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08/08/2019

Governo da Barbárie


Esta Assembleia [a Convenção Nacional] depois de ter abolido a Realeza, o melhor de todos os governos, transferira toda a autoridade pública para as mãos do Povo, incapaz de seguir qualquer plano de conduta sábio e razoável, sem critério para julgar as coisas, regulando a maior parte das suas decisões, não pelo que é verdadeiro, mas pelo que se crê; sem princípios fixos, fácil de desviar e de sofrer as impressões mais erróneas, pouco susceptível de gratidão, presunçoso e cruel, que se delicia a ver correr o sangue dos homens, o espectáculo dos cadafalsos e o sofrimento das vítimas na agonia, como antigamente, percorria com os olhos, banqueteando-se, o Anfiteatro.

Papa Pio VI in Alocução no Consistório de 17 de Junho de 1793.

17/07/2019

A Revolução alastrou...


A Revolução alastrou. A Democracia estendeu raízes, deitou ramos, deitou folhas, deitou flor, deitou fruto. Expressão do Mal, Ordem contrária à Ordem Divina, destruiu altares, abateu tronos; democratizou os Reis; transformou-os em chancelas inertes, primeiro passo para correr com eles; e empurrou Deus para os esconsos das nossas consciências, onde não chega a luz nem o ar, considerando sob o mesmo pé de igualdade, seitas heréticas, a perfídia judaica e a Igreja Católica!
E a onda vai galgando tudo, e desfazendo tudo, e desfazendo os mais fortes obstáculos. E perante o panorama demoníaco que o mundo nos oferece, em consequência do impulso tomado pela Revolução, não se quis ouvir a voz de Pio VI, de Pio VII, de Gregório XVI e de Pio IX, e ainda hoje se faz silêncio interessado sobre ela! E quando alguém, repetindo os augustos ensinamentos destes Papas proféticos, grita que a Realeza é o melhor de todos os governos, e que o Sufrágio Universal, alma e condição da República, é uma burla, e que a Igreja Católica não pode ser compatível com a República, filha da Soberania Popular, negação da origem divina do Poder, e campo de cultura da Liberdade de crenças, ou seja do mais nefando dos sacrilégios – saltam-lhe ao caminho os inquietos e os presentes, a acusá-lo de herege.
Pois bem. Posso admiravelmente ser herege, ao lado de Pio VI, Pio VII, Gregório XVI e Pio IX!

Alfredo Pimenta in «A Igreja e os Regimes Políticos», 1942.

14/07/2019

230 anos da Revolução Francesa


Foi extraordinário aparecer este monstro; mas ainda foi mais extraordinário achar tantos sequazes esta infame doutrina. O mal não se ateava, nem lavrava, se de longo tempo não estivessem envenenadas as fontes, onde sem cautela bebiam os inocentes. Começou-se por desprezar as gerações que nos precederam, com o fim de insultar nos Mestres a doutrina; e tiraram, ou arrancaram, as profundas raízes que deixa a educação, a que chamaram preocupações. Com o falso pretexto de evitar a hipocrisia, fizeram que os homens se envergonhassem de mostrar em público ser Cristãos, e ao mesmo tempo perdeu-se a saudável vergonha, que em outros tempos havia de ser mau. Ralharam de nossos Pais serem pecadores, e passaram a ímpios, não ganhando certamente na troca que fizeram. Facilitou-se o caminho das Ciências, não para se saber mais, mas para todos julgarem que sabiam; e inspirou-se em todos um desejo de mostrar juízo, ainda que fosse à custa de o perder, e com ele a honra, o dinheiro e as maiores dignidades. Assim sucedeu, e muitos milhões de homens foram sacrificados a uma pequena e humilde classe dos chamados Filósofos; que logo que viu completa a depravação para que tinham concorrido seus escritos, rompeu contra tudo o que há de mais sagrado na sociedade. Deus, os Seus Santos, Templos, Reis, Sacerdotes, propriedade, segurança, fé pública, nada se respeitou, e muitos dos mesmos sedutores pagaram com as vidas uma parte do seu enorme crime. Neste dilúvio quase geral, como o primeiro, tem Portugal, graças a Deus, conservado pura a sua fidelidade Religiosa e Política; e o Céu nos tem pago com usura; porque os géneros de primeira necessidade não nos têm faltado, as searas são abundantes, o flagelo da guerra ouve-se ao longe, e ricos Comboios atravessam os mares com segurança, e vêm fazer Lisboa o Empório da Europa. Contudo, não são para desprezar os riscos, que corre a mocidade indiscreta, e são temíveis os efeitos da lição de perniciosos Escritores, que com engraçado estilo enganam leitores de pouca capacidade e mal educados.

