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16/08/2019

Máximas de um Rei católico


Num memorial de sua letra, que fez antes de tomar o governo do Reino, El-Rei D. Sebastião escreveu as máximas que devia observar, e são as seguintes:

– Terei a Deus por fim de todas as minhas obras, e em todas elas me lembrarei d'Ele.
– Em me deitando, e levantando, conto com Ele muito particular. – Cuidar à noite, em que falei naquele dia.
– Trabalharei muito por dilatar a Fé. – Favorecerei muito as coisas da Igreja. – Armar todo o Reino. – Defender alfaias e delícias. – Fazer mercê a bons, castigar a maus. – Não crer levemente, e ouvir sempre ambas as partes. – Fazer justiça ao grande, e ao pequeno, sem excepção de pessoa. – Tirar as onzenas. – Conquistar e povoar a Índia, Brasil, Angola e Mina. – Todo o que me falar desonestidades, castigá-lo rijamente.
– Quando houver de fazer alguma coisa, comunicá-la primeiro com Deus. – Reformar os costumes, começando por mim no vestir e comer. – Em negócios, ter primeiro conta com o bem comum, e depois com os particulares. – Tirar alguns tributos e buscar modo com que Lisboa seja abastada. – As leis que fizer, mostrá-las primeiro a homens de virtude e letras, para que me apontem os inconvenientes que tiverem.
– Levar os súbditos por amor, enquanto puder. – Ser inteiro aos grandes, humano aos pequenos.
– As comendas sirvam em África.
– Não ter junto de mim senão homens tementes a Deus.
– Devassar dos ofícios de justiça, e fazenda, cada ano.
– Escrever a todos os Prelados que façam dizer Missas e Orações por mim, e pedir jubileu ao Papa.
– Terei nos postos do mar homens de confiança, e os que entram, que não sejam suspeitos na Fé.
– As coisas que não entender bem, comunicá-las primeiro com quem me possa dar parecer desenganado.
– Não dar, nem prometer nada, sem saber se é injustiça ou mal feita. – Mostrar bom rosto e agasalhado a todos. – Prover os cargos e ofícios em quem faz para isso, e não por outros respeitos. – Não desmaiar nas dificuldades, antes ter maior fé e confiança em Deus. – Tirar a cobiça. – Mostrar sempre ânimo liberal e não acanhado. – Gabar os homens, e cavaleiros, que tiverem bons procedimentos, diante de gente, e os que tiverem préstimo para a República, e mostrar aborrecimento às coisas a ela prejudiciais. – Não dizer palavras que escandalizem, mormente quando estiver agastado. – Os meus Embaixadores andarão sempre vestidos à portuguesa.
– Em todas as coisas que fizer, terei primeiro conta com a honra de Deus. – Serei pai dos pobres e de quem não tem quem faça por eles.

29/05/2019

Sílabo do Papa Pio IX (II)



§ IV

Socialismo, Comunismo, Sociedades Secretas, Sociedades Bíblicas, Sociedades Clérico-Liberais.

Estas pestes, muitas vezes, e com palavras gravíssimas, foram reprovadas na encíclica "Qui pluribus" de 9 de Novembro de 1846; na alocução "Quibus quantisque malis" de 20 de Abril de 1849; na encíclica "Nostis et nobiscum" de 8 de Dezembro de 1849; na alocução "Singulari quadam" de 9 de Dezembro de 1854; na encíclica "Quanto conficiamur moerore" de 10 de Agosto de 1863.

§ V

Erros sobre a Igreja e os seus direitos.

19º A Igreja não é uma sociedade verdadeira e perfeita, inteiramente livre, nem goza de direitos próprios e constantes, dados a ela pelo seu divino Fundador, mas pertence ao poder civil definir quais sejam os direitos da Igreja e os limites dentro dos quais pode exercer os mesmos.

20º O poder eclesiástico não deve exercer a sua autoridade sem licença e consentimento do governo civil.

21º A Igreja não tem o poder de definir dogmaticamente que a religião da Igreja Católica é a única religião verdadeira.

22º A obrigação a que estão sujeitos os mestres e escritores católicos refere-se tão-somente àquelas coisas que o juízo infalível da Igreja propõe como dogmas de fé para todos crerem.

23º Os Pontífices Romanos e os Concílios ecuménicos ultrapassaram os limites do seu poder, usurparam os direitos dos Príncipes, e erraram, mesmo nas definições de fé e de moral.

24º A Igreja não tem poder de empregar a força, nem poder algum temporal, directo ou indirecto.

25º Além do poder inerente ao Episcopado, é-lhe atribuído outro poder temporal, conhecido, expressa ou tacitamente, pelo império civil, que o mesmo império civil pode revogar quando lhe aprouver.

26º A Igreja não tem poder natural e legítimo de adquirir nem de possuir.

27º Os ministros sagrados da Igreja e o Pontífice Romano devem ser completamente excluídos de todo o cuidado e domínio das coisas temporais.

