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18/06/2019

Falácia de apelo à emoção


A falácia de apelo à emoção ocorre quando alguém manipula as emoções alheias como forma de levar os outros a aceitar algo como bom e verdadeiro. Esquema:

Pessoa A associa emoção favorável à posição X.
– Logo, posição X é verdadeira.

Aquilo que o interlocutor faz é associar um bom sentimento a uma posição e em seguida desloca o foco da posição para o sentimento inculcado, de forma a "validar" a posição. Este tipo recurso falacioso é muito comum nos dias de hoje, sobretudo na política e na publicidade, em que se procura influenciar o comportamento do público através da emoção e do sentimento, afastando a razão.

Exemplo: Miguel Duarte: Salvar vidas não é um crime. O sujeito diz que foi constituído arguido por "salvar vidas", quando na verdade foi constituído arguido por crime de auxílio à imigração ilegal.

18/05/2019

Cartas de um diabo ao seu aprendiz


É muito recomendável o inapreciável trabalho de C. S. Lewis, professor de filosofia da Universidade de Oxford, Cartas de Broca, que tirou vinte e cinco edições em cinco anos. É uma série hipotética de cartas entre um tio velho, diabo, no Inferno, cujo nome é Broca, e um sobrinho, diabo, na Terra, que dá pelo nome de Réptil. Este esforça-se por ganhar a alma de um estudante seu colega e está em constante comunicação com o seu tio Broca sobre a melhor maneira de arruinar o rapaz. Por vezes Broca fala do «Inimigo» que é Deus. O contexto do livro é diabólico, e portanto o inverso da verdade; mas está apresentado de tal maneira, que se principia logo a ver a falácia do método demoníaco. Ao leitor, em vez de lhe ensinar o que é bom, ensinam-se-lhe os caminhos que conduzem firmemente à ruína. Entre outras sugestões encontram-se estas: Broca diz ao Réptil que deve deixar de argumentar com o colega sobre se as coisas são verdadeiras ou falsas, o que, di-lo ele, é o caminho do «Inimigo». Há poucos séculos, afirma ele, as pessoas estavam mais interessadas em saber se uma coisa se podia provar ou não. E diz-lhe mais: «Não percas tempo a fazer-lhe pensar – ao jovem – que o materialismo é verdadeiro. Mas diz-lhe antes que é a filosofia do futuro, ou que é progressivo, e que deve evitar tornar-se um reaccionário ou um medievalista». Broca também recomenda que o homem crédulo, sentimental, seja alimentado com poetas menores e com novelistas de quinto plano, até acreditar que o amor é irresistível, que toda a repressão é um erro, e que a bênção nupcial é uma ofensa.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

03/05/2019

Rousseau: apóstolo da Revolução


No quadro do livre-pensamento, devemos considerar isoladamente um escritor original, elegante, comovente, atraente, colorido e romanesco, que sempre mereceu lugar de destaque entre os autores de seu século: Jean-Jacques Rousseau. Com ele, chegamos ao centro do naturalismo. Glorifica a natureza, proclama-a pura e boa em si mesma, em suas origens. Não será ele, é claro, que admitirá o pecado original. Com Rousseau chegamos aos antípodas do luteranismo, do calvinismo, do jansenismo. Quem estragou o homem foi a sociedade. As artes e a ciência só agravam a corrupção humana. Partindo desse paradoxo – perguntamos como o homem fundamentalmente bom, pode se corromper em comum! – Rousseau funda uma espécie de religião nova que, em literatura, tomará a forma de romantismo, mas que é o fundo da actual religião do progresso, da ciência, da técnica. Em Rousseau, essa religião é a adoração da natureza, de seus instintos, sentimentos, impulsos passionais, numa palavra, adoração do coração humano mais do que da razão humana. As Confissões (surgidas em 1781), a Nova Heloísa (1761), Emílio (1762), o Contrato Social – que será uma espécie de Evangelho da Revolução – exerceram enorme influência. Podemos dizer que Rousseau é o pai do misticismo democrático que inspirou os Marat, os Robespierre e mais tarde um Edgar Quinet e os neo-jacobinos do combismo, – pai do misticismo socialista e comunista que, através de Saint-Simon, Fourier, Proudhon, Karl Marx, levou a Jaurès, Léon Blum, por um lado, e a Lenine e Estaline, por outro. Finalmente, Rousseau é o pai do misticismo passional e estético, no qual se inspiraram a literatura contemporânea e a religião da música, ou da arte pela arte.

Mons. Léon Cristiani in «Bréve Histoire des Hérésies», 1956.

07/08/2018

Catolicismo não é sinónimo de Sentimentalismo

Cristo não veio para nos tornar pessoas simpáticas. Ele veio para nos tornar homens novos.

A civilização moderna separou Cristo da Cruz, tomou-O sem ela e fê-l'O um moralista sentimental como Buda.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

04/01/2016

Da tirania mediática


1ª Tese: Os instrumentos utilizados para influenciar a opinião nunca foram tão potentes.
Primeiro, porque o tempo passado em frente à televisão representa hoje em França quase 20% da vida dos nossos compatriotas (40% do tempo total em transportes e trabalho), e os produtores televisivos servem-se da informação para fazer passar as suas opiniões, e do entretenimento para promover os seus valores (ou anti-valores).
Em seguida, porque o capital consagrado à comunicação e à publicidade nunca foi tão importante, representando actualmente uma percentagem importante do produto interno bruto (PIB). Ora, tanto a publicidade como a comunicação social não se limitam a promover os seus produtos comerciais ou políticos, eles veiculam também as imagens e os valores. Televisão, publicidade e comunicação são de resto mais eficazes para influenciar opinião porque agem através da emoção em vez da razão.
Por último, para completar o dispositivo do suave totalitarismo, a escola e a empresa são também mobilizadas ao serviço do conformismo dominante.

Jean-Yves Le Gallou in «Douze thèses pour un gramscisme technologique», 2008.