A extrema-esquerda desempenha, em toda a Europa, o mesmo
papel: denunciar e atacar as forças identitárias e nacionais. Constitui-se em
polícia do pensamento por conta da Nova Ordem Mundial. Por toda a parte a
extrema-esquerda é um instrumento de pressão sobre os poderes: umas vezes para
parar os movimentos de "direitização" dos partidos tradicionais (anos 80) e
outras para lutar contra o surgimento do populismo (anos 90).
Adoptando um ascendente moral em nome da luta contra as "fobias" – xenofobia, homofobia, islamofobia – a extrema-esquerda utiliza uma retórica
incapacitante contra os valores familiares e nacionais susceptíveis de pararem
o desenvolvimento do capitalismo globalizado. Não hesitando em utilizar leis
repressivas ("as fobias não são uma questão de opinião, são um crime"), a
extrema-esquerda é uma alavanca do poder mediático e judicial, frequentemente
executante das baixas obras da superclasse mundial. A intimidação e a sideração
são os seus meios de acção privilegiados.
A vitimização das "minorias" sexuais serve de máscara ao
velho projecto revolucionário de dissolução da instituição familiar, obstáculo
ao império do mercado; e, a coberto de pôr fim a pretensas discriminações ou
reprimir intenções homofóbicas, conseguem impedir a expressão dos valores
tradicionais. E foi assim que foi expulso da Comissão Europeia o pouco
politicamente correcto e muito católico Rocco Buttiglione. Simetricamente, foi
assim que foi protegido Frédéric Mitterand, esse "magnífico símbolo de
abertura", segundo as palavras de Nicolas Sarkozy, que escreveu no seu livro La
Mauvaise Vie: "sexo e dinheiro, estou no centro do meu sistema".
A extrema-esquerda joga também no registo da provocação: por
todo o lado na Europa onde movimentos nacionais, identitários ou populistas se
desenvolveram, a extrema-esquerda apelou a contra-manifestações, frequentemente
violentas, com dois objectivos:
– Conseguir a interdição das reuniões dos movimentos que
ameaçam a ideologia da superclasse mundial;
– Conduzir esses movimentos dissidentes a defenderem-se para
assegurarem a sua liberdade, com o risco de darem às televisões imagens de
violência.
Na revista Contretemps, de Setembro de 2003, Anne Tristan,
antiga responsável da associação de extrema-esquerda Ras L'Front explica o
funcionamento dessa organização: utilizar iniciativas espectaculares e
contra-manifestações para evitar a banalização do Front National – uma
estratégia com benefícios, utilizada também na Alemanha ou Grã-Bretanha, por
exemplo.
Jean-Yves Le Gallou in «Les convergences paradoxales de l’extrême gauche et de la superclasse mondiale».

















