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20/04/2018

A Igreja e a Juventude (II)



Os discursos de Paulo VI aos jovens

Todas as razões desta juvenilização do mundo contemporâneo, compartilhada pela Igreja, encontram-se no discurso de Abril de 1971 a um grupo de hippies reunidos em Roma para se manifestar pela paz. O Papa assinala com louvores os valores secretos que procuram os jovens, e enumera-os.
Em primeiro lugar a espontaneidade, que ao Papa não parece estar em contradição com a intenção de pretendê-la, pese ao facto de que se se procura a espontaneidade esta deixa de ser espontânea. Não lhe parece estar em contradição, nem sequer com a moralidade, embora esta, por ser uma intencionalidade consciente, se sobreponha à espontaneidade e possa contradizê-la.
O segundo valor da juventude é a libertação de certos vínculos formais e convencionais. O Papa não diz quais são. Além disso, as formas são a aparência da substância: são a própria substância em manifestação, a sua presença no mundo. E o convencional é o concordado, isto é, o que se acorda, e é bom, se é um acordo sobre coisas boas.
O terceiro é a necessidade de serem eles mesmos. Mas não se esclarece qual é o "Eu" que o jovem deve realizar e no qual deve reconhecer-se: de facto, numa natureza livre existe uma pluralidade de "Eus", modificável em todas as formas possíveis. O "Eu" verdadeiro não exige que o jovem se realize de qualquer maneira, mas que se transforme e se converta em algo além de si mesmo. Além disso, as palavras do Evangelho não admitem interpretação: abneget semetipsum (renuncie-se a si mesmo) (Lucas 9, 23). O próprio Papa no dia anterior havia exortado à metanóia. Em que ficamos, então? Realizar-se ou transformar-se?
O quarto é o impulso a viver e interpretar a sua própria época. No entanto, o Papa não dá aos jovens a chave para interpretar o seu tempo; nem assinala que, segundo a religião, na brevidade do seu próprio tempo o homem não deve procurar o efémero, mas o fim último que permanece através de todo o efémero.
Tendo desenvolvido o discurso sem nenhuma explicação religiosa, Paulo VI conclui de forma surpreendente: Nós pensamos que, nesta vossa busca interior, vós percebeis a necessidade de Deus. Na verdade, o Papa fala aqui opinativamente e não magisterialmente.
A semiologia da juventude feita pelo Papa no discurso de 3 de Janeiro de 1972 é ainda mais claramente antitética à tradicional católica. Descrevem-se como qualidades positivas o natural desinteresse pelo passado, a crítica fácil, a previsão intuitiva. Estas características não convêm à verdadeira psicologia da juventude, e não são positivas.
Separar-se do passado é uma impossibilidade moral, histórica e religiosa: basta dizer que para o cristão toda a sua vida e todo o seu compromisso na vida depende do baptismo, que é um antecedente; e o baptismo, por sua vez, da família, outro antecedente; e a família, finalmente, da Igreja, que constitui o antecedente último.
Que a juventude tenha sentido crítico (ou seja, juízo de discernimento) é difícil de sustentar se se reconhece a evolução na formação do homem, se se distingue o momento de imaturidade face ao maduro, e se se admite que inicialmente o sujeito se encontra numa situação na qual deve converter-se no que ainda não é.
Finalmente, a previsão é coisa novíssima na psicologia, que sempre reconheceu ao jovem um tardus previsor (Horácio, Ars poet. 164): alguém que vê tardiamente não apenas os acontecimentos do mundo, mas também a sua própria utilidade. Na realidade, temeritas est florentis aetatis, prudentia senescentis [mocidade temerária, prudência na velhice] (Cícero, De senectute, VI, 20).
Mas o entusiasmo por Hebe leva o Pontífice a proclamar que vós podeis estar na vanguarda profética da causa conjunta da justiça e da paz porque vós, antes e mais do que os demais, tendes o sentido da justiça, e todos (os não-jovens) estão a vosso favor: estes como triários, os jovens como vanguardistas.
Não é difícil descobrir no discurso juvenilizante de Paulo VI à Boys Town uma singular inversão das naturezas, pela qual quem deve guiar é guiado, e o imaturo é exemplo para o maduro. A atribuição à juventude de um sentido inato da justiça não tem fundamento em nenhuma semiologia católica. Certamente a comoção do seu ânimo (contagiado pelo temperamento juvenil) inclinou o Papa para uma doxologia da juventude. Esta mesma inclinação ao entusiasmo efébico, conduziu-o noutra ocasião a mudar a letra do texto sagrado, lendo os jovens onde está escrito as crianças (Mateus 21, 15), em apoio à afirmação segundo a qual foi a juventude quem intuiu a divindade de Cristo (OR, 12 de Abril de 1976).

