Letra da música aqui.
20/03/2013
17/03/2013
Pior do que a guerra
Pior do que a guerra é as sociedades humanas viverem subjugadas pela violência unilateral de um só grupo, pelo poder dos fortes sem escrúpulos, pelo vício, pela corrupção que não conhece limites, pela negação da verdade, da justiça ou liberdade. Ou seja, pelo domínio do mal e pelo desespero de saber que a paz e a ordem jamais serão restabelecidos. O bem que a paz fomenta nunca poderá ser garantido pelo comodismo pacifista, nem poderá provir da iniquidade de entregar as populações aos caprichos de ideologias ou de ideais perversos.
João José Brandão Ferreira in «Em Nome da Pátria».
16/03/2013
Guerra Justa
Durante séculos, o pensamento católico procurou um meio-termo possível entre a imoralidade de deixar sem defesa o bem-comum e a imoralidade da violência desproporcionada. A Igreja sempre procurou humanizar os conflitos armados tidos como um mal. Foi no seguimento desse princípio que surgiram as leis da cavalaria, as tréguas de Deus, os usos da guerra, o tratamento de prisioneiros, etc., que estão na origem das modernas leis da guerra. O dever de defender uma cidade era evidente para a maior parte dos ministros religiosos, já Santo Agostinho afirmava que «ninguém negará ao sábio o direito de fazer a guerra justa ao inimigo», enquanto que Santo Ambrósio, por seu lado, considerava justa a guerra por ofensas à honra. Estavam assim lançados os fundamentos da guerra justa, cuja primeira definição foi avançada pelo bispo de Hipona: «Costumam definir-se guerras justas as que vingam injustiças».
Brandão Ferreira in «Em Nome da Pátria».
13/03/2013
09/03/2013
António José de Brito em entrevista
Entrevista de Dezembro de 2009 com o Professor António José de Brito para o projecto Direitas Radicais em Portugal:
03/03/2013
Deu-se a reacção
Deu-se a reacção. Mas quem reagia? Criaturas das mesmas classes que governavam. Criaturas, portanto, com a mesma hereditariedade, vivendo no mesmo meio que os governantes. Criaturas, portanto, moral e intelectualmente idênticas a eles, pois seria o maior dos milagres se, com idêntica hereditariedade e com idêntico meio fossem diferentes. Um ou outro reagia em virtude de [...] e carácter, de legítima e honesta indignação moral. Mas nenhum partido podia reagir senão corruptamente, porque, quando uma sociedade é corrupta, pode haver, e há, indivíduos que o não são; mas não há agrupamentos que o não sejam, ou, se os há, não podem ter acção social, pois só corruptamente se pode agir numa sociedade corrupta. Um partido político, a ser são, tende a não agir, o que é uma contradição com o próprio conceito de partido político; a agir, terá de se integrar nos modos de acção do meio, tinha, na expressão mais moral, que se adaptar ao meio.
Fernando Pessoa in «Da República».
01/03/2013
24/02/2013
Nem só de pão vive o Homem
Estes três patrimónios [físico, material e espiritual] têm uma importância capital e uma nação deve protegê-los aos três. Mas a importância maior deve ser atribuída ao património espiritual, porque apenas ele transporta o selo da eternidade, porque apenas ele subsiste através dos séculos.
O que sabemos dos gregos antigos não é o resultado da sua condição física, por bela que fosse – disso apenas restam as cinzas – nem mesmo da sua fabulosa riqueza – mesmo supondo que ela tivesse podido perdurar – mas unicamente da sua cultura.
Uma nação vive para a eternidade pelos conceitos que escolheu, pela sua honra e pela sua cultura. É a razão pela qual os chefes de Estado não devem julgar e trabalhar tendo apenas em conta os interesses físicos ou materiais da nação, mas considerando a linha histórica, a honra do país e os seus interesses exteriores.
Em consequência disso o que se exige não é "pão a todo o custo" mas "honra a todo o custo".
Corneliu Zelea Codreanu in «Guarda de Ferro».
21/02/2013
A Internet alterou o curso na batalha das ideias
4ª Tese: O aparecimento e desenvolvimento da Internet alteraram o curso na batalha das ideias.
A «revolta das elites» foi imposta aos povos por intermédio dos grandes meios de comunicação centrais: televisões, rádios e grandes jornais; o seu método de funcionamento é vertical: a informação parte de um emissor e desce até um receptor.
A Internet inverte a relação de forças entre o centro e a periferia. Na Internet cada um é ao mesmo tempo receptor e emissor.
O monopólio da imprensa é quebrado. Jean-Paul Cluzel, presidente da Radio France, constatou-o desiludido no «Les Échos» de 14 de Outubro de 2008: «Nos sítios de Internet, os internautas, jovens em particular, encontraram uma informação bruta que lhes parece mais objectiva e honesta».
Diversas características da Internet contribuem para quebrar o monopólio da ideologia única difundida pela hiper-classe mundial:
– Primeiro, a Internet permite a expressão da opinião privada que, por natureza, é mais livre que a opinião pública; o uso de pseudónimos pode ainda reforçar essa atitude; e os tabus impostos pela vida quotidiana desvanecem-se na Internet;
– Em seguida, a Internet permite uma propagação viral das mensagens; propagação que pode ser extremamente rápida e que força cada vez mais os meios de comunicação centrais a divulgar informações inicialmente ocultadas;
– Por fim, os motores de busca não têm – ainda – consciência política. São neutros, o que garante a factos e análises não-conformes uma boa esperança de vida e de desenvolvimento na Internet.
Jean-Yves Le Gallou in «Douze thèses pour un gramscisme technologique», 2008.
19/02/2013
Sobre a tradição e a ciência náutica
Efectivamente, não concordo com a interferência decisiva dos judeus peninsulares nesse período áureo da nossa existência nacional, embora à célebre Junta dos Estrólicos, que funcionava junto de El-Rei D. João II, pertencessem vários astrónomos hebreus. E não concordo porque, posta a questão em termos gerais, é bom recordar que Renan, na Histoire Générale et Systèmes Comparés des Langues Sémitiques assegurava, com a autoridade da sua larga competência filológica, que a raça semita se define quase unicamente por caracteres negativos. O semita individualiza-se, na verdade, não por qualidades criadoras, que não possui, mas antes por preciosos recursos de assimilação que ele valoriza excepcionalmente. Não dispõem assim duma arte, ou duma civilização, no sentido alto da palavra. Não é outro o juízo de Renan, ao escrever, no pequeno estudo De la Part des Peuples Sémitiques dans l'Histoire de la Civilisation, «que o negócio e a indústria foram pela primeira vez exercidos em grande escala pelos povos semitas, ou pelo menos falando uma língua semita, – os fenícios. Na Idade Média, os árabes e os judeus tornaram-se também os senhores do nosso comércio. Todo o luxo europeu, desde a antiguidade até ao século XVII, veio-nos do Oriente. Eu digo o luxo, e não a arte porque duma ao outro lado está o infinito a separá-los».
