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26/12/2019

Jesus Cristo, luz do mundo e sol de justiça


Através desta homenagem prestada ao deus nunca vencido, abriu-se o caminho para o culto do Sol, também nunca vencido, astro venerado pelos povos do Oriente sob diferentes nomes; no ano 274 d.C., Aureliano erigiu em sua honra um templo no Campo de Marte. A festa do Sol ficou estabelecida para o 25 de Dezembro, data em que – segundo o calendário antigo – o astro voltava a empreender a sua ascensão.
Fonte: «História Universal», Publicações Alfa, Volume I, 1985.

25 de Dezembro de 274, ia a Igreja no seu 26º Papa quando o Imperador Aureliano estabeleceu a festa pagã do Sol Invicto. No entanto, difunde-se hoje a mentira que o Cristianismo usurpou esta data e a substituiu pelo Nascimento de Cristo. Mas a verdade é que desde sempre os cristãos celebraram o Natal a 25 de Dezembro, pois é Tradição antiga e constante da Igreja que o nascimento do Redentor do Género Humano seja coincidente com o Solstício de Inverno – ou não fosse Jesus Cristo a luz do mundo (cf. João VIII, 12) e o sol de justiça (cf. Malaquias IV, 2).
Igualmente, antes da instituição do Sol Invicto, Padres da Igreja, como São Teófilo de Antioquia (180 d.C.), Santo Irineu de Lião (202 d.C.) ou São Hipólito de Roma (204 d.C.), averiguaram e confirmaram que o nascimento de Cristo ocorreu a 25 de Dezembro.
São Telésforo, Papa que governou a Igreja entre 126 e 137 d.C., foi responsável pela introdução da Missa do Galo, celebrada à meia-noite de 25 de Dezembro, marcando a hora exacta do nascimento de Cristo.
Há ainda registos históricos de peregrinações à gruta de Belém no século II, lugar que mais tarde veio a ser a Basílica da Natividade.

18/11/2019

Paganismo


Paganismo é o estado religioso em que vivem os povos que não conhecem o verdadeiro Deus. Adoram falsas divindades e seguem uma moral de harmonia com os erros grosseiros que às suas paixões agradam. Os homens tiveram sempre a ideia de um Deus; como não O conheciam, prestavam culto ao que eles julgavam ser Deus. Antes de Jesus Cristo, só os Israelitas adoravam o verdadeiro Deus, porque só a eles Deus se tinha revelado. Os povos que não conhecem Jesus Cristo continuam a viver no paganismo.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

24/08/2019

As Amazonas


Segundo a mitologia grega, as Amazonas eram uma tribo de mulheres guerreiras que viviam nas margens do Mar Negro, governadas por uma rainha. Montavam a cavalo e combatiam com arco e flecha. Só permitiam que os homens se aproximassem delas uma vez por ano, para fins reprodutivos. Matavam os seus filhos varões à nascença e queimavam o seio direito das filhas, para que estas tivessem mais agilidade e força no tiro ao arco.
No Brasil, a existência de Amazonas foi registada pelos primeiros cronistas. Frei Gaspar de Carvajal declara tê-las encontrado, a 24 de Junho de 1541, na foz do rio Jamundá. Francisco de Orellana terá abatido sete ou oito dessas mulheres, que viviam sem maridos, na selva amazónica, e que se dedicavam à guerra, atacando as tribos vizinhas, matando os homens e as crianças do sexo masculino.

11/07/2018

O ateísmo e a superstição


Há dois erros semelhantes e opostos em que podemos cair a respeito dos demónios. Um é não acreditar na sua existência. O outro é acreditar, e ter um interesse excessivo e doentio por eles. Os próprios demónios ficam igualmente agradados com ambos os erros, e saúdam o materialista ou o bruxo com a mesma satisfação.

