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18/05/2019

Cartas de um diabo ao seu aprendiz


É muito recomendável o inapreciável trabalho de C. S. Lewis, professor de filosofia da Universidade de Oxford, Cartas de Broca, que tirou vinte e cinco edições em cinco anos. É uma série hipotética de cartas entre um tio velho, diabo, no Inferno, cujo nome é Broca, e um sobrinho, diabo, na Terra, que dá pelo nome de Réptil. Este esforça-se por ganhar a alma de um estudante seu colega e está em constante comunicação com o seu tio Broca sobre a melhor maneira de arruinar o rapaz. Por vezes Broca fala do «Inimigo» que é Deus. O contexto do livro é diabólico, e portanto o inverso da verdade; mas está apresentado de tal maneira, que se principia logo a ver a falácia do método demoníaco. Ao leitor, em vez de lhe ensinar o que é bom, ensinam-se-lhe os caminhos que conduzem firmemente à ruína. Entre outras sugestões encontram-se estas: Broca diz ao Réptil que deve deixar de argumentar com o colega sobre se as coisas são verdadeiras ou falsas, o que, di-lo ele, é o caminho do «Inimigo». Há poucos séculos, afirma ele, as pessoas estavam mais interessadas em saber se uma coisa se podia provar ou não. E diz-lhe mais: «Não percas tempo a fazer-lhe pensar – ao jovem – que o materialismo é verdadeiro. Mas diz-lhe antes que é a filosofia do futuro, ou que é progressivo, e que deve evitar tornar-se um reaccionário ou um medievalista». Broca também recomenda que o homem crédulo, sentimental, seja alimentado com poetas menores e com novelistas de quinto plano, até acreditar que o amor é irresistível, que toda a repressão é um erro, e que a bênção nupcial é uma ofensa.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

01/05/2019

Duas faces da mesma moeda


Se na teoria progressista a fase marxista surge como um estádio superior à fase «burguesa», uma vez que tenta dar nova lógica e reformular problemas concretos que não encontram solução nos quadros mentais e materiais do capitalismo, o certo é que, na prática, a ideologia marxista não passa de uma tentativa de complementar a ideologia demoliberal, divergindo apenas nos meios que consagra para a obtenção dos fins últimos. Na realidade, o marxismo defende os mesmos objectivos que o liberalismo político: a felicidade material do indivíduo na terra, equitativamente distribuída por todos os homens até à igualdade universal. É precisamente na instrumentação da igualdade real dos homens que as doutrinas racionalistas divergem.

António Marques Bessa in «Ensaio sobre o fim da nossa Idade», 1978.

02/04/2019

A escravatura dos tempos modernos


O que se deve antes salientar é que se houve alguma vez uma civilização de escravos em grande escala, foi exactamente a civilização moderna. Nenhuma civilização tradicional viu alguma vez massas tão numerosas serem condenadas a um trabalho obscuro, sem alma, automatizado, a uma escravatura que nem sequer tem como contrapartida a elevada estatura e a realidade tangível das figuras de senhores e de dominadores, mas que é imposta de maneira aparentemente inofensiva pela tirania do factor económico e pelas estruturas absurdas de uma sociedade mais ou menos colectivizada. E como a visão moderna da vida, no seu materialismo, retirou ao indivíduo todas as possibilidades de conferir ao seu próprio destino um elemento de transfiguração, de ver nele um sinal e um símbolo, assim a escravidão de hoje em dia é a mais tenebrosa e a mais desesperada de todas as que foram alguma vez conhecidas.

Julius Evola in «Rivolta Contro il Mondo Moderno», 1934.

18/01/2019

O Credo do Incrédulo


Creio no Nada todo-produtor, que criou o Céu e a Terra.
E no Homo Sapiens, seu único Filho, Rei e Senhor,
Que foi concebido por Evolução do Procarionte e do Macaco.
Nasceu da Santa Matéria.
Lutou sobre a escuridão da Idade Média.
Foi inquirido, morto queimado.
Caiu na Miséria.
Inventou a Ciência.
Chegou à era da Democracia e da Inteligência,
E daí irá instalar no mundo o Paraíso Terrestre.
Creio no livre-pensamento,
Na Civilização da Máquina,
Na Inexistência do pecado,
No Progresso inevitável,
Na reabilitação da Carne,
E na Vida Confortável.
Ámen.

