04/06/2013

Ecumenismo e Maçonaria


Podemos dizer que o ecumenismo é o filho legítimo da Maçonaria... No nosso tempo, o nosso irmão Franklin Roosevelt reclamou para todos a possibilidade de "adorar a Deus segundo os seus princípios e convicções". Isto é tolerância, e é também ecumenismo. Nós, os maçons tradicionais, permitimo-nos parafrasear e transpor estas palavras de um estadista célebre, adaptando-as às circunstâncias: católicos, ortodoxos, protestantes, israelitas, muçulmanos, hindus, budistas, livres-pensadores, livres-crentes, estes são apenas os nossos primeiros nomes; a Maçonaria é o nome da nossa família.

Yves Marsaudon in «L'oecuménisme vu par un franc-maçon de tradition».

29/05/2013

Vilafrancada


A força dos males nacionais, já sem limites, não me deixou escolher: a honra não me permitiu ver por mais tempo em vergonhosa inércia a majestade real, ultrajada e feita ludíbrio dos facciosos, todas as classes da nação com diabólico estudo deprimidas, e todos nós o desprezo da Europa e do mundo, por um sofrimento que passaria a cobardia; e em lugar dos primitivos direitos nacionais que vos prometeram recobrar em 24 de Agosto de 1820, deram-vos a sua ruína, o rei reduzido a um mero fantasma; a magistratura diariamente despojada e ultrajada; a nobreza, à qual se agregaram sucessivamente os cidadãos beneméritos e à qual deveis vossa glória nas terras de África e nos mares da Ásia, reduzida ao abatimento, despojada do lustre que outrora obtivera do reconhecimento real; a religião e seus ministros objecto de mofa e escárnio.
Que é uma nação quando sofre ver-se assim aviltada? Eia, portugueses, uma mais longa prudência seria infâmia. Já os generosos transmontanos nos precederam na luta; vinde juntar-vos ao estandarte real que levo em minhas mãos; libertemos o rei e Sua Majestade livre dê uma Constituição a seus povos; fiemo-nos em seus paternais sentimentos; e ela será tão alheia do despotismo como da licença; assim reconciliará a nação consigo mesmo e com a Europa civilizada.
Acho-me no meio de valentes e briosos portugueses, decididos como eu a morrer ou a restituir Sua Majestade à sua liberdade e autoridade, e a todas as classes seus direitos. Não hesiteis, eclesiásticos e cidadãos de todas as classes, vinde auxiliar a causa da religião, da realeza e de vós todos: e juremos não tornar a beijar a real mão senão depois de Sua Majestade estar restituído à sua autoridade.
Não acrediteis que queremos restaurar o despotismo, operar reacções ou tomar vinganças; juremos pela religião e pela honra que só queremos a união de todos os portugueses e um total esquecimento das opiniões passadas.

S.M.F. El-Rei Dom Miguel

26/05/2013

Possibilidades ilimitadas


Por princípio somos aquilo que o nosso mundo nos convida a ser, e as partes fundamentais da nossa alma são impressas nela de acordo com o perfil do seu contorno, como se fosse um molde. Naturalmente, viver não é mais do que lidar com o mundo. As características gerais que ele nos apresentar serão as características gerais da nossa vida. Por isso insisto tanto em fazer notar que o mundo onde as massas actuais nasceram mostrava uma fisionomia radicalmente nova na história. Enquanto no passado viver significava para o homem médio encontrar em seu redor dificuldades, perigos, escassez, limitações de destino e dependência, o mundo novo aparece como âmbito de possibilidades praticamente ilimitadas, seguro, onde não se depende de ninguém. Em torno desta impressão primária e permanente vai-se formar cada alma contemporânea, como em torno da oposta se formaram as antigas. Porque esta impressão fundamental converte-se em voz interior que murmura sem cessar algo assim como que palavras no mais profundo da pessoa e lhe insinua tenazmente uma definição da vida que é, simultaneamente, um imperativo. E, se a impressão tradicional dizia: "Viver é sentir-se limitado e, por isso mesmo, ter de contar com o que nos limita", a novíssima voz grita: "Viver é não encontrar limitação alguma; portanto, abandonar-se tranquilamente a si mesmo. Praticamente nada é impossível, nada é perigoso e, em princípio, ninguém é superior a ninguém".