C. S. Lewis in «The Screwtape Letters», 1942.

30/10/2017

Pelo verdadeiro Halloween


Apesar de hoje em dia se associar o Halloween a um fenómeno neo-pagão inventado nos E.U.A., a verdade é que o Halloween é uma festividade cristã. Tal como o Natal não é a festa do Pai Natal, nem a Páscoa é a festa dos coelhos, o Halloween não é a festa das bruxas. O termo Halloween vem da contracção das palavras All Hallows Evening, que se traduz em português como Vigília de Todos-os-Santos. Trata-se, então, da tradicional vigília de preparação para o dia de Todos-os-Santos. Cabe-nos, por isso, enquanto Portugueses, repor a verdade e celebrar o verdadeiro significado do Halloween.

26/12/2015

O Natal é uma festa pagã?


Alguns ateus, neo-pagãos, ou simplesmente anti-cristãos, gostam de dizer que o Natal (nascimento de Jesus Cristo) é uma usurpação da antiga festa romana pagã do Sol Invicto. Nada mais errado. Pelo contrário, a festividade do Sol Invicto foi introduzida e oficializada pelo imperador Aureliano no século III depois de Cristo, como forma de combater a rápida ascensão do Cristianismo no seio do Império Romano. A 'New Catholic Encyclopedia' de 1967 diz: "A 25 de Dezembro de 274, Aureliano mandou proclamar o deus-sol como o principal padroeiro do Império e dedicou um templo a ele no Campo de Marte". Desde essa data, Júpiter deixou de ser o maior e principal "deus" do Panteão Romano. Este imperador também se auto-proclamou como pessoa divina, mudando assim o costume romano que só reconhecia a "divindade" dos imperadores após a sua morte. O culto do Sol permaneceu como religião oficial até ao imperador Constantino.

Em relação a Jesus Cristo, e para aqueles que duvidam da Sua existência histórica, relembro que o historiador romano Tácito escreveu sobre a condenação e crucificação de Jesus nos Anais do século I. Já sobre as datas relacionadas com o Seu nascimento, morte e ressurreição, recomendo a leitura do seguinte texto: Datas da Concepção, Nascimento, Morte e Ressurreição de Cristo.

27/06/2015

A Carta da Terra e a Nova Ordem Mundial (II)