Pe. Leonardo Castellani

01/01/2018

A perda do sentido sobrenatural


Relato na biografia do meu marido, "The Soul of a Lion", que poucos anos após a sua conversão ao Catolicismo, nos Anos 20, ele começou a ensinar na Universidade de Munique.
Munique era uma cidade católica. A maioria dos católicos da época ia à Missa, mas ele sempre dizia que foi ali que começou a preocupar-se com a perda do sentido do sobrenatural entre os católicos. Um incidente, em especial, ofereceu-lhe a prova suficiente, e isso entristecia-o imensamente.
Quando passava por uma porta, o meu marido deixava sempre entrar primeiro os seus alunos, que eram sacerdotes. Um dia, um professor, colega dele, expressou a sua admiração e desagrado: Por que deixa os seus alunos entrar antes de si? Porque são sacerdotes, respondeu o meu marido. Mas eles não possuem Doutoramento. O meu marido ficou arrasado. Valorizar um Doutoramento é uma reacção natural; mas estar ciente da sublimidade do sacerdócio é uma reacção sobrenatural. A atitude daquele professor provava que a sua reacção para o sobrenatural havia erodido.
Isso foi muito antes do Vaticano II. Mas até ao Concílio, a beleza e a sacralidade da Liturgia Tridentina mascarava esse fenómeno.

27/04/2017

A Páscoa na União Soviética

Propaganda ateia na URSS.

Na noite de Sábado para Domingo de Páscoa, antes do início da missa, os templos cristãos em Moscovo eram cercados por polícias e drujiniki (uma espécie de milícias populares) que identificavam as pessoas antes de as deixarem entrar. No caso de estudantes da Universidade de Moscovo (Lomonossov), onde eu estudei, a ida a uma dessas cerimónias poderia significar a expulsão da escola superior... Além disso, a fim de afastar os cidadãos soviéticos das igrejas, principalmente jovens, a televisão transmitia programas musicais em que participavam cantores nacionais e estrangeiros que só muito raramente podiam ser vistos nos ecrãs.

José Milhazes in «A Mensagem de Fátima na Rússia», 2016.


07/08/2016

Os dogmáticos modernos


O mundo moderno encontra-se repleto de homens que defendem dogmas tão avidamente que nem se apercebem que são dogmas.

G. K. Chesterton in «Hereges».

06/04/2016

O ideal humano da superclasse mundial


Para o sistema dominante, o homem é concebido como uma matéria-prima (dito "recurso humano"). Ele deve, antes de tudo, ser permutável para as necessidades da oligarquia mercantil. Deve portanto ter quatro características negativas:

– Não ter raízes (nem raça, nem nação, nem religião);
– Não ter um ideal: deve ser um consumidor e um produtor materialista e relativista, disposto a engolir todos os produtos lançados no mercado (incluindo os produtos bancários permitindo endividá-lo e, portanto, submetê-lo melhor);
– Não ter religião para além da do seu próprio ego, para ser mais facilmente isolado e, portanto, manipulável;
– Não ter personalidade a fim de se fundir na massa (deve por isso ser educado de forma puramente técnica e utilitária, sem cultura que lhe permita situar-se como homem livre do sistema dominante).

Jean-Yves Le Gallou in «Les convergences paradoxales de l'extrême gauche et de la superclasse mondiale».

07/01/2016

Capitalismo e Comunismo


Tanto na vida individual, como na colectiva, o factor económico é hoje o mais importante, real e decisivo. Uma era económica é fundamentalmente anárquica e anti-hierárquica, representa uma subversão da ordem natural. Este carácter subversivo está presente tanto no marxismo como no seu aparente antagonista: o capitalismo moderno. O maior absurdo é aqueles que hoje dizem representar uma direita política permanecerem no círculo escuro e nebuloso desenhado pelo demoníaco poder da economia – um círculo habitado tanto pelo marxismo como pelo capitalismo, juntamente com uma série de fases intermédias. Hoje, aqueles que se alinham contra as forças da esquerda deveriam insistir nisto. Não há nada mais evidente do que o facto de o capitalismo ser tão subversivo quanto o marxismo. A visão materialista da vida, que é a base dos dois sistemas, é idêntica.