Marquês de Penalva in «Dissertação a Favor da Monarquia», 1799.

06/06/2019

Beato Marcelino Champagnat


Basta considerar os princípios do século XIX para reconhecer que muitos falsos profetas apareceram em França, e a partir daí se propunham difundir por toda a parte a maléfica influência das suas perversas doutrinas. Eram profetas que tomavam ares de vingadores dos direitos do povo, preconizando uma era de Liberdade, de Fraternidade, de Igualdade. Quem não via que estavam disfarçados de ovelhas, in vestimentis ovium?
Mas a Liberdade preconizada por aqueles profetas não abria as portas para o bem, e sim para o mal; a Fraternidade por eles pregada não saudava a Deus como Pai único de todos os irmãos; e a Igualdade por eles anunciada não se baseava na identidade de origem, nem na comum Redenção, nem no mesmo destino de todos os homens. Eram profetas que pregavam uma igualdade destrutiva da diferença de classes querida por Deus na sociedade; eram profetas que chamavam irmãos aos homens para lhes tirar a ideia de sujeição de uns em relação aos outros; eram profetas que proclamavam a liberdade de fazer o mal, de chamar luz às trevas, de confundir o falso com o verdadeiro, de preferir aquele a este, de sacrificar ao erro e ao vício os direitos e as razões da justiça e da verdade.
Não é difícil compreender que esses profetas vestidos com pele de ovelha, intrinsecamente, quer dizer, na realidade, tinham de aparecer como lobos rapaces: qui veniunt ad vos in vestimentis ovium, intrinsecus autem sunt lupi rapacis [aproximam-se de vós com pele de cordeiro, mas na realidade são lobos rapaces].
Não é de se maravilhar que contra tais falsos profetas devesse ressoar uma palavra terrível: guardai-vos deles!, attendite a falsis prophetis.
Marcelino Champagnat ouviu essa palavra; entendeu também que não tinha sido dita só para ele, e pensou em tornar-se o eco dela junto aos filhos do povo, que via serem os mais expostos a cair vítimas dos princípios de 1789, devido à própria inexperiência e à ignorância dos seus pais em matéria de religião...
Attendite a falsis prophetis: eis as palavras que repetia aquele que almejava deter a torrente de erros e vícios que, por obra e graça da Revolução Francesa, ameaçava inundar a Terra. Attendite a falsis prophetis: eis as palavras que explicam a missão que Marcelino Champagnat abraçou; palavras que não devem ser sepultadas no esquecimento por quem quiser estudar a sua vida.
Não deixa de ter interesse a comprovação do facto de que Marcelino Champagnat, nascido em 1789, foi destinado a combater, na sua aplicação prática, precisamente os princípios que tomaram o nome do ano do seu nascimento, e depois obtiveram triste e dolorosa celebridade.
Para justificar a sua obra, ter-lhe-ia bastado continuar a leitura do Evangelho de hoje, porque um simples olhar sobre as chagas que os princípios de 1789 abriram no seio da sociedade civil e religiosa, patenteariam como aqueles princípios continham a suma do ensino dos falsos profetas: a fructibus eorum cognoscetis eos...
Ao incremento das casas dos Pequenos Irmãos de Maria, e à boa orientação dos jovens nelas acolhidos, coadjuvou sem dúvida Nossa Senhora, por meio de uma imagem que apareceu, depois desapareceu, e finalmente foi de novo encontrada. Verdadeiramente maravilhoso foi aquele primeiro incremento, só explicável pelo sucessivo aumento, também tão extraordinário, que antes do décimo lustro da sua fundação, cinco mil religiosos do novo Instituto davam sadia instrução a cem mil meninos espalhados por todas as regiões do orbe.
Se o Venerável Champagnat tivesse adivinhado, com profética luz, tão admirável efeito, lamentar-se-ia certamente do excessivo número de meninos que ainda permaneciam sumidos nas sombras da morte e nas trevas da ignorância, e teria deplorado, mais ainda, não ter podido impedir melhor o nefasto desenvolvimento da perniciosa semente espalhada pela Revolução Francesa. No entanto, um sentimento de profunda gratidão a Deus, pelo bem realizado pela sua Congregação, tê-lo-ia obrigado a dizer que, assim como dos péssimos frutos do ensino de alguns profetas contemporâneos seus, se deduzia a sua falsidade, assim o amadurecimento dos bons frutos da sua obra mostravam a bondade dela: Igitur ex frutibus eorum cognoscetis eos.