A Carta da Terra é um manifesto materialista, pagão, panteísta, e que pretende fornecer uma base ética para um rígido controlo da população mundial. Os especialistas disfarçam de boas intenções o projecto de transformar grandes áreas do planeta em armazéns de matérias-primas que garantam a manutenção dos opulentos hábitos de consumo de uns poucos privilegiados. Se não fosse assim, por que a Carta mandaria adoptar – com a usual linguagem anti-natalista da ONU – "modos de reprodução que respeitem os direitos humanos e as capacidades regenerativas da Terra"? Serão impostas, em certas áreas do planeta, quotas populacionais para preservar os recursos naturais?
A Carta da Terra é um paradigma da reengenharia social anti-cristã que promove a perspectiva de género e a saúde sexual e reprodutiva – homossexualismo e aborto químico ou cirúrgico – como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável.
A Carta da Terra é a manifestação desse novo humanismo que visa preservar as florestas e salvar de um suposto extermínio as focas, baleias, gorilas, peixes-boi, leopardos, elefantes, as várias espécies de borboletas, ursos e cabras-montesas, e, por outro lado, não apenas justifica, mas obriga a perseguir e provocar um verdadeiro holocausto com leis que autorizam o abominável crime do aborto em nome dos direitos humanos, da paz, da igualdade, da harmonia universal. Não é o assassinato de milhões de inocentes o maior ataque à paz e aos direitos humanos?
"A Terra, cada forma de vida e todos os seres vivos possuem um valor intrínseco. Deve ser assegurado o seu respeito e cuidado", diz a Carta no seu primeiro ponto. Será que esta declaração reconhece que apenas os homens detêm os direitos de proprietários e guardiões inteligentes e nobres com que lhes dotou o Criador? Ou, pelo contrário, as pedras, plantas e animais têm os mesmos "direitos" que o homem?
Uma vez desconhecida a acção criadora de Deus, fonte da dignidade humana, não há dificuldade em dizer que todas as criaturas, sejam racionais, irracionais, animadas ou inanimadas, são iguais em dignidade. Um orangotango, um homem e uma espécie vegetal valem o mesmo. "Exigimos a extensão da comunidade de iguais a todos os hominídeos: os seres humanos, os bonobos, chimpanzés, gorilas e orangotangos", afirma o primeiro item da Declaração do Grande Símio, que circula pelo mundo à procura de consenso para se tornar um documento oficial das Nações Unidas. Mais ainda, a agenda espiritual da Carta, "fruto de debates com líderes religiosos", impõe dois mandamentos: guardar reverência pela Terra e pelo Cosmos, e respeitar as Miríades de Espécies.
A Carta também responde a uma ideologia que cultiva várias formas de materialismo pseudo-religioso, próprias das mitologias orientais, do indigenismo e de estranhos esoterismos, tornando-se um instrumento de descristianização.
Como alguém que conserva num zoológico um orangotango albino, este novo humanismo procura preservar o que ele chama de povos originários com a esterilização prévia para que não cresçam mais do que o necessário. E, como se isso fosse pouco, pretende que sejam reconhecidos os seus direitos de retornar às suas práticas religiosas ancestrais: uma maneira de apagar e, em outros casos, impedir a evangelização.
O processo da Carta da Terra já tem mais de quinze anos, com actividades nos cinco continentes, sendo significativo, por exemplo, o número de apresentações da Carta em Espanha e no México. A estratégia consiste em apresentá-la em congressos e foros, âmbitos parlamentares e de governo, procurando adeptos para o consenso universal. É notável como tentam, com muita paciência e perseverança, a adesão de municípios de grandes e pequenas cidades e de legislaturas regionais, ao mesmo tempo que tentam a incorporação do documento em currículos académicos.
Entre os indivíduos e associações que procuram aderir ao consenso, estão políticos e financiadores de todos os níveis, bem como comunidades religiosas católicas e instituições e autoridades de outras denominações cristãs.
(...)
A UNESCO incorporou plenamente a Carta da Terra em 2003, atribuindo-lhe a categoria de instrumento educativo em Abril de 2005, no Projecto de Aplicação Internacional da Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS). Mas, mesmo antes disso, no Fórum do Milénio das ONGs (2000), organizado pelas Nações Unidas, a Carta foi listada entre os documentos que os participantes do Fórum se comprometeriam a impor à sociedade global.

Pe. Juan Claudio Sanahuja in «Poder Global e Religião Universal», 2010.

22/06/2015

A Carta da Terra e a Nova Ordem Mundial (I)