Entende-se já porque eu não adiro incondicionalmente à tese do senhor Bensaúde. O Ocidente possuía uma ciência náutica remotíssima, com memória na Odyssea. A navegação aqui sobe aos fins do neolítico. É donde derivam as tradições apagadas que enchem de mistério e encanto o périplo decalcado por Rufius Festus Avienus na Ora Marítima. Claro que a estas tradições se ligaria forçosamente uma arte de navegar. Não é por literatura que Séneca afirma não ser Thule o ponto final do Orbe (non erit terris ultima thule), conforme o pretendia a geografia antiga. O mar imenso, o oceano sem limites, é nos Errores de Ulisses que nos aparece pela primeira vez, se não me engano.
E tão ocidentais são as impressões contidas no Nostos, tão atlânticas elas são, que, localizando o poema de Homero no declinar resplendente de Micenas, as moradas que lá encontramos descritas não guardam em nada a sumptuosidade da casa típica dos átridas! A habitação de Ulisses é mais uma cabana nórdica, tal como no-la sugerem as sagas medievais, do que o palácio dum rei, com o requinte egeano os sabia erigir.
Foi, pois, o Levante que recebeu o influxo ocidental no conhecimento das coisas do mar. No descalabro da civilização do Cobre, quando nós mergulhamos na sombra, para só ressurgirmos depois de Roma, alguma coisa subsistiria no entanto. Em forma de conto, em forma de superstição, naturalmente. É que ao espírito empreendedor do ocidental correspondera, decerto, uma regra, como que uma direcção, tirada do convívio dos astros na dimensidão das águas. Com o adiantamento das horas da história, essa herança perdida passa para o património da astrologia. A astrologia é exercida na Idade Média, cavalheiresca e militante, por judeus e árabes, visto que a defesa do europeísmo, expressa na fé da Igreja, impunha aos cristãos o uso exclusivo da espada. Nós não ignoramos por outro lado que a chamada ciência hebraica e islamita não é mais do que uma apropriação da filosofia clássica, na sua forma racionalista, – o Helenismo. É a altura de ouvirmos de novo Renan.
«Fala-se muitas vezes duma ciência e duma filosofia árabe, – observa ele; na realidade, durante um século ou dois na Idade Média, os árabes foram nossos mestres, mas só enquanto não conhecemos os originais gregos. A ciência e a filosofia árabe nunca deixaram de ser uma mesquinha tradução da ciência e da filosofia grega. Desde que a Grécia autêntica despertou, essas míseras traduções ficaram sem sentido e não foi sem razão que os filólogos da Renascença iniciaram contra elas uma verdadeira cruzada. De resto, olhando de perto, essa ciência não tinha nada de árabe. O seu fundo é puramente grego, e entre os que a criaram não se aponta um único semita. Eram espanhóis e persas, escrevendo o árabe. O papel filosófico dos judeus na Idade Média é também o de simples intérpretes.
A filosofia hebraica desta época é a filosofia árabe sem modificações. Uma página de Roger Bacon encerra mais espírito científico do que toda essa ciência em segunda mão, respeitável, sem dúvida, como um anel de tradição, mas despida de grande originalidade».
Fui longo demais na transcrição de Renan. Mas o seu depoimento ajuda-nos a invalidar a tese geral do rabino Yahuda e ensina-nos, muito particularmente, como no caso das Descobertas a influência hebraica seria resumida, ao contrário do que pretende o senhor Joaquim Bensaúde. Ninguém duvida que da Junta dos Estrólicos «faziam parte israelitas, Físicos do Rei, mas lá estava também o bispo de Ceuta, D. Diogo Ortiz».
E tanto as minhas reflexões ao trabalho do senhor Bensaúde correspondem ao aspecto definitivo do problema, que o astrolábio náutico não é mais do que a simplificação do astrolábio plano que os árabes recolheram dos gregos e introduziram na Península. De quem o recolheriam os gregos na sua indicação originária senão das civilizações sepultas em Creta e em Micenas, da extinta talassocracia do Egeu, impulsionada cá do Ocidente, talvez da misteriosa Társis de mais uma passagem da Bíblia? Assim não nos espanta que a construção do primitivo astrolábio que é o plano, se estude já minuciosamente nos Libros del Saber de Astronomia de Afonso, o Sábio de Castela. Há a acrescentar, ainda em favor do meu ponto de vista, que, na necessidade de se ordenarem tábuas de declinação do sol, para o efeito do cálculo das latitudes, do nosso D. João II é que partira a ideia, encarregando ele e os seus estrólicos de resolverem a dificuldade.
António Sardinha in «Na Feira dos Mitos».
15/02/2013
13/02/2013
12/02/2013
07/02/2013
Homens de acção?
Como é possível definir como «homem de acção» quem, no seu trabalho de gestor, faz cento e vinte telefonemas por dia para vencer a concorrência? É um homem de acção aquele que é louvado porque aumenta os ganhos da própria empresa, viajando para os países subdesenvolvidos e aproveitando-se dos seus habitantes? Na nossa época são geralmente estes vulgares dejectos sociais a serem julgados homens de acção. Atolados nesta sujidade estamos obrigados a assistir à decadência e à morte do modelo de Herói, que exala já um fétido odor.
Yukio Mishima in «Introduzione alla Filosofia dell'Azione».
06/02/2013
05/02/2013
O significado dos governos democráticos
Estes politiqueiros, com as suas famílias e os seus agentes, têm necessidade de dinheiro: dinheiro para as diversões, para manter a clientela política, para os votos e para comprar consciências humanas. A seguir as suas hordas correrão e despojarão o País. É isto o significado, em última análise, do seu governo e da sua obra. Esgotarão o orçamento do Estado e dos Municípios; agarrar-se-ão como carrapatos aos conselhos de administração de todas as empresas, das quais receberão percentagens de dezenas de milhões sem fazerem trabalho algum, subtraindo-o do suor e do sangue dos trabalhadores esgotados.
Estarão enquadrados nos conselhos dos banqueiros eleitos, dos quais receberão mais milhões e dezenas de milhões como preço da estirpe que venderam.
