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26/01/2018

Lutero: herói da Alemanha Comunista


Celebra-se neste ano de 1983 os 500 anos do nascimento de Lutero. Ele nasceu em 10 de Novembro de 1483 e a sua influência é ainda considerável no nosso tempo. Na Alemanha, o Lutherjahr une as duas partes da nação alemã [ocidental e oriental] na comemoração da vida e obra do monge herege que professou na Ordem dos Agostinhos. Filmes, livros, cerimónias oficiais e iniciativas de índole religiosa, chamam a atenção do povo germânico para os remotos tempos do século XV.
No Ocidente, o presidente Karl Carstens inaugurou no Verão uma exposição em Nuremberga e declarou sintomaticamente: «Lutero tornou-se um símbolo de unidade para toda a Alemanha. Nós somos todos herdeiros de Lutero». Bustos, medalhas, colóquios e debates, fazem parte do bric-à-brac, que também inclui uma participação católica...
Na Alemanha de Leste, depois de o terem injuriado como um serventuário dos príncipes e um traidor à causa revolucionária, a elite política entendeu que ele é, a quinhentos anos de distância, um herói. É justamente o chefe do Partido Comunista, o presidente Erich Honecker, que chefia o quadro de honra das comemorações oficiais e foi ele que se lhe referiu como «o iniciador de um grande movimento revolucionário», descrevendo a Bíblia de Lutero como «uma das maiores realizações culturais da nossa história».
O governo do Leste, em cujo território se encontram a maior parte dos locais em que Lutero se movimentou, teve o cuidado de restaurar, à custa de milhões de dólares, as instalações primitivas: Eisleben, onde ele nasceu e morreu, Erfurt, onde se preparou para o sacerdócio católico, Wartburg, onde traduziu o Novo Testamento e, evidentemente, Wittenberg, o berço do Protestantismo. O famoso Lutherjahr da RDA tem uma comissão oficial com 104 membros, 6 membros do Politburo e uma larga equipa de especialistas e burocratas do governo. Honecker e o seu aparelho estão apostados na recuperação do «herói» germânico, o que ajudaria a forjar um mito fundacional e a demonstrar a genuína realidade de uma verdadeira Alemanha no Leste, herdeira e admiradora das suas belas tradições históricas.
Paradoxalmente, este interesse objectivo por Lutero por parte do Leste alemão depara-se com um grande problema. É que Lutero ajudou e incitou os príncipes a liquidar os camponeses revoltosos, que apenas desejavam pôr em prática as teorias de Lutero... Mas o facto é que o interesse alemão é demasiado para se prender a estes pormenores. O Partido Comunista da República Democrática Alemã (RDA) preparou-se antecipadamente e, em 1981, declarou Lutero «precursor da Revolução» e «objectivamente progressista», e contra isto não há nada que objectar. Assim, fica arrumado o monge falaz na galeria honrada dos heróis germânicos, de leste e oeste, penhor de uma revolta contra o Papado, contra o Vaticano, contra a Doutrina Tradicional e, enfim, contra a herança velha de séculos que a Igreja tem à sua guarda.

Adaptado de revista «Futuro Presente», 1984.

22/10/2015

Monsenhor Lefebvre e o Barroco

Capela de São João Baptista (Lisboa)

Já na arte barroca da contra-reforma católica, o meu julgamento é bem diferente, especialmente nos países que resistiram ao Protestantismo: o barroco utilizará ainda anjinhos rechonchudos, mas esta arte de puro movimento e expressões às vezes patéticas é um canto de triunfo da Redenção, um canto de vitória do Catolicismo sobre o pessimismo de um Protestantismo frio e desesperado.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

03/07/2014

EUA: berço da Revolução Mundial


República imperial, capitalista, maçónica e protestante: é a definição dos Estados Unidos. (pág. 151)

Mas os Estados Unidos são o primeiro país cujos governantes são todos ou quase todos maçons, e onde, não havendo oficialmente religião protegida pelo Estado, a situação de facto é: governo maçónico. E governo maçónico quer dizer o seguinte: todos os conflitos abertos, todas as disputas políticas travadas diante do público, que constituem a pulsação da vida democrática, não são senão a exteriorização de divergências nascidas e elaboradas dentro da Maçonaria. A espuma democrática encobre e disfarça a luta interna no seio de uma nova aristocracia, cuja unidade espiritual repousa nas mãos de um novo sacerdócio. (pág. 159)

