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20/08/2018

Patriotismo e Catolicismo


O patriotismo, princípio interno de unidade e ordem, ligação orgânica dos membros de uma mesma pátria, era considerado pela elite dos pensadores da Grécia e da Roma antiga, como a mais alta das virtudes naturais. Aristóteles, o príncipe dos filósofos pagãos, determinava que o desinteresse ao serviço da Cidade, isto é, do Estado, é o ideal terrestre por excelência.
A religião de Cristo faz do patriotismo uma lei: não há cristão perfeito que não seja patriota perfeito.
Ela eleva o ideal da razão pagã e o esclarece, mostrando que ele só se realiza no Absoluto [que é Deus].
(...)
À luz deste ensinamento, que é repetido por São Tomás de Aquino, o patriotismo assume um carácter religioso.

Cardeal Mercier in carta pastoral de 25 de Dezembro de 1914.

03/08/2018

Individualismo


O Individualismo é a crença falsa em que o indivíduo não depende da verdade; é a superstição que faz do indivíduo humano a mais importante realidade, princípio e fim, base e fundamento de toda a ordem moral, política, social e jurídica.
Como descreveu o Padre Augustin Roussel: «O liberal é um fanático da independência, proclama-a em tudo e para tudo, chegando às raias do absurdo». E como filho do Liberalismo, o Individualismo caracteriza-se como o fanatismo da independência individual.
O Individualismo opõe-se, logicamente, à noção católica e clássica de que o menor se ordena ao maior, que o todo é maior do que a soma das partes, e que o bem comum é superior ao bem individual. Conforme expôs São Tomás de Aquino: «Pois a parte ordena-se ao todo, como o imperfeito ao perfeito, e, por isso, cada parte existe naturalmente para o todo.»

06/05/2017

A monarquia é o regime mais natural


O mais bem ordenado é o natural; pois, em cada coisa, opera a natureza o melhor. E todo o regime natural é de um só. Assim, na multidão dos membros, há um primeiro que move, isto é, o coração; e nas partes da alma, preside uma faculdade principal, que é a razão. Têm as abelhas um só rei [rainha], e em todo o universo há um só Deus, criador e governador de tudo. E isto é razoável. De facto, toda a multidão deriva de um só. Por onde, se as coisas de arte imitam as da natureza, e tanto melhor é a obra de arte quanto mais busca a semelhança do que é da natureza, importa seja o melhor, na multidão humana, o governar-se por um só.

São Tomás de Aquino in «Do Reino ou Do Governo dos Príncipes ao Rei do Chipre».

31/05/2015

Repreender ou não repreender?


Um liberal dito católico costuma dizer que repreender um superior em público é necessariamente pecar contra o 4º Mandamento. Segundo o sujeito, as repreensões devem ser sempre em privado. São Tomás de Aquino, Doutor da Igreja, discorda:

Deve observar-se, porém, que se a Fé estiver em perigo, um subordinado deve repreender o seu prelado, mesmo publicamente. Por isso, Paulo, que estava sujeito a Pedro, o repreendeu em público, devido ao perigo iminente de escândalo com respeito à Fé.
São Tomás de Aquino in «Summa Theologica», Parte II-II, Questão 33, Artigo IV.

Não confundir, porém, uma repreensão legítima com desonra. Essa, sim, seria pecado.

19/08/2014

A importância do Tomismo

Santo Tomás de Aquino

As sociedades civil e doméstica que se acham em grave perigo, como todos sabemos, por causa das pestes dominantes de opiniões perversas, viveriam certamente mais tranquilas e mais seguras se nas universidades e escolas se ensinasse uma doutrina mais sã e mais de acordo com o magistério e o ensinamento da Igreja, tal como contêm as obras de Santo Tomás de Aquino. Tudo o que nos ensina Santo Tomás sobre a verdadeira noção de liberdade, que hoje degenera em licença, sobre a origem divina de toda a autoridade, as leis e seu poder, o paternal e justo governo dos soberanos, a obediência devida aos poderes superiores, sobre a mútua caridade que deve reinar entre todos; todas estas coisas e outras do mesmo teor, são ensinadas por Santo Tomás e têm uma grande robustez e invencibilidade para deitar por terra todos os princípios do novo direito, que como todos sabem, são um perigo para a boa ordem das coisas e o bem-estar público.

Papa Leão XIII in encíclica «Aeterni Patris».

28/04/2013

Do amor pátrio


O homem é devedor a respeito de outro em diversos graus, que correspondem, por um lado a excelência das pessoas, por outro lado a importância dos benefícios recebidos. Sob um e outro aspecto, Deus ocupa o primeiro lugar, visto que Ele é ao mesmo tempo o melhor de todos os seres e o primeiro princípio ao qual o homem deve tudo. Mas os princípios secundários da vida humana são os Pais e a Pátria. Por isso a eles, depois de Deus, é a quem o homem é principalmente devedor. De modo que depois da virtude da religião, cujo papel é prestar culto a Deus, vem a virtude da piedade, que presta culto aos Pais e à Pátria.

São Tomás de Aquino in «Compendio de la Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino» do Pe. Raphael Sineux.