Criarão negócios escandalosos que assombrarão o mundo; a corrupção estender-se-á à vida pública do País como uma praga, desde o mais ínfimo criado até aos ministros. Vender-se-ão a qualquer um...
Corneliu Zelea Codreanu in «Guarda de Ferro».
01/02/2013
Nos 105 anos do Regicídio
Um facto sumamente grave preocupava, no entanto, a atenção dos que isoladamente contemplavam a integral concatenação dos acontecimentos. Esse facto era a decomposição da sociedade, lentamente, surdamente, progressivamente contaminada pela mansa e sinuosa corrupção política. Quantos sintomas inquietantes! A indisciplina geral, o progressivo rebaixamento dos caracteres, a desqualificação do mérito, o descomedimento das ambições, o espírito de insubordinação, a decadência mental da imprensa, a pusilanimidade da opinião, o rareamento dos homens modelares, o abastardamento das letras, a anarquia da arte, o desgosto do trabalho, a irreligião, e, finalmente, a pavorosa inconsciência do povo.
Ramalho Ortigão in «Rei D. Carlos - O Martirizado».
31/01/2013
Um outro género de homens
Que maldição o atingiu [o Ocidente] para que, ao final de seu desenvolvimento, só tenha produzido esses homens de negócios, esses comerciantes, esses trapaceiros de olhar nulo e sorriso atrofiado que se encontram por toda parte, tanto na Itália quanto na França, tanto na Inglaterra quanto na Alemanha? É essa gentalha o resultado de uma civilização tão delicada, tão complexa? Talvez seja preciso passar por isso, pela abjecção, para poder imaginar um outro género de homens.
Emil Cioran in «História e Utopia».
30/01/2013
Utopia
Ao abolir o irracional e o irreparável, a utopia opõe-se também à tragédia, paroxismo e quinta-essência da história. Qualquer conflito desapareceria numa cidade perfeita; as vontades seriam estranguladas, apaziguadas e milagrosamente convergentes; reinaria somente a unidade, sem o ingrediente do acaso ou da contradição. A utopia é uma mistura de racionalismo pueril e de angelismo secularizado.
Emil Cioran in «História e Utopia».
28/01/2013
A miséria das cidades
A miséria parece uma secreção do progresso, da civilização. Não é nos campos (até em plena crise), onde a vida é simples e sem ambições, que a miséria se torna aflitiva, dramática. A sua tragédia sem remédio desenvolve-se antes nas cidades, nas grandes capitais, tanto mais insensíveis e duras quanto mais civilizadas. A mecanização, o automatismo do progresso que transforma os homens em máquinas, isolam-no brutalmente substituindo os seus gestos e impulsos afectivos por complicadas e frias engrenagens. O homem das cidades, modelado, esculpido na própria luta com os outros que lhe disputam o seu lugar ao sol, é talvez, sem reparar, a encarnação do próprio egoísmo.
António de Oliveira Salazar in «Salazar: O Homem e a Sua Obra» de António Ferro.
25/01/2013
O Capitalismo é a antecâmara do Comunismo
Geralmente, o sistema proteccionista é conservador, enquanto o sistema de comércio-livre é destrutivo. Desagrega antigas nacionalidades e leva o antagonismo entre o proletariado e a burguesia ao ponto extremo. Numa palavra, o sistema de comércio-livre apressa a revolução social. É apenas neste sentido revolucionário que voto em favor do comércio-livre.
Karl Marx in «On the Question of Free Trade», 1848.
24/01/2013
Sangue
Empregamos esta palavra como significando Herança.
Os rubros glóbulos sanguíneos trazem, dentro da sua microscópica esfera, antigos espectros que ressurgem e vão definindo o carácter dos indivíduos e dos Povos.
Gritam no sangue velhas tragédias, murmuram velhos sonhos, velhos diálogos com Deus e com a terra, esperanças, desilusões, terrores, heroísmos, que desenham, em tintas vivas, o cenário e a acção das nossas almas.
O sangue é a memória, presença de fantasmas, que nos dominam e dirigem.
À voz do sangue responde a voz da terra; e este diálogo misterioso mostra os caracteres da nossa íntima fisionomia portuguesa.
Teixeira de Pascoaes in «Arte de Ser Português».
22/01/2013
A crise do idealismo
Cada vez será menor a «elite» que os possui [valores], perante o desvairo do nosso tempo em que a sede dos prazeres materiais e a dissolução dos costumes, apoiadas por uma organização industrial ad hoc, corromperam a riqueza e as suas fontes, o trabalho e as suas aplicações, a família e o seu valor social. Há no Mundo uma grande crise do idealismo, do espiritualismo de virtudes cívicas e morais, e não parece que sem eles possamos vencer as dificuldades do nosso tempo. Sem rectificarmos a série de valores com que lidamos – valores económicos e morais –, sem outro conceito diverso da civilização e do progresso humano, sem ao espírito ser dada primazia sobre a matéria e à moral sobre os instintos, a humanidade não curará os seus males e nem sequer tirará lucro do seu sofrimento.
António de Oliveira Salazar in «Diário de Notícias», 1936.
19/01/2013
Quem nos está a matar?
Um marxista italiano, Antonio Gramsci, foi o primeiro a compreender que o Estado não está confinado a uma estrutura política. De facto, estabeleceu que o aparelho político funciona paralelamente a uma chamada estrutura civil. Por outras palavras, cada estrutura política é reforçada por
um consenso civil, o apoio psicológico das massas. Esse apoio psicológico
expressa-se através de um consenso ao nível da cultura, da visão do mundo e do ethos. De forma a existir de todo, o poder político encontra-se, portanto, dependente de um poder cultural difundido no interior das massas. Com base nesta análise, Gramsci compreendeu por que razão os marxistas não conseguiam tomar o poder em democracias burguesas: não tinham o poder cultural. Para ser preciso, é impossível derrubar uma estrutura política sem antes ter tomado o controlo do poder cultural. O parecer favorável do povo tem que ser conquistado primeiro: as suas ideias, ethos, formas de pensar, sistema de valores, arte, educação, têm que ser trabalhadas e modificadas. Apenas quando as pessoas sentem a necessidade de uma mudança como algo auto-evidente é que o poder político existente, agora separado do consenso geral, começa a desmoronar-se e a ser derrubado. A Metapolítica pode ser vista como a guerra revolucionária travada ao nível das visões do mundo, dos modos de pensar e da cultura.
Pierre Krebs in «Die Europäische Wiedergeburt».
