todos os dias tenho mais processos de legalização para tratar».
«Ultimamente, a maior comunidade que tem chegado à freguesia é a do Bangladesh e as nacionalidades com maior expressão continuam a ser a chinesa, a indiana, a paquistanesa, e mais recentemente também, a ucraniana, macedónia, e de países africanos muçulmanos», revelou Marcelino Figueiredo.
O presidente da Junta salientou que «uns chamam os outros e são quase todos familiares e estabelecem-se como vendedores de brinquedos, produtos electrónicos e na restauração».
Nesta área existem dois centros comerciais ocupados na sua maioria por comerciantes asiáticos, com as tradicionais lojas chinesas até às lojas de electrónica.
Marcelino Figueiredo salientou ainda que «nesta altura, os católicos até já estão em minoria» e que «a comunidade muçulmana já abriu uma pequena mesquita na freguesia».

21/02/2015

Oração pela conversão dos muçulmanos


Oração a Nossa Senhora de África pela conversão dos muçulmanos, composta pelo Bispo de Argel em 1858:

Ó Coração Santo e Imaculado de Maria, pleno de misericórdia, tão atingido pela cegueira e profunda miséria dos muçulmanos. Vós, a Mãe de Deus feito homem, dê-lhes o conhecimento da nossa Santa Religião, a graça da abraçar e praticar fielmente, a fim de, pela vossa poderosa intercepção, estejamos todos reunidos na mesma fé, na mesma esperança e no mesmo amor do vosso divino Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, que foi crucificado e morreu para salvação de todos os homens, que ressuscitou cheio de glória, e reina na unidade do Pai e do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Ámen.

Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós.
Nossa Senhora de África, rogai por nós, pelos muçulmanos, pelos judeus e todos os outros infiéis.
Consoladora dos aflitos, rogai por nós.

31/01/2015

Decreto de expulsão de judeus e mouros


Qui non sunt de Mauris, et de infidelibus Iudaeis, sed Portugalêses
Acta das Cortes de Lamego, 1139


Numa altura em que o governo ilegítimo da República aprova o decreto-lei que atribui a nacionalidade portuguesa aos descendentes de judeus sefarditas, é conveniente recordar a não revogada declaração de el-rei D. Manuel no édito de expulsão de 1496:

Que Judeus e Mouros se saiam destes Reynos, e nom morem, nem estem nelles. Porque todo fiel Christão sobre todas as cousas he obriguado fazer aquellas que sam serviço de Nosso Senhor, acrecentamento de sua Sancta Fee Catholica, e a estas nom soomente devem pospoer todos os guanhos e perdas deste mundo, mas ainda as próprias vidas, o que os Reys muito mais inteiramente fazer devem, e sam obriguados, porque per Jesu Christo Nosso Senhor sam, e regem, e delle recebem neste mundo maiores merces, que outra algua pessoa, polo qual sendo Nós muito certo, que os Judeus e Mouros obstinados no ódio da Nossa Sancta Fee Catholica de Christo Nosso Senhor, que por sua morte nos remio, tem cometido, e continuadamente contra Elle cometem grandes males, e blasfémias em estes Nossos Reynos, as quaes nom tam soomente a elles, que sam filhos de maldiçam, em quamto na dureza de seus corações esteverem, sam causa de mais condenaçam, mas ainda a muitos Christãos fazem apartar da verdadeira carreira que he a Sancta Fee Catholica; por estas, e outras mui grandes e necessarias razões, que Nos a esto movem, que a todo Christão sam notorias e manifestas, avida madura deliberaçam com os do Nosso Conselho, e Letrados, Determinamos, e Mandamos, que da pubricaçam desta Nossa Ley, e Determinaçam atá per todo o mez d'Outubro do anno do Nacimento de Nosso Senhor de mil e quatrocentos e noventa e sete, todos os Judeus, e Mouros forros, que em Nossos Reynos ouver, se saiam fóra delles, sob pena de morte natural, e perder as fazendas, pera quem os acusar. E qualquer pessoa que passado o dito tempo tever escondido alguu Judeu, ou Mouro forro, per este mesmo feito Queremos que perca toda sua fazenda, e bens, pera quem o acusar, e Roguamos, e Encomendamos, e Mandamos por nossa bençam, e sob pena de maldiçam aos Reys Nossos Socessores, que nunca em tempo aluu leixem morar, nem estar em estes Nossos Reynos, e Senhorios d'elles, ninhuu Judeu, nem Mouro forro, por ninhua cousa, nem razam que seja, os quaes Judeus, e Mouros Leixaremos hir livremente com todas suas fazendas, e lhe Mandaremos paguar quaesquer dividas, que lhe em Nossos Reynos forem devidas, e assi pera sua hida lhe Daremos todo aviamento, e despacho que comprir. E por quanto todas as rendas, e dereitos das Judarias, e Mourarias Temos dadas, Mandamos aas pessoas que as de Nós tem, que Nos venham requerer sobre ello, porque a Nós Praz de lhe mandar dar outro tanto, quanto as ditas Judarias, e Mourarias rendem.