Papa Bento XV, alocução sobre a heroicidade das virtudes de Marcelino Champagnat, 11 de Julho de 1920.

03/05/2019

Rousseau: apóstolo da Revolução


No quadro do livre-pensamento, devemos considerar isoladamente um escritor original, elegante, comovente, atraente, colorido e romanesco, que sempre mereceu lugar de destaque entre os autores de seu século: Jean-Jacques Rousseau. Com ele, chegamos ao centro do naturalismo. Glorifica a natureza, proclama-a pura e boa em si mesma, em suas origens. Não será ele, é claro, que admitirá o pecado original. Com Rousseau chegamos aos antípodas do luteranismo, do calvinismo, do jansenismo. Quem estragou o homem foi a sociedade. As artes e a ciência só agravam a corrupção humana. Partindo desse paradoxo – perguntamos como o homem fundamentalmente bom, pode se corromper em comum! – Rousseau funda uma espécie de religião nova que, em literatura, tomará a forma de romantismo, mas que é o fundo da actual religião do progresso, da ciência, da técnica. Em Rousseau, essa religião é a adoração da natureza, de seus instintos, sentimentos, impulsos passionais, numa palavra, adoração do coração humano mais do que da razão humana. As Confissões (surgidas em 1781), a Nova Heloísa (1761), Emílio (1762), o Contrato Social – que será uma espécie de Evangelho da Revolução – exerceram enorme influência. Podemos dizer que Rousseau é o pai do misticismo democrático que inspirou os Marat, os Robespierre e mais tarde um Edgar Quinet e os neo-jacobinos do combismo, – pai do misticismo socialista e comunista que, através de Saint-Simon, Fourier, Proudhon, Karl Marx, levou a Jaurès, Léon Blum, por um lado, e a Lenine e Estaline, por outro. Finalmente, Rousseau é o pai do misticismo passional e estético, no qual se inspiraram a literatura contemporânea e a religião da música, ou da arte pela arte.

Mons. Léon Cristiani in «Bréve Histoire des Hérésies», 1956.

30/04/2019

A escola e a imprensa: subverter sem violência


A escola e a imprensa são os dois pontos de partida a partir dos quais o mundo se pode renovar e refinar sem sangue ou violência. A escola alimenta ou envenena a alma da criança, a imprensa alimenta ou envenena a alma do adulto.

Richard Coudenhove-Kalergi in «Praktischer Idealismus», 1925.


Relembro: Sociedade Fabiana.

16/02/2019

O homem mau e o homem perverso


A culpa segue-o sempre como a sombra. Chega a um ponto em que deixa de ser homem mau para se tornar homem perverso. O homem mau fará coisas erradas, tais como enganar, roubar, difamar, matar, violar; mas ainda assim, admitirá a existência da lei. Andará fora da estrada, mas não deitará fora o mapa que a representa. O homem perverso pode não fazer nenhuma destas coisas más, porque se interessa mais pelo abstracto em vez do concreto. O seu desejo é o de destruir completamente a bondade, a religião e a moralidade, com um fanatismo louco. Justificará na sua vida o falso desejo de Nietzsche: «Maldade, sê tu o meu bem». Procura fazer uma transmutação de valores em que a noite pareça dia e o dia pareça noite; o bem pareça o mal e o mal pareça o bem.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