18/01/2013
A verdadeira coragem
Não há realmente coragem alguma em atacar coisas velhas ou antiquadas, mais do que oferecer luta a uma avó. O homem verdadeiramente corajoso é aquele que desafia tiranias novas como a manhã e superstições frescas como as primeiras flores. O único verdadeiro livre-pensador é aquele cujo intelecto é tão mais livre do futuro como do passado.
Gilbert Keith Chesterton in «What's Wrong with the World».
16/01/2013
Fora da Igreja não há Salvação
A Santíssima Igreja Romana crê firmemente, professa e prega que nenhum dos que existem fora da Igreja Católica, não só pagãos como também judeus, heréticos e cismáticos, poderá ter parte na vida eterna; mas que irão para o fogo eterno que foi preparado para o demónio e os seus anjos, a não ser que a ela se unam antes de morrer; e que a unidade deste corpo eclesiástico é tão importante que só aqueles que se conservarem dentro desta unidade podem aproveitar-se dos sacramentos da Igreja para a sua salvação, e apenas eles podem receber uma recompensa eterna pelos seus jejuns, pelas suas esmolas, pelas suas outras obras de piedade cristã e pelos deveres de um soldado cristão. Ninguém, por mais esmolas que dê, ninguém, mesmo que derrame o seu sangue pelo Nome de Cristo, pode salvar-se, a não ser que permaneça no seio e na unidade da Igreja Católica.
Papa Eugénio IV in «Bula Cantate Domino».
15/01/2013
O que a imprensa quer torna-se "verdade"
O que é a verdade? Para a multidão é aquilo que continuadamente lê e ouve. Uma pequena gota perdida pode cair algures e reunir terreno para determinar "a verdade", mas o que obtém é apenas "a sua verdade". A outra, a verdade pública do momento, que é a única que interessa para resultados e sucessos no mundo dos factos, é, hoje em dia, um produto da imprensa. O que a imprensa quer torna-se "verdade". Os seus dirigentes evocam, transformam, permutam "verdades". Três semanas de trabalho da imprensa, e a "verdade" passa a ser reconhecida por toda a gente.
Oswald Spengler in «The Decline of the West».
14/01/2013
09/01/2013
A doutrina política de S. Tomás de Aquino
Para S. Tomás, como para Aristóteles, há três formas de sociedade possíveis:
__a) Monarquia;
__b) Aristocracia;
__c) Democracia.
A cada uma destas três formas correspondem três outras formas que são a sua corrupção:
__a) Tirania, corrupção da Monarquia;
__b) Oligarquia, corrupção da Aristocracia;
__c) Demagogia, corrupção da Democracia.
A Monarquia é o governo dum povo por um só, e a Tirania é a opressão de todo o Povo. A Aristocracia é a administração do povo por um grupo de homens virtuosos, e a Oligarquia é a opressão de todo o povo ou de uma parte, um grupo. A Democracia é o governo do Estado por uma classe numerosa, e a Demagogia é a opressão duma classe social por outra como por exemplo, quando a plebe, abusando da sua superioridade numérica, oprime os ricos; é a Tirania da multidão. Qual das três formas de governo é a melhor, isto é, a mais justa?
Há sempre perigo, esclarece o Doutor Angélico, ou em renunciar à melhor forma de governo, que é a Monarquia, pelo receio da Tirania, ou, pelo temor da renúncia, em adoptar o governo monárquico, correndo-se o risco de o ver degenerar em tirania. A corrupção do melhor é sempre o pior. Então, que devemos fazer: contentar-se a gente com o não estar muito bem pelo medo de ficar muito mal, ou aspirar ao melhor sem pensar no pior? A resposta só pode ser dada, depois de sabermos as razões porque a Monarquia é o melhor dos governos.
Antes de mais nada, vejamos: qual é mais vantajoso para uma cidade ou para uma província: o governo de um ou o governo de muitos? Para se responder a isto, temos que fixar qual seja o fim que deve propor-se qualquer governo. Ora a intenção de quem exerce a função governativa deve ser garantir a salvação daqueles sobre quem tem domínio. Mas em que consiste o bem e a salvação da sociedade política? Na paz, – sem a qual a vida social perde toda a razão de ser. Logo todo aquele que governa um povo deve, antes de mais nada, garantir-lhe a unidade da paz, isto é, na ordem. Logo, um regime será tanto mais útil, quanto mais eficaz for na sua missão de garantir a unidade do povo na paz. É evidente que o que é um só é mais capaz de realizar a unidade do que muitos, – como as fontes de calor mais poderosas são os objectos quentes por si mesmos. Logo, o governo dum só é mais útil ao povo de que o governo de muitos. Além disso, tudo quanto se passa naturalmente, passa-se bem, porque a natureza faz sempre o que é melhor.
Ora o modo comum, na natureza, é o governo dum só. No corpo humano, há um órgão que move todos os outros: o coração. Na alma, há uma parte que preside às outras: a razão. As abelhas têm uma rainha, e no universo inteiro, só há um Deus que criou todas as coisas e as governa. Se uma pluralidade deriva sempre duma unidade, e se os produtos da arte são tanto mais perfeitos quanto mais se parecem com as obras da natureza, – o melhor governo para um povo consiste necessariamente no governo de um só. E a experiência o confirma: as províncias ou as cidades governadas por muitos sofrem dissensões, e são perturbadas pela falta de paz. Foi por isso que o Senhor prometeu, aos seu povo, como dom magnífico, dar-lhe um só chefe, e colocar um só príncipe no seu seio. E o perigo da Tirania? Consideremo-lo.
A Tirania não é o perigo exclusivo da Monarquia: a Oligarquia e a Demagogia, são tiranias também, e que por serem as dum grupo ou duma classe, não são sempre menos pesadas. Se dizemos que a tirania dum só, corrupção do melhor, é a pior tirania, é na suposição de que ela fosse absoluta. Mas esta tirania absoluta é rara; a maior parte das vezes, limita-se a exercer-se sobre algumas famílias, ou sobre uma classe mais ou menos numerosa de cidadãos. Pelo contrário, quando se trata da tirania de muitos, o mal reside no próprio governo e atinge o País inteiro. Se acrescentarmos que o governo de muitos gera mais frequentemente tiranias do que o governo dum só em virtude das rivalidades dos chefes que os atiram uns contra os outros, para se eliminarem em proveito dum, conclui-se que é a Monarquia que apresenta menos perigos.