El-Rei D. Manuel
Vila de Muge
5 de Dezembro de 1496

10/10/2014

Batalha de Poitiers


Neste mês de Outubro, há 1282 anos, as tropas francas de Carlos Martelo travavam o exército sarraceno do Califado de Córdoba, em Poitiers. Era o fim da expansão mourisca na Europa e o início da Reconquista. Pelo enorme feito, Carlos Martelo recebeu do Papa Gregório III o título de Herói da Cristandade.

22/08/2014

Da expressão "há mouro na costa!"


Relata a História que durante vários séculos toda a costa norte do Mediterrâneo, a região do Algarve e a orla marítima Alentejana, as Ilhas Britânicas e até mesmo a Escandinávia, foram objecto de frequentes razias protagonizadas por corsários e piratas mouriscos, na demanda de escravos europeus, os quais seriam consequentemente vendidos nos mercados esclavagistas de Argel, Marraquexe ou Trípoli.
Face a isto, os povoamentos localizados nas zonas costeiras encontravam-se em permanente estado de alerta de maneira a prevenir o perigo. Por toda a costa foram erguidos numerosos postos de vigia. Desde o alto dessas torres observava-se o horizonte, sendo que ao se avistarem as velas dos navios mouriscos, o sentinela de turno gritava desesperadamente: "há mouro na costa!". Acto contínuo, acendiam-se as fogueiras de sinal e as populações – alertadas – preparavam-se para se defenderem ou abandonavam as aldeias e dirigiam-se para o interior, onde os corsários não se atreviam a penetrar.
Esta prática criminosa perdurou durante séculos, havendo relatos destas incursões ainda em pleno século XIX. O grito "há mouro na costa!" passou a ser expressão de uso popular para advertir alguém sobre um eventual perigo. Em sentido inverso, a expressão antónima "não há mouro na costa!", serve para dar a entender que não existe perigo iminente para uma pessoa que procura realizar determinada tarefa.

13/08/2014

Da "mouromania"


Existe hoje em Portugal uma certa "mouromania", uma mania de elogiar e enaltecer o passado mourisco da Península Ibéria, apresentado o Al-Andaluz como o expoente máximo de civilização e cultura, lugar de grande tolerância e liberdade, em oposição à suposta barbaridade, intolerância e incivilidade cristã medieval. Ora, tal ideia é apenas fruto do romantismo de alguns pseudo-intelectuais de cultura anti-cristã, pois nem o Al-Andaluz foi expoente máximo de cultura e civilização, nem foi lugar de grande tolerância e liberdade.

Sobre a cultura e civilização mourisca, eis o que diz o historiador Ernest Renan, citado por António Sardinha no livro Na Feira dos Mitos:

Fala-se muitas vezes duma ciência e duma filosofia árabe; na realidade, durante um século ou dois na Idade Média, os árabes foram nossos mestres, mas só enquanto não conhecemos os originais gregos. A ciência e a filosofia árabe nunca deixaram de ser uma mesquinha tradução da ciência e da filosofia grega. Desde que a Grécia autêntica despertou, essas míseras traduções ficaram sem sentido e não foi sem razão que os filólogos da Renascença iniciaram contra elas uma verdadeira cruzada. De resto, olhando de perto, essa ciência não tinha nada de árabe. O seu fundo é puramente grego, e entre os que a criaram não se aponta um único semita. Eram espanhóis e persas, escrevendo o árabe.
O papel filosófico dos judeus na Idade Média é também o de simples intérpretes. A filosofia hebraica desta época é a filosofia árabe sem modificações. Uma página de Roger Bacon encerra mais espírito científico do que toda essa ciência em segunda mão, respeitável, sem dúvida, como um anel de tradição, mas despida de grande originalidade.