28º Não é lícito aos Bispos, sem a licença do governo, publicar nem as próprias cartas apostólicas.

29º As graças concedidas pelo Pontífice Romano devem-se julgar de nenhum efeito, não sendo imploradas pelo governo.

30º A imunidade da Igreja e das pessoas eclesiásticas nasce do direito civil.

31º O foro eclesiástico para as coisas temporais dos clérigos, quer civis quer criminais, deve ser de todo suprimido, mesmo sem consultar-se a Sé Apostólica, e não obstante as suas reclamações.

32º Pode-se derrogar, sem violação alguma de equidade e de direito natural, a imunidade pessoal, pela qual os clérigos são isentos do serviço militar, e esta derrogação é reclamada pelo progresso civil, especialmente na sociedade constituída debaixo da forma de regime mais livre.

33º Não pertence unicamente ao poder da jurisdição eclesiástica dirigir, pelo seu direito próprio e natural, a doutrina das matérias teológicas.

34º A doutrina dos que comparam o Pontífice Romano a um Príncipe livre, e que exerce o seu poder sobre toda a Igreja, é doutrina que prevaleceu na Idade Média.

35º Não impede que, por sentença de um Concílio Geral ou por decisão de todos os povos, seja o Sumo Pontificado transferido do Bispo Romano e de Roma para outro Bispo e para outra cidade.

36º A definição de um Concílio nacional não admite discussões subsequentes, e o poder civil pode exigir que as questões não progridam.

37º Podem ser instituídas Igrejas nacionais isentas da autoridade do Pontífice Romano, e separadas dele.

38º Os actos em demasia arbitrários dos Pontífices Romanos produziram a separação da Igreja em Oriental e Ocidental.

22/05/2019

Sílabo do Papa Pio IX (I)


Sílabo – Contendo os principais erros da nossa época, notados nas alocuções consistoriais, encíclicas e outras cartas apostólicas do nosso Santíssimo Padre, o Papa Pio IX.

§ I

Panteísmo, Naturalismo e Racionalismo Absoluto.

1º Não existe Divindade alguma suprema e sapientíssima e providentíssima, distinta desta universalidade das coisas, e Deus é o mesmo que a natureza das coisas, portanto, sujeito a mudanças, e Deus, na realidade, forma-se no homem e no mundo, e todas as coisas são Deus e têm a mesma substância de Deus; Deus é uma e a mesma coisa que o mundo, e, portanto, o espírito é o mesmo que a matéria, a necessidade que a liberdade, a verdade que a falsidade, o bem que o mal, e a justiça que a injustiça.

2º Deve negar-se toda a acção de Deus sobre os homens e sobre o mundo.

3º A razão humana, considerada sem relação alguma a Deus, é o único árbitro do verdadeiro e do falso, do bem e do mal, é a sua própria lei e, pelas suas forças naturais, suficiente para alcançar o bem dos homens e dos povos.

4º Todas as verdades da religião derivam da força natural da razão humana, e por isso, a mesma razão é a principal norma pela qual o homem pode e deve chegar ao conhecimento de todas as verdades de qualquer género que sejam.

5º A revelação divina é imperfeita e, portanto, sujeita ao progresso contínuo e indefinido que corresponde ao progresso da razão humana.

6º A Fé de Cristo repugna à razão humana, e a revelação divina não só não é útil, mas é contrária à perfeição do homem.

7º As profecias e milagres expostos e narrados nas Sagradas Escrituras são comentários de poetas; os mistérios da Fé Cristã, uma recompilação de investigações filosóficas; tanto o Velho como o Novo Testamento contêm invenções fabulosas, e o mesmo Jesus Cristo é uma ficção mítica.

§ II

Racionalismo Moderado.

8º Como a razão humana se deve equiparar à religião, por isso as disciplinas teológicas se devem tratar do mesmo modo que as filosóficas.

9º Todos os dogmas da religião cristã, indiscriminadamente, são objecto da ciência natural ou filosófica; e a razão humana, com o estudo, unicamente, da História, pode, pelos seus princípios e forças naturais, chegar ao verdadeiro conhecimento de todos os dogmas, mesmo os mais recônditos, com tanto que estes dogmas sejam propostos como objecto à mesma razão.

10º Como o filósofo é diverso da Filosofia, aquele tem direito de se submeter à autoridade que ele mesmo prova que é a verdadeira; mas a Filosofia não pode, nem deve, sujeitar-se a autoridade alguma.

11º A Igreja não só não deve repreender em coisa alguma a Filosofia, mas tolerar os erros da mesma e deixar que ela se corrija dos mesmos.

12º Os decretos da Sé Apostólica e das Congregações Romanas impedem o progresso livre da ciência.

13º O método e os princípios por que os antigos Doutores escolásticos ensinaram a Teologia, não convêm às necessidades da nossa época e ao progresso das ciências.

