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28/08/2019

Escândalo


Escândalo é o que se diz, se faz, ou se omite menos rectamente, embora licitamente, dando a outrem ocasião de cair em pecado, ou causando-lhe alguma ruína espiritual. O escândalo pode ser dado directamente, se há intenção de levar outrem ao pecado; ou indirectamente, se somente se prevê que outrem cairá em pecado.
É severamente condenado por Jesus Cristo, quando diz: «Aquele que escandalizar um destes pequeninos que crêem em Mim, melhor é que se lhe pendure ao pescoço uma mó de atafona e seja lançado ao fundo do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos» (Ev. S. Mat. XVIII, 6).
Quem escandaliza fica obrigado a reparar o escândalo dado, umas vezes por caridade, outras vezes por motivo de justiça. Devemos, pois, abster-nos de toda a palavra, acção ou omissão de que possa resultar escândalo para alguém.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

26/08/2019

A Moral tem de preceder a Política


A imoralidade frustrou esta regeneração, e se Deus não prometesse que nunca mais afogaria os homens, seriam tantos os dilúvios, como as tempestades; porque a Liberdade de que tanto se vangloria o ser humano, só lhe serve de pasto e de estímulo para aniquilar-se.

É portanto muito dificultosa uma regeneração política, não sendo precedida de uma regeneração moral, sustentada pela força, que é o que significa o auxílio de braço secular prometido à Igreja: não se ofende a liberdade quando se obriga o homem a fazer o que deve: este direito é o de Pai de famílias no estado primitivo, e bem se sabe que os sacrifícios eram os mesmos enquanto ao objecto, ou fossem bons, ou fossem maus os sacrificadores, donde se infere o poder paterno na direcção do culto ao Autor da Natureza.

Pe. José Agostinho de Macedo in jornal «O Escudo», Nº 1, 1823.

02/08/2019

Todo-o-Mundo e Ninguém


Estão em cena dois diabos, Belzebu e Dinato, este preparado para escrever o que o companheiro observar.
Entra Todo-o-Mundo, homem como rico mercador, e faz que anda buscando alguma coisa que se lhe perdeu; e logo após ele um homem, vestido como pobre. Este se chama Ninguém.

Ninguém:
Que andas tu aí buscando?

Todo-o-Mundo:
Mil coisas ando a buscar:
delas não posso achar,
porém ando porfiando,
por quão bom é porfiar.

Ninguém:
Como hás nome, cavalheiro?

Todo-o-Mundo:
Eu hei nome Todo-o-Mundo,
e meu tempo todo inteiro
sempre é buscar dinheiro,
e sempre nisto me fundo.

Ninguém:
Eu hei nome Ninguém,
e busco a consciência.

Belzebu:
Esta é boa experiência!
Dinato, escreve isto bem.

Dinato:
Que escreverei, companheiro?

Belzebu:
Que Ninguém busca consciência,
e Todo-o-Mundo dinheiro.

Ninguém:
E agora que buscas lá?

Todo-o-Mundo:
Busco honra muito grande.

Ninguém:
E eu virtude, que Deus mande
que tope com ela já.

Belzebu:
Outra adição nos acode:
escreve logo aí a fundo
que busca honra Todo-o-Mundo
e Ninguém busca virtude.

Ninguém:
Buscas outro mor bem que esse?

Todo-o-Mundo:
Busco mais quem me louvasse
tudo quanto eu fizesse.

Ninguém:
E eu quem me repreendesse
em cada coisa que errasse.

Belzebu:
Escreve mais.

Dinato:
Que tens sabido?

Belzebu:
Que quer em extremo grado
Todo-o-Mundo ser louvado,
e Ninguém ser repreendido.

Ninguém:
Buscas mais, amigo meu?

Todo-o-Mundo:
Busco a vida e quem ma dê.

Ninguém:
A vida não sei que é,
a morte conheço eu.

Belzebu:
Escreve lá outra sorte.

Dinato:
Que sorte?

Belzebu:
Muito garrida:
Todo-o-Mundo busca a vida,
e Ninguém conhece a morte.

Todo-o-Mundo:
E mais queria o paraíso,
sem mo ninguém estorvar.

Ninguém:
E eu ponho-me a pagar
quanto devo para isso.

Belzebu:
Escreve com muito aviso.

Dinato:
Que escreverei?

Belzebu:
Escreve
que Todo-o-Mundo quer paraíso
e Ninguém paga o que deve.

Todo-o-Mundo:
Folgo muito de enganar,
e mentir nasceu comigo.

Ninguém:
Eu sempre verdade digo,
sem nunca me desviar.

Belzebu:
Ora escreve lá, compadre,
não sejas tu preguiçoso!

Dinato:
Quê?

