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03/01/2019

A tolerância e o círculo quadrado


JORGE GUILHERME – A tolerância não é o respeito de todas as convicções, crenças, etc.?

JOÃO TIAGO – Por certo.

JORGE GUILHERME – Então, a tolerância tem de ser tolerância da intolerância, das convicções e crenças intolerantes. Se não o for, a tolerância repele certas crenças e convicções, logo, a tolerância transforma-se em intolerância. E uma tolerância intolerante é um paradoxo grotesco. Mas se a tolerância for a tolerância da intolerância, é a aceitação do que a nega, o que é axiologicamente uma auto-contradição.

JOÃO TIAGO – Não é certo, porém, que julgas indigno que a tolerância elimine os intolerantes que a negam, embora seja perfeitamente correcto para ti que os intolerantes neguem a tolerância em nome dos nossos princípios. Posição cómoda, na verdade, mas racionalmente insustentável.

JORGE GUILHERME – Estou muito satisfeito por abordares um problema que desejava tratar com certa largueza. É certo que o argumento que usas é velho. Já foi brandido contra Veuillot. Só que acontece que a idade respeitável não lhe dá verdade nenhuma.

JOÃO TIAGO – E porque não é verdadeiro?

JORGE GUILHERME – Porque não reclamamos tolerância em nome dos vossos princípios. Decerto pretendemos que as nossas doutrinas tenham livre difusão e expansão; simplesmente nunca em nome de uma regra geral de tolerância, antes em nome da verdade intrínseca que as caracteriza. Isto em nada contende com o não reconhecimento de iguais direitos para as doutrinas opostas, precisamente porque nelas vemos o erro.

António José de Brito in «Diálogos de Doutrina Anti-Democrática», 1975.

26/08/2018

O paradoxo da tolerância

Um tolerante intolerante.

Ocupemo-nos a seguir da tolerância.
Esta consiste em admitir todas as doutrinas e na recusa de qualquer fundamentalismo ideológico.
Por vezes, quando se fala em tolerância alude-se à liberdade religiosa. Lembremos, por exemplo, as célebres Cartas sobre a Tolerância de Locke em que se discute fundamentalmente a liberdade dos vários cultos (excluídos, desde logo, o católico e o islâmico).
Em todo o caso, a tolerância, tomada na sua mais estrita acepção, embora abranja a liberdade religiosa, ultrapassa-a patentemente.
Conforme dissemos, a tolerância envolve não só as concepções religiosas mas todas as concepções em geral – filosóficas, políticas, etc.
Ora se devem tolerar todas as concepções também se deve tolerar a intolerância com o que, consoante nota Marcuse, a tolerância se destrói a si mesma.
Para obviar a isso só há um processo: não tolerar qualquer espécie de intolerância. Em semelhante circunstância a tolerância transforma-se numa ideia oficial, num credo que tem de ser acatado por todos. Eis que a tolerância se torna intolerância. O paradoxo é patente porque das malhas desta tenaz não há que escapar.

António José de Brito in «Alguns paradoxos das doutrinas sobre os direitos dos homens», 2002.

26/05/2017

Da verdadeira caridade


Ora, a doutrina católica nos ensina que o primeiro dever da caridade não está na tolerância das convicções erróneas, por sinceras que sejam, nem na indiferença teórica e prática pelo erro ou o vício, em que vemos mergulhados nossos irmãos, mas no zelo pela sua restauração intelectual e moral, não menos que por seu bem-estar material.

Papa São Pio X in «Notre Charge Apostolique», 1910.

04/03/2017

O esquerdismo e a paranóia


Tal como existe um complexo de culpa na Nova Esquerda, também existe uma frequência de delírios paranóicos. Este tipo de comportamento, muito comum entre os chamados "activistas sociais", tende à criação de males imaginários e agressões imaginárias.