26/01/2018

Lutero: herói da Alemanha Comunista


Celebra-se neste ano de 1983 os 500 anos do nascimento de Lutero. Ele nasceu em 10 de Novembro de 1483 e a sua influência é ainda considerável no nosso tempo. Na Alemanha, o Lutherjahr une as duas partes da nação alemã [ocidental e oriental] na comemoração da vida e obra do monge herege que professou na Ordem dos Agostinhos. Filmes, livros, cerimónias oficiais e iniciativas de índole religiosa, chamam a atenção do povo germânico para os remotos tempos do século XV.
No Ocidente, o presidente Karl Carstens inaugurou no Verão uma exposição em Nuremberga e declarou sintomaticamente: «Lutero tornou-se um símbolo de unidade para toda a Alemanha. Nós somos todos herdeiros de Lutero». Bustos, medalhas, colóquios e debates, fazem parte do bric-à-brac, que também inclui uma participação católica...
Na Alemanha de Leste, depois de o terem injuriado como um serventuário dos príncipes e um traidor à causa revolucionária, a elite política entendeu que ele é, a quinhentos anos de distância, um herói. É justamente o chefe do Partido Comunista, o presidente Erich Honecker, que chefia o quadro de honra das comemorações oficiais e foi ele que se lhe referiu como «o iniciador de um grande movimento revolucionário», descrevendo a Bíblia de Lutero como «uma das maiores realizações culturais da nossa história».
O governo do Leste, em cujo território se encontram a maior parte dos locais em que Lutero se movimentou, teve o cuidado de restaurar, à custa de milhões de dólares, as instalações primitivas: Eisleben, onde ele nasceu e morreu, Erfurt, onde se preparou para o sacerdócio católico, Wartburg, onde traduziu o Novo Testamento e, evidentemente, Wittenberg, o berço do Protestantismo. O famoso Lutherjahr da RDA tem uma comissão oficial com 104 membros, 6 membros do Politburo e uma larga equipa de especialistas e burocratas do governo. Honecker e o seu aparelho estão apostados na recuperação do «herói» germânico, o que ajudaria a forjar um mito fundacional e a demonstrar a genuína realidade de uma verdadeira Alemanha no Leste, herdeira e admiradora das suas belas tradições históricas.
Paradoxalmente, este interesse objectivo por Lutero por parte do Leste alemão depara-se com um grande problema. É que Lutero ajudou e incitou os príncipes a liquidar os camponeses revoltosos, que apenas desejavam pôr em prática as teorias de Lutero... Mas o facto é que o interesse alemão é demasiado para se prender a estes pormenores. O Partido Comunista da República Democrática Alemã (RDA) preparou-se antecipadamente e, em 1981, declarou Lutero «precursor da Revolução» e «objectivamente progressista», e contra isto não há nada que objectar. Assim, fica arrumado o monge falaz na galeria honrada dos heróis germânicos, de leste e oeste, penhor de uma revolta contra o Papado, contra o Vaticano, contra a Doutrina Tradicional e, enfim, contra a herança velha de séculos que a Igreja tem à sua guarda.

Adaptado de revista «Futuro Presente», 1984.

16/03/2017

As "Luzes" que escureceram


Respeito tanto as luzes do século no que toca aos conhecimentos físicos, quanto as abomino pelo que pertence à Religião e ao Governo. Neste sentido são elas mesmas a própria revolução pura, e sem máscara, que na sua marcha, umas vezes rápida, outras vezes lenta, mas sempre progressiva, vai destruindo tudo o que encontra. O grande número dos chefes é funesto, dizia Ulisses aos Gregos na Ilíada, não tenhamos senão um chefe, senão um Rei, aquele a quem o prudente filho de Saturno confia o ceptro, e as leis para nos governar a todos. Esta máxima, que se lê no mais antigo dos livros profanos bem conhecidos, ao menos cá dos da Europa, é a mesma dos Provérbios de Salomão: Por mim governam os Reis. Vede como já era conhecida naqueles tempos primitivos, e como a respeito dela estavam de acordo os Escritores sagrados e os profanos: hoje é perseguida, porque as luzes do século a condenam; mas onde irão parar os homens com estas luzes do século, que tanto os tem feito retrogradar nas ideias religiosas e políticas.

José Acúrsio das Neves in «Cartas de um Português aos seus Concidadãos», 1822.