Belzebu:
Que Todo-o-Mundo é mentiroso,
e Ninguém diz a verdade.

Ninguém:
Que mais buscas?

Todo-o-Mundo:
Lisonjear.

Ninguém:
Eu sou todo desengano.

Belzebu:
Escreve, ande la mano!

Dinato:
Que me mandas assentar?

Belzebu:
Põe aí mui declarado,
não te fique no tinteiro:
Todo-o-Mundo é lisonjeiro,
e Ninguém desenganado.


Gil Vicente in «Auto da Lusitânia», 1532.

16/06/2019

Sílabo do Papa Pio IX (III)



§ VI

Erros da Sociedade Civil, tanto considerada em si, como nas suas relações com a Igreja.

39º O Estado, sendo origem e fonte de todos os direitos, goza de um direito que não é circunscrito por limite algum.

40º A doutrina da Igreja Católica é oposta ao bem e aos interesses da sociedade humana.

41º Ao poder civil, mesmo exercido por um príncipe infiel, pertence um poder indirecto e negativo sobre as coisas sagradas: pertence-lhe não só o direito que se chama "exequatur", mas ainda o da apelação, que se chama "ab abusu".

42º Em conflito entre os dois poderes, deve prevalecer o poder civil.

43º O poder secular tem autoridade de rescindir, de declarar e tornar nulos os convénios solenes, ou Concordatas celebradas com a Sé Apostólica, relativos ao uso dos direitos pertencentes à imunidade eclesiástica, sem consentimento da mesma Sé Apostólica, e mesmo se ela reclamar.

44º A autoridade civil pode envolver-se nas coisas relativas à religião, aos costumes e ao governo espiritual; donde se segue que tem competência sobre as instruções que os pastores da Igreja publicam em harmonia com a sua missão, para a direcção das consciências. Ainda mais, tem poder para decretar a respeito da administração dos divinos Sacramentos e das disposições necessárias para os receber.

45º A completa direcção das escolas públicas, nas quais se educa a mocidade de algum Estado cristão, exceptuando, por alguma razão, os Seminários Episcopais tão-somente, pode e deve ser atribuída à autoridade civil, e atribuída de tal modo, que a nenhuma autoridade seja reconhecido o direito de intrometer-se na disciplina das escolas, no regime dos estudos, na escolha e aprovação dos professores.

46º Ainda mais, nos próprios Seminários dos clérigos, o método dos estudos deve-se sujeitar à autoridade civil.

47º A melhor condição da sociedade civil exige que as escolas populares, abertas sem distinção aos meninos de todas as classes do povo, e os estabelecimentos públicos, destinados a educar e a ensinar aos jovens as letras e os estudos superiores, estejam fora da acção de qualquer autoridade eclesiástica, e de qualquer influxo moderador e de qualquer ingerência dessa autoridade, e estejam completamente sujeitos ao poder civil e político, conforme o beneplácito dos imperantes e as opiniões comuns da época.

48º Aquele modo de instruir a mocidade que se separa da Fé Católica e do poder da Igreja e atende somente aos conhecimentos dos objectos naturais e aos fins da vida social terrena, única ou ao menos principal, pode ser aprovado pelos católicos.

49º A autoridade civil pode impedir que os prelados e os fiéis comuniquem livremente entre si e com o Pontífice Romano.

50º A autoridade secular tem por sua natureza o direito de apresentar os Bispos, e pode exigir deles que tomem posse de suas dioceses, antes de terem recebido da Santa Sé a instituição canónica e as Cartas Apostólicas.

51º Ainda mais a autoridade secular tem direito de demitir os Bispos das suas funções pastorais, e não é obrigada a obedecer ao Pontífice Romano naquelas coisas que dizem respeito ao Episcopado e à instituição dos Bispos.

52º O governo tem direito de mudar a idade prescrita pela Igreja para a profissão religiosa, tanto dos homens como das mulheres, e de proibir a todas as Ordens religiosas que admitam alguém à profissão solene sem licença do mesmo governo.

53º Devem-se revogar as leis que dizem respeito à protecção das Ordens religiosas, aos seus direitos e obrigações; além disso o poder civil pode prestar o seu apoio a todos os que quiserem deixar a vida religiosa e quebrar os votos solenes; pode igualmente suprimir as Ordens religiosas, as colegiadas e os benefícios simples, ainda que sejam do padroado, e submeter os seus bens à alçada e administração da autoridade civil.

54º Os Reis e os Príncipes não só estão isentos da jurisdição da Igreja, mas também em resolver as questões de jurisdição são superiores à Igreja.

55º A Igreja deve estar separada do Estado e o Estado da Igreja.

§ VII

Erros acerca da Moral Natural e a Moral Cristã.