14º A Filosofia deve ser tratada sem nenhuma relação com a revelação sobrenatural.

§ III

Indiferentismo, Latitudinarismo.

15º É livre a qualquer um abraçar e professar aquela religião que ele, guiado pela luz da razão, julgar verdadeira.

16º No culto de qualquer religião podem os homens achar o caminho da salvação eterna e alcançar a mesma eterna salvação.

17º Pelo menos deve-se esperar bem da salvação eterna daqueles que não vivem na verdadeira Igreja de Cristo.

18º O protestantismo não é senão outra forma da verdadeira religião cristã, na qual se pode agradar a Deus do mesmo modo que na Igreja Católica.

29/11/2018

113º aniversário de Monsenhor Marcel Lefebvre


No entanto, o nosso dever consiste em tudo fazer para conservar o respeito à Hierarquia na medida em que os seus membros formam parte dela, e saber fazer a distinção entre a instituição divina à qual devemos estar muito aferrados, e os erros que podem professar alguns maus pastores. Devemos fazer o que for possível para iluminá-los e convertê-los com as nossas orações e o nosso exemplo de mansidão e firmeza.
À medida que se fundam os nossos priorados teremos esta preocupação de inserir-nos nas dioceses mediante o nosso verdadeiro apostolado sacerdotal submetido ao sucessor de Pedro, como sucessor de Pedro, não como sucessor de Lutero ou de Lamennais. Teremos respeito e inclusive afecto sacerdotal por todos os sacerdotes, esforçando-nos por lhes dar a verdadeira noção do Sacerdócio e do Sacrifício, por acolhê-los para retiros, por pregar missões nas paróquias como São Luís Maria Grignion de Montfort, pregando a Cruz de Jesus e o verdadeiro Sacrifício da Missa.
Assim, pela graça da Verdade, da Tradição, se desvanecerão os prejuízos a nosso respeito, ao menos por parte dos espíritos ainda bem dispostos, e a nossa futura inserção oficial ver-se-á, por isso, grandemente facilitada.
Evitemos os anátemas, as injúrias, as torpezas, evitemos as polémicas estéreis, rezemos, santifiquemo-nos, santifiquemos as almas que virão a nós cada vez mais numerosas, na medida em que encontrem em nós aquilo do qual têm sede: a graça de um verdadeiro sacerdote, de um pastor de almas, zeloso, forte na sua Fé, paciente, misericordioso, sedento da salvação das almas e da glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mons. Marcel Lefebvre in «O golpe mestre de Satanás», 1977.

09/11/2018

Patriotismo: um dever de caridade


Se o Catolicismo fosse um inimigo da Pátria, não seria uma religião divina. A Pátria é um nome que trás à nossa memória as recordações mais queridas, ou porque carregamos o mesmo sangue que os nascidos no nosso próprio solo, ou devido ainda à mais nobre semelhança de afectos e tradições, a nossa Pátria não é apenas digna de amor, mas de predilecção.

Papa São Pio X, discurso pronunciado a 20 de Abril de 1909.

05/11/2018

Sã Filosofia


Para combater o subjectivismo e o racionalismo, que são a base dos erros liberais, não farei alusão às filosofias modernas infectadas precisamente de subjectivismo e racionalismo. Não é nem o sujeito, nem os seus conhecimentos e os seus anseios que a filosofia de sempre, e em particular a metafísica, toma por objecto, é o ser mesmo das coisas, é aquilo que é. Com efeito, é o ser com as suas leis e princípios, o que nosso conhecimento mais espontâneo descobre. E no seu ápice a sabedoria natural (que é essa filosofia) chega pela teodiceia ou teologia natural ao Ser por excelência, ao Ser subsistente por si mesmo. É este Ser primeiro que o senso comum, apoiado, sustentado e elevado pelas verdades da fé, sugere que seja colocado no topo do real, conforme a Sua definição revelada: Ego sum qui sum (Ex 3, 14): Eu sou aquele que sou. Bem sabeis que quando Moisés perguntou o Seu nome, Deus respondeu: Eu sou o que sou, o que significa: Eu sou Aquele que é por si mesmo, possuo o Ser por mim mesmo. É o ens a se: o ser por si mesmo, em oposição a todos os outros seres que são ens ab alio: ser por outro ser, pelo dom que Deus lhes fez da existência! Este é um princípio tão admirável, que se pode meditar sobre ele durante horas. Ter o ser por si, é viver na eternidade, é ser eterno. Aquele que tem o ser por si mesmo sempre teve que tê-lo, o ser nunca poderia havê-lo abandonado. É sempre, foi sempre, será sempre. Pelo contrário, aquele que é ens ab alio, ser por outro ser, recebeu de outro, portanto começou a ser em algum momento, portanto começou!

Como esta consideração nos deve manter humildes! Compenetrarmo-nos do nada que somos diante de Deus! "Eu sou aquele que é, e tu és aquele que não é", dizia Nosso Senhor a uma santa alma. Como é verdadeiro! Quanto mais o homem absorver este princípio da mais elementar filosofia, melhor saberá o seu verdadeiro lugar diante de Deus.