Mais sobre a juvenilização da Igreja. Os bispos suíços.

Para demonstrar que o culto de Hebe não é apenas algo próprio do Papa, mas que está difundido em todas as ordens da Igreja, não citarei as quase infinitas obras de clérigos e leigos, mas um documento da Conferência Episcopal Suíça para a festa nacional de 1969. Nele é dito que o protesto juvenil leva consigo valores de autenticidade, de disponibilidade, de respeito pelo homem, de rejeição da mediocridade, de denúncia da opressão: valores que, bem vistos, se encontram no Evangelho.
É fácil constatar como os bispos suíços pecam por indeterminação lógica.
A autenticidade, no sentido católico, não consiste em apresentar-se como naturalmente se é, mas em fazer-se como se deve ser: ou seja, em última instância, consiste na humildade.
A disponibilidade é em si mesma indiferente e será classificada como boa somente em função do bem face ao qual o homem se encontra disponível.
O respeito pelo homem exclui o desprezo pelo passado do homem e o repúdio da Igreja histórica.
A rejeição da mediocridade, à parte de pecar por indeterminação (mediocridade em quê?), opõe-se à sabedoria antiga, à virtude de resignação e à pobreza de espírito.
E que estamos na presença de novas metas humana e religiosas é uma afirmação que privilegia o novo enquanto novo, e esquece que não há outra criatura nova à parte da refundada pelo Homem-Deus, nem outras metas diferentes às prescritas por Ele.
Depois, os bispos chegam até a apontar os jovens como um sinal dos tempos e como a própria voz de Deus ante toda a cristandade contemporânea, mas esse composto de palavras revela-se um absurdo pela adulação desmesurada, e ainda mais absurdo do que o vox populi vox Dei, porque faz de um movimento em grande parte irreflexivo, um órgão da vontade divina e quase um texto da divina Revelação.
Também vai contra o princípio católico da humildade e da obediência louvar que os jovens queiram ser protagonistas, já que a Igreja não é só dos jovens, e nem todos podem vir a prevalecer: este protagonismo desconhece os direitos dos demais. Reconhecer aos demais é o princípio da religião, à parte do princípio da justiça.
Concluindo esta análise da nova conduta do mundo e da Igreja face à juventude, notaremos que também aqui foi realizada uma alteração semântica, convertendo-se os termos paternal e paternalista em termos pejorativos: como se a educação do pai (enquanto pai) não fosse um exercício excelente de sabedoria e de amor, e como se não fosse paternal toda a pedagogia com a qual Deus educou o género humano no caminho da salvação.
Como não ver que num sistema onde o valor é baseado na autenticidade e na rejeição de toda imitação, a primeira rejeição será à dependência paterna? Apesar dos eufemismos de clérigos e laicos, o certo é que a juventude é um estado de virtualidade e de imperfeição, e não pode ser considerada como um estado ideal nem tomada como modelo.
Além disso, o valor da juventude existe enquanto é futuro e esperança do futuro, de tal modo que diminui e desaparece quando o futuro se realiza.
A fábula de Hebe converte-se na fábula de Psique. Se se diviniza a juventude, conduz-se ao pessimismo, porque se obriga a desejar uma perpetuação impossível. A juventude é um projecto de não-juventude, e a idade madura não deve ser modelada por ela, mas sim pela sabedoria da maturidade.
Nenhuma idade da vida têm como modelo o seu próprio devir para outra idade. Na realidade o modelo para cada uma é dado pela essência deontológica do homem, que deve ser procurada e vivida, e é idêntica para todas as idades da vida. Também aqui o espírito de vertigem impulsiona o dependente para a independência e ao insuficiente para a auto-suficiência.

Romano Amerio in «Iota Unum», 1985.