PARANÓIA – substantivo feminino (do grego paranóia, loucura). 1. Psicose crónica caracterizada pela organização lógica de temas delirantes. 2. Comportamento de pessoa, ou grupo, com tendência a crer-se perseguida ou agredida. Enciclopédia. A personalidade paranóide é uma anomalia psíquica que se traduz por comportamentos delirantes e compreende a supervalorização de si próprio, a desconfiança sistemática, a rigidez mental, o raciocínio correcto mas baseado num ponto de partida falso. O delírio paranóide (ou psicose paranóide, ou paranóia) surge num doente que tinha anteriormente personalidade paranóide. O delírio é uma ideia falsa, anormal e obsessiva que arrasta consigo a convicção do paciente e que este não é capaz de criticar (visão acrítica). O indivíduo interpreta erradamente as informações ou tem intuições falsas, o que leva a acreditar-se perseguido. Pode também experimentar uma paixão devoradora ou reivindicar de modo exagerado (fanatismo, processos judiciais).
Adaptado de «Nova Enciclopédia Larousse».

Recentemente, o fadista João Braga foi alvo do delírio paranóide de activistas "anti-racistas" e "anti-homofóbicos". Porém, olhando objectivamente, o que o fadista disse não constitui insulto a ninguém. João Braga apenas fez um comentário banal acerca da hegemonia do marxismo cultural em Hollywood, que premeia os filmes, não pela sua qualidade, mas pelo seu carácter propagandístico. Ora, esta crítica só incomoda, ou quem está comprometido, ou quem está intelectualmente formatado e fanatizado pelo sistema educativo e mediático.
Por outro lado, os ataques de que o fadista foi vítima, e que eu testemunhei pessoalmente, são espelho daquela opinião de Louis Veuillot: Não há ninguém mais sectário do que um liberal. De facto, o paradoxo dos "tolerantes" é que eles só toleram as suas próprias opiniões e ideias. Quem pensa diferente é ameaçado, ofendido e socialmente ostracizado. Ou em linguagem "tolerante": é vítima de bullying. Ser "tolerante" torna-se assim também sinónimo de ser hipócrita.

02/11/2016

A armadilha da tolerância


Daqui se vê claramente a índole dos Pedreiros na França, que é propriamente o centro da Maçonaria Europeia, e bem sei que a tudo isto se chama terrorismo ou exageração de princípios, mas nisso mesmo se descobre o espírito da seita, cujo fim é adormentar e iludir, para que ninguém pressinta a bulha que fazem os seus trabalhos subterrâneos, e o mais é que os mesmos da confraria lá de tempos-a-tempos deixam escorregar da pena algum dos seus melhores segredos... Reparem os meus leitores neste que lhes vou meter pelos olhos dentro, e vejam que tais são os amigos de trolha:
"Todos os homens grandes foram intolerantes, e é necessário que o sejam. Quando se encontre no caminho um Príncipe benigno, é necessário pregar-lhe a tolerância para ele cair no laço, e para que o partido esmagado tenha tempo de se levantar pela tolerância que se lhe concede, e de esmagar o adversário pelo seu turno." (Correspondance de Grimm 1. Juin 1772 1. Part. Tom. 2. Pag. 242 et 243)

Frei Fortunato de São Boaventura in «O Mastigóforo», 1829.

14/12/2015

Intolerância


A intolerância não é estupidez ou fúria cega. Não é mesmo digno de ser intolerante quem não sabe por que deve sê-lo, quem não sabe por que o é. Intolerância é amor da verdade, e tanto da Suprema Verdade, como de qualquer verdade. É a face exterior da convicção, que por sua vez é a face interior da verdade, que, se não depende de nós para ser, só o é para nós quando a procuramos, a amamos, e sabemo-la defender.

Jackson de Figueiredo in «Trechos Escolhidos».

12/09/2015

A tolerância entre a virtude e o vício


O único fundamento lógico possível da tolerância, encontra-se na necessidade de permitir um mal para impedir outro maior que ele. Esta necessidade é uma exigência absoluta, não relativa ou condicionada, ainda que indubitavelmente se prefira algo que só de um modo relativo (em sentido ontológico, não na acepção gnoseológica) é admissível. O tolerável é sempre um mal (o bom não é tolerado, senão positivamente querido, amado) e um mal é tolerável unicamente na qualidade de mal menor, sendo esta qualidade um valor objectivo, isto é, absoluto ou em si.

Antonio Millán-Puelles in «Ética y Realismo».