Somente o facto de dizer: eu sou ab alio, Deus é ens a se; eu comecei a ser, Deus é sempre. Que contraste admirável! Que abismo! É por acaso este pequeno ab alio, que recebe o seu ser de Deus, que teria o poder de limitar a Glória de Deus? Teria o direito de dizer a Deus: tens direito a isto, mas mais nada? "Reina nos corações, nas sacristias, nas capelas, sim; mas na rua e na cidade não!" Que insolência! Igualmente seria este ab alio quem teria o poder de reformar os planos de Deus, de fazer com que as coisas sejam de outra maneira, diferentes de como Deus as fez? E as leis que Deus, em Sua sabedoria e omnipotência criou para todos os seres e especialmente para o homem e para a sociedade, teria o desprezível ab alio o poder de rechaçá-las a seu capricho, dizendo: "Eu sou livre!" Que pretensão! Que absurda esta rebelião do Liberalismo! Vede como é importante possuir uma sã filosofia e ter assim um conhecimento profundo da ordem natural, individual, social e política. Para isto o ensinamento de Santo Tomás de Aquino é insubstituível. Leão XIII o citou na sua encíclica Aeterni Patris de 4 de Agosto de 1879:
«Some-se a isto que o Doutor Angélico procurou as conclusões filosóficas na razão e princípio das coisas, princípios estes que se estendem amplamente e encerram em seu interior as sementes de inúmeras verdades que dariam abundantes frutos com os mestres posteriores. Tendo empregado este método de filosofia, conseguiu vencer os erros dos tempos passados e fornecer armas invencíveis para refutar os erros que sempre haviam de se renovar nos séculos futuros.»

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

08/08/2018

A Fé e a "fé"


Segundo a doutrina católica, a Fé é uma anuência, uma submissão da inteligência à autoridade de Deus que revela, sob o impulso da vontade livre movida pela Graça. Por um lado o acto de Fé deve ser livre, ou seja, deve escapar a toda a coacção exterior que tivesse por objecto ou por efeito directo obtê-lo contra a vontade da pessoa. Por outro lado, sendo o acto de Fé uma submissão à autoridade divina, nenhum poder ou terceira pessoa tem o direito de se opor à influência da Verdade primeira, que tem o direito inalienável de iluminar a inteligência do fiel. Disto se segue que o fiel tem direito à liberdade religiosa; ninguém tem o direito de o coagir, e ninguém tem o direito de impedi-lo de abraçar a Revelação divina ou de realizar com prudência os actos exteriores de culto.

Entretanto os liberais, esquecidos do carácter objectivo, completamente divino e sobrenatural do acto de Fé, e os modernistas que correm no seu rastro, fazem da Fé uma expressão da convicção subjectiva do sujeito no fim da sua procura pessoal, ao tentar responder às grandes interrogações que lhe apresenta o universo. A Igreja, que propõe o facto da Revelação divina exterior, dá lugar à invenção criadora do sujeito, ou pelo menos o sujeito deve esforçar-se para ir de encontro à fonte... Sendo assim, então a Fé divina é rebaixada ao nível das convicções religiosas dos não-cristãos, que pensam ter uma fé divina, quando não têm mais do que uma persuasão humana, pois o motivo para aderir à sua crença não é a autoridade divina, mas o livre julgamento do seu espírito. Aí está a sua inconsequência fundamental: os liberais pretendem manter para este acto de persuasão completamente humano, o carácter de inviolabilidade e isenção de toda a coacção que não pertence senão ao acto de Fé divina. Eles asseguram que, pelos actos das suas convicções religiosas, os adeptos de outras religiões põem-se em relação com Deus, e que a partir daí esta relação deve ficar livre de toda coacção que possa afectá-la. Eles dizem: «Qualquer fé religiosa é respeitável e intocável».

Mas estes últimos argumentos são visivelmente falsos, pois pelas suas convicções religiosas, os adeptos das outras religiões não fazem mais do que seguir invenções do seu próprio espírito, produções humanas que não têm em si nada de divino, nem em seu princípio, nem em seu objecto, nem no motivo pelo qual aderiram a elas.

Isto não quer dizer que não há nada de verdadeiro nas suas convicções, ou que não possam conservar sinais da Revelação primitiva ou posterior. Mas a presença destas semina Verbi, não bastam, por si, para fazer das suas convicções um acto de Fé divina. Principalmente porque se Deus quisesse suscitar este acto sobrenatural pela Sua Graça, na maioria dos casos ver-se-ia impedido pela presença de inúmeros erros e superstições aos quais estes homens continuam ligados.

Frente ao subjectivismo e ao naturalismo dos liberais, devemos reafirmar hoje o carácter objectivo e sobrenatural da Fé divina que é a Fé católica e cristã. Somente ela tem o direito absoluto e inviolável ao respeito e à liberdade religiosa.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

04/06/2018

Maurras, mentor do Patriotismo português?