Ou seja, toda a cultura mourisca não passa duma cópia arabizada da antiga civilização grega, com influência hispânica e persa. Importa, porém, dizer, que só há verdadeira civilização sob a Cristandade.

Sobre a liberdade e a tolerância islâmica, eis o que dizem alguns versículos do Alcorão sobre os kafirs (infiéis, não-muçulmanos):

3:28 Crentes não devem ter os kafirs como amigos em preferência a outros crentes. Aqueles que fazem isso não terão nenhuma protecção de Alá e terão apenas eles mesmos como guardas. Alá te avisa para teme-Lo, pois tudo retornará para Ele.
8:12 Então o seu Senhor falou para os Seus anjos e disse: "Eu estarei convosco. Dêem força aos crentes. Eu irei enviar terror no coração dos kafirs, cortar fora as suas cabeças e até mesmo a ponta dos seus dedos!"
33:60 Eles [os kafirs] serão amaldiçoados, e onde quer que eles forem encontrados, serão presos e mortos. Esta era a prática de Alá, a mesma prática com aqueles que vieram antes deles, e tu não encontrarás mudança no modo de Alá.
47:4 Quando tu encontrares os kafirs no campo de batalha, corta-lhes fora as suas cabeças até que os tenhas derrotado totalmente e então toma-os como prisioneiros e amarra-os firmemente.
83:34 Naquele dia, o fiel irá ridicularizar os kafirs, enquanto se senta sobre os sofás nupciais e os observa. Não devem os kafirs ter a retribuição por aquilo que fizeram?

Assim se prova que, pela lei islâmica, os não-muçulmanos são dignos de humilhação e morte.

E os chamados povos do Livro? Será que os cristãos e os judeus têm um tratamento preferencial pelos muçulmanos? Eis o que diz novamente o Alcorão:

9:29 Faz guerra àqueles que receberam as Escrituras [cristãos e judeus] mas não acreditam em Alá nem no Último Dia. Eles não proíbem o que Alá e o seu mensageiro proíbem. Os cristãos e os judeus não seguem a religião da verdade até que eles se submetam e paguem a taxa [jizya] e sejam humilhados.

Então e os dhimmis? O que acontece às pessoas doutras religiões que vivem sob o jugo islâmico? Eis as condições exigidas aos cristãos pelo Tratado de Umar (637):

- Nós não iremos construir, nas nossas cidades ou arredores, novos mosteiros, igrejas, conventos, ou celas para monges, nem iremos consertá-los, de dia ou de noite, mesmo que eles caíam em ruínas, ou sejam situados nos bairros dos muçulmanos.
- Nós iremos manter os nossos portões abertos para os transeuntes e viajantes.
- Nós iremos dar comida e alojamento por 3 dias para todos os muçulmanos que passarem no nosso caminho.
- Nós não iremos prover refúgio em nossas igrejas ou casas para qualquer espião, nem escondê-lo dos muçulmanos.
- Nós não iremos manifestar a nossa religião em público e nem converter ninguém para ela.
- Nós não iremos impedir que qualquer um de nós se converta para o Islão se ele assim desejar.
- Nós iremos mostrar respeito para com os muçulmanos, e nós iremos levantar dos nossos assentos quando eles desejarem sentar.
- Nós não buscaremos parecer como os muçulmanos, imitando o modo como eles se vestem.
- Nós não iremos montar em selas, nem cingir espadas, nem portar qualquer tipo de armas, nem carregá-las connosco.
- Nós não iremos ter inscrições em árabe nos nossos selos.
- Nós não iremos fermentar bebidas (álcool).
- Nós iremos cortar as franjas das nossas cabeças (manter um cabelo curto como sinal de humilhação).
- Nós iremos sempre nos vestir do mesmo modo onde quer que estejamos, e nós iremos amarrar o Zunar em torno das nossas cinturas (cristãos e judeus têm que usar roupas especiais).
- Nós não iremos mostrar nossas cruzes ou os nossos livros nas estradas ou mercados dos muçulmanos.
- Nós iremos apenas usar chocalhos nas nossas igrejas, bem baixinho.
- Nós não iremos aumentar as nossas vozes quando seguindo os nossos mortos.
- Nós não tomaremos escravos que tenham sido determinados para pertencerem aos muçulmanos.
- Nós não iremos construir casas mais altas que as casas dos muçulmanos.
- Qualquer um que espancar um muçulmano com intenção deliberada, perderá os direitos de protecção deste pacto.