25/11/2016

A corrupção dos costumes é precursora das revoluções


Quem se atreveu a despedaçar o vínculo sagrado que prendia o Eminentíssimo Cardeal Patriarca à Santa Igreja de Lisboa sua Esposa que ele abrilhantou com a sua resistência aos mandados das insolentes pestíferas e facciosas Cortes? Quem excitou à força de maus tratamentos, e de estúpidas ameaças os nossos Irmãos do Brasil para se desligarem da Mãe Pátria, e quem brindou aqueles remotos climas com o presente da Liberdade sempre funesto aos povos, e mormente aos que mal acabam de sair da infância do estado social, e que se uma especial providência não atentar pela conservação da integridade dos domínios da Coroa de Portugal, em ambos os hemisférios, não tardará a oferecer as lastimosas cenas de furor, e de carnagem, que um igual presente da Revolução Francesa produziu na Ilha de São Domingos? Quem fez assoalhar as más doutrinas que há cinquenta anos a esta parte começaram de espalhar-se neste Reino ainda em subterrâneos, e com a capa das trevas, mas que em todo aquele período não fizeram tantos, e tão graves danos, como fez desgraçadamente o primeiro Semestre do regime constitucional? Quem concedeu uma inteira liberdade de pensar, de escrever, e de imprimir, que inadmissíveis num Reino Católico, devem trazer necessariamente consigo a irrisão das coisas sagradas, o menoscabo do sacerdócio, e a maior devassidão de costumes? Quem protegeu abertamente a publicação do Catecismo de Volney, as superstições descobertas, o Retracto de Vénus, o Compadre Matheus, a Vénus Maçona, as cartas de José Anastácio, o Cidadão Lusitano e cópia de mais escritos licenciosos, ímpios, e tendentes à corrupção geral da mocidade Portuguesa? Quem fez ensinar pelos Mestres de primeiras letras, que a nossa alma deve morrer com o corpo; que não há outra vida depois desta, que Nosso Senhor Jesus Cristo era apenas um herói, um homem grande, como foram Zoroastro, Confúcio, Mafoma [Maomé]? Quem foi causa de se meterem à bulha todos os preceitos da Igreja, de se ir quase abolindo em muitas partes do Reino, a Confissão Sacramental, e de se escarnecer o Mistério do Corpo e Sangue de Jesus Cristo, por modos e palavras, que fazem arrepiar os cabelos, e gelar o sangue?

Frei Fortunato de São Boaventura in «O Mastigóforo», 1824.

16/10/2016

Maçonaria e Comunismo


"O Marxismo e a Maçonaria têm o ideal comum da felicidade terrestre. Um maçon pode aceitar inteiramente as concepções filosóficas do marxismo. Nenhum conflito é possível entre os princípios do marxismo e da maçonaria": afirma o Grão-Mestre da Maçonaria de Paris.
Para atingir os seus fins, a maçonaria vale-se da alta finança, da alta política e da imprensa mundial; o marxismo vale-se da revolução social e económica contra a pátria, a família, a propriedade, a moral e a religião.
Os maçons cumprem o seu fim com meios secretamente subversivos; os comunistas com meios abertamente subversivos. A maçonaria move as minorias políticas sectárias; o comunismo apoia-se numa política de massas, explorando os desejos de justiça social.

Declaração do Episcopado Argentino sobre a Maçonaria, 20 de Fevereiro de 1959.

25/04/2015

De revolução em revolução: 1820, 1910, 1974...


Pintáveis a nação reduzida à última miséria, para melhor a subjugardes com promessas de grandes felicidades. Ora comparai o estado em que ela se achava, quando fazíeis essas declamações, com aquele em que a deixastes, quando vo-la arrancaram das mãos, morrendo de fome, esgotadas todas as fontes de prosperidade, a dívida pública elevada ao duplo, ou triplo, sem comércio, sem indústria, dividida em partidos, perdidas quase todas as possessões ultramarinas, oprimida, e praguejando-vos em altos gritos. Eis a vossa regeneração! Eis o fruto das vossas luzes do século: luzes do inferno, em que as fúrias acendem as suas tochas, para abrasarem o mundo!

José Acúrsio das Neves in «Cartas de um Português aos seus Concidadãos», 1822.