A Carta foi idealizada no início dos anos 90 por duas organizações: a Cruz Verde Internacional, de Mikhail Gorbachev, e o Conselho da Terra, dirigido por Maurice Strong. Gorbachev declarou, em 1997: "O mecanismo que usaremos será a substituição dos Dez Mandamentos pelos princípios contidos na presente Carta ou Constituição da Terra". A Carta foi patrocinada desde o início por Federico Mayor, Director Geral da UNESCO de 1987 a 1999.
Quais são os princípios da Carta? O prefácio afirma: "A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva como uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra proveu as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de resistência da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável, com todos os seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global, com os seus recursos finitos, é uma preocupação comum a todos os povos. A protecção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado".
Os postulados agnósticos e panteístas da Carta seriam a base da nova sociedade: "O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humanitário. Os nossos desafios ambientais, económicos, políticos, sociais e espirituais estão interrelacionados, e juntos podemos forjar soluções inclusivas". A visão totalizadora do desenvolvimento sustentável, impregnada da linguagem vaga do holismo Nova Era, aparece de vez em quando: "Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas. Assegurar que as comunidades garantam, em todos os níveis, os direitos humanos e as liberdades fundamentais, e proporcionem a cada um a oportunidade de desenvolver o seu pleno potencial".
Para isso, nos termos da Carta, torna-se imperativo: "Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação com a diversidade biológica e os processos naturais que sustentam a vida. Adoptar, em todos os níveis, planos de desenvolvimento sustentável e regulamentos que permitam incluir a conservação e a reabilitação ambientais como parte integrante de todas as iniciativas de desenvolvimento".
Não poderia faltar o mandamento ecologista de controlar a natalidade para salvar o planeta, próprio do paradigma do desenvolvimento sustentável: "Adoptar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário", além de outros imperativos que colaboram directamente com as políticas do anti-natalismo compulsório e com a reengenharia anti-cristã da sociedade: "Afirmar a igualdade e a equidade de género como pré-requisito para o desenvolvimento sustentável e garantir o acesso universal à educação, o cuidado à saúde e a oportunidade económica (...). Garantir os direitos humanos das mulheres e das meninas, e acabar com toda a violência contra elas (...). Garantir o acesso universal aos cuidados de saúde reprodutiva, promovendo a reprodução responsável. Adoptar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e a suficiência material num mundo finito".
Para concluir, a imposição de dobrar-se às Nações Unidas e à Nova Ordem Mundial adoptando a Carta como o fundamento da nova religião global: "Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar o seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com as suas obrigações sob os acordos internacionais existentes e apoiar a implantação dos princípios da Carta da Terra, através de um instrumento internacional juridicamente vinculante sobre o meio ambiente e desenvolvimento".
Na Carta da Terra, Deus está totalmente ausente. Não aparece nem mesmo como uma "hipótese" conciliadora. Isso faz com que a proposta de defesa da Vida e da Terra se apoie em fundamentos equivocados. E sabemos que defender uma realidade com argumentos e razões que não são correctos e adequados, é a melhor maneira de deixar esta realidade completamente indefesa, e que afirmá-la com uma base errónea é a maneira mais directa de deixá-la sem apoio.
A visão cristã é inconciliável com o imanentismo panteísta da Carta. Na Carta da Terra o homem é uma partícula do universo em pé de igualdade com um animal ou um vegetal, incapaz de conhecer qualquer realidade que não seja material. Não é o centro da Criação, criado como sábio administrador de Deus. (...)
Na Carta da Terra, o ser humano – homem e mulher – parece ser constantemente carregado pela corrente de uma evolução que não tem causa eficiente nem final, sem origem ou objectivo transcendente. O destino comum que daria unidade à grande diversidade na qual se encontra indiscriminadamente imerso não é a Parusia, a vinda do Senhor Jesus na Glória, a Transfiguração do Cosmos; é mais propriamente uma permanência nesta Terra, que exige uma solidariedade dos seres vivos a fim de construir e perpetuar uma bem-aventurança intramundana. As sucessivas gerações usufruirão desta felicidade ao melhor estilo das utopias milenaristas ou materialistas.
Sob esse ponto de vista, o desenvolvimento sustentável ou sustentabilidade assume o carácter de uma pseudo-categoria teológica que aspira a ser critério de moralidade universalmente vinculante. Isso tudo constitui uma profunda negação da escatologia cristã e um retorno ao pensamento mágico promovido pelas correntes da Nova Era.


Pe. Juan Claudio Sanahuja in «Poder Global e Religião Universal», 2010.

01/10/2014

Maçonaria: crenças, ensinamentos e práticas

O seguinte documentário foi produzido por uma organização protestante em 1991, com o objectivo de mostrar, com base em fontes e autoridades maçónicas, a origem pagã e anti-cristã da seita dos pedreiros-livres. Porém, como os seus autores são protestantes, não deixam de usar um certo discurso anti-católico, nomeadamente na parte inicial quando referem as virtudes dos humanistas contra a corrupção da Igreja. Peço-vos que fechem os vossos ouvidos a isso. Destaco também a gralha "República de Pilatos" em vez de "República de Platão".