56º As leis morais não carecem da sanção divina, e não é necessário que as leis humanas sejam conformes ao direito natural ou recebam de Deus o poder obrigatório.

57º A ciência das coisas filosóficas e morais, e as leis civis, podem e devem ser livres da influência da autoridade divina e eclesiástica.

58º Não é preciso reconhecer outras forças senão as que residem na matéria, e o sistema moral e a honestidade dos costumes devem consistir em acumular ou aumentar riquezas por qualquer meio e na satisfação de todos os gozos.

59º O direito firma-se no facto material; todos os deveres do homem são palavras vãs, e todas as acções humanas têm força de direito.

60º A autoridade não é mais do que a soma do número e das forças materiais.

61º Uma injustiça de facto, coroada de bom êxito, em nada prejudica a santidade do direito.

62º É preciso proclamar e observar o princípio da não intervenção.

63º É lícito negar a obediência aos Príncipes legítimos e mesmo revoltar-se contra eles.

64º Tanto a violação de qualquer juramento santíssimo, como qualquer acção infame e perversa contrária à Lei sempiterna, não só não é censurável, mas também até completamente lícita e digna de grandes elogios, quando for feita por amor da Pátria.

31/03/2019

Alumiar os que erram


Ao arcebispo de Granada, disse um criado seu, palavras pesadas, descomedindo-se com ele com maior liberdade do que se podia esperar da dignidade de um e ofício de outro. O bom prelado esteve muito em si, sem responder-lhe; e quando o viu partir, colérico, de sua presença, pegou do castiçal e o foi alumiando pela escada abaixo.
Que faz Vossa Senhoria? Aonde vai? – disse o criado, assustando-se com aquela acção de humildade.
Respondeu o prelado:
A fazer o meu ofício, que é alumiar os que erram.
Ficou o criado confundido; e prostrando-se a seus pés, lhe pediu perdão.

Pe. Manuel Bernardes in «Nova Floresta», 1706.

14/03/2019

O saco de penas


Era uma vez um homem que, por inveja, caluniou gravemente um amigo seu, levando-o à ruína.
Anos depois, arrependido do mal que as suas calúnias fizeram ao seu amigo, procurou um velho sábio, perguntando-lhe: "Que posso eu fazer para corrigir todo o mal que fiz ao meu amigo?" O velho respondeu: "Pega num saco cheio de penas de ave e solta-as ao vento".
No dia seguinte, o homem voltou ao velho sábio: "Já fiz como me mandaste". Ao que o velho lhe respondeu: "Essa foi a parte mais fácil, agora volta a encher o saco com as mesmas penas que soltaste ao vento". Mas o homem entristeceu-se, pois sabia que a tarefa era impossível.
E o velho sábio acrescentou: "Assim como não consegues juntar todas as penas que espalhaste ao vento, também não consegues reparar todo o mal que se espalhou de boca em boca. Vai, sê humilde e caridoso, pedindo perdão ao teu amigo e falando bem dele".

Catecismo Maior de São Pio X:
Quem pecou contra o Oitavo Mandamento [não levantar falsos testemunhos], não basta que se confesse disso, mas é também obrigado a retractar tudo o que disse caluniando o próximo, e a reparar, do melhor modo que possa, os danos que lhe causou.

04/03/2019

Pecados contra o Espírito Santo

Santíssima Trindade

Quantos são os pecados contra o Espírito Santo?
Os pecados contra o Espírito Santo são seis:
1. Desesperação de Salvação;
2. Presunção de se salvar sem merecimentos;
3. Contradizer a Verdade conhecida como tal;
4. Ter inveja das mercês que Deus fez a outrem;
5. Obstinação no pecado;
6. Impenitência final.

Porque é que estes pecados se chamam particularmente: pecados contra o Espírito Santo?
Estes pecados chamam-se particularmente contra o Espírito Santo, porque se cometem por pura malícia, a qual é contrária à Bondade que se atribui ao Espírito Santo.

Fonte: «Catecismo Maior de São Pio X», 1908.

24/02/2019

Sermão da Sexagésima


As palavras que tomei por tema o dizem: Semen est Verbum Dei. Sabeis (cristãos) a causa por que se faz, hoje, tão pouco fruto com tantas pregações? É porque as palavras dos pregadores são palavras, mas não são palavras de Deus. Falo do que ordinariamente se ouve. A palavra de Deus (como dizia) é tão poderosa e tão eficaz, que não só na boa terra faz fruto, mas até nas pedras e nos espinhos nasce. Mas se as palavras dos pregadores não são palavras de Deus, que muito admira que não tenham a eficácia e os efeitos da palavra de Deus? Ventum seminabant, et turbinem colligent, diz o Espírito Santo: «Quem semeia ventos, colhe tempestades». Se os pregadores semeiam vento, se o que se prega é vaidade, se não se prega a palavra de Deus, como não há a Igreja de Deus de correr tormenta em vez de colher fruto?

