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14/08/2015

Rosácea d'Aljubarrota


À vista do Mosteiro
da Batalha
– há conquista
que resista,
há lá guerreiro
que valha?!...

...Deixai, então, que vos fale
(– porque me dá cuidado
e por mais nada!)
d'aqueloutro Portugal
talhado à espada
– e condenado, afinal,
a não ser nada... –

...Sala d'aula do Além,
anfiteatro do Mar,
– que ninguém, que já ninguém
hoje vem
contemplar...

Rodrigo Emílio

14/10/2012

Monarquices


Se eu não fosse o monárquico que de facto sou, estaria agora filiadinho no P.P.M., ou haveria dado oportunamente a minha adesão ao Partidinho Liberal ou teria andado, inclusivamente, pela Convergência Monárquica, a tirocinar-me, com tempo de sobra, para a democracia...
Parecerá tudo isto um contra-senso, mas não é. Aqui, em Portugal, está visto que os monárquicos propriamente ditos tendem, cada vez mais, a ser (e a sê-lo) cada vez menos; e se nesse número, extremamente dígito, eu me incluo, é porque tenho a plena consciência de ser um monárquico, doutrinado como tal, a cem-por-cento.
Demais a mais, dá-se comigo um fenómeno verdadeiramente singular: ao contrário da esmagadora maioria dos nossos monárquicos, eu acho que, para um súbdito da ideia dinástica, o que é importante não é morrer-se placidamente monárquico, mas lutar, isso sim, activamente, para se viver em monarquia. E, neste capítulo, a inaction portugaise tem sido, simplesmente, total e absoluta.
O sentimentalismo pré-primário, e o expectativismo contemplativista, que caracterizam, desde há muito, a causa da Realeza em Portugal, cedo a converteram numa causa... sem efeito. E agora, então, muito mais reduzidas do que nunca se me afiguram as probabilidades de que a solução monárquica ainda possa vir a ser uma solução nacional. Cá por coisas...

Rodrigo Emílio in jornal «A Rua», 14 de Setembro de 1978.