22/12/2013

A origem da Árvore de Natal


Em 723 São Bonifácio derrubou um enorme carvalho dedicado ao deus pagão Thor, perto da actual cidade de Fritzlar, na Alemanha. Para mostrar ao povo e aos druidas que a árvore não era sagrada, ele abateu-a. Esse acontecimento é considerado o início formal da cristianização da Alemanha. Na queda, o carvalho destruiu tudo que ali se encontrava, menos um pequeno pinheiro. Segundo a tradição, São Bonifácio interpretou esse facto como um milagre. Era o período do Advento e, como ele pregava sobre o Natal, declarou: "Doravante, nós chamaremos esta árvore de Árvore do Menino Jesus". Assim começou o costume de plantar pequenos pinheiros para celebrar o nascimento de Jesus, estendendo-se pela Alemanha e de lá para o Mundo.

Adaptado de «Guia de Curiosidades Católicas» de Evaristo Eduardo de Miranda.

14/04/2012

Paganismo vs Neo-Paganismo

Com sua habitual perspicácia e profundidade de pensamento, escrevia Plinio Corrêa de Oliveira: "Os frutos da apostasia são piores do que os da gentilidade. Pois pode não haver culpa em ignorar a verdade: há sempre culpa em repudiá-la" (Catolicismo, Julho de 1952).
Encontrei uma ilustração adequada dessa verdade num rico catálogo da famosa casa de leilões de arte Christie's, de Dezembro de 2010. Ele foi enviado a Catolicismo por um amigo residente em França.
Entre as muitas obras que o catálogo oferece, duas são especialmente significativas. A primeira é uma bela caixinha para jóias, procedente da antiga China – e feita, portanto, sem a influência do Cristianismo. A outra é uma pintura a óleo, de arte moderna, de um pintor espanhol do século XX.
A caixinha vem assim descrita no catálogo: "Coberta de bronze dourado, com esmaltes esculpidos e compartimentados, constitui uma rara obra de arte".
Agrada logo à primeira vista o contraste harmónico entre o dourado do bronze e os tons de azul e vermelho do laqueado. É de um bom gosto aristocrático de chamar a atenção. Ademais, o bronze é finamente trabalhado. Embora as figuras representadas no estojo sejam de inspiração pagã, o conjunto revela delicadeza de expressão e acurada arte.
Trata-se de uma obra produzida na época do imperador Qianlong, da dinastia Qing, que sucedeu à dinastia Ming, no século XVIII. Duas dessas caixinhas foram confeccionadas para as comemorações do aniversário do imperador ou foram encomendadas por ele para serem doadas nessa ocasião.
Seria altamente desejável que convertida ao Catolicismo e purificada de paganismos antigos e modernos, a China respeitasse e fizesse florescer ainda mais sentimentos de alma tão elevados como os que se revelam nessa obra de arte. Quando o esperado triunfo do Imaculado Coração de Maria se estender também a ela, tais desejos poderão transformar-se em realidade.

Passemos agora ao neo-paganismo moderno. A figura horrenda aqui apresentada como arte intitula-se Delo. Seu autor é Antonio Saura (1930-1998). Faltam ao quadro todos os elementos de proporcionalidade, beleza e elevação que encontramos no estojo da dinastia Qing. É propriamente o que se poderia chamar um monstro.
Só com dificuldade se discernem aí traços humanos. Além dos dois olhos totalmente deformados, parece haver um terceiro na testa. Aquilo que seria a arcada dentária sugere a existência de ferros retorcidos; e na falta de nariz, dois tubos cruzam-se de modo ignóbil. A expressão – pois esse monstro tem expressão! – é a de um ser profundamente deprimido, acabrunhado mesmo, pela desgraça sem nome que se abateu sobre ele e o transformou numa espécie de demónio.
Quem, à noite, em seu quarto, tendo necessidade de acender a luz, gostaria de se deparar de repente com um monstro desses!? Teria a impressão de que o inferno se abriu e vomitou esse precito dentro do aposento. Para livrar-se do susto, só mesmo apelando para um exorcismo!
É um exemplo adequado de como o neo-paganismo moderno conduz a estados de alma muito piores do que o paganismo antigo. Uma civilização que rejeitou Jesus Cristo cai muito mais baixo do que uma outra que não O conheceu.

Gregório Vivanco Lopes in Catolicismo, Junho de 2011.