Mas dir-me-eis: Padre, os pregadores de hoje não pregam do Evangelho, não pregam das Sagradas Escrituras? Pois como não pregam a palavra de Deus? Esse é o mal. Pregam palavras de Deus, mas não pregam a palavra de Deus: Qui habet sermonem meum, loquatur sermonem meum vere, disse Deus por Jeremias. As palavras de Deus, pregadas no sentido em que Deus as disse, são a palavra de Deus; mas pregadas no sentido que nós queremos, não são palavra de Deus, antes podem ser palavra do Demónio. Tentou o Demónio a Cristo a que fizesse das pedras pão. Respondeu-lhe o Senhor: Non in solo pane vivit homo, sed in omni verbo, quod procedit de ore Dei. Esta sentença era tirada do capítulo oitavo do Deuteronómio. Vendo o Demónio que o Senhor se defendia da tentação com a Escritura, leva-O ao Templo, e alegando o lugar do Salmo noventa, diz-lhe desta maneira: Mitte te deorsum; scriptum est enim, quia angelis suis Deus mandavit de te, ut custodiant te in omnibus viis tuis: «Deita-te daí abaixo, porque prometido está nas Sagradas Escrituras que os anjos te tomarão nos braços, para que te não faças mal». De sorte que Cristo defendeu-Se do Diabo com a Escritura, e o Diabo tentou a Cristo com a Escritura. Todas as Escrituras são palavra de Deus; pois se Cristo toma a Escritura para se defender do Diabo, como toma o Diabo a Escritura para tentar a Cristo? A razão é porque Cristo tomava as palavras da Escritura em seu verdadeiro sentido, e o Diabo tomava as palavras da Escritura em sentido alheio e torcido; e as mesmas palavras, que, tomadas em verdadeiro sentido são palavras de Deus, tomadas em sentido alheio, são armas do Diabo. As mesmas palavras que, tomadas no sentido em que Deus as disse, são defesa, tomadas no sentido em que Deus as não disse, são tentação. Eis aqui a tentação com que então quis o Diabo derrubar a Cristo, e com que hoje lhe faz a mesma guerra do pináculo do Templo. O pináculo do Templo é o púlpito, porque é o lugar mais alto dele. O Diabo tentou a Cristo no deserto, tentou-O no monte, tentou-O no Templo: no deserto, tentou-O com a gula; no monte, tentou-O com a ambição; no Templo, tentou-O com as Escrituras mal interpretadas, e essa é a tentação de que mais padece hoje a Igreja, e que em muitas partes tem derrubado dela, senão a Cristo, a sua Fé.

Dizei-me, pregadores (aqueles com quem eu falo, indignos verdadeiramente de tão sagrado nome), dizei-me: esses assuntos inúteis que tantas vezes levantais, essas empresas ao vosso parecer agudas, que prosseguis, achaste-las alguma vez nos Profetas do Testamento Velho, ou nos Apóstolos e Evangelistas do Testamento Novo, ou no autor de ambos os Testamentos, Cristo? É certo que não, porque desde a primeira palavra do Génesis até à última do Apocalipse, não há tal coisa em todas as Escrituras. Pois, se nas Escrituras não há o que dizeis e o que pregais, como cuidais que pregais a palavra de Deus? Mais: nesses lugares, nesses textos que alegais para prova do que dizeis, é esse o sentido em que Deus os disse? É esse o sentido em que os entendem os Padres da Igreja? É esse o sentido da mesma gramática das palavras? Não, por certo; porque muitas vezes as tomais pelo que toam, e não pelo que significam, e talvez nem pelo que toam. Pois se não é esse o sentido das palavras de Deus, segue-se que não são palavras de Deus. E se não são palavras de Deus, que nos queixamos de que não façam fruto as pregações? Basta que havemos de trazer as palavras de Deus a que digam o que nós queremos, e não havemos de querer dizer o que elas dizem?! E então ver cabecear o auditório a estas coisas, quando devíamos de dar com a cabeça pelas paredes de as ouvir! Verdadeiramente não sei de que mais me espante: se dos nossos conceitos, se dos vossos aplausos! Oh, que bem levantou o pregador! Assim é; mas que levantou? Um falso testemunho ao texto, outro falso testemunho ao santo, outro ao entendimento e ao sentido de ambos. Então que se converta o mundo com falsos testemunhos da palavra de Deus? Se a alguém parecer demasiada a censura, oiça-me.