Os Estados Unidos são uma República protestante. (...). República protestante vai significar, em última instância: Estado laico, Estado sem religião oficial. Os Estados Unidos são o primeiro Estado professadamente a-religioso – no sentido etimológico: a-gnóstico – que se conhece na História do mundo.
A revolução que isto representa na estrutura mental da humanidade é tão profunda, tão vasta nas suas consequências, que perto dela as revoluções seguintes – da França, da Rússia ou da China, para falar só das maiores –, com todo o seu vistoso cortejo de morticínios, de radicalismos ideológicos, de novas modas culturais, de experiências económico-administrativas extravagantes, nada mais são do que acréscimos periféricos e notas de rodapé. Todas essas revoluções passaram, os Estados que fundaram ruíram com fragor ou derreteram-se melancolicamente, e a parte do seu legado cultural que não se dissipou em fumaça terminou por incorporar-se, sem grandes choques, à corrente dominante: a Revolução Americana.
Ora, qual o legado dessa Revolução no mundo? A democracia? Não pode ser, visto que ela convive perfeitamente bem com ditaduras, quando lhe interessa, e visto que a subsistência de uma aristocracia maçónica associada de perto a uma oligarquia económica é um dos pilares do sistema norte-americano. O capitalismo liberal? Também não, porque o próprio sistema norte-americano, através da expansão do assistencialismo estatal, acabou por assimilar várias características da social-democracia. O republicanismo? Não, porque os elementos democráticos e igualitários da ideologia norte-americana que se espalharam pelo mundo puderam, sem traumas, ser incorporados por antigas monarquias tornadas constitucionais, como a Inglaterra, a Dinamarca, a Holanda, a Espanha. Dos vários componentes da ideologia revolucionária norte-americana, o único que foi assimilado integralmente, literalmente e sem alterações por todos os países do mundo foi o princípio do Estado laico. Se é verdade que "pelos frutos os conhecereis" ou que as coisas são em essência aquilo em que enfim se tornam, a Revolução Americana só é democrática, republicana e liberal-capitalista de modo secundário e mais ou menos acidental: em essência, ela é a liquidação do poder político das religiões, a implantação mundial do Estado sem religião oficial. (pág.164)

O predomínio absoluto da moral civil representa o boicote sistemático de toda a transmissão da moral religiosa às novas gerações. A formidável expansão do ateísmo no mundo, bem como o fenómeno das pseudo-religiões que desviam para alvos inócuos ou mesmo prejudiciais os impulsos religiosos que ainda restem na humanidade, jamais teria sido possível sem esta realização da Revolução Americana. (pág. 167)

A Revolução Americana que incorpora o ideal do império laico tende a mundializar-se, arrastando na sua torrente todas as forças intelectuais e políticas que, de uma forma ou de outra, acabam por colocar-se involuntariamente ao seu serviço. Ela intervém decididamente e a fundo na estrutura da alma de todos os seres humanos colocados ao seu alcance, instaurando neles novos reflexos, novos sentimentos, novas crenças que constituirão, em essência, a cultura pós-cristã, ou mais claramente: anti-cristã. (pág. 184)

A contradição resolve-se, tão logo entendemos que a dinâmica imperial dos Estados Unidos não provém de causas económicas, porém intelectuais, culturais e políticas: os Estados Unidos são uma potência imperial porque a sua fundação constituiu um revigoramento da ideia imperial; porque o projecto de império laico que incorpora as concepções iluministas do Estado representou, no instante da fundação da República Americana, a síntese e o resultado das contradições entre sacerdócio e aristocracia (...); porque o surgimento do moderno Estado laico incorporado no Império Americano é, por essência, um projecto expansivo, revolucionário, modernizante, destinado a reformar o mundo; porque a Revolução Americana é, enfim, o primeiro passo da Revolução Mundial que, dando uma "solução final" ao conflito entre autoridade espiritual e poder temporal, absorverá no Estado, em aliança com a intelligentzia, toda autoridade espiritual, neutralizando todas as religiões do mundo e instaurando a religião de César. (pág. 185)

Ora, o único lugar do mundo onde os ideais iluministas foram realizados na máxima extensão possível das faculdades humanas foram os Estados Unidos. (pág. 193)

O facto é que, sepultado o comunismo, os Estados Unidos voltam a ser a sede central da Revolução Mundial, tal como no século XVIII foram o seu berço. (pág. 195)

Olavo de Carvalho in «O Jardim das Aflições», 1995.