A verdade, que eu pretendo fazer ressaltar destas páginas, e das que lhes hão-de seguir, é que o nosso nacionalismo [patriotismo] não precisa socorrer-se dos mestres franceses da Contra-Revolução, porquanto, graças a Deus, os tem em casa, muito seus, os quais nada devem aos estranhos, como facilmente poderá averiguá-lo quem queira dar-se a esse trabalho, antes de fulminar o nosso apostolado, com críticas, talvez muito espirituosas, mas sem nenhuma consistência.
No século passado, ainda a Action Française estava na massa dos impossíveis, já nós possuíamos os nossos doutrinadores da Contra-Revolução, em cujos escritos de modo algum se reflectia a influência dos contra-revolucionários franceses dessa época, alguns dos quais surgiram até posteriormente, e revelando-se, nas suas obras, de uma forma incompleta, o que não sucedia aos nossos Gamas e Macedos, que eram declarada e integralmente reaccionários.
Nós podemo-nos orgulhar de ter mestres, e dos melhores, como nos temos esforçado por demonstrar em mais de doze anos de bom combate, e os quais só aguardam ser conhecidos e meditados, para que a sua superioridade se imponha a quantos de boa-fé queiram formar a sua cultura nacionalista [patriótica]. «Nós temos tudo feito», como ainda há tempos me dizia o Sr. Dr. Hipólito Raposo, ao percorrermos em comum algumas páginas da Dissertação a Favor da Monarquia.
De resto, o que certos pedagogos se obstinam em recusar ao Pensamento nacionalista [patriótico] português, não o recusam a estranhos. O próprio Charles Maurras, que esses críticos de escada abaixo têm querido arvorar em nosso mentor, é o primeiro a reconhecer a base tradicional do nosso doutrinarismo, como tive ensejo de o verificar, quando um dia me recebeu no seu gabinete da Action Française, e lhe dei a ler alguns passos de O Novo Príncipe do doutor José da Gama e Castro, um dos quais Maurras classificou de «luminoso», acrescentando, ao inquirir da sua data, que aquilo se escrevera quando ele ainda nem era nascido.

Fernando Campos in «A Genealogia do Pensamento Nacionalista», 1931.

§

Nota: Admite-se aqui o uso da palavra "nacionalismo" no sentido impróprio do termo, como sinónimo de "patriotismo". Pois como é sabido, o Nacionalismo é uma concepção napoleónica que nasceu do dogma liberal da independência – independência do Povo (Nação) face ao seu Soberano.

15/12/2017

Rei de Jerusalém


Acaba de ser publicado no amigo blogue FIDELISSIMUS o brasão que a Cristandade reconhece como sendo do católico Rei de Jerusalém. É muito apropriado para o momento, na esperança de católicas pessoas enganadas abdicarem do erro judaizante e sionista, lugares por onde já infelizmente andam lançados.

01/12/2017

1º de Dezembro: Dia da Restauração


A guerra de Portugal com Castela é tão antiga, que começou juntamente com o mesmo Reino e seus primeiros Príncipes, e há mais de 500 anos que dura. Pelo que nem esta guerra se deve de ter por coisa nova, nem se deve de fazer da nossa parte por modo novo; mas termos por certo, que seguindo-se os meios por onde se conservaram os nossos Reis, teremos na ocasião presente a mesma segurança e bons sucessos contra Castela, que por tantos séculos tivemos.

Pe. Manuel Severim de Faria in «Notícias de Portugal», 1655.

§

As palavras citadas são de um chantre e cónego da Sé de Évora, contemporâneo da Guerra da Restauração, na qual Portugal se defendeu da usurpação espanhola. E são também palavras que refutam a absurda e revolucionária tese da Aliança Peninsular... Em relação a Espanha, os nossos antepassados sempre mantiveram uma atitude de um prudencial afastamento, daí o famoso adágio popular: De Espanha, nem bom vento, nem bom casamento. Mas foi preciso que viessem uns certos intelectuais no século XIX e XX, para nos ensinar o contrário daquilo que sempre fizemos... E se é por razão de ignorância que hoje também alguns caem nesse mesmo erro, pois que façam como indica o Padre Severim de Faria: "...seguindo-se os meios por onde se conservaram os nossos Reis, teremos na ocasião presente a mesma segurança e bons sucessos... que por tantos séculos tivemos". Que nos reportemos, pois, à nossa Tradição Portuguesa e às suas fontes originárias, e não a modernos autores com as suas subjectivas interpretações, por mais bem-intencionados que alguns possam ter sido.