José Ortega y Gasset in «A Rebelião das Massas».

24/05/2013

A Era do Álibi


Os cientistas oficiais preferem explicar o Estado pela luta de classes, o canibalismo pela deficiência em proteínas, a guerra pelas indústrias de armamento e pelo capitalismo, a droga pela falta de amor, o crime pela frustração, e assim por diante. O ciclo cultural que nos integra culminou afinal numa gigantesca Era do Álibi. Tudo está desculpado. Ninguém tem culpa de nada.

António Marques Bessa in «Ensaio sobre o fim da nossa Idade».

22/05/2013

O grande mal dos modernos


O grande mal dos modernos é ter perdido o senso comum sem ter aprendido a raciocinar. Isto é de resto apenas uma forma do mal de hoje: o termo-nos desligado do passado sem nos termos adaptado ainda ao futuro.

Fernando Pessoa in «Da República».

18/05/2013

Civilização Cristã


Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos príncipes e à protecção legítima dos magistrados. Então o sacerdócio e o império estavam ligados em si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, frutos cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer.

Papa Leão XIII in «Immortale Dei», 1885.

17/05/2013

Quem ganha com a adopção gay?

No dia em que o Parlamento português (cuja maioria se diz "de direita") aprovou a adopção de crianças por parelhas de homossexuais, nada melhor do que ouvir Alain Soral, um homem sem papas na língua e que expõe os verdadeiros intentos por detrás da adopção gay em França (e no Mundo):



Nota: Alain Soral não se considera um homem de direita, no entanto também não é um esquerdista típico. Alain Soral representa aquilo que se pode chamar "esquerda do trabalho" e "direita dos valores".

11/05/2013

O Nacionalismo em acusação


Sabemos que o nacionalismo está em acusação. Quem o professa ou defende arrisca a reputação perante os "colegas"; é apontado de retrógrado pelos universalistas utópicos, e burguês-tachista, por todos em geral.
O nacionalismo devido a interesses da plutocracia e propaganda capitalista-marxista tornou-se réu. Dificulta negócios. Quando as ideias desta Europa, a única que perdeu a Guerra, são os dólares, as mais-valias e os salários, e onde os jovens se tornam espectadores idiotas (convencidos que são activistas) da derrocada, os utilitaristas podem-se congratular. Mais: quando as nações são encaradas como mercados, e unicamente como mercados, do capital apátrida, tem-se toda a conveniência em que os focos nacionalistas sejam suprimidos.
O nacionalismo, portanto, vê-se atacado numa ampla frente: desde os militantes e simpatizantes comunistas até aos "palermas de café", que falam de cór consoante a propaganda impingida pelos meios de informação onde eles bebem usualmente a "cultura política" com que fazem revoluções radicais.

António Marques Bessa in revista «Política», Fevereiro de 1969.

04/05/2013

Os Sete Pecados Mortais da Democracia


Os Sete Pecados Mortais da Democracia: a Soberba Individualista; a Avareza Capitalista; a Luxúria das Palavras; a Ira Revolucionária; a Inveja Democrática; a Gula do Orçamento; a Preguiça Constitucional.

António Pedro in jornal «Revolução», 1932.