Dois males, temos que escolher um – o menor. Ora dum lado, vemos o governo melhor, pouco arriscado a cair no pior; doutro lado, vemos governos menos bons, muito arriscados a cair em tiranias, das quais a menor afectaria já a boa ordem de todo o Estado. Se, portanto, a única razão de nos privarmos do melhor regime é o receio da tirania, e se a tirania mais a temer é a dos regimes menos bons, não fica razão alguma para que não escolhamos o melhor governo: o governo dum só. Se apesar de tudo, o Rei se revelar tirano, devemos suportá-lo tanto quanto pudermos, porque muitas vezes, só se muda dum mau tirano para um pior. Mas nunca se deve recorrer à violência e ao assassinato, e deve-se procurar, pelas vias legais, obter do tirano que ele se demita, porque o povo que escolhe os reis tem sempre o poder de destituir os tiranos indignos da sua missão.
Tal é a doutrina política de S. Tomás de Aquino que temos muito prazer em oferecer, resumidamente, àqueles que pelo seu conhecimento se interessaram.
Alfredo Pimenta in «Nas Vésperas do Estado Novo».
06/01/2013
03/01/2013
Combate o burguês que há em ti
Combate o burguês que há em ti. A burguesia não é uma classe, é um estado de espírito. É o conformismo, o interesse vulgar, o prazer mesquinho, a incapacidade de ideal, a demissão dos deveres, a submissão ao quotidiano, o fatalismo inerte, a indiferença criminosa, o abandono à rotina, o egoísmo cego, a ostentação ridícula, a descrença e a incapacidade de acção.
Liberta-te desse mal do século; será o primeiro passo para a libertação da tua Pátria e da própria Humanidade, hoje oprimida pelos seus próprios vícios, que o capitalismo e o comunismo, por processos diversos, mas com objectivos semelhantes de hegemonia mundial, alimentam, incitam, exploram e aproveitam.
Adaptado de boletim «Ordem Nova», Outubro de 1981.
01/01/2013
30/12/2012
Da Moral
A moral é a base da sociedade; se tudo, porém, é matéria em nós, não há realmente vício nem virtude, e por consequência não há moral.
As nossas leis, sempre relativas e mutáveis, não podem servir de ponto de apoio à moral, sempre absoluta e inalterável; é pois preciso que ela tenha origem numa região mais estável que esta, e cauções mais seguras que recompensas precárias ou castigos passageiros. Alguns filósofos acreditaram que a religião fôra inventada para a sustentar, sem se avisarem de que tomavam o efeito pela causa. Não é a religião que deriva da moral, é a moral que nasce da religião, pois é certo, como há pouco dissemos, que a moral não pode ter a sua origem no homem físico, ou na simples matéria; pois é certo ainda, que, quando os homens perdem a ideia de Deus, se despenham em todos os crimes, a despeito das leis e dos verdugos.
François-René de Chateaubriand in «O Génio do Cristianismo».
28/12/2012
Um simulacro da virilidade
Depois de acusarmos a decadência da mulher moderna, não podemos esquecer que o homem é o primeiro responsável por essa decadência. Tal como a plebe nunca teria podido irromper em todos os domínios da vida social e da civilização se tivessem existido verdadeiros reis e verdadeiros aristocratas, igualmente numa sociedade dirigida por homens verdadeiros nunca a mulher teria querido e podido tomar o caminho por que hoje está a avançar. Os períodos em que a mulher alcançou autonomia e predominância têm quase sempre coincidido com épocas de evidente decadência de civilizações mais antigas. Assim, a verdadeira reacção contra o feminismo e contra todos os outros desvios femininos não é contra a mulher, mas sim contra o homem que se deveria orientar. Não se pode exigir que a mulher volte a ser mulher a ponto de se restabeleceram as condições interiores e exteriores necessárias à integração de uma raça superior, quando o homem já não conhece mais que um simulacro da virilidade.
Julius Evola in «Revolta Contra o Mundo Moderno».
Julius Evola in «Revolta Contra o Mundo Moderno».
25/12/2012
Nasceu o Deus-Menino!
Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo. Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade.
João I: 9-14
24/12/2012
Do Natal
Há por aí algumas contradições sobre o Natal – e, de facto, sobre as tradições cristãs em geral. Elas são aparentes em indivíduos que nos afirmam, em jornais e outros lugares, que se emanciparam de dogmas, e agora se propõem a viver o espírito do Cristianismo. A que eu respondo: "Ok. Vá em frente", ou palavras similares. Mas então sempre me encontro confrontado com este facto extraordinário. Eles começam a viver o espírito do Cristianismo, e lançam-se freneticamente a impedir as pessoas pobres de beberem cerveja, impedir as nações oprimidas de se defenderem contra os tiranos (porque isso
pode levar à guerra), a tirar crianças deficientes de seus pais e trancá-las em
algum tipo de sanatório materialista, etc. E então eles ficam surpresos quando lhes
digo que eles tem muito menos o espírito do que a letra do Cristianismo, do que
suas palavras, do que a terminologia de seus dogmas. De facto, eles
mantiveram algumas das palavras e terminologia, palavras como paz, justiça e
amor; mas fazem essas palavras significarem uma atmosfera completamente
estranha ao Cristianismo; eles mantiveram a letra e perderam o espírito.
E tal como acontece com o Cristianismo, assim também com o Natal. Se os homens soubessem exactamente o que querem dizer com Natal, e então começassem a criar novos símbolos, novas cerimónias, novas brincadeiras, isso poderia ser uma coisa boa. Algo do tipo pode acontecer, muito provavelmente, naquele mundo dos homens modernos que sabem o que o Natal significa. Mas a maior parte das modificações que são discutidas nas revistas e em outros lugares são o exacto reverso disso. Elas são realmente modos por meio dos quais os homens podem manter o nome de Natal, e uns poucos esmorecidos símbolos natalinos, enquanto fazem algo totalmente diferente.
21/12/2012
Toada gótica
Seguem-te os alicornes mansamente,
Pastando neve na montanha azul...
Que a tua mão, Senhora, os apascente
Sem nada que os altere ou que os macule!
O céu, coalhado, tem um ar ausente
Que nem parece o dum país do Sul.
E os alicornes pastam mansamente
– E a neve brilha na montanha azul!
Ondeiam nos pauis fantasmas brancos.
Tal como um sonho que se apaga e esfuma,
Anda a bailar o Inverno nos barrancos.
E tu sorris, atrás dos alicornes...
Ó pastorinha de vitral e bruma,
Que sobre mim a tua graça entornes!
António Sardinha
Pastando neve na montanha azul...
Que a tua mão, Senhora, os apascente
Sem nada que os altere ou que os macule!