16/10/2017

O Tradicionalismo tem que vir da Tradição (II)


Mas o que é a Tradição? Parece-me que, com frequência, a palavra é imperfeitamente compreendida: comparam-na às tradições como existem nas profissões, nas famílias, na vida civil: o bouquet colocado sobre o telhado quando se põe a última telha, o cordão que se corta para inaugurar um monumento, etc. Não é nada disto que eu falo; a Tradição não são os costumes legados pelo passado e conservados por fidelidade a este, mesmo na ausência de razões claras. A Tradição define-se como o depósito de fé transmitido pelo Magistério de século em século. Este depósito é aquele que nos deu a Revelação, isto é, a palavra de Deus confiada aos Apóstolos e cuja transmissão é assegurada pelos seus sucessores.

Mons. Marcel Lefebvre in «Carta Aberta aos Católicos Perplexos», 1984.

02/10/2017

2 de Outubro: Dia dos Anjos da Guarda

Iluminura Manuelina

O nosso Santo Anjo da Guarda tem por missão proteger-nos e defender-nos, pôr-nos ao abrigo das ciladas do Demónio e dos inimigos da alma, para podermos alcançar a vida eterna. Este fiel companheiro merece o nosso reconhecimento e a veneração que convém a um santo que goza da visão de Deus no Céu. Por isso, roguemos ao nosso Anjo da Guarda:

Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, pois que a ti me confiou a piedade divina, hoje e sempre me governa, rege, guarda e ilumina. Ámen.

Também as famílias, os povos, os reinos, as dioceses, as igrejas, as comunidades religiosas, todos têm o seu Anjo da Guarda que as protege dos perigos e adversidades. Assim, roguemos também ao Santo Anjo Custódio de Portugal, que sempre defenda e dignifique a nossa Pátria:

Vinde, Anjo de Portugal, livrar a Pátria e os portugueses de todo o mal.

Vinde, Anjo de Portugal, afastar da Pátria a vós confiada os males espirituais assim como tudo o que puder perturbar a paz dos portugueses.

Anjo Custódio de Portugal, defendei a nossa Pátria!
Anjo Custódio de Portugal, salvai a nossa Pátria!
Anjo Custódio de Portugal, santificai a nossa Pátria!

18/09/2017

O Tradicionalismo tem que vir da Tradição (I)


Por ocasião da publicação de certas proposições, e por uma incompreensível má inteligência, para não dizer intencional, os jornais disseram e repetiram, com inaudita ligeireza, que Roma, a Santa Sé e a Igreja condenaram o tradicionalismo; o que equivaleria a dizer que a Igreja Católica condenou o princípio fundamental do Catolicismo e se condenou a si mesma; porque no fundo, o Catolicismo não é mais que a tradição apostólica, que nos garante a autenticidade da Escritura, da qual a Igreja é fiel e infalível depositária.

Pe. Ventura de Raulica in «La Tradición y los Semipelagianos de la Filosofia», 1862.

(Via: Ascendens)

19/07/2017

Mais livros recomendados


Tenho o prazer de anunciar aos leitores, que acrescentei na coluna da esquerda do blogue mais quatro obras de leitura. São elas:

Cartas de um Português aos seus Concidadãos de José Acúrsio das Neves.
Defesa de Portugal do Padre Alvito Buela Pereira de Miranda.
O Mastigóforo de Frei Fortunato de São Boaventura.
Refutação dos Princípios Metafísicos e Morais dos Pedreiros Livres Iluminados do Padre José Agostinho de Macedo.

Estas obras são de grande valor, indispensáveis a qualquer patriota e tradicionalista autêntico. Os seus autores, não foram meros escritores de realidades passadas, foram sim testemunhos dos avanços liberais contra os quais lutaram e de quem foram vítimas. Eles, melhor do que ninguém, conheceram e combateram a infiltração maçónico-liberal, dando-nos assim todas as munições necessárias contras os erros modernos, incluindo os que hoje se fazem passar por tradicionalistas. Por isso, aproveitem.

03/06/2017

Os nossos mestres


No século passado, ainda a Action Française estava na massa dos impossíveis, já nós possuíamos os nossos doutrinadores da Contra-Revolução, em cujos escritos de modo algum se reflectia a influência dos contra-revolucionários franceses dessa época, alguns dos quais surgiram até posteriormente, e revelando-se, nas suas obras, de uma forma incompleta, o que não sucedia aos nossos Gamas e Macedos, que eram declarada e integralmente reaccionários.
Nós podemo-nos orgulhar de ter mestres, e dos melhores, como nos temos esforçado por demonstrar em mais de doze anos de bom combate, e os quais só aguardam ser conhecidos e meditados, para que a sua superioridade se imponha a quantos de boa-fé queiram formar a sua cultura nacionalista [patriótica]. "Nós temos tudo feito", como ainda há tempos me dizia o Sr. Dr. Hipólito Raposo, ao percorrermos em comum algumas páginas da Dissertação a Favor da Monarquia.

Fernando Campos in «A Genealogia do Pensamento Nacionalista», 1931.