01/05/2013

1º de Maio, dia de São José Operário


Quantas vezes Nós manifestámos e explicámos o amor da Igreja para com os operários! No entanto, propaga-se amplamente a calúnia atroz de que «a Igreja é aliada do capitalismo contra os trabalhadores»! Ela, mãe e mestra de todos, teve sempre particular solicitude pelos filhos que se encontram em condições mais difíceis, e também, na realidade, contribuiu notavelmente para a conquista dos apreciáveis progressos obtidos por várias categorias de trabalhadores. Nós mesmo, na radio-mensagem natalícia de 1942, dizíamos: «Levada sempre por motivos religiosos, a Igreja condenou os vários sistemas do socialismo marxista e condena-os ainda hoje como é seu dever e direito permanente de preservar os homens de correntes e influências que põem em risco a sua salvação eterna. Mas a Igreja não pode ignorar ou deixar de ver que o operário, no esforço de melhorar a sua condição, choca com qualquer engenho que, longe de ser conforme à natureza, contrasta com a ordem de Deus e com o objectivo que ele assinalou aos bens terrenos. Por mais falsos, condenáveis e perigosos tenham sido e sejam os caminhos seguidos, quem, sobretudo se é sacerdote ou cristão, poderia permanecer surdo ao grito que se levanta dos profundos e, num mundo de um Deus justo, clama por justiça e espírito de fraternidade?».

Papa Pio XII in «Discurso por ocasião da solenidade de São José Operário», 1 de Maio de 1955.

28/04/2013

Do amor pátrio


O homem é devedor a respeito de outro em diversos graus, que correspondem, por um lado a excelência das pessoas, por outro lado a importância dos benefícios recebidos. Sob um e outro aspecto, Deus ocupa o primeiro lugar, visto que Ele é ao mesmo tempo o melhor de todos os seres e o primeiro princípio ao qual o homem deve tudo. Mas os princípios secundários da vida humana são os Pais e a Pátria. Por isso a eles, depois de Deus, é a quem o homem é principalmente devedor. De modo que depois da virtude da religião, cujo papel é prestar culto a Deus, vem a virtude da piedade, que presta culto aos Pais e à Pátria.

São Tomás de Aquino in «Compendio de la Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino» do Pe. Raphael Sineux.

25/04/2013

Rebentou um cano de esgoto


Na manhã de 25 de Abril de 1974 um amigo do professor Bissaia Barreto telefonou-lhe: rebentara uma revolução, que já se declarava triunfante. O velho mestre de Coimbra, que fora dentro do Estado Novo o cabecilha da corrente democrática, teve apenas este comentário: – «Olhe, meu amigo, rebentou um cano de esgoto».

Barradas de Oliveira in «Quando os Cravos Murcham», 1975.

21/04/2013

Partidos para quê?


Que desapareçam os partidos políticos. Nunca ninguém nasceu membro de um partido político; em troca, todos nascemos membros de uma família, somos todos vizinhos num município, esforçamo-nos todos no exercício de um trabalho. Pois se essas são as nossas unidades naturais, se a família e o município e a corporação é no que verdadeiramente vivemos, para que necessitamos do instrumento intermédio e pernicioso dos partidos políticos que, para unir-nos em grupos artificiais, começam por desunir-nos nas nossas realidades autênticas?

José Antonio Primo de Rivera in «Discurso de fundação da Falange Espanhola».

18/04/2013

A máfia do avental


Tu deves encobrir todos os crimes dos teus irmãos maçons... e se fores chamado a testemunhar contra um irmão maçon, está sempre certo em protegê-lo. Prevaricando, não digas toda a verdade sobre o seu caso, mantém os seus segredos, esquece as partes mais importantes. Pode ser perjúrio fazer isto, é verdade, mas estarás a cumprir com as tuas obrigações maçónicas.

Edmond Ronayne in «Handbook of Masonry», 1917.

14/04/2013

Os judeus e as Invasões Mouras


Uma vez que a ilegítima Assembleia da República aprovou por unanimidade a atribuição de nacionalidade portuguesa aos descendentes de judeus sefarditas, nada melhor do que recordar a acção destes durante as Invasões Mouras do século VIII, segundo a palavra de dois historiadores judeus:

No ano de 711, a Espanha foi conquistada pelos muçulmanos e os judeus saudaram a sua vinda com júbilo. Eles regressaram a Espanha dos países para onde haviam fugido. Eles saíram ao encontro dos conquistadores, ajudando-os a tomar as cidades de Espanha.
Deborah Pessin in «The Jewish People», 1951.