12/05/2015

Libelo contra a direita conservadora


Não se trata de defender uma atitude de pura destruição, nem de anarquismo, nem de futurismo desgarrado, nem de progressismo utópico ou que vai sumir-se no ventre da esquerda, nem de revolução total e cega. Existem valores permanentes, realidades a conservar, naturezas a assumir, existem coisas que se transmitem, com justiça, através dos tempos e no concreto.
O que eu combato é a posição de rotina e o materialismo prático. (...)
Dizem que o conservador pertence às direitas. Talvez, mas então será a sua degradação e caricatura, a sua doença e o criminoso da família. Porque nem toda a direita é aquilo. (...)
A direita conservadora quer a tranquilidade e a segurança – e para isso venderá a alma ao diabo e acabará enterrando na adega quantos ideais houver. Não admite é sobressaltos, violências, extremismos. Tem um arrepio e lança uns protestos indignados, quando conspurcam as glórias pátrias, atacam a nossa herança ultramarina, fazem a demolição ciclónica da religião, ameaçam frontalmente dissolver a família, ou clamorosamente, em regabofe, praticam e trombeteiam o amor livre. Mas se a coisa vier docemente, empantufada, com flores e por aliciantes arroios – com boas maneiras, sim! –, já o caso muda de figura. A direita conservadora fica a escutar violinos, ao canto da lareira, a ver televisão ou ronronando, tolera, fecha os olhos, abranda, deglute o bolo às migalhas e acaba por ser habituar. Sobressaltos, violências, extremismos é que não!
A direita conservadora é moderada. Claro que existem coisas más, feias, indignantes. Mas não é preciso reagir de dentuça arreganhada, ao tabefe e com pulso de ferro, ou de arma aperrada e fulgurante. Claro que o espírito e o ideal são precisos e bons; mas não exageremos, nem vamos perder o sossego e o bem-estar, em aventuras, perigos e aflições, por causa das ideias, de espiritualismos e quejandos enxoframentos de adolescente cabeça ardorosa.
A direita conservadora não quer pensar muito; nem sentir muito. Disso, um condimentozinho apenas; q.b. Livra!, que doses altas podem tirar o sono ou dificultar a digestão! Portanto, adoram um governante que pense por ela, como ela sensatamente, tolerante, de fino trato, prático, livre da terrível praga da ideologia; e que sinta? Também sim, que sinta que ela, direita conservadora, não quer sobressaltos e que não se importa de deslizar para qualquer banda, no caso de ser sem prejuízos materiais e sem violências. A direita conservadora é centrista e, assim, voga, beatamente, se preciso, segundo os ventos da História – mas sem o dizer.
A direita conservadora é um molusco. E no entanto, resulta num penhasco gigantesco e obstrutor para o movimento (...) de Justiça e Ideal.

Goulart Nogueira in «Política», n.º 19, 30 de Setembro de 1970.

30/07/2013

Amor não é Tolerância


Existe também outra falsificação da imagem deste amor sobrenatural. Acredita-se que um homem que actua na vida segundo a lei do amor, deve ser necessariamente um homem bondoso, pleno de compaixão, disposto a todos os compromissos, incapaz de fazer uso da violência, pronto a perdoar todas as injustiças e sobretudo amante da paz. Isto não é verdade.
Existem circunstâncias nas quais o amor de tipo espiritual pode chegar a ser terrível e impiedoso. Quando o Arcanjo São Miguel expulsou Lúcifer e as suas hostes do Céu, não procedeu com suavidade com os rebeldes; Jesus Cristo tomou um chicote e escorraçou os vendilhões do templo. No dia do Juízo Final, não podemos dizer que Jesus Cristo não tem amor porque vai a julgar-nos e muitos terminarão no Inferno. Quando um líder de um país manda cortar a cabeça de um malfeitor, não significa que não tem amor; pelo contrário, poderia ser acusado de falta de amor para com o povo se não tivesse procedido tão severamente. Corneliu Codreanu, acusado no parlamento do seu país de não ser cristão, por exigir a aplicação da pena capital, respondeu: «Entre a morte da minha nação e a morte de um malfeitor, prefiro a morte deste último».

Horia Sima in «El Hombre Cristiano y La Acción Política».