§

Nota 1: Admite-se aqui o uso do termo nacionalismo num sentido lato e não-técnico da palavra. Pois como é sabido, o conceito ideológico de nacionalismo nasceu do dogma liberal da independência, neste caso da independência dos povos face ao Rei.
Nota 2: É uma pena que não se tenha também referido o Frei Fortunato de São Boaventura, que é possivelmente o maior vulto do combate tradicionalista em Portugal.

09/04/2017

Jesus Cristo e o sentido da História


Qual é pois o verdadeiro sentido da História? Há por acaso um sentido da História? Toda a História tem por centro uma pessoa: Nosso Senhor Jesus Cristo, porque como diz São Paulo: "Nele foram fundadas todas as coisas, as dos céus e as que estão sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, dominações, principados ou potestades. Tudo foi criado por Ele e n'Ele, e Ele é antes de todas as coisas e n'Ele todas subsistem. Ele é a cabeça do corpo da Igreja, sendo Ele mesmo o princípio (...) para que em tudo tenha o primeiro lugar. Deus quis que toda a plenitude habitasse n'Ele, e por meio d'Ele reconciliar todas as coisas tanto as da Terra como as do Céu, trazendo a Paz mediante o sangue de Sua Cruz".

Jesus Cristo é portanto o pólo da História. A História tem somente uma lei: "É necessário que Ele reine" (I Coríntios 15, 25). Se Ele reina, reinam também o verdadeiro progresso e a prosperidade, que são bens muito mais espirituais do que materiais. Se Ele não reina, vem a decadência, a caducidade, a escravidão em todas as formas, o reino do mal. É o que profetiza a Sagrada Escritura: "Porque a nação e o reino que não Te servem perecerão, estas nações serão completamente destruídas" (Isaías 60, 12). Há excelentes livros sobre a filosofia da História, mas que me deixam surpreso e impaciente ao comprovar que omitem este princípio absolutamente capital, ou não o põe no lugar que lhe é devido. Trata-se do princípio da filosofia da História, sendo também uma verdade de Fé, verdadeiro dogma revelado e confirmado centenas de vezes pelos factos!

Eis a resposta à pergunta: Qual é o sentido da História? A História não tem um sentido, uma direcção imanente. Não existe o sentido da História. O que há é um fim da História, um fim transcendente: a "recapitulação de todas as coisas em Cristo"; é a submissão de toda ordem temporal à Sua obra redentora; é o domínio da Igreja militante sobre a cidade temporal que se prepara para o reino eterno da Igreja triunfante no Céu. A Fé afirma e os factos o demonstram que a História tem um primeiro pólo: a Encarnação, a Cruz, Pentecostes; ela teve o seu completo desenvolvimento na cidade católica, quer seja em Carlos Magno ou em Garcia Moreno; e terminará, chegará ao seu pólo final quando o número dos eleitos se completar, depois do tempo da grande apostasia (II Tessalonicenses 2, 3); não estamos vivendo este tempo?

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

24/03/2017

Os castigos sociais


Os indivíduos que cometeram faltas podem expiá-las neste mundo. Se não as expiarem neste mundo, expiá-las-ão no outro. Os indivíduos serão portanto castigados em proporção dos pecados cometidos, quer no Purgatório, expiando-os, quer no Inferno, sofrendo os suplícios eternamente. As sociedades, como tal, não entram na eternidade. Se se tornarem culpadas, apenas podem ser castigadas neste mundo. Ora, o seu crime é um pecado contra a Justiça, que exige reparação. Então, os países que abandonaram Nosso Senhor devem expiar e reparar neste mundo, e compete à Sabedoria de Deus infligir aos povos os castigos conforme os Seus desígnios eternos.
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Por castigo social, Deus quer tocar as almas e atraí-las até Ele. É por isso que não é fácil sondar os desígnios eternos nos castigos com que Deus fere os países. O que devemos considerar é que Deus pode castigar, que castiga efectivamente, e que para evitar estes castigos, é necessário que toda a ordem social se submeta a Ele.
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Todas as calamidades que podem levar os povos à reflexão servem os desígnios de Deus. As guerras, as doenças, as catástrofes de toda a espécie, e acima de tudo as calamidades de ordem intelectual e moral podem atingi-los e levá-los a corrigir-se.
Nosso Senhor fala-nos de todos estes flagelos, fala sobretudo da grande desventura da cegueira. Dirigindo-se aos judeus: "Este povo não entenderá, porque não pode compreender, e não pode compreender, porque não quer compreender". É no sentido de um castigo social que é necessário entender estas palavras. Nada de mais terrível que ser para si mesmo a causa da sua própria infelicidade em consequência de incompreensão. (...) Assim é também nas sociedades modernas de hoje. Para salvar a ordem social e os povos, estes devem começar por entender que só Jesus Cristo é a salvação. Ora, não querem entender que assim seja. Deus então conforma-se à sua vontade obstinada. Não compreendem, não vêem, e já não podem ver em Jesus Cristo unicamente a sua salvação: é o seu castigo.
A este ponto de vista geral, juntam-se muitos outros de ordem mais especial. Não compreendem que é necessário suprimir da ordem social os princípios do direito moderno, as grandes liberdades modernas. Não querem entender que é preciso recusar a cada um a sua liberdade de opinião. Não compreendem que é mister, apesar de tudo, opor-se à invasão dos princípios perversos e que é preciso favorecer a única verdade católica. Há uma quantidade de coisas que não entendem. Tudo isso leva o carácter e a marca do castigo que fere os países e os leva à ruína.

