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01/10/2019

Voltar à realidade


«O homem sem pátria, sem família e sem Deus, já não está senão ligado à representação [subjectiva] que forma do universo», apontou com razão o Prof. De Corte. Platão notava que «o homem é o único ser da natureza que pode emigrar da realidade própria e instalar-se na imaginação».
Todo o problema do homem moderno consiste em voltar à realidade. Mas o homem não o consegue sem dificuldades, sem vontade, sem esforço intelectual. Nisso está em desvantagem relativamente ao resto da Criação, se nos atemos a um ponto de vista materialista.
«Todos os seres vivos – assinalou o Dr. Carrel –, à excepção do homem, possuem uma espécie de ciência inata do universo e de si mesmos. Esse instinto força-os a inserirem-se na realidade, de forma completa e segura. Não têm, pois, a liberdade de se enganar. Só os seres dotados de razão são falíveis, e por conseguinte, perfectíveis.»

Jacques Ploncard d'Assac in «Três Estudos Políticos», 1956.

27/07/2018

Declaração de um historiador agnóstico


Sempre e por toda a parte, desde há mil e oitocentos anos, quando o Cristianismo desfalece, os costumes públicos e privados degradam-se. Na Itália, durante a Renascença, na Inglaterra, sob a Restauração, em França, durante a Convenção e o Directório, viu-se o homem tornar-se pagão como nos primeiros séculos. Achava-se como no tempo de Augusto ou de Tibério, voluptuoso e duro. Abusava dos outros e de si próprio. O egoísmo brutal e calculista tomara o ascendente. Faziam estendal a crueldade e a sensualidade. A sociedade convertia-se numa Falperra e em lugar suspeito.

Hippolyte Taine, citado por Jacques Ploncard d'Assac in «Três Estudos Políticos», 1956.

17/03/2018

Liberalismo e Nacionalismo


A ideia essencial dos doutrinadores da Revolução Francesa era a de que o indivíduo estava liberto de toda e qualquer ligação com o passado, que a sociedade era fruto de um contracto e que o homem podia modificá-lo à vontade, sempre que julgasse ter encontrado a ordem política ideal.
A Pátria cessa, pois, de ser território ocupado por homens da mesma etnia, unidos por tradições e interesses comuns, para identificar-se com uma ética.
A Pátria já não é o que somos, mas o que pensamos.
E como as ideias não têm fronteiras, a pátria revolucionária também não as tem, e os autores da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão declararam que querem «fazer uma declaração para todos os homens, para todos os tempos, para todos os países e que sirva de exemplo ao mundo».
Mas desde que fosse proposta aos indivíduos uma noção abstracta da pátria, cada cidadão podia forjar, por si, uma ideia particular dela. Nesse sentido, o Comunismo também nasce directamente das ideias de 1789. A pátria ideológica substituiu a pátria terrestre e do sangue.
Enquanto existiu a Monarquia tradicional, nunca se verificou a necessidade de definir a Nação. A nação não se definia; existia como uma família mais vasta do que a família de cada indivíduo. O pai era o Rei. Os súbditos só tinham que preocupar-se em executar o seu trabalho diário no quadro da sua profissão [e estado]. Nem se lhes pedia sequer que defendessem a Pátria. Bastavam os voluntários.
Quando os progressos da Revolução aboliram a Monarquia tradicional e entregaram o poder nas mãos dos povos, estes tiverem que definir os seus limites e as suas concepções políticas. Assim nasceram o princípio das nacionalidades [Nacionalismo] e os partidos políticos.
O princípio das nacionalidades procurava definir os contornos da Nação herdeira da Coroa; os partidos procuravam definir a organização política que substituíra o poder Real.
A evolução era lógica. Constitui a história do século XIX.

Jacques Ploncard d'Assac in jornal «A Voz», 19 de Outubro de 1953.

§

Nota: Muitas vezes o termo "Nacionalismo" é confundido com "Patriotismo" e usado no sentido de "amar, honrar e defender a Pátria". Contudo, o sentido próprio de Nacionalismo é aquele que advém do Liberalismo no século XIX – soberania nacional (popular), ou independência da Nação (Povo) em relação ao seu Soberano.

03/06/2016

Declaração de um historiador agnóstico

Marcha de tarados sexuais nos EUA.

Sempre e por toda a parte, desde há mil e oitocentos anos, quando o Cristianismo desfalece, os costumes públicos e privados degradam-se. Na Itália, durante a Renascença, na Inglaterra, sob a Restauração, em França, durante a Convenção e o Directório, viu-se o homem tornar-se pagão como nos primeiros séculos. Achava-se como no tempo de Augusto ou de Tibério, voluptuoso e duro. Abusava dos outros e de si próprio. O egoísmo brutal e calculista tomara o ascendente. Faziam estendal a crueldade e a sensualidade. A sociedade convertia-se numa Falperra e em lugar suspeito.

Hippolyte Taine, citado por Jacques Ploncard d'Assac in «Três Estudos Políticos».