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15/11/2019

O traidor


Um povo pode sobreviver aos seus tolos e até mesmo aos ambiciosos. Mas não pode sobreviver à traição a partir de dentro. Um inimigo às portas é menos formidável, porque é conhecido e carrega o seu estandarte abertamente. Mas o traidor move-se livremente entre aqueles dentro de portas, os seus sussurros maliciosos percorrem todas as ruas e são ouvidos até nos corredores do próprio governo. Pois o traidor não parece um traidor; ele fala num tom familiar às suas vítimas e usa a sua face e os seus argumentos, ele apela à baixeza que jaz nas profundezas dos corações dos homens. Ele apodrece a alma de uma nação, ele trabalha secretamente e a coberto da noite para minar os pilares da cidade, ele infecta o corpo político para que este não possa mais resistir. Um assassino é menos de temer.

Cícero em discurso ao Senado Romano, 58 a.C.

11/09/2017

Roma não paga a traidores

Viriato

Em 155 a.C., o Império Romano dominava já todo o território leste e sul da Península Ibérica. Nesse mesmo ano começa a chamada Guerra Lusitana.
Entre 155 e 150 a.C. os combates sucedem-se, quase sempre favoráveis aos lusitanos. Até que, neste último ano, os lusitanos sofrem um grande revés. Tal deve-se à promessa do governador romano, Galba, de oferecer terras aos lusitanos. Mas a promessa era uma cilada. Com os lusitanos concentrados em poucos lugares perto dos romanos, Galba promoveu uma chacina.
Após a matança de Galba, segue-se um período de relativa acalmia. Até que no ano 147 a.C., os lusitanos irrompem num novo ataque aos romanos. Nesta altura, o governador romano Vetílio propõe um novo acordo de paz. Mas contra esse acordo levanta-se Viriato, um sobrevivente da chacina de Galba, que, lembrando aos lusitanos a perfídia dos romanos, apela à resistência.
Viriato, aclamado como "Rei" (Dux Lusitanorum), venceu o governador Vetílio. Os romanos reagiram, mas foram quase sempre vencidos em batalha.
Para Roma, a guerra estava a revelar-se um verdadeiro fracasso. Após vários desaires e uma pesada derrota em 140 a.C., os romanos propõem novamente a paz. Viriato firma o tratado e recebe o título de "amigo do povo romano" (amicus populi romani) pela humanidade com que tratou os inimigos vencidos na batalha de Arsa. No Senado Romano, porém, este tratado é visto como uma humilhação, e no ano seguinte, Roma rompe as tréguas e envia um novo governador para terminar a guerra.
O novo governador romano, Cipião, desencadeou uma ofensiva fulgurante, mas Viriato mantém a superioridade militar e força-o a pedir a paz. Envia dois emissários para negociar com Cipião, mas este suborna-os, prometendo-lhes grandes recompensas caso matassem Viriato. E assim aconteceu. Enquanto dormia, Viriato foi assassinado à punhalada.
Os lusitanos, enfraquecidos, acabaram por ser derrotados pelos romanos. A morte de Viriato marcou o início da ocupação romana no ocidente da Península Ibérica.
Quanto aos traidores, estes refugiaram-se em Roma, reclamando o prémio prometido. No entanto, as autoridades romanas ordenaram a sua execução em praça pública, onde ficaram expostos os seus corpos com a inscrição: "Roma não paga a traidores".

A morte de Viriato