Julius Evola in «Men Among the Ruins», 1953.

16/10/2015

Consumismo: a nova religião da direita liberal


A direita não é hoje mais do que a esquerda no culminar da sua fase senil. A guerra ao sagrado, nunca finalizada pela esquerda, é mais eficazmente conduzida pela direita ocidentalista (...) com as bandeiras da liberdade e da democracia, duas ilusões que não têm sequer necessidade de alimentar utopias mas apenas de formal enunciação. Onde o materialismo científico falhou, o Pentágono triunfa, com o chapéu de ideias da direita liberal que impõe o modelo único do indivíduo constrangido a um único destino: o consumo. E a consumir-se a si.

Pietrangelo Buttafuoco in «Cabaret Voltaire: L'islam, il sacro, l'Occidente».

23/07/2015

Nem só de riqueza material vivem as Nações


A prosperidade material cegou os homens: eles só viam as estradas, os caminhos-de-ferro, as empresas, as fábricas. Deslumbrados pelo desenvolvimento material do País, eles não reparavam em que a Disciplina ia enfraquecendo, em que a Autoridade se ia desprestigiando, em que a Religião se ia entibiando, em que o Respeito ia desaparecendo. Eles só viam portos, caminhos-de-ferro, estradas, fábricas, e não reparavam, na falência progressiva do nosso Património moral e cultural. Eles esqueciam que nem só de pão vive o homem, que nem só de riqueza material vivem as Nações. Essa concepção materialista que já tenho ouvido muitas vezes na boca dos defensores do Liberalismo é um dos piores sintomas que a deficiência intelectual e a desorientação cultural nos podem oferecer.
Um regime político não se avalia só pelo bem-estar material que proporciona ou facilita ou permite a um Povo – porque nem os indivíduos nem os Povos vieram a este mundo, exclusivamente para os bens materiais.

Alfredo Pimenta in «Vésperas do Estado Novo».

07/07/2015

A doença análoga de Capitalismo e Comunismo


Pusemos demasiadas esperanças nas transformações político-sociais e notamos que nos tiraram o que tínhamos de mais precioso: a nossa vida interior. A Leste, é a feira do Partido que a calca aos pés, a Oeste, a feira do Comércio: e o que mais apavora nem é o facto do mundo ter estilhaçado, é o facto dos principais pedaços estarem atingidos por uma doença análoga.

Aleksandr Solzhenitsyn in «O Declínio da Coragem», 1978.

14/12/2014

Natal não é quando o Homem quiser

Tolos

Nestes dias, que são os nossos, é muito comum, entre os círculos sociais que frequentamos, escutar a expressão: «Natal é sempre que o Homem quiser». E os Homens da nossa sociedade quiseram fazer um Natal à sua medida – um Natal puramente antropológico, sem qualquer rasgo de transcendência, porque isso poderia inviabilizar o "querer" dos Homens. Quiseram tanto um Natal à sua medida, que o Natal ficou sem medida alguma, sem altura nem profundidade. Deixou de ser Natal, para ser um tempo de maior dedicação à família, pelo menos o dia 25 de Dezembro, que quase ninguém prescinde de passar junto dos seus. Deixou de ser Natal para ser a época das iguarias tradicionais, e todos reivindicamos poder ter nas nossas mesas os sabores que ainda nos recordem aqueles tempos idos de quando ainda era Natal. Deixou de ser Natal para ser um tempo comercial, e nesta altura até surgem os mais interessantes dados estatísticos, que tentam, por exemplo, interpretar a preferência dos portugueses em efectuar os pagamentos através do multibanco. Outros há que tentam comprovar nestes tempos de maior agitação económica a famosa máxima «os portugueses deixam tudo para o último dia». Deixou de ser Natal para ser época de férias, e não apenas escolares, porque há muitos que aproveitam uns merecidos dias de repouso nas estâncias de neve. O Homem quis tanto um Natal à sua medida que despojou o Natal de significado, de sentido e lamentavelmente de transcendência.