Pe. Philippe C.SS.R. in «Catecismo dos Direitos Divinos na Ordem Social».

16/03/2017

As "Luzes" que escureceram


Respeito tanto as luzes do século no que toca aos conhecimentos físicos, quanto as abomino pelo que pertence à Religião e ao Governo. Neste sentido são elas mesmas a própria revolução pura, e sem máscara, que na sua marcha, umas vezes rápida, outras vezes lenta, mas sempre progressiva, vai destruindo tudo o que encontra. O grande número dos chefes é funesto, dizia Ulisses aos Gregos na Ilíada, não tenhamos senão um chefe, senão um Rei, aquele a quem o prudente filho de Saturno confia o ceptro, e as leis para nos governar a todos. Esta máxima, que se lê no mais antigo dos livros profanos bem conhecidos, ao menos cá dos da Europa, é a mesma dos Provérbios de Salomão: Por mim governam os Reis. Vede como já era conhecida naqueles tempos primitivos, e como a respeito dela estavam de acordo os Escritores sagrados e os profanos: hoje é perseguida, porque as luzes do século a condenam; mas onde irão parar os homens com estas luzes do século, que tanto os tem feito retrogradar nas ideias religiosas e políticas.

José Acúrsio das Neves in «Cartas de um Português aos seus Concidadãos», 1822.

23/01/2017

O nosso atraso é de ouro

Dom Miguel, o tradicionalista.

À conversa com um tradicionalista hispânico, dizia-me ele, em tom crítico, que Portugal é um país muito atrasado. Eu concordei. De facto, de certo modo, Portugal é um país atrasado, atrasadíssimo! Já os iluministas e liberais diziam o mesmo, que Portugal era um "relógio atrasado", pouco permeável às "ideias avançadas" da "Europa", ou melhor, deles! Mas eu digo: graças a Deus que desde que as ideias "iluminadas" começaram a vingar no mundo, sempre fomos mais "atrasados" que outros. Pois enquanto na Europa já se vivia o caos revolucionário das "ideias avançadas", Portugal ainda se conservava bastante fiel – os fidelíssimos... E hoje em dia... somos "atrasados". Muito daquilo que aparece de "novo" em Portugal, já é "velho" nos outros lados, incluindo em Espanha. E nem é preciso falar das aberrações modernas, como o casamento gay, o aborto, ou o facto de o governo espanhol pretender incluir as festas muçulmanas no calendário civil. É suficiente lembrar que Portugal foi o último reino tradicional católico a cair, em 1834, e que Dom Miguel foi considerado pelo Papa Gregório XVI como o rei mais católico de toda a Cristandade. Assim como também o Grande Oriente Lusitano só foi fundado 75 anos depois da abertura da primeira loja maçónica em Madrid. Que atraso... 75 anos!
Portanto, cada vez que algum estrangeiro vier dizer que Portugal é "muito atrasado", devemos responder-lhe: "graças a Deus".

04/01/2017

Verdadeiro e Falso Tradicionalismo


Grande número de modernos, seguindo as pegadas daqueles que, no século passado, se deram o nome de filósofos ["seita dos filósofos" = maçonaria], declaram que todo o poder vem do povo; que em consequência aqueles que exercem o poder na sociedade não a exercem como sua própria autoridade, mas como uma autoridade a eles delegada pelo povo e sob a condição de poder ser revogada pela vontade do povo, de quem eles a têm. Inteiramente contrário é o pensamento dos católicos, que fazem derivar de Deus o direito de mandar, como de seu princípio natural e necessário.

Papa Leão XIII in «Diuturnum Illud», 1881.

§

Esta citação do Papa Leão XIII não é uma opinião. Ela representa aquilo que é, sempre foi, e sempre será o pensamento tradicional católico, é Magistério Ordinário da Igreja. Contudo, em dado grupo recente auto-intitulado "tradicionalista", estão a ser difundidas ideias contra-tradicionalistas... Nem todos os seus membros pensam assim, mas alguns deles, mais bem colocados no grupo, tinham já sido confrontados com a correcção a este e a outros erros. Porém a "democratice" volta sempre à tona. Eles avançam e teimam... Tal como já referi noutra ocasião: parece haver nisto uma mão escura, que promove a criação de "meios-termos", infunde-os de activismo e de visibilidade, e assim intercepta e capta aquelas almas que se iriam dirigir a um tradicionalismo autêntico.

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