03/07/2014

EUA: berço da Revolução Mundial


República imperial, capitalista, maçónica e protestante: é a definição dos Estados Unidos. (pág. 151)

Mas os Estados Unidos são o primeiro país cujos governantes são todos ou quase todos maçons, e onde, não havendo oficialmente religião protegida pelo Estado, a situação de facto é: governo maçónico. E governo maçónico quer dizer o seguinte: todos os conflitos abertos, todas as disputas políticas travadas diante do público, que constituem a pulsação da vida democrática, não são senão a exteriorização de divergências nascidas e elaboradas dentro da Maçonaria. A espuma democrática encobre e disfarça a luta interna no seio de uma nova aristocracia, cuja unidade espiritual repousa nas mãos de um novo sacerdócio. (pág. 159)

Os Estados Unidos são uma República protestante. (...). República protestante vai significar, em última instância: Estado laico, Estado sem religião oficial. Os Estados Unidos são o primeiro Estado professadamente a-religioso – no sentido etimológico: a-gnóstico – que se conhece na História do mundo.
A revolução que isto representa na estrutura mental da humanidade é tão profunda, tão vasta nas suas consequências, que perto dela as revoluções seguintes – da França, da Rússia ou da China, para falar só das maiores –, com todo o seu vistoso cortejo de morticínios, de radicalismos ideológicos, de novas modas culturais, de experiências económico-administrativas extravagantes, nada mais são do que acréscimos periféricos e notas de rodapé. Todas essas revoluções passaram, os Estados que fundaram ruíram com fragor ou derreteram-se melancolicamente, e a parte do seu legado cultural que não se dissipou em fumaça terminou por incorporar-se, sem grandes choques, à corrente dominante: a Revolução Americana.
Ora, qual o legado dessa Revolução no mundo? A democracia? Não pode ser, visto que ela convive perfeitamente bem com ditaduras, quando lhe interessa, e visto que a subsistência de uma aristocracia maçónica associada de perto a uma oligarquia económica é um dos pilares do sistema norte-americano. O capitalismo liberal? Também não, porque o próprio sistema norte-americano, através da expansão do assistencialismo estatal, acabou por assimilar várias características da social-democracia. O republicanismo? Não, porque os elementos democráticos e igualitários da ideologia norte-americana que se espalharam pelo mundo puderam, sem traumas, ser incorporados por antigas monarquias tornadas constitucionais, como a Inglaterra, a Dinamarca, a Holanda, a Espanha. Dos vários componentes da ideologia revolucionária norte-americana, o único que foi assimilado integralmente, literalmente e sem alterações por todos os países do mundo foi o princípio do Estado laico. Se é verdade que "pelos frutos os conhecereis" ou que as coisas são em essência aquilo em que enfim se tornam, a Revolução Americana só é democrática, republicana e liberal-capitalista de modo secundário e mais ou menos acidental: em essência, ela é a liquidação do poder político das religiões, a implantação mundial do Estado sem religião oficial. (pág.164)

O predomínio absoluto da moral civil representa o boicote sistemático de toda a transmissão da moral religiosa às novas gerações. A formidável expansão do ateísmo no mundo, bem como o fenómeno das pseudo-religiões que desviam para alvos inócuos ou mesmo prejudiciais os impulsos religiosos que ainda restem na humanidade, jamais teria sido possível sem esta realização da Revolução Americana. (pág. 167)

A Revolução Americana que incorpora o ideal do império laico tende a mundializar-se, arrastando na sua torrente todas as forças intelectuais e políticas que, de uma forma ou de outra, acabam por colocar-se involuntariamente ao seu serviço. Ela intervém decididamente e a fundo na estrutura da alma de todos os seres humanos colocados ao seu alcance, instaurando neles novos reflexos, novos sentimentos, novas crenças que constituirão, em essência, a cultura pós-cristã, ou mais claramente: anti-cristã. (pág. 184)

A contradição resolve-se, tão logo entendemos que a dinâmica imperial dos Estados Unidos não provém de causas económicas, porém intelectuais, culturais e políticas: os Estados Unidos são uma potência imperial porque a sua fundação constituiu um revigoramento da ideia imperial; porque o projecto de império laico que incorpora as concepções iluministas do Estado representou, no instante da fundação da República Americana, a síntese e o resultado das contradições entre sacerdócio e aristocracia (...); porque o surgimento do moderno Estado laico incorporado no Império Americano é, por essência, um projecto expansivo, revolucionário, modernizante, destinado a reformar o mundo; porque a Revolução Americana é, enfim, o primeiro passo da Revolução Mundial que, dando uma "solução final" ao conflito entre autoridade espiritual e poder temporal, absorverá no Estado, em aliança com a intelligentzia, toda autoridade espiritual, neutralizando todas as religiões do mundo e instaurando a religião de César. (pág. 185)

Ora, o único lugar do mundo onde os ideais iluministas foram realizados na máxima extensão possível das faculdades humanas foram os Estados Unidos. (pág. 193)

O facto é que, sepultado o comunismo, os Estados Unidos voltam a ser a sede central da Revolução Mundial, tal como no século XVIII foram o seu berço. (pág. 195)

Olavo de Carvalho in «O Jardim das Aflições», 1995.