10/11/2014

25º aniversário da queda do Muro de Berlim


O quadro acima reproduzido chama-se Reunificação e é do pintor alemão Herbert Smagon, conhecido pelas suas obras bastante polémicas. Neste caso, o pintor quis ilustrar as duas Alemanhas separadas pelo Muro de Berlim, que representavam simultaneamente os dois blocos que governavam o mundo de então: o capitalista e o comunista. Do lado capitalista, vemos representado o individualismo, o consumismo e a luxúria dos prazeres sensuais. Do lado comunista, vemos o colectivismo uniforme, cinzento, frio e desprovido de vida. Em ambos os lados, vemos o materialismo, a ausência da dimensão espiritual. Como diria António Marques Bessa no seu Ensaio sobre o fim da nossa Idade: "tanto a Este como a Oeste o que domina é o reino imundo da quantidade, das ideias reflexas, do homem vegetativo" e acrescenta ainda que "a vida amputada da dimensão espiritual, vai-se progressivamente concentrando no económico, no puramente material". Também por isso, segundo este autor, "as angústias mais características do nosso tempo e da nossa civilização são as espirituais, que nascem da tensão entre o homem e a sociedade de massa, que o sufoca e aniquila em tudo aquilo que tem de supramaterial". De facto, o Muro caiu, as Alemanhas reunificaram-se e a guerra entre os dois blocos terminou. Venceu o materialismo. Perdemos todos.

20/02/2014

O significado do Homem no mundo moderno


O Homem, hoje, nada mais vale. Para o industrial, ele é apenas a "máquina de consumir"; para o político, a peça na "máquina do Estado"; para o arquitecto, o "objecto acondicionável"; para o psicólogo e o pedagogo, um "barro plástico"; para o biólogo, uma "espécie animal"; para o fisiologista e o médico, um "campo de experiência"; para o filósofo, o "fenómeno da consciência". O Homem é a mercadoria mais desvalorizada nos dias de hoje.

Plínio Salgado in «Madrugada do Espírito», 1931.

10/07/2013

A vulgaridade como direito


Não se trata de o homem-massa ser estúpido. Pelo contrário, o actual é mais esperto, tem mais capacidade intelectiva que o de qualquer outra época. Mas essa capacidade não lhe serve de nada; com rigor, a vaga sensação de possuí-la serve-lhe só para encerrar-se mais em si mesmo e não usá-la. Consagra de uma vez para sempre o sortido de tópicos, preconceitos, ideias-feitas ou, simplesmente, vocábulos ocos que o acaso amontoou no seu interior e, com uma audácia que só se explica pela ingenuidade, imporá onde quer que seja. É isto que no primeiro capítulo eu enunciava como característico da nossa época: não que o vulgar julgue que é excelente e não vulgar, mas que o vulgar proclame e imponha o direito da vulgaridade, ou a vulgaridade como direito.

José Ortega y Gasset in «A Rebelião das Massas».

08/04/2013

O progresso traz felicidade?


Que tem feito a sociedade há três séculos a favor da parte moral do homem? Nada, querer iluminar o homem, tirar-lhe ilusões. E tiradas essas ilusões, que sucedeu? O homem materializou-se, e a sociedade corrompeu-se. Vejamos que progressos materiais obtivemos nesses três séculos: obtivemos as aplicações do vapor, a química fez passos de gigante, as ciências naturais chegaram quase à perfeição, os resultados científicos e artísticos simplificaram-se, inventou-se o galvanismo, o telégrafo eléctrico, a fotografia, desapareceram as distâncias, o comércio reina dominador sobre todos, somos engolfados em prosperidade material, e ao mesmo tempo somos muito infelizes.

D. Pedro V in «Escritos de El-Rei D. Pedro V».

24/03/2013

Os frutos do Ateísmo


Ele encontra-se em toda a parte e no meio de todos: sabe ser violento e astuto. Nestes últimos séculos tentou realizar a desagregação intelectual, moral e social da unidade no organismo misterioso de Cristo. Ele quis a natureza sem a graça, a razão sem a fé; a liberdade sem a autoridade; às vezes a autoridade sem a liberdade. É um "inimigo" que se tornou cada vez mais concreto, com uma ausência de escrúpulos que ainda surpreende: Cristo sim, a Igreja não! Depois: Deus sim, Cristo não! Finalmente o grito ímpio: Deus está morto; e, até, Deus jamais existiu. E eis, agora, a tentativa de edificar a estrutura do mundo sobre bases que não hesitamos em indicar como principais responsáveis pela ameaça que pesa sobre a humanidade: uma economia sem Deus, um direito sem Deus, uma política sem Deus.