Fica assim demonstrado que o Al-Andaluz nunca foi o auge de civilização e cultura peninsular, muito menos um lugar em que a população cristã (maioritária) vivesse sob grande protecção e liberdade. Porém, quero deixar claro que pelo facto de denunciar a farsa da liberdade e tolerância islâmica, não significa que defenda a liberdade religiosa. Isso seria cair num relativismo e num indiferentismo grotesco, algo que foi veementemente condenado pelos Papas antes do Concílio Vaticano II.
Mas quero também acrescentar que os mouros e os judeus não têm qualquer direito a viver em terras ibéricas, onde sempre foram estrangeiros. Se eles viveram cá até ao decreto de expulsão, viveram segundo a condição de pessoas toleradas. E caso os nossos reis católicos quisessem expulsá-los, como veio a acontecer, estavam no seu pleno direito. Recordo que na Acta das Cortes de Lamego (1139) está expresso: Qui non sunt de Mauris, et de infidelibus Iudaeis, sed Portugalêses.
Contudo, importa ainda clarificar que nenhum judeu ou muçulmano foi perseguido por ser judeu ou muçulmano. O Santo Ofício apenas vigiava a conduta dos cristãos. As pessoas que foram condenadas por judaísmo, por exemplo, foram-no por se terem falsamente convertido ao Catolicismo. Muitos judeus, pela ambição de ascender socialmente, convertiam-se aparentemente ao Catolicismo, mas permaneciam secretamente judeus. Foram esses os condenados pela Inquisição. Já as outras confissões religiosas, eram toleradas e estavam restritas ao culto privado, nunca público. Por exemplo, ainda hoje a sinagoga de Lisboa não tem fachada para a rua por esse mesmo motivo. Não que os judeus não pudessem ser judeus, antes o seu culto era exclusivamente privado. Estas eram as leis católicas do Reino de Portugal.

29/07/2014

Crime de excesso

Fim do Ramadão, Lisboa, 28 de Julho de 2014

Nós temos vindo a transgredir os justos limites da tolerância, do respeito e da amizade. Nós temos vindo a cometer o crime de excesso. Queira Deus que não tenhamos que pagar em breve, e que as nobres raças às quais nós devemos uma contribuição tão valiosa, nunca se sintam envergonhadas pelo sentimento da nossa fraqueza.

Charles Maurras, sobre a inauguração da Grande Mesquita de Paris em 1926.

14/04/2013

Os judeus e as Invasões Mouras


Uma vez que a ilegítima Assembleia da República aprovou por unanimidade a atribuição de nacionalidade portuguesa aos descendentes de judeus sefarditas, nada melhor do que recordar a acção destes durante as Invasões Mouras do século VIII, segundo a palavra de dois historiadores judeus:

No ano de 711, a Espanha foi conquistada pelos muçulmanos e os judeus saudaram a sua vinda com júbilo. Eles regressaram a Espanha dos países para onde haviam fugido. Eles saíram ao encontro dos conquistadores, ajudando-os a tomar as cidades de Espanha.
Deborah Pessin in «The Jewish People», 1951.

Os barbarescos ajudaram o movimento Árabe a estender-se até Espanha, enquanto os judeus sustentavam o empreendimento ao mesmo tempo com homens e com dinheiro. Em 711, os barbarescos comandados por Tariq cruzaram o Estreito e ocuparam a Andaluzia. Os judeus convergiram com piquetes de tropas e guarnições para o distrito.
Josef Kastein in «History and Destiny of the Jews», 1933.