O céu, coalhado, tem um ar ausente
Que nem parece o dum país do Sul.
E os alicornes pastam mansamente
– E a neve brilha na montanha azul!
Ondeiam nos pauis fantasmas brancos.
Tal como um sonho que se apaga e esfuma,
Anda a bailar o Inverno nos barrancos.
E tu sorris, atrás dos alicornes...
Ó pastorinha de vitral e bruma,
Que sobre mim a tua graça entornes!
António Sardinha
18/12/2012
16/12/2012
Sem papas na língua!
A cidade hoje já não é o que foi no meu tempo, o que é natural. Mas o pior é que mudou com tal ímpeto que tudo o que era pitoresco vai de gangão desatinado para o esquecimento com passagem pelo camartelo demolidor, e assim já de todo acabaram os carvoeiros onde se bebia o melhor vinho, por tigelas brancas vidradas, e havia quase sempre, para fazer boca, pastéis de bacalhau e uma velha a assar castanhas. Acabaram os carvoeiros substituídos por estabelecimentos de venda de carvão a retalho, revestidos de azulejo e tão penteadinhos que até a gente tem vergonha de lá entrar. Esta gente moderna, com suas higienes e posturices, substituíram as iscas e o pastel de bacalhau por bolos de arroz e brioches e o vinho por leite, não se tendo convencido nunca de que não há raça forte com semelhante alimento e a resultante foi a substituição das touradas pelo futebol e dos homens pelos maricas.
Albino Forjaz de Sampaio in «Volúpia - A Nona Arte: A Gastronomia».
13/12/2012
Cem anos de pedofilia
Na Grécia e no Império Romano, o uso de menores para a
satisfação sexual de adultos foi um costume tolerado e até prezado. Na China,
castrar meninos para vendê-los a ricos pederastas foi um comércio legítimo
durante milénios. No mundo islâmico, a rígida moral que ordena as relações
entre homens e mulheres foi não raro compensada pela tolerância para com a
pedofilia homossexual. Em alguns países isso durou até pelo menos o começo do
século XX, fazendo da Argélia, por exemplo, um jardim das delícias para os viajantes
depravados (leiam as memórias de André Gide, "Si le grain ne meurt").
Por toda parte onde a prática da pedofilia recuou, foi a
influência do cristianismo – e praticamente ela só – que libertou as crianças
desse jugo temível.
Mas isso teve um preço. É como se uma corrente subterrânea
de ódio e ressentimento atravessasse dois milénios de história, aguardando o
momento da vingança. Esse momento chegou.
O movimento de indução à pedofilia começa quando Sigmund
Freud cria uma versão caricaturalmente erotizada dos primeiros anos da vida
humana, versão que com a maior facilidade é absorvida pela cultura do século.
Desde então a vida familiar surge cada vez mais, no imaginário ocidental, como
uma panela-de-pressão de desejos recalcados. No cinema e na literatura, as
crianças parecem que nada mais têm a fazer do que espionar a vida sexual de
seus pais pelo buraco da fechadura ou entregar-se elas próprias aos mais
assombrosos jogos eróticos.
O potencial politicamente explosivo da ideia é logo
aproveitado por Wilhelm Reich, psiquiatra comunista que organiza na Alemanha um
movimento pela "libertação sexual da juventude", depois transferido para os
EUA, onde virá a constituir talvez a principal ideia-força das rebeliões de
estudantes na década de 60.
Enquanto isso, o Relatório Kinsey, que hoje sabemos ter sido
uma fraude em toda a linha, demole a imagem de respeitabilidade dos pais,
mostrando-os às novas gerações como hipócritas sexualmente doentes ou
libertinos enrustidos.
O advento da pílula e do preservativo, que os governos
passam a distribuir alegremente nas escolas, soa como o toque de libertação
geral do erotismo infanto-juvenil. Desde então a erotização da infância e da
adolescência expande-se dos círculos académicos e literários para a cultura das
classes média e baixa, por meio de uma infinidade de filmes, programas de TV, "grupos de encontro", cursos de aconselhamento familiar, anúncios, o diabo. A
educação sexual nas escolas torna-se uma indução directa de crianças e jovens à
prática de tudo o que viram no cinema e na TV.
Mas até aí a legitimação da pedofilia aparece apenas
insinuada, de contrabando no meio de reivindicações gerais que a envolvem como consequência
implícita.
Em 1981, no entanto, a "Time" noticia que argumentos
pró-pedofilia estão a ganhar popularidade entre conselheiros sexuais. Larry
Constantine, um terapeuta de família, proclama que as crianças "têm o direito
de expressar-se sexualmente, o que significa que podem ter ou não ter contactos
sexuais com pessoas mais velhas". Um dos autores do Relatório Kinsey, Wardell
Pomeroy, pontifica que o incesto "pode às vezes ser benéfico".
A pretexto de combater a discriminação, representantes do
movimento gay são autorizados a ensinar nas escolas infantis os benefícios da
prática homossexual. Quem quer que se oponha a eles é estigmatizado,
perseguido, demitido. Num livro elogiado por J. Elders, ex-ministro da Saúde
dos EUA (surgeon general – aquele mesmo que faz advertências apocalípticas
contra os cigarros), a jornalista Judith Levine afirma que os pedófilos são
inofensivos e que a relação sexual de um menino com um sacerdote pode ser até
uma coisa benéfica. Perigosos mesmo, diz Levine, são os pais, que projectam "seus medos e seu próprio desejo de carne infantil no mítico molestador de crianças".
Organizações feministas ajudam a desarmar as crianças contra
os pedófilos e armá-las contra a família, divulgando a teoria monstruosa de um
psiquiatra argentino segundo a qual pelo menos uma entre cada quatro meninas é molestada
pelo próprio pai.
A consagração mais alta da pedofilia vem num número de 1998
do "Psychological Bulletin", órgão da American Psychological Association. A
revista afirma que abusos sexuais na infância "não causam dano intenso de
maneira invasiva", e ainda recomenda que o termo pedofilia, "carregado de
conotações negativas", seja trocado para "intimidade intergeracional".
Seria impensável que tão vasta revolução mental,
alastrando-se por toda a sociedade, poupasse miraculosamente uma parte especial
do público: os padres e seminaristas. No caso destes somou-se à pressão de fora
um estímulo especial, bem calculado para agir desde dentro. Num livro recente, "Goodbye, good men", o repórter americano Michael S. Rose mostra que há três
décadas organizações gays dos EUA vêm colocando gente sua nos departamentos de
psicologia dos seminários para dificultar a entrada de postulantes
vocacionalmente dotados e forçar o ingresso maciço de homossexuais no clero.