03/06/2014

Os niveladores


Aqueles que tentam nivelar nunca igualam. Em todas as sociedades compostas de diferentes classes de cidadãos é necessário que algumas delas se sobreponham às outras. Os niveladores, portanto, apenas mudam e pervertem a ordem natural das coisas; sobrecarregando o edifício social ao colocar no ar o que a solidez do edifício exige ser posta no chão.

Edmund Burke in «Reflexões sobre a Revolução em França», 1790.

25/01/2014

Bem-vindos à Selva!


É-nos dito que a tradição é desnecessária, que a religião é inútil e que amar o nosso país conduz à guerra. É-nos dito que a globalização é uma lei natural e que a sociedade multicultural nos vai enriquecer. Mas nós não acreditamos nisso. Não estamos convencidos, porque a cada dia vemos a realidade.

Markus Willinger in «Generation Identity».

30/10/2013

Revoluções de Outubro


Tal foi, em ponto pequeno, a nossa Revolução de 5 de Outubro; tal foi, em ponto grande, a Revolução Bolchevista. Em ambos os casos, a maioria do país era monárquica, sendo apenas, republicana num caso, comunista no outro, a minoria mais bem organizada; tendo a primeira como espinha dorsal a Ordem Maçónica, a segunda por principal esteio as organizações secretas judaicas.

Fernando Pessoa in «Da República».

14/07/2013

As três revoluções


Este inimigo terrível tem um nome: chama-se Revolução. A sua causa profunda é uma explosão de orgulho e de sensualidade que inspirou, não diríamos um sistema, mas toda uma cadeia de sistemas ideológicos. Da larga aceitação dada a estes no mundo inteiro, decorreram as três grandes revoluções da História do Ocidente: a Pseudo-Reforma, a Revolução Francesa e o Comunismo. (...)
A Pseudo-Reforma foi uma primeira Revolução. Ela implantou o espírito de dúvida, o liberalismo religioso e o igualitarismo eclesiástico, em medida variável aliás nas várias seitas a que deu origem.
Seguiu-se-lhe a Revolução Francesa, que foi o triunfo do igualitarismo em dois campos. No campo religioso, sob a forma do ateísmo, especiosamente rotulado de laicismo. E na esfera política, pela falsa máxima de que toda a desigualdade é uma injustiça, toda a autoridade é um perigo, e a liberdade é o bem supremo.
O Comunismo é a transposição destas máximas para o campo social e económico.

Plinio Corrêa de Oliveira in «Revolução e Contra-Revolução».

24/03/2013

Os frutos do Ateísmo


Ele encontra-se em toda a parte e no meio de todos: sabe ser violento e astuto. Nestes últimos séculos tentou realizar a desagregação intelectual, moral e social da unidade no organismo misterioso de Cristo. Ele quis a natureza sem a graça, a razão sem a fé; a liberdade sem a autoridade; às vezes a autoridade sem a liberdade. É um "inimigo" que se tornou cada vez mais concreto, com uma ausência de escrúpulos que ainda surpreende: Cristo sim, a Igreja não! Depois: Deus sim, Cristo não! Finalmente o grito ímpio: Deus está morto; e, até, Deus jamais existiu. E eis, agora, a tentativa de edificar a estrutura do mundo sobre bases que não hesitamos em indicar como principais responsáveis pela ameaça que pesa sobre a humanidade: uma economia sem Deus, um direito sem Deus, uma política sem Deus.

Papa Pio XII in Discurso «Nel contemplare» de 12 de Outubro de 1952.

30/01/2013

Utopia


Ao abolir o irracional e o irreparável, a utopia opõe-se também à tragédia, paroxismo e quinta-essência da história. Qualquer conflito desapareceria numa cidade perfeita; as vontades seriam estranguladas, apaziguadas e milagrosamente convergentes; reinaria somente a unidade, sem o ingrediente do acaso ou da contradição. A utopia é uma mistura de racionalismo pueril e de angelismo secularizado.

Emil Cioran in «História e Utopia».