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20/03/2019

Civilização


O Homem deve à Europa aquilo que mais contribuiu para lhe modelar a personalidade e para lhe indicar o caminho – uma Filosofia, um Direito e uma Teologia, e todos três orientados no sentido da criação de uma Ordem.

João Ameal in «Europa e os seus fantasmas», 1945.

06/09/2012

Governo do Povo ou Governo para o Povo?


Estamos plenamente convencidos de que é melhor para o povo ser bem governado, de acordo com as suas necessidades e com os seus interesses – do que fingir que exerce uma soberania para a qual não está preparado e que por isso delega em quaisquer demagogos habilidosos. Quer dizer (e sirvamo-nos aqui da recente declaração dum grande republicano, Jean de Castellane, presidente do Conselho Municipal de Paris: – «A experiência demonstrou que a verdadeira democracia consiste menos em governar o povo, o que é impossível, do que em governar para o povo, por meio de elites, que juntem à sua autoridade uma capacidade técnica suficiente».
Isto não tem fácil contestação: o aparente governo do povo (só aparente, porque é, de facto, governo dos partidos que exploram o povo) deve ser substituído pelo governo da Nação organizada, em que o povo, arrumado nos seus núcleos naturais, profissionais e regionais, influi realmente no governo, através dos seus verdadeiros órgãos representativos.
O paradoxo é este: as doutrinas chamadas democráticas, apregoadas como representando a felicidade do povo, só representam o ludíbrio do povo; e as doutrinas opostas é que realizam, afinal (se assim lhe quisermos chamar aceitando a palavra antipática), uma verdadeira estrutura democrática da sociedade nacional.
Sacuda-se, pois, de vez, a decrépita e falida mitologia do último século!

João Ameal in «Integralismo Lusitano - Estudos Portugueses».

22/06/2012

A Democracia é uma quimera


Para serem legítimas as bases da Democracia, seria indispensável que existissem a Igualdade, a Liberdade, a Fraternidade, cuja célebre trilogia a Revolução Francesa escolheu para lema.
São os homens iguais? Ninguém ousará afirmá-lo. Uns, são mais fortes, mais trabalhadores, mais económicos, mais inteligentes que outros. Decretar a igualdade absoluta, é esquecer uma inflexível lei natural – que justifica as aspirações de todos os que se querem distinguir, conquistar um nome, uma fortuna, uma posição de comando.
Liberdade absoluta – não há, também, entre os homens. Presos às cadeias familiares, às dependências sociais, às regras morais que adoptaram, às carreiras que escolheram – os homens não são nunca inteiramente livres, nem podem sê-lo.
Quanto à Fraternidade, olhe-se a História, desde o início do mundo; descobre-se uma sucessão de lutas, de crimes, de conflitos... A Fraternidade é uma bela aspiração. Nada mais.
Logo, a Democracia, supondo a Igualdade, a Liberdade, a Fraternidade – é uma quimera.

João Ameal in «Integralismo Lusitano - Estudos Portugueses».

24/05/2012

Ideia da Europa


A ideia da Europa integra os seguintes valores essenciais:
Uma Filosofia, nascida na Grécia, ao mesmo tempo rigorosa e subtil, maleável e ordenada, introspectiva e objectiva, a constituir superior criação da inteligência humana;
Um Direito, nascido na Roma imperial das legiões e dos juristas, a espada a apoiar a lei, as instituições e as magistraturas, a garantir, na síntese de Valéry, «um poder organizador e estável»;
Uma Teologia, a de Cristo, que os apóstolos e doutores do Cristianismo propagaram, firmada no conceito de Deus uno, omnipotente e providencial, consolo para os que sofrem, estímulo para os que lutam, juiz para os que erram, libertador das velhas servidões e dos velhos erros; a doutrina do amor fraterno e da universal promessa de redenção;
Uma Aristocracia Militar, a dos Germanos, apoiada nos laços de sangue e na ética da Família e do Combate, que será a grande geradora das nações futuras.

João Ameal in «A Ideia da Europa», 1967.