Papa Pio XII in Discurso «Nel contemplare» de 12 de Outubro de 1952.

03/01/2013

Combate o burguês que há em ti


Combate o burguês que há em ti. A burguesia não é uma classe, é um estado de espírito. É o conformismo, o interesse vulgar, o prazer mesquinho, a incapacidade de ideal, a demissão dos deveres, a submissão ao quotidiano, o fatalismo inerte, a indiferença criminosa, o abandono à rotina, o egoísmo cego, a ostentação ridícula, a descrença e a incapacidade de acção.
Liberta-te desse mal do século; será o primeiro passo para a libertação da tua Pátria e da própria Humanidade, hoje oprimida pelos seus próprios vícios, que o capitalismo e o comunismo, por processos diversos, mas com objectivos semelhantes de hegemonia mundial, alimentam, incitam, exploram e aproveitam.

Adaptado de boletim «Ordem Nova», Outubro de 1981.

11/11/2012

O triunfo do Materialismo


No fim do reinado de D. Maria I surgiu a Economia Política de Adam Smith baseada nas leis naturais de oferta e procura, portanto aparentemente humanitária, mas no fundo favorecendo as nações detentoras dos melhores meios de produção industrial. O facto é eloquentíssimo, pois marca a translação do sentido espiritualista da Economia baseada no livre arbítrio dos dirigentes perante Deus pelo bem-estar do povo, para o sentido materialista baseado no determinismo dos fenómenos da produção e do consumo, sem nenhuma consideração pelas consequências do desequilíbrio social e internacional.
Essa doutrina enriqueceu as classes burguesas e os países de concentração industrial e reactivou as ideias revolucionárias, agora também baseadas nas leis da evolução consoante ensinaram Sorel e Marx; por outro lado, favorecendo os grupos étnicos que assentaram a prosperidade nos recursos siderúrgicos, suscitou a teoria da superioridade racial dos menos pigmentados.
Coincidindo ter sido entre estes que se originaram a reforma religiosa, o naturalismo filosófico, o experimentalismo, o criticismo, o positivismo, o agnosticismo e finalmente, o pragmatismo, concluiu-se que um dos índices da inferioridade rácica repontava nos caracteres místicos e principalmente católicos, logo designados pelos escritores do nosso próprio grémio, com os epítetos de «fanatismo supersticioso», «vícios educacionais», «obscurantismo fradesco», «ultramontanismo clerical».
Nunca tínhamos reparado que essa propaganda visava arrebatar-nos a defesa contra o predomínio imperialista e a absorção económica por parte de povos mais aquinhoados de instrumentos geológicos de produção, os quais necessitavam explicar a desigualdade das nações pelo determinismo da selecção dos mais aptos.
Foi a obra nefasta que inoculou em nações, cheias de força intelectual e moral, o veneno do desânimo, o vírus do fatalismo e a convicção de que nada mais podiam aspirar no desempenho de nobres missões no mundo.
Denegriu-se a memória dos reis; inventaram-se lendas contra os jesuítas e a opressão dos padres, enquanto, incoerentemente, se erguiam glorificações ao precursor e mestre dos ditadores do nosso tempo... Acusava-se a Igreja de inimiga da ciência e entoavam-se loas a Voltaire, esquecendo-se os turiferários de que este ridicularizara, por exemplo, as primeiras revelações da paleontologia metendo à bulha os sábios do seu tempo. Clamava-se que a Inquisição queimara cientistas na fogueira (o que não é verdade) mas a morte de Lavoisier, fundador da química, levado à guilhotina pelos ateus da Revolução Francesa, não merecia o menor comentário.
Assim procedendo, enfraquecíamos as raízes das nossas Pátrias, dando curso ao materialismo dentro de cujas ideias se justificavam as nossas escravizações nacionais aos povos que Frederico Nietzsche denomina orgulhosamente «povos hiperbóreos».

Plínio Salgado in «O Rei dos Reis e Mensagens ao Mundo Lusíada».