23/07/2017

02/07/2015

Sobre a Missa Nova ou Missa de Paulo VI


A respeito da Missa Nova, desfaçamos imediatamente esta ideia absurda: "Se a Missa Nova é válida, então pode-se participar dela". A Igreja sempre proibiu os fiéis de assistir às Missas dos cismáticos e dos hereges, ainda que fossem válidas. É evidente que não se pode participar de Missas sacrílegas, nem em Missas que colocam a nossa fé em perigo.
Além disso, é fácil demonstrar que a Missa Nova, tal como foi formulada pela Comissão de Liturgia, com todas as autorizações dadas pelo Concílio de uma maneira oficial, e com todas as explicações dadas por Monsenhor Bugnini, apresenta uma aproximação inexplicável à teologia e ao culto dos protestantes.
Assim, por exemplo, não aparecem muito claramente, e até se contradizem, os dogmas fundamentais da Santa Missa, que são os seguintes: – só o Sacerdote é o único ministro; – há um verdadeiro sacrifício, uma acção sacrifical; – a Vítima é Nosso Senhor Jesus Cristo, presente na Hóstia sob as espécies de pão e de vinho com o seu corpo, sangue, alma e divindade; – é um sacrifício propiciatório; – o Sacrifício e o Sacramento realizam-se com as palavras da Consagração e não com as palavras que a precedem ou seguem.
Basta enumerar algumas das novidades para demonstrar a aproximação com os protestantes: – o altar transformado em mesa, sem a ara; – a Missa de frente ao povo, em língua vernácula, em voz alta; – a Missa tem duas partes: a Liturgia da Palavra e a da Eucaristia; – os vasos sagrados vulgares, o pão fermentado, a distribuição da Eucaristia por leigos, na mão; – o Sacrário escondido; – as leituras feitas por mulheres; – a Comunhão dada por leigos.
Todas estas novidades estão autorizadas.
Pode-se dizer, então, sem nenhum exagero que a maioria dessas Missas é sacrílega e que diminuem a fé, pervertendo-a. A dessacralização é tal que a Missa se expõe a perder o seu carácter sobrenatural, o seu "mistério de fé", para se converter em nada mais do que um acto de religião natural.
Essas Missas Novas não só não podem ser motivo de uma obrigação para o preceito dominical, senão que, com relação a elas, é preciso seguir as regras da Teologia moral e do direito canónico, que são as da prudência sobrenatural com relação à participação ou à assistência a uma acção perigosa para a nossa fé ou eventualmente sacrílega.
Deve-se dizer, então, que todas essas Missas são inválidas? Desde que existam as condições essenciais para a validez, quer dizer, a matéria, a forma, a intenção e o sacerdote validamente ordenado, não se pode afirmar que sejam inválidas. As orações do Ofertório, do Cânon e da Comunhão do Sacerdote que estão ao redor da Consagração são necessárias para a integridade do Sacrifício e do Sacramento, mas não para a sua validez. O Cardeal Mindszenty na prisão, que escondido dos seus guardas pronunciava as palavras da Consagração sobre um pouco de pão e de vinho para se alimentar do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor, certamente realizou o Sacrifício e o Sacramento.
Mas à medida que a fé dos sacerdotes se corrompe e deixam de ter a intenção que a Igreja põe (porque a Igreja não pode mudar de intenção), haverá menos Missas válidas. A formação actual não prepara os seminaristas para assegurar a validez das Missas. O Sacrifício propiciatório da Missa não é mais o fim essencial do Sacerdote. Nada mais decepcionante e triste do que ouvir os sermões ou comunicados dos Bispos sobre a vocação, por ocasião de uma ordenação sacerdotal. Não sabem mais o que é um Sacerdote.
Para julgar da falta subjectiva daqueles que celebram a Missa Nova e dos que assistem a ela, devemos aplicar a regra de discernimento de espíritos segundo as directivas da Teologia moral e pastoral. Devemos agir sempre como médicos de almas e não como juízes e carrascos, como estão tentados a fazer aqueles que estão animados por zelo amargo e não pelo verdadeiro zelo. Os jovens padres devem inspirar-se nas palavras de São Pio X na sua primeira encíclica e nos numerosos textos de autores espirituais como os de Dom Chautard, "A alma de todo apostolado", Garrigou-Lagrange no volume II de "Perfeição cristã e contemplação", e Dom Marmion em "Cristo, ideal do Monge".

Mons. Marcel Lefebvre in «Declaração sobre a Missa Nova e o Papa», 8 de Novembro de 1979.

