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13/07/2018

URSS: feminismo, aborto, divórcio, amor livre


Adaptado da revista brasileira «Época», 16 de Maio de 2014:

Em 1920, a União Soviética tornou-se o primeiro país do mundo a garantir às mulheres o direito ao aborto legal. Dois anos antes, em 1918, o Código da Família, promulgado pelos bolcheviques, havia instituído o casamento civil em substituição do casamento religioso e estabelecido o divórcio a pedido de qualquer um dos cônjuges. O governo que emergiu da Revolução Comunista de 1917 também incentivou a educação feminina e encorajou as mulheres a assumirem os mesmos postos de trabalho que os homens pelos mesmos salários.

A ambição dos bolcheviques ia além de garantir às mulheres os mesmos direitos dos homens. Os revolucionários acreditavam que, na sociedade socialista, seria possível libertar a mulher das tarefas domésticas que, segundo Lenine, embruteciam a mulher e a impediam de participar da vida social e política.

Segundo a historiadora americana e professora da Carnegie Mellon University, Wendy Goldman, os ideais de emancipação da mulher e o amor livre que inspiraram o movimento feminista ocidental nos anos 60 e 70 já eram debatidos nos primeiros anos da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), na década de 1920. Em «Mulher, Estado e Revolução: política familiar e vida social soviética entre 1917 e 1936», escrito em 1993, mas publicado agora no Brasil, Goldman reconta a história do "verão do amor" soviético.

As leis que garantiam os direitos das mulheres soviéticas eram tão avançadas que, segundo Goldman, até hoje algumas delas ainda não foram adoptadas por países ocidentais. A legislação soviética previa a igualdade entre homens e mulheres. «As legislações de muitos países não dizem que homens e mulheres serão tratados igualmente. Nos Estados Unidos, nos anos 70, nós tentamos aprovar uma emenda constitucional que afirmasse que a igualdade entre homens e mulheres, mas ela não foi aprovada», diz.

Para libertar as mulheres, foi proposta a socialização do trabalho doméstico. As tarefas realizadas em casa – e de graça – pelas mulheres passariam a ser feitas por profissionais assalariadas em creches, restaurantes comunitários e lavandarias públicas. O fim do trabalho doméstico era apenas um passo, o objectivo dos bolcheviques era o fim da família, pelo menos como figura jurídica. «Os revolucionários marxistas viam a família como uma organização que mudava com o passar do tempo. As famílias dos tempos das cavernas eram diferentes das famílias que viviam sob o feudalismo, que eram diferentes das famílias do capitalismo», afirma. Os bolcheviques acreditam que as condições do socialismo possibilitariam o desaparecimento da família como ela existe no capitalismo. «O que não significa que as pessoas deixariam de se amar, de se relacionar umas com as outras e de se relacionar com seus filhos. Mas a família baseada na dependência financeira e na coacção desapareceria.»

Na década de 1920, as mulheres soviéticas começaram a ocupar mais e mais postos de trabalho nas indústrias e creches e os restaurantes estatais se encarregavam das tarefas antes consideradas domésticas. As novas condições materiais somadas à facilidade para se casar e se divorciar e o acesso ao aborto permitiram o surgimento de novos arranjos familiares, baseados no amor livre, e não na dependência económica.

No entanto, «a experiência de liberdade foi muito dolorosa para as mulheres», afirma Goldman. A facilidade para divorciar levou muitos homens soviéticos a terem relacionamentos breves com mulheres, engravidá-las e abandoná-las. A irresponsabilidade masculina tornou as mulheres mais conservadoras. Elas passaram a exigir o fortalecimento da família e que os homens fossem obrigados a pagar pensão alimentícia, já que o Estado soviético não tinha recursos para cuidar de todos os filhos do amor livre.

Em 1936, o governo de Josef Estaline decretou um conjunto de leis cujo objectivo era valorizar a família, dificultar o divórcio e proibir o aborto. A proibição, que só vigorou até 1955, não resultou na diminuição do número de abortos. «Em 1938, o número de abortos era tão alto quanto em 1935, quando ainda era legal», afirma Goldman.

27/04/2017

A Páscoa na União Soviética

Propaganda ateia soviética.

Na noite de Sábado para Domingo de Páscoa, antes do início da missa, os templos cristãos em Moscovo eram cercados por polícias e drujiniki (uma espécie de milícias populares) que identificavam as pessoas antes de as deixarem entrar. No caso de estudantes da Universidade de Moscovo (Lomonossov), onde eu estudei, a ida a uma dessas cerimónias poderia significar a expulsão da escola superior... Além disso, a fim de afastar os cidadãos soviéticos das igrejas, principalmente jovens, a televisão transmitia programas musicais em que participavam cantores nacionais e estrangeiros que só muito raramente podiam ser vistos nos ecrãs.

José Milhazes in «A Mensagem de Fátima na Rússia», 2016.

Relembro ainda: Comunismo e pornografia.

12/09/2016

Livro: O Grande Culpado


Sinopse
Estaline planeava atacar a Alemanha e provocar a Segunda Guerra Mundial em Agosto de 1941. Nessa data, imaginava ele, todo o esforço soviético a fim de formar o exército mais moderno da História estaria concluído. O serviço de espionagem da Alemanha informou Hitler sobre esses planos. Estaline fez todo o possível para conseguir o seu intento antes que o governo nazi pudesse reagir, inclusive fingiu aliar-se ao inimigo. Os esforços foram em vão. Em 22 de Junho de 1941 o exército alemão invadiu a União Soviética.
Solucionar enigmas é uma das paixões de Viktor Suvorov. Essa paixão, aliada ao conhecimento e prática inerente à sua formação militar, levaram-no a questionar o modo como a União Soviética agiu antes e durante a Segunda Guerra Mundial e o papel de Joseph Estaline em toda a trama. Levaram-no também a estudar e a descobrir todas as facetas do ditador com perfil de um génio maquiavélico, um líder obcecado pela revolução comunista internacional a qualquer preço.
Viktor Suvorov baseia-se em documentos até então secretos dos arquivos da ex-URSS para trazer à tona os bastidores do conflito, apontando as contradições nas narrativas históricas mais célebres sobre o período da Segunda Guerra Mundial.

20/06/2015

O testemunho de um dissidente soviético


Palavras de quem sofreu directamente a brutalidade do sistema comunista:

Se me perguntarem se eu quero propor ao meu país como modelo o Ocidente, tal como hoje se apresenta, devo responder com franqueza: não, não posso recomendar a vossa sociedade como ideal para a transformação da nossa. (...) Uma sociedade não pode permanecer no fundo do abismo sem leis, como é o nosso caso, mas será irrisório manter-se à superfície lisa dum juridismo sem alma, como sucede convosco. Uma alma humana acabrunhada por muitas dezenas de anos de violência aspira a algo de mais elevado, mais quente e mais puro do que o que pode propor-lhe a existência de massa no Ocidente, anunciada, como se fosse um cartão-de-visita, por uma pressão enjoativa de publicidade, pelo embrutecimento da televisão e por uma música insuportável.

Aleksandr Solzhenitsyn in «O Declínio da Coragem», 1978.

17/09/2014

17 de Setembro de 1939


Neste mesmo dia, há 75 anos, o Exército Vermelho de Estaline invadia a parte oriental da Polónia, anexando-a à União Soviética. Ficava assim ocupada a totalidade da Polónia, cuja parte ocidental já tinha sido invadida pela Alemanha a 1 de Setembro de 1939, conforme o planeado no Pacto Molotov-Ribbentrop, que definia as áreas de influência alemã e soviética na Europa Oriental. Contudo, se as conquistas alemãs deixaram a França e a Inglaterra em estado de alerta, o mesmo já não aconteceu com a URSS, que além da Polónia, também invadiu os Estados Bálticos, a Carélia e a Moldávia. À agressão soviética só escapou a Finlândia, que lutou arduamente na célebre Guerra do Inverno, com grandes perdas para o Exército Vermelho.
Para a História, fica a passividade dos Aliados perante as agressões soviéticas, em contraste com a declaração de guerra à Alemanha pela invasão da Polónia. Uma estranha dualidade de critérios.

27/07/2014

A URSS perseguia os judeus?

Região Autónoma Judaica, criada por Estaline em 1934

Dado o mito amplamente difundido por uma certa direita liberal-sionista, importa esclarecer que:
Os comunistas, como internacionalistas consistentes, não podem deixar de ser irreconciliáveis, inimigos declarados do anti-semitismo. Na URSS o anti-semitismo é punível com a máxima severidade da lei como um fenómeno profundamente hostil ao regime soviético. Sob a lei soviética, anti-semitas activos são passíveis de pena-de-morte.
José Estaline (1931)