Os barbarescos ajudaram o movimento Árabe a estender-se até Espanha, enquanto os judeus sustentavam o empreendimento ao mesmo tempo com homens e com dinheiro. Em 711, os barbarescos comandados por Tariq cruzaram o Estreito e ocuparam a Andaluzia. Os judeus convergiram com piquetes de tropas e guarnições para o distrito.
Josef Kastein in «History and Destiny of the Jews», 1933.

08/04/2013

O progresso traz felicidade?


Que tem feito a sociedade há três séculos a favor da parte moral do homem? Nada, querer iluminar o homem, tirar-lhe ilusões. E tiradas essas ilusões, que sucedeu? O homem materializou-se, e a sociedade corrompeu-se. Vejamos que progressos materiais obtivemos nesses três séculos: obtivemos as aplicações do vapor, a química fez passos de gigante, as ciências naturais chegaram quase à perfeição, os resultados científicos e artísticos simplificaram-se, inventou-se o galvanismo, o telégrafo eléctrico, a fotografia, desapareceram as distâncias, o comércio reina dominador sobre todos, somos engolfados em prosperidade material, e ao mesmo tempo somos muito infelizes.

D. Pedro V in «Escritos de El-Rei D. Pedro V».

06/04/2013

A Ilustre Casa de Ramires


Então João Gouveia abandonou o recosto do banco de pedra, e teso na estrada, com o coco à banda, reabotoando a sobrecasaca, como sempre que estabelecia um resumo:
– Pois eu tenho estudado muito o nosso amigo Gonçalo Mendes. E sabem vocês, sabe o Sr. Padre Soeiro quem ele me lembra?
– Quem?
– Talvez se riam. Mas eu sustento a semelhança. Aquele todo de Gonçalo, a franqueza, a doçura, a bondade, a imensa bondade, que notou o Sr. Padre Soeiro... Os fogachos e entusiasmos, que acabam logo em fumo, e juntamente muita persistência, muito aferro quando se fila à sua ideia... A generosidade, o desleixo, a constante trapalhada nos negócios, e sentimentos de muita honra, uns escrúpulos, quase pueris, não é verdade?... A imaginação que o leva sempre a exagerar até à mentira, e ao mesmo tempo um espírito prático, sempre atento à realidade útil. A viveza, a facilidade em compreender, em apanhar... A esperança constante nalgum milagre, no velho milagre de Ourique, que sanará todas as dificuldades... A vaidade, o gosto de se arrebicar, de luzir, e uma simplicidade tão grande, que dá na rua o braço a um mendigo... Um fundo de melancolia, apesar de tão palrador, tão sociável. A desconfiança terrível de si mesmo, que o acobarda, o encolhe, até que um dia se decide, e aparece um herói, que tudo arrasa... Até aquela antiguidade de raça, aqui pegada à sua velha Torre, há mil anos... Até agora aquele arranque para a África... Assim todo completo, com o bem, com o mal, sabem vocês quem ele me lembra?
– Quem?
– Portugal.
Os três amigos retomaram o caminho de Vila-Clara. No céu branco uma estrelinha tremeluzia sobre Santa Maria de Craquede. E Padre Soeiro, com o seu guarda-sol sob o braço, recolheu à Torre vagarosamente, no silêncio e doçura da tarde, rezando as suas avé-marias, e pedindo a paz de Deus para Gonçalo, para todos os homens, para campos e casais adormecidos, e para a terra formosa de Portugal, tão cheia de graça amorável, que sempre bendita fosse entre as terras.

Eça de Queiroz in «A Ilustre Casa de Ramires».