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14/07/2019

230 anos da Revolução Francesa


Foi extraordinário aparecer este monstro; mas ainda foi mais extraordinário achar tantos sequazes esta infame doutrina. O mal não se ateava, nem lavrava, se de longo tempo não estivessem envenenadas as fontes, onde sem cautela bebiam os inocentes. Começou-se por desprezar as gerações que nos precederam, com o fim de insultar nos Mestres a doutrina; e tiraram, ou arrancaram, as profundas raízes que deixa a educação, a que chamaram preocupações. Com o falso pretexto de evitar a hipocrisia, fizeram que os homens se envergonhassem de mostrar em público ser Cristãos, e ao mesmo tempo perdeu-se a saudável vergonha, que em outros tempos havia de ser mau. Ralharam de nossos Pais serem pecadores, e passaram a ímpios, não ganhando certamente na troca que fizeram. Facilitou-se o caminho das Ciências, não para se saber mais, mas para todos julgarem que sabiam; e inspirou-se em todos um desejo de mostrar juízo, ainda que fosse à custa de o perder, e com ele a honra, o dinheiro e as maiores dignidades. Assim sucedeu, e muitos milhões de homens foram sacrificados a uma pequena e humilde classe dos chamados Filósofos; que logo que viu completa a depravação para que tinham concorrido seus escritos, rompeu contra tudo o que há de mais sagrado na sociedade. Deus, os Seus Santos, Templos, Reis, Sacerdotes, propriedade, segurança, fé pública, nada se respeitou, e muitos dos mesmos sedutores pagaram com as vidas uma parte do seu enorme crime. Neste dilúvio quase geral, como o primeiro, tem Portugal, graças a Deus, conservado pura a sua fidelidade Religiosa e Política; e o Céu nos tem pago com usura; porque os géneros de primeira necessidade não nos têm faltado, as searas são abundantes, o flagelo da guerra ouve-se ao longe, e ricos Comboios atravessam os mares com segurança, e vêm fazer Lisboa o Empório da Europa. Contudo, não são para desprezar os riscos, que corre a mocidade indiscreta, e são temíveis os efeitos da lição de perniciosos Escritores, que com engraçado estilo enganam leitores de pouca capacidade e mal educados.

Marquês de Penalva in «Dissertação a Favor da Monarquia», 1799.

18/10/2015

Visão de Portugal em 1799


Alguns autores medievalistas ou ligados à Hispanidade, costumam divulgar o erro de que Portugal depois dos Descobrimentos ter-se-ia tornado num reino decadente, governado pela maçonaria e corrompido tanto moral como politicamente. Essa ideia difamatória não tem qualquer correspondência na nossa História, uma vez que é precisamente no século XVIII que Portugal conhece o seu expoente máximo, no reinado de Dom João V. Além disso, todos os antigos historiadores são unânimes em dizer que a maçonaria só entrou em Portugal com as invasões napoleónicas, no século XIX. Contudo, ouvi hoje mais um disparate por parte de um castelhano. Disse o referido castelhano que Portugal no início do século XVIII era «o país mais secularizado do mundo». Absurdo completo! Vejamos, por exemplo, como o Marquês de Penalva descrevia Portugal dez anos depois da Revolução Francesa:
Neste dilúvio quase geral, como o primeiro, tem Portugal, graças a Deus, conservado pura a sua fidelidade Religiosa e Política; e o Céu tem-nos pago com usura; porque os géneros de primeira necessidade não nos têm faltado, as searas são abundantes, o flagelo da guerra ouve-se ao longe, e ricos comboios atravessam os mares com segurança, e vêm fazer Lisboa o Empório da Europa. Contudo não são para desprezar os riscos, que corre a mocidade indiscreta, e são temíveis os efeitos da lição de perniciosos escritores, que com engraçado estilo enganam leitores de pouca capacidade e mal educados.
Marquês de Penalva in «Dissertação a Favor da Monarquia», 1799.

01/10/2015

A Monarquia tradicional é absoluta


A Monarquia Portuguesa desde a sua instituição, quando o nosso primeiro Afonso foi aclamado, até os nossos dias, é uma prova de facto de tudo quanto tenho dito em favor desta casta de governo; e para que as provas ainda favoreçam mais a minha opinião, sucede que os nossos Reis são os mais legítimos e absolutos Senhores de seus Reinos. Espero que o meu Leitor suponha qual seja o sentido em que devem tomar-se estas palavras: a legitimidade dos nossos Soberanos consiste na justiça do seu domínio, e o seu absoluto poder, não quer dizer um poder despótico, que ofende a razão, e que eles mesmos recusariam, entende-se este absoluto poder pela extensão e independência da sua jurisdição verdadeiramente Real.

Marquês de Penalva in «Dissertação a Favor da Monarquia», 1799.