Nos principais seminários a propaganda do homossexualismo tornou-se ostensiva e
estudantes heterossexuais foram forçados por seus superiores a submeter-se a
condutas homossexuais.
Cercados e sabotados, confundidos e induzidos, é fatal, mais
dia, menos dia muitos padres e seminaristas acabem cedendo à geral gandaia
infanto-juvenil. E, quando isso acontece, todos os porta-vozes da moderna
cultura "liberal", todo o establishment "progressista", toda a media "avançada", todas as forças, enfim, que ao longo de cem anos foram despojando
as crianças da aura protectora do cristianismo para entregá-las à cobiça de
adultos perversos, repentinamente se rejubilam, porque encontraram um inocente
sobre o qual lançar suas culpas. Cem anos de cultura pedófila, de repente,
estão absolvidos, limpos, resgatados ante o Altíssimo: o único culpado de tudo
é... o celibato clerical! A cristandade vai agora pagar por todo o mal que ela os
impediu de fazer.
Não tenham dúvida: a Igreja é acusada e humilhada porque
está inocente. Seus detractores a acusam porque são eles próprios os culpados.
Nunca a teoria de René Girard, da perseguição ao bode expiatório como
expediente para a restauração da unidade ilusória de uma colectividade em crise,
encontrou confirmação tão patente, tão óbvia, tão universal e simultânea.
Quem quer que não perceba isso, neste momento, está divorciado
da sua própria consciência. Tem olhos mas não vê, tem ouvidos mas não ouve.
Mas a própria Igreja, se em vez de denunciar seus atacantes
preferir curvar-se ante eles num grotesco acto de contrição, sacrificando pro
forma uns quantos padres pedófilos para não ter de enfrentar as forças que os injectaram nela como um vírus, terá feito sua escolha mais desastrosa dos últimos dois milénios.
Olavo de Carvalho in jornal «O Globo», 27 de Abril de 2002.
11/12/2012
Para que conste
Não somos conservadores – dada a passividade que a palavra
ordinariamente traduz. Somos antes renovadores, com a energia e a agressividade
de que as renovações se acompanham sempre. O nosso movimento é fundamentalmente
um movimento de guerra. Destina-se a conquistar – e nunca a captar. Não nos
importa, pois, que na exposição dos pontos de vista que preconizamos se
encontrem aspectos que irritem a comodidade inerte dos que em aspirações moram
connosco paredes-meias.
António Sardinha in «Ao Princípio era o Verbo».
10/12/2012
Quem tem medo da Cruz?
Depois da moderna Holanda, agora é a vez da avançada Suécia prosseguir a guerra cultural contra o Cristianismo. A partir de agora, os professores suecos estão proibidos de mencionar o nome de Jesus Cristo durante o Natal. Situação que se torna ainda mais ridícula quando se sabe de antemão que durante o Advento é comum realizarem-se visitas de estudo a igrejas.
A notícia relembra ainda que a eliminação de referências a Jesus Cristo não é nova, e dá o exemplo da Comissão Europeia, cujos diários escolares fazem alusão a festividades muçulmanas, hindus, sikhs, etc. mas excluem o Natal ou a Páscoa.
A notícia relembra ainda que a eliminação de referências a Jesus Cristo não é nova, e dá o exemplo da Comissão Europeia, cujos diários escolares fazem alusão a festividades muçulmanas, hindus, sikhs, etc. mas excluem o Natal ou a Páscoa.
08/12/2012
Imaculada Conceição
Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum. Benedicta tu in
mulieribus, et benedictus fructus ventris tui, Iesus. Sancta Maria, Mater Dei,
ora pro nobis peccatoribus, nunc, et in hora mortis nostrae. Amen.
***
Nas cortes celebradas em Lisboa no ano de 1646 declarou
el-rei D. João IV que tomava a Virgem Nossa Senhora da Conceição por padroeira
do Reino de Portugal, prometendo-lhe em seu nome, e dos seus sucessores, o
tributo anual de 50 cruzados de ouro. Ordenou o mesmo soberano que os
estudantes na Universidade de Coimbra, antes de tomarem algum grau, jurassem
defender a Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Não foi D. João IV o primeiro
monarca português que colocou o reino sob a protecção da Virgem, apenas tornou
permanente uma devoção, a que os nossos reis se acolheram algumas vezes em
momentos críticos para a pátria. D. João I punha nas portas da capital a
inscrição louvando a Virgem, e erigia o convento da Batalha a Nossa Senhora,
como o seu esforçado companheiro D. Nuno Álvares Pereira levantava a Santa
Maria o convento do Carmo. Foi por provisão de 25 de Março do referido ano de
1646 que se mandou tomar por padroeira do reino Nossa Senhora da Conceição. (...) O dogma da Imaculada Conceição foi definido pelo papa Pio IX em 8 de Dezembro
de 1854, pela bula Ineffabilis. A instituição da ordem militar de Nossa Senhora
da Conceição por D. João VI sintetiza o culto que em Portugal sempre teve essa
crença antes de ser dogma. Em 8 de Dezembro de 1904 lançou-se em Lisboa
solenemente a primeira pedra para um monumento comemorativo do cinquentenário
da definição do dogma. Ao acto, a que assistiram as pessoas reais, patriarca e
autoridades, estiveram também representadas muitas irmandades de Nossa Senhora
da Conceição, de Lisboa e do país, sendo a mais antiga a da actual freguesia
dos Anjos, que foi instituída em 1589.
06/12/2012
Portugal nasceu à sombra da Igreja
Portugal nasceu à sombra da Igreja e a religião católica foi
desde o começo elemento formativo da alma da Nação e traço dominante do
carácter do povo português. Nas suas andanças pelo Mundo – a descobrir, a
mercadejar, a propagar a fé – impôs-se sem hesitações a conclusão: português,
logo católico. Tiveram o restrito significado de lutas políticas, e não de
questão religiosa, os dissídios dos primeiros séculos entre os reis e os bispos
e os que mais tarde envolveram os governos e a Cúria. Na nossa história nem
heresias nem cismas; apenas vagas superficiais, que, se atingiam por vezes a
disciplina, não chegavam a perturbar a profunda tranquilidade da fé. A adesão
da generalidade das consciências aos princípios de uma só religião e aos
ditames de uma só moral, digamos, a uniformidade católica do País foi assim,
através dos séculos, um dos mais poderosos factores de unidade e coesão da
Nação Portuguesa. Portanto, factor político da maior transcendência; e por esse
lado nos interessa.