07/04/2015

Salazar e os novos bispos progressistas

Paulo VI e Salazar

Os nossos bispos estão a desaparecer. Têm quase todos setenta anos, ou perto. Quando desaparecerem, ficam os novos padres, os progressistas, sem disciplina, e desenvolvendo aquela actividade caótica e sem freio que é própria de todo aquele que de repente se sente solto da disciplina a que estava submetido. Vai ser uma tragédia. Estamos como no tempo das lutas entre o Império e o Papado. [19 de Julho de 1965]

Eu não os compreendo. Eu não sei compreendê-los. Monsenhor Rotoli, da Nunciatura, tem razão quando diz que eu não tenho sensibilidade católica. Quer ele dizer que as minhas ideias não são as da maioria de hoje. É verdade. E no entanto nunca na História de Portugal alguém fez pela Igreja mais do que eu. Desde os tempos de D. Pedro I, de D. João V, etc., fui eu quem mais tem protegido e ajudado a Igreja. Mas não me importo. Enquanto não se meterem comigo, não me importo. [12 de Dezembro de 1965]

António de Oliveira Salazar, citado por Franco Nogueira in «Um Político Confessa-se».

01/03/2015

Que fazer perante um Papa liberal?


A psicologia de um Papa liberal é facilmente compreensível, mas difícil de suportar! Com efeito, põe-nos numa situação muito delicada em relação a tal chefe, seja Paulo VI, seja João Paulo II... Na prática, a nossa atitude deve-se fundar num discernimento prévio, necessário para a circunstância extraordinária que significa um Papa conquistado pelo liberalismo. Eis aqui este discernimento: quando o Papa diz alguma coisa de acordo com a Tradição, seguimo-lo; quando diz alguma coisa contrária à nossa Fé, ou quando sustenta ou deixa fazer algo que põe em perigo a nossa Fé, então não podemos segui-lo! Isto pela razão fundamental de que a Igreja, o Papa e a hierarquia, estão ao serviço da nossa Fé. Não são eles que fazem a Fé, devem servi-la. A Fé não se faz, é imutável, a Fé se transmite.
Por este motivo, não podemos seguir os actos destes Papas, feitos com a finalidade de confirmar uma acção que vai contra a Tradição. Seria colaborar com a auto-demolição da Igreja, com a destruição da nossa Fé!

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar».

30/11/2014

Mons. Marcel Lefebvre sobre o Concílio Vaticano II


O Vaticano II foi igualmente uma mistificação, com a diferença de que os Papas (João XXIII e Paulo VI) apesar de estar presentes, não opuseram resistência nem ao menos à manipulação dos liberais, mas até a favoreceram. Como foi isto possível? Declarando este Concílio pastoral e não-dogmático, insistindo no "aggiornamento" e no ecumenismo, estes Papas privaram a si mesmos e ao próprio Concílio da intervenção do carisma da infalibilidade, que o haveria preservado de qualquer erro.
(...)
Quantos enganos e orientações heterodoxas poderiam ter sido evitados, se o Vaticano II tivesse sido um concílio dogmático e não um concílio que se chamou pastoral!
(...)
Não digo que neste Concílio tudo seja mau, e que não haja alguns belos textos que mereçam ser meditados; mas afirmo, com as provas na mão, que há documentos perigosos e inclusive erróneos, que apresentam tendências liberais modernistas, que inspiraram as reformas, que agora deitam a Igreja por terra.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar».

§

Para conhecer em pormenor os erros do Concílio: Sinopse dos erros imputados ao Concílio Vaticano II.

12/09/2014

A Ostpolitik: um mau fruto do Concílio Vaticano II


Depois do Vaticano II, os Acordos de Helsínquia foram patrocinados pelo Vaticano: o primeiro e o último discurso foram pronunciados por Mons. Casaroli, sagrado arcebispo para a ocasião. A Santa Sé manifestou logo hostilidade a todos os governos anti-comunistas. No Chile, a Santa Sé sustentou a revolução comunista de Allende de 1970 a 1972. O Vaticano age assim por meio de suas nunciaturas com a nomeação de cardeais como Tarancón (Espanha), Ribeiro (Portugal), Silva Henríquez (Chile), de acordo com a política pró-comunista da Santa Sé. A influência de tais cardeais é considerável nestes países católicos! Suas influências são determinantes sobre as conferências episcopais, na nomeação de bispos revolucionários que também são, na maioria, favoráveis à política da Santa Sé e em oposição ao governo. O que pode fazer um governo católico contra a maioria do episcopado que trabalha contra ele? É uma situação horrorosa! Assistimos a uma incrível subversão de forças: a Igreja transforma-se na principal força revolucionária nos países católicos.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar».