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27/06/2014

Omnis potestas a Deo


O argumento mais decisivo contra a "democracia" resume-se em poucas palavras: o superior não pode emanar do inferior, porque o "mais" não pode sair do "menos"; isto é de um rigor matemático absoluto, contra o qual nada poderia prevalecer. Importa notar que é precisamente o mesmo argumento que, aplicado numa outra ordem, vale também contra o "materialismo"; nada há de fortuito nesta concordância e as duas coisas são muito mais estreitamente solidárias do que poderia parecer à primeira vista. É demasiado evidente que o povo não pode conferir um poder que ele próprio não possui; o verdadeiro poder só pode vir do alto, e é por isso, diga-se de passagem, que só pode ser legitimado pela sanção de alguma coisa superior à ordem social, ou seja, uma autoridade espiritual. Se for de outra maneira, será apenas uma contrafacção de poder, um estado de facto que é injustificável por defeito de princípio, e em que não pode haver senão desordem e confusão.
Esta inversão de toda hierarquia começa no momento em que o poder temporal se quer tornar independente da autoridade espiritual e, a seguir, subordiná-la, pretendendo que sirva fins políticos. Há uma primeira usurpação que abre caminho a todas as outras.

René Guénon in «A Crise do Mundo Moderno».

§

Atenção: Este autor e esta obra não são inteiramente recomendáveis. A passagem aqui citada é divulgada apenas pela informação verídica que contém.

12/07/2012

Democracia e Aristocracia


Não é por acaso que a "democracia" se opõe à "aristocracia" e que este último termo designa, precisamente, pelo menos em sentido etimológico, o poder da elite. Esta, por definição, não pode ser senão uma minoria e o seu poder, ou melhor, a sua autoridade, que deriva de uma superioridade intelectual e espiritual, não tem nada em comum com a força numérica sobre a qual se fundamenta a "democracia", nem com as forças irracionais do colectivismo, tendências cujo carácter essencial é o sacrifício da minoria à maioria, e também o da qualidade à quantidade, e da elite à massa.

René Guénon in «A Crise do Mundo Moderno».

11/05/2012

O materialismo prático de alguns católicos


Um Oriental não pode admitir uma organização social que não repouse em princípios tradicionais; para um muçulmano, por exemplo, a legislação inteira não é senão uma dependência da religião. Em tempos, também assim foi no Ocidente: basta lembrarmo-nos do que foi a Cristandade na Idade Média; mas, hoje, as relações estão invertidas. Com efeito, vemos agora a religião como um simples facto social; em vez da ordem social inteira ser associada à religião, esta, contrariamente, quando ainda consentimos dar-lhe um lugar, não é mais vista senão como um qualquer dos elementos que constituem a ordem social; e quantos católicos aceitam esta forma de ver sem a menor dificuldade!
Praticamente, crentes e não crentes comportam-se quase da mesma maneira; para muitos católicos, a afirmação do sobrenatural não tem senão um valor teórico, e ficariam embaraçados se tivessem que constatar um facto miraculoso. É o que podemos chamar de um materialismo prático, um materialismo de facto; não é este mais perigoso do que o materialismo admitido, precisamente porque aqueles que por ele são atingidos não têm sequer consciência?

René Guénon in «Oriente e Ocidente».