António de Oliveira Salazar in «Discursos».
António de Oliveira Salazar in «Discursos».
05/12/2012
Holanda: o esgoto da Europa
A Holanda, depois de liberalizar o aborto, a eutanásia, a
prostituição, as drogas e o emparelhamento gay, vem agora reconhecer oficialmente o direito de blasfémia. Ou seja, a partir de agora será permitido, não só ofender
directamente a Deus, como interromper e debochar de uma dada cerimónia religiosa, sem
que nada de mal aconteça. Pelo contrário, quem assim proceder, está a exercer
um "direito" reconhecido por lei.
Mais
uma vez, a Holanda mostra estar no topo da miséria e da decadência europeia.
01/12/2012
A Restauração em imagens
A conspiração dos Conjurados
A defenestração de Miguel de Vasconcelos
A aclamação de D. João IV
Quadros da autoria de Carlos Alberto Santos.
30/11/2012
Linguagem falada e linguagem escrita
A linguagem falada é popular. A linguagem escrita é
aristocrática. Quem aprendeu a ler e a escrever deve conformar-se com as normas
aristocráticas que vigoram n'aquele campo aristocrático.
A linguagem falada é nacional e deve ser o mais
nacional possível. A linguagem escrita é – ou deve ser – o mais cosmopolita
possível. Philosopho deve escrever-se com 2 vezes PH porque tal é a
norma da maioria das nações da Europa, cuja ortografia assenta nas bases
clássicas ou pseudo-clássicas.
Fernando Pessoa in «Pessoa Inédito».
*Sublinhado
meu.
29/11/2012
As elites ideológicas
Que podem fazer então as elites ideológicas? Influenciar os
modos de pensamento, como entendeu Antonio Gramsci, e preparar o caminho de uma
nova ideologia ou de uma nova fórmula política triunfante, mobilizadora, capaz
de derrubar a fórmula da elite dirigente. Neste sentido, funcionariam em
aliança com a contra-elite. Gramsci chamou a estes intelectuais afectos ao novo
príncipe (novo poder) os intelectuais orgânicos, destinados a destruir as bases
e fundamentos ideológicos de elites enraizadas, como seja a religiosa, a
militar e a política. A sua função crítica é deletéria e é preciso que o seja
nesta conjuntura. As sociedades burguesas encontram-se defendidas no plano
intelectual por diversos mecanismos de justificação e o que é preciso e urgente
é desmontá-los. Entre eles está o Direito, a Religião, o conceito de Família,
de Escola, o Serviço Militar e assim por diante, como nos haveria de
especificar o francês Althusser. O melhor será a infiltração e o uso dos meios
de comunicação de massa para alterar a cultura. Se há uma teoria de mudança
social e política muito coerente vinda dos marxistas reflexivos é sem dúvida
esta: as trincheiras intelectuais das sociedades capitalistas têm de ser
derrubadas pelos intelectuais orgânicos situados nos mais diversos meios de
influência, nomeadamente os meios de comunicação de massa, os quartéis, as
universidades, as igrejas.
António Marques Bessa in «Elites e Movimentos Sociais», 2002.
26/11/2012
Quem financia o Femen?
A viagem da jornalista a Paris foi paga pelo movimento Femen.
As passagens de avião, a hospedagem no hotel, táxi e alimentação – um total de
mil euros de gastos por dia para cada moça durante tais acções, sem contar as
compras de roupas, serviços de maquiadores e estilistas.
Além disso verificou-se que as activistas do Femen recebem
salário, não menos de mil dólares por mês, o que ultrapassa em quase 3 vezes o
salário médio na Ucrânia. Além disso a manutenção de escritórios em Kiev – dois
mil e quinhentos dólares por mês e do recentemente aberto em Paris – mais
alguns milhares de euros por mês.
Quem financia tão generosamente este movimento e quem é o
patrocinador que indica às jovens a quem devem atacar de peito aberto, é um
segredo guardado a sete chaves, como se diz, sancta sanctorum. Só se pode
imaginar quem são. A jornalista supõe que são pessoas que com maior frequência
são vistas junto com o Femen. O multimilionário Helmut Geier, a mulher de
negócios alemã Beat Schober e o homem de negócios americano Jed Sanden. Também
a Wikipédia considera que o último é patrocinador do Femen.
25/11/2012
Relativismo moral
Uma espécie de teósofo disse-me: "O bem e o mal, a verdade e a mentira, a loucura e a sanidade, são apenas aspectos do mesmo movimento ascendente do Universo". Já nessa época me ocorreu perguntar: "Supondo que não exista diferença entre o bem e o mal, ou entre a verdade e a mentira, qual é a diferença entre ascendente e descendente?".
G. K. Chesterton citado por Gustavo Corção.
24/11/2012
1 ano de Acção
A Acção Integral celebra hoje 1 ano de existência. É pois
altura de fazer a revisão da matéria dada:
22/11/2012
A História repete-se
As pessoas moram em gaiolas para coelhos a preços exorbitantes. Já não se pode circular nas ruas. Quando penso no que Roma se tornou, fujo para longe. Os milhões que ganham os promotores. Vindos dos quatro cantos do Mediterrâneo, ei-los que adquirem as melhores casas para delas se apoderarem.
Desprezam os nossos gostos e valores; o mau gosto torna-se sinónimo de requinte, o idiota passa por genial, cantores medíocres são vistos como estrelas. Já não há em Roma mais lugar para um bravo Romano. Na rua os estrangeiros agridem-nos. E, depois, ainda por cima, são eles que te acusam e levam-te a tribunal.
Onde estão os ritos antigos? A religião é publicamente vilipendiada. Quem teria ousado, outrora, fazer troça do culto dos deuses? Não nos devemos surpreender que a desonestidade seja geral. Já ninguém tem palavra, porque todos perderam a fé. Mesmo os crentes já não crêem na virtude. Outrora, um desonesto era algo incrível. E agora, um tipo verdadeiramente íntegro é visto como um prodígio.
Juvenal in «Sátiras», século I d.C.
18/11/2012
Deus criou o Mal?
O Frio é ausência de Calor, a Escuridão é ausência de Luz, o Mal é ausência de Bem. Possivelmente, Einstein nunca proferiu as palavras descritas no vídeo. No entanto, a mensagem é bastante esclarecedora quanto à existência do Mal: ausência e negação do Bem. Da mesma forma que só existe Doença enquanto degeneração de um estado de Saúde que a precede, só existe Mal porque existe o Bem que o precede.
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