Estava Cristo acusado diante de Caifás, e diz o Evangelista S. Mateus que por fim vieram duas testemunhas falsas: Novissime venerunt duo falsi testes. Estas testemunhas referiram que ouviram dizer a Cristo que, se os Judeus destruíssem o Templo, Ele o tornaria a reedificar em três dias. Se lermos o Evangelista S. João, acharemos que Cristo verdadeiramente tinha dito as palavras referidas. Pois, se Cristo tinha dito que havia de reedificar o templo dentro em três dias, e isto mesmo é o que referiram as testemunhas, como lhes chama o Evangelista testemunhas falsas: Duo falsi testes? O mesmo S. João deu a razão: Loquebatur de templo corporis sui. Quando Cristo disse que em três dias reedificaria o Templo, falava o Senhor do templo místico de Seu Corpo, o qual os Judeus destruíram pela morte e o Senhor o reedificou pela ressurreição; e como Cristo falava do templo místico, e as testemunhas o referiram ao templo material de Jerusalém, ainda que as palavras eram verdadeiras, as testemunhas eram falsas. Eram falsas, porque Cristo as dissera em um sentido, e eles as referiram em outro; e referir as palavras de Deus em diferente sentido do que foram ditas, é levantar falso testemunho a Deus, é levantar falso testemunho às Escrituras. Ah! Senhor, quantos falsos testemunhos Vos levantam! Quantas vezes oiço dizer que dizeis o que nunca dissestes! Quantas vezes oiço dizer que são palavras Vossas, o que são imaginações minhas, que me não quero excluir deste número! Que muito admira logo que as nossas imaginações, e as nossas vaidades, e as nossas fábulas, não tenham a eficácia de palavra de Deus!

Miseráveis de nós, e miseráveis dos nossos tempos, pois neles se veio a cumprir a profecia de S. Paulo: Erit tempus, cum sanam doctrinam non sustinebunt: «Virá tempo», diz S. Paulo, «em que os homens não sofrerão a doutrina sã». Sed ad sua desideria coacervabunt sibi magistros prurientes auribus: «Mas para seu apetite terão grande número de pregadores feitos a montão, e sem escolha, os quais não façam mais que adular-lhes as orelhas». A veritate quidem auditum avertent, ad fabulas autem convertentur: «Fecharão os ouvidos à verdade, e abri-los-ão às fábulas».

Fábula tem duas significações: quer dizer fingimento, e quer dizer comédia; e tudo são muitas pregações deste tempo. São fingimento, porque são subtilezas e pensamentos aéreos, sem fundamento de verdade; são comédia, porque os ouvintes vêm à pregação como à comédia; e há pregadores que vêm ao púlpito como comediantes. Uma das felicidades que se contava entre as do tempo presente, era acabarem-se as comédias em Portugal; mas não foi assim. Não se acabaram, mudaram-se; passaram-se do teatro ao púlpito. Não cuideis que encareço em chamar comédias a muitas pregações das que hoje se usam. Tomara ter aqui as comédias de Plauto, de Terêncio, de Séneca, e veríeis se não acháveis nelas muitos desenganos da vida e vaidade do mundo, muitos pontos de doutrina moral, muito mais verdadeiros e muito mais sólidos, do que hoje se ouvem nos púlpitos. Grande miséria por certo, que se achem maiores documentos para a vida nos versos de um poeta profano e gentio, que nas pregações de um orador cristão, e muitas vezes, sobre cristão, religioso!

Pouco disse S. Paulo em lhes chamar comédia, porque muitos sermões há, que não são comédia, são farsa. Sobe talvez ao púlpito um pregador dos que professam ser mortos ao mundo, vestido ou amortalhado em um hábito de penitência (que todos, mais ou menos ásperos, são de penitência; e todos, desde o dia que os professámos, mortalhas), a vista é de horror, o nome de reverência, a matéria de compunção, a dignidade de oráculo, o lugar e a expectação de silêncio; e quando este se rompeu, que é o que se ouve?

Se neste auditório estivesse um estrangeiro que nos não conhecesse, e visse entrar este homem a falar em público naqueles trajos, e em tal lugar, cuidaria que havia de ouvir uma trombeta do Céu; que cada palavra sua havia de ser um raio para os corações, que havia de pregar com o zelo e com o fervor de um Elias, que com a voz, com o gesto, e com as acções, havia de fazer em pó e em cinza, os vícios.

Isto havia de cuidar o estrangeiro. E nós, que é o que vemos? Vemos sair da boca daquele homem, assim naqueles trajos, uma voz muito afectada e muito polida, e logo começar com muito desgarro, a quê? A motivar desvelos, a acreditar empenhos, a requintar finezas, a lisonjear precipícios, a brilhar auroras, a derreter cristais, a desmaiar jasmins, a toucar primaveras, e outras mil indignidades destas.