09/01/2013

A doutrina política de S. Tomás de Aquino


Para S. Tomás, como para Aristóteles, há três formas de sociedade possíveis:
__a) Monarquia;
__b) Aristocracia;
__c) Democracia.
A cada uma destas três formas correspondem três outras formas que são a sua corrupção:
__a) Tirania, corrupção da Monarquia;
__b) Oligarquia, corrupção da Aristocracia;
__c) Demagogia, corrupção da Democracia.
A Monarquia é o governo dum povo por um só, e a Tirania é a opressão de todo o Povo. A Aristocracia é a administração do povo por um grupo de homens virtuosos, e a Oligarquia é a opressão de todo o povo ou de uma parte, um grupo. A Democracia é o governo do Estado por uma classe numerosa, e a Demagogia é a opressão duma classe social por outra como por exemplo, quando a plebe, abusando da sua superioridade numérica, oprime os ricos; é a Tirania da multidão. Qual das três formas de governo é a melhor, isto é, a mais justa?
Há sempre perigo, esclarece o Doutor Angélico, ou em renunciar à melhor forma de governo, que é a Monarquia, pelo receio da Tirania, ou, pelo temor da renúncia, em adoptar o governo monárquico, correndo-se o risco de o ver degenerar em tirania. A corrupção do melhor é sempre o pior. Então, que devemos fazer: contentar-se a gente com o não estar muito bem pelo medo de ficar muito mal, ou aspirar ao melhor sem pensar no pior? A resposta só pode ser dada, depois de sabermos as razões porque a Monarquia é o melhor dos governos.
Antes de mais nada, vejamos: qual é mais vantajoso para uma cidade ou para uma província: o governo de um ou o governo de muitos? Para se responder a isto, temos que fixar qual seja o fim que deve propor-se qualquer governo. Ora a intenção de quem exerce a função governativa deve ser garantir a salvação daqueles sobre quem tem domínio. Mas em que consiste o bem e a salvação da sociedade política? Na paz, – sem a qual a vida social perde toda a razão de ser. Logo todo aquele que governa um povo deve, antes de mais nada, garantir-lhe a unidade da paz, isto é, na ordem. Logo, um regime será tanto mais útil, quanto mais eficaz for na sua missão de garantir a unidade do povo na paz. É evidente que o que é um só é mais capaz de realizar a unidade do que muitos, – como as fontes de calor mais poderosas são os objectos quentes por si mesmos. Logo, o governo dum só é mais útil ao povo de que o governo de muitos. Além disso, tudo quanto se passa naturalmente, passa-se bem, porque a natureza faz sempre o que é melhor.
Ora o modo comum, na natureza, é o governo dum só. No corpo humano, há um órgão que move todos os outros: o coração. Na alma, há uma parte que preside às outras: a razão. As abelhas têm uma rainha, e no universo inteiro, só há um Deus que criou todas as coisas e as governa. Se uma pluralidade deriva sempre duma unidade, e se os produtos da arte são tanto mais perfeitos quanto mais se parecem com as obras da natureza, – o melhor governo para um povo consiste necessariamente no governo de um só. E a experiência o confirma: as províncias ou as cidades governadas por muitos sofrem dissensões, e são perturbadas pela falta de paz. Foi por isso que o Senhor prometeu, aos seu povo, como dom magnífico, dar-lhe um só chefe, e colocar um só príncipe no seu seio. E o perigo da Tirania? Consideremo-lo.
A Tirania não é o perigo exclusivo da Monarquia: a Oligarquia e a Demagogia, são tiranias também, e que por serem as dum grupo ou duma classe, não são sempre menos pesadas. Se dizemos que a tirania dum só, corrupção do melhor, é a pior tirania, é na suposição de que ela fosse absoluta. Mas esta tirania absoluta é rara; a maior parte das vezes, limita-se a exercer-se sobre algumas famílias, ou sobre uma classe mais ou menos numerosa de cidadãos. Pelo contrário, quando se trata da tirania de muitos, o mal reside no próprio governo e atinge o País inteiro. Se acrescentarmos que o governo de muitos gera mais frequentemente tiranias do que o governo dum só em virtude das rivalidades dos chefes que os atiram uns contra os outros, para se eliminarem em proveito dum, conclui-se que é a Monarquia que apresenta menos perigos.
Dois males, temos que escolher um – o menor. Ora dum lado, vemos o governo melhor, pouco arriscado a cair no pior; doutro lado, vemos governos menos bons, muito arriscados a cair em tiranias, das quais a menor afectaria já a boa ordem de todo o Estado. Se, portanto, a única razão de nos privarmos do melhor regime é o receio da tirania, e se a tirania mais a temer é a dos regimes menos bons, não fica razão alguma para que não escolhamos o melhor governo: o governo dum só. Se apesar de tudo, o Rei se revelar tirano, devemos suportá-lo tanto quanto pudermos, porque muitas vezes, só se muda dum mau tirano para um pior. Mas nunca se deve recorrer à violência e ao assassinato, e deve-se procurar, pelas vias legais, obter do tirano que ele se demita, porque o povo que escolhe os reis tem sempre o poder de destituir os tiranos indignos da sua missão.
Tal é a doutrina política de S. Tomás de Aquino que temos muito prazer em oferecer, resumidamente, àqueles que pelo seu conhecimento se interessaram.

Alfredo Pimenta in «Nas Vésperas do Estado Novo».