14/07/2013

As três revoluções


Este inimigo terrível tem um nome: chama-se Revolução. A sua causa profunda é uma explosão de orgulho e de sensualidade que inspirou, não diríamos um sistema, mas toda uma cadeia de sistemas ideológicos. Da larga aceitação dada a estes no mundo inteiro, decorreram as três grandes revoluções da História do Ocidente: a Pseudo-Reforma, a Revolução Francesa e o Comunismo. (...)
A Pseudo-Reforma foi uma primeira Revolução. Ela implantou o espírito de dúvida, o liberalismo religioso e o igualitarismo eclesiástico, em medida variável aliás nas várias seitas a que deu origem.
Seguiu-se-lhe a Revolução Francesa, que foi o triunfo do igualitarismo em dois campos. No campo religioso, sob a forma do ateísmo, especiosamente rotulado de laicismo. E na esfera política, pela falsa máxima de que toda a desigualdade é uma injustiça, toda a autoridade é um perigo, e a liberdade é o bem supremo.
O Comunismo é a transposição destas máximas para o campo social e económico.

Plinio Corrêa de Oliveira in «Revolução e Contra-Revolução».

15/07/2012

Mórmons: aberração anti-cristã


Documentário completo, aqui.

***
Maravilho-me de que, tão depressa, passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo, para outro evangelho; o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos, ou um anjo do céu, vos anuncie outro evangelho, além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo, também, vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho, além do que já recebestes, seja anátema.

Gálatas 1:6-9

Testemunhas de Jeová: aberração anti-cristã




Documentário completo, aqui.

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E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição; e muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade; e, por avareza, farão de vós negócio, com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.

2 Pedro 2:1-3

29/11/2011

Protestantismo: 1ª Revolução

A Igreja Católica, segundo ensinamento de São Pio X, é uma Igreja de desiguais. Uns foram instituídos para ensinar, governar e santificar. E outros para serem ensinados, governados e santificados. Estes últimos são os leigos. (cf. Encíclica Vehementer, de 11-2-1906)
Nesta sociedade de desiguais há uma hierarquia: Cardeais, Arcebispos, Bispos, cónegos, párocos e coadjutores. Em baixo, o povo fiel, que está para a Igreja, como a plebe para a sociedade civil.
O protestantismo nega a autoridade doutrinária da Hierarquia eclesiástica. Cada qual tem o direito de interpretar a Bíblia como quer. A partir desse momento deixa de haver hierarquia. Todas as seitas protestantes têm esse denominador comum igualitário: não há mestres para interpretar o Evangelho, cada um é mestre de si mesmo.
Elas negaram o monarca da Igreja Católica, o Papa, excepto os anglicanos, que reconhecem ao Papa um vago primado de honra, mas não jurídico. Na seita protestante anglicana continuaram os arcebispos, bispos, certos dignitários eclesiásticos à maneira de cónegos, párocos, coadjutores.
A seita luterana também admite esses graus. Mas Calvino, que foi um heresiarca pouco posterior a Lutero, negou os Arcebispos e Bispos, admitindo apenas os padres; são os chamados presbiterianos.
Surgiu depois uma outra seita, a dos niveladores, também conhecidos por quackers, que não admitiam sequer os padres. Ficaram abolidos todos os graus, restando apenas o povo. É uma hierarquia que se destruiu.
Dentro das próprias seitas protestantes esse trabalho de demolição continuou. Na igreja anglicana como na luterana, a autoridade dos homens que continuaram a se dizer bispos e arcebispos foi reduzida a quase a zero. Não tem comparação com a autoridade de um Bispo católico. Os bispos anglicanos não passam de figuras decorativas. O título ainda existe, mas nada significa. Também entre os presbiterianos o título de padre, de ministro, ainda existe, mas quase nada significa. Eles não têm autoridade doutrinária sobre seus fiéis.
Esse movimento igualitário não ficou apenas dentro do protestantismo, mas tentou penetrar várias vezes na Igreja Católica. E acabou penetrando e triunfando por meio do progressismo, que quer reduzir a Igreja a uma república, em que o povo fiel tem o direito soberano de mandar, e o Papa e os bispos fazerem o que o povo quer. Portanto, o contrário da organização hierárquica que estudamos; no fundo não haveria governo, seria a anarquia, o fim da Igreja.
Os protestantes acabaram com as ordens religiosas. Confiscaram, saquearam, fecharam. Algumas se mantiveram na aparência, mas com um ar de mero pensionato. O estado religioso desapareceu nas seitas protestantes. Toda a hierarquia eclesiástica começou a sofrer uma corrosão, cujo termo último é o progressismo em nossos dias.

Plinio Corrêa de Oliveira in As três Revoluções: etapas da destruição da Cristandade medieval.