Não é isto farsa a mais digna de riso, se não fora tanto para chorar? Na comédia, o rei veste como rei e fala como rei; o lacaio veste como lacaio e fala como lacaio; o rústico veste como rústico e fala como rústico; mas um pregador vestir como religioso e falar como... Não o quero dizer, por reverência do lugar.

Já que o púlpito é teatro, e o sermão comédia, sequer não faremos bem a figura? Não dirão as palavras com o vestido e com o ofício? Assim pregava S. Paulo, assim pregavam aqueles patriarcas que se vestiram e nos vestiram destes hábitos? Não louvamos e não admiramos o seu pregar? Não nos prezamos de sermos seus filhos? Pois por que não os imitamos? Porque não pregamos como eles pregavam? Neste mesmo púlpito pregou S. Francisco Xavier, neste mesmo púlpito pregou S. Francisco de Borja; e eu, que tenho o mesmo hábito, porque não pregarei a sua doutrina, já que me falta o seu espírito?

Pe. António Vieira in «Sermão da Sexagésima», 1655.

16/02/2019

O homem mau e o homem perverso


A culpa segue-o sempre como a sombra. Chega a um ponto em que deixa de ser homem mau para se tornar homem perverso. O homem mau fará coisas erradas, tais como enganar, roubar, difamar, matar, violar; mas ainda assim, admitirá a existência da lei. Andará fora da estrada, mas não deitará fora o mapa que a representa. O homem perverso pode não fazer nenhuma destas coisas más, porque se interessa mais pelo abstracto em vez do concreto. O seu desejo é o de destruir completamente a bondade, a religião e a moralidade, com um fanatismo louco. Justificará na sua vida o falso desejo de Nietzsche: «Maldade, sê tu o meu bem». Procura fazer uma transmutação de valores em que a noite pareça dia e o dia pareça noite; o bem pareça o mal e o mal pareça o bem.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

08/02/2019

A Verdade primeiro e sempre


O patriota deve viver no plano ético ou no plano religioso; o liberal pode habitar no plano estético. Nesse plano, no plano da política pura (ou seja, impura), das "tácticas", das "combinações", do mal menor, dos maquiavelismos baratos e das mentiras estratégicas, o patriota encontra-se numa posição muito mais débil que os seus adversários, e é o mais infeliz de todos os homens; porque não terá êxito nem neste mundo nem no outro.

Pe. Leonardo Castellani in «El mal menor», 1958.

24/01/2019

O polvo


Mas já que estamos nas covas do mar, antes que saiamos delas, temos lá o irmão polvo, contra o qual têm suas queixas, e grandes, não menos que S. Basílio e Santo Ambrósio. O polvo, com aquele seu capelo na cabeça, parece um monge; com aqueles seus raios estendidos, parece uma estrela; com aquele não ter osso nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma mansidão. E debaixo desta aparência tão modesta, ou desta hipocrisia tão santa, testemunham constantemente os dois grandes Doutores da Igreja Latina e Grega, que o dito polvo é o maior traidor do mar. Consiste esta traição do polvo primeiramente em se vestir ou pintar das mesmas cores de todas aquelas coisas a que está pegado. As cores, que no camaleão são gala, no polvo são malícia; as figuras, que em Proteu são fábula, no polvo são verdade e artifício. Se está nos limos, faz-se verde; se está na areia, faz-se branco; se está no lodo, faz-se pardo: e se está em alguma pedra, como mais ordinariamente costuma estar, faz-se da cor da mesma pedra. E daqui que sucede? Sucede que o outro peixe, inocente da traição, vai passando desacautelado, e o salteador, que está de emboscada dentro do seu próprio engano, lança-lhe os braços de repente, e fá-lo prisioneiro. Fizera mais Judas? Não fizera mais; porque nem fez tanto. Judas abraçou a Cristo, mas outros o prenderam; o polvo é o que abraça e mais o que prende.

Judas com os braços fez o sinal, e o polvo dos próprios braços faz as cordas. Judas é verdade que foi traidor, mas com lanternas diante; traçou a traição às escuras, mas executou-a muito às claras. O polvo, escurecendo-se a si, tira a vista aos outros, e a primeira traição e roubo que faz, é à luz, para que não distinga as cores. Vê, peixe aleivoso e vil, qual é a tua maldade, pois Judas em tua comparação já é menos traidor.

Oh! que excesso tão afrontoso e tão indigno de um elemento tão puro, tão claro e tão cristalino como o da água, espelho natural não só da terra, senão do mesmo céu! Lá disse o Profeta, por encarecimento, que nas nuvens do ar, até a água é escura: Tenebrosa aqua in nubibus aeris. E disse nomeadamente nas nuvens do ar, para atribuir a escuridade ao outro elemento e não à água, a qual em seu próprio elemento é sempre clara, diáfana e transparente, em que nada se pode ocultar, encobrir, nem dissimular. E que neste mesmo elemento se crie, se conserve e se exercite com tanto dano do bem público, um monstro tão dissimulado, tão fingido, tão astuto, tão enganoso e tão conhecidamente traidor!

Vejo, peixes, que pelo conhecimento que tendes das terras em que batem os vossos mares, me estais respondendo e convindo, que também nelas há falsidade, enganos, fingimentos, embustes, ciladas e muito maiores e mais perniciosas traições. E sobre o mesmo sujeito que defendeis, também podereis aplicar aos semelhantes outra propriedade muito própria; mas pois vós a calais, eu também a calo. Com grande confusão, porém, vos confesso tudo, e muito mais do que dizeis, pois o não posso negar. Mas ponde os olhos em António, vosso pregador, e vereis nele o mais puro exemplar da candura, da sinceridade e da verdade, onde nunca houve dolo, fingimento ou engano. E sabei também que, para haver tudo isto em cada um de nós, bastava antigamente ser Português, não era necessário ser santo.

Pe. António Vieira in «Sermão de Santo António aos Peixes», 1654.

15/01/2019

Aos peixes-voadores


Com os voadores tenho também uma palavra, e não é pequena a queixa. Dizei-me, voadores, não vos fez Deus para peixes? Pois porque vos meteis a ser aves? O mar fê-lo Deus para vós, e o ar para elas. Contentai-vos com o mar e com nadar, e não queirais voar, pois sois peixes. Se acaso vos não conheceis, olhai para as vossas espinhas e para as vossas escamas, e conhecereis que não sois ave, senão peixe, e ainda entre os peixes não dos melhores. Dir-me-eis, voador, que vos deu Deus maiores barbatanas que aos outros de vosso tamanho. Pois porque tivestes maiores barbatanas, por isso haveis de fazer das barbatanas asas? Mas ainda mal, porque tantas vezes vos desengana o vosso castigo. Quisestes ser melhor que os outros peixes, e por isso sois mais mofino que todos. Aos outros peixes do alto, mata-os o anzol ou a fisga; a vós, sem fisga nem anzol, mata-vos a vossa presunção e o vosso capricho. Vai o navio navegando e o marinheiro dormindo, e o voador toca na vela ou na corda, e cai palpitando. Aos outros peixes mata-os a fome e engana-os a isca; ao voador mata-o a vaidade de voar, e a sua isca é o vento. Quanto melhor lhe fora mergulhar por baixo da quilha e viver, que voar por cima das entenas e cair morto! Grande ambição é que, sendo o mar tão imenso, lhe não basta a um peixe tão pequeno todo o mar, e queira outro elemento mais largo. Mas vede, peixes, o castigo da ambição. O voador fê-lo Deus peixe, e ele quis ser ave, e permite o mesmo Deus que tenha os perigos de ave e mais os de peixe. Todas as velas para ele são redes, como peixe, e todas as cordas laços, como ave. Vê, voador, como correu pela posta o teu castigo. Pouco há, nadavas vivo no mar com as barbatanas, e agora jazes em um convés, amortalhado nas asas. Não contente com ser peixe, quiseste ser ave, e já não és ave nem peixe; nem voar poderás já, nem nadar. A natureza deu-te a água; tu não quiseste senão o ar, e eu já te vejo posto ao fogo. Peixes, contente-se cada um com o seu elemento. Se o voador não quisera passar do segundo ao terceiro, não viera a parar no quarto. Bem seguro estava ele do fogo, quando nadava na água, mas, porque quis ser borboleta das ondas, vieram-se-lhe a queimar as asas.

À vista deste exemplo, peixes, tomai todos na memória esta sentença: «Quem quer mais do que lhe convém, perde o que quer e o que tem». Quem pode nadar, e quer voar, tempo virá em que não voe nem nade. Ouvi o caso de um voador da terra. Simão Mago, a quem a arte mágica, na qual era famosíssimo, deu o sobrenome, fingindo-se que ele era o verdadeiro filho de Deus, sinalou o dia em que nos olhos de toda Roma havia de subir ao Céu; e com efeito começou a voar mui alto; porém a oração de S. Pedro, que se achava presente, voou mais depressa que ele, e caindo lá de cima o Mago, não quis Deus que ele morresse logo, senão que, nos olhos também de todos, quebrasse, como quebrou, os pés. Não quero que repareis no castigo, senão no género dele. Que caia Simão, está muito bem caído; que morra, também estaria muito bem morto, que o seu atrevimento e a sua arte diabólica o merecia. Mas que de uma queda tão alta não rebente, nem quebre a cabeça ou os braços, senão os pés? Sim, diz S. Máximo, porque quem tem pés para andar e quer asas para voar, justo é que perca as asas e mais os pés. Elegantemente o Santo Padre: Ut qui paulo ante volare tentaverat, subito ambulare non posset, et qui pennas assumpserat, plantas amitteret. E Simão tem pés e quer asas; pode andar e quer voar? Pois quebrem-se-lhe as asas, para que não voe, e também os pés, para que não ande. Eis aqui, voadores do mar, o que sucede aos da terra, para que cada um se contente com o seu elemento. Se o mar tomara exemplo nos rios, depois que Ícaro se afogou no Danúbio, não haveria tantos Ícaros no Oceano.

Pe. António Vieira in «Sermão de Santo António aos Peixes», 1654.

01/01/2019

O moral e o vantajoso


Jamais alguma coisa é vantajosa, se ao mesmo tempo não é moralmente boa, e não por ser vantajosa é moralmente boa, mas por ser moralmente boa é vantajosa.

Cícero in «De Officiis», 44 a.C.

16/10/2018

O mal menor


O princípio moral de que é lícito escolher um mal menor só vale em determinados casos, por exemplo o da legítima defesa, servato moderamine inculpatae tutelae, como dizem. Não vale sempre. No caso de consciência proposto pelo filme Seven Waves Away, por exemplo, o capitão do barco salva-vidas que dá directamente a morte a alguns náufragos para salvar o resto, procede imoralmente.
No caso do erro, não se pode escolher o "erro menor". Qual é o erro menor? Porventura o erro misturado com verdades? Esses geralmente são os mais perniciosos... O liberalismo é um erro. Posso escolher o liberalismo para afastar o comunismo? Não. Devo rejeitar ambos. O erro é o maior mal do homem. O liberalismo é pecado, escreveu Sardá y Salvany, um livrinho muito útil (...).
Se há uma discussão entre sete homens, um dos quais diz que dois mais dois são quatro, outros três dizem que dois mais dois são cinco, e os três restantes que dois mais dois são quatrocentos, deverá o primeiro pôr-se a favor dos que afirmam cinco porque é um erro menor?

Pe. Leonardo Castellani in «El mal menor», 1958.

05/09/2018

Pelos frutos se conhece a árvore


Guardai-vos dos falsos profetas, que vêem a vós com vestidos de ovelhas, e por dentro são lobos rapaces. Pelos seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinhos, ou figos dos abrolhos? Assim toda a árvore boa dá bons frutos, e a árvore má dá maus frutos. Não pode uma árvore boa dar maus frutos, nem uma árvore má dar bons frutos. Toda a árvore, que não dá bom fruto, será cortada e lançada no fogo. Vós os conhecereis, pois, pelos seus frutos.
Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus; mas o que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus, esse entrará no Reino dos Céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em Teu nome, e em Teu nome expelimos os demónios, e em Teu nome fizemos muitos milagres? E então eu lhes direi bem alto: Nunca vos conheci; apartai-vos de Mim, vós que obrais a iniquidade.

Evangelho segundo São Mateus, VII, 15-23.

18/08/2018

Do mentiroso


P'ra a mentira ser segura
e atingir profundidade,
tem de trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.

António Aleixo

29/07/2018

As bem-aventuranças


Vendo Jesus aquela multidão, subiu a um monte, e, tendo-se sentado, aproximaram-se d'Ele os seus discípulos. E Ele, abrindo a Sua boca, os ensinava, dizendo:
Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Bem-aventurados os que têm fome e sede da justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de Mim. Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos Céus, pois também assim perseguiram os profetas, que existiram antes de vós.

Evangelho segundo São Mateus, V, 1-12.

27/07/2018

Declaração de um historiador agnóstico


Sempre e por toda a parte, desde há mil e oitocentos anos, quando o Cristianismo desfalece, os costumes públicos e privados degradam-se. Na Itália, durante a Renascença, na Inglaterra, sob a Restauração, em França, durante a Convenção e o Directório, viu-se o homem tornar-se pagão como nos primeiros séculos. Achava-se como no tempo de Augusto ou de Tibério, voluptuoso e duro. Abusava dos outros e de si próprio. O egoísmo brutal e calculista tomara o ascendente. Faziam estendal a crueldade e a sensualidade. A sociedade convertia-se numa Falperra e em lugar suspeito.

Hippolyte Taine, citado por Jacques Ploncard d'Assac in «Três Estudos Políticos», 1956.

26/06/2018

Não se pode servir a dois senhores


Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há-de odiar um e amar o outro, ou há-de afeiçoar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.

Evangelho segundo São Mateus VI, 24

25/09/2017

As sete abominações


Seis são as coisas que ao Senhor aborrece e sete as que a Sua alma abomina: Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que maquina projectos iníquos, pés apressados para o mal, testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia discórdias entre irmãos.

Provérbios VI, 16-19