06/11/2013

Tudo não passa de um pouco de vento


Não tenhais medo por serem muitos, nem pelas ameaças que fazem com os seus gestos e alaridos, pois tudo não passa de um pouco de vento, que dentro em breves momentos terminará. Deveis ser fortes e esforçados, recebendo a grande ajuda de Deus, por cujo serviço ali estavam, defendendo a justa causa do Reino de Portugal.

D. Nuno Álvares Pereira in «Crónicas» de Fernão Lopes.

São Nuno de Santa Maria, rogai por nós!

01/11/2013

Omnium Sanctorum


Depois disto, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão. E clamavam em alta voz: «A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro».
Todos os Anjos formavam círculo em volta do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres Vivos. Prostraram-se diante do trono, de rosto por terra, e adoraram a Deus, dizendo: «Ámen! A bênção e a glória, a sabedoria e a acção de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Ámen!».
Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me: «Esses que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e de onde vieram?».
Eu respondi-lhe: «Meu Senhor, vós é que o sabeis».
Ele disse-me: «São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro».

Apocalipse 7: 9-14

30/10/2013

Revoluções de Outubro


Tal foi, em ponto pequeno, a nossa Revolução de 5 de Outubro; tal foi, em ponto grande, a Revolução Bolchevista. Em ambos os casos, a maioria do país era monárquica, sendo apenas, republicana num caso, comunista no outro, a minoria mais bem organizada; tendo a primeira como espinha dorsal a Ordem Maçónica, a segunda por principal esteio as organizações secretas judaicas.

Fernando Pessoa in «Da República».

23/10/2013

A Igreja e os Regimes Políticos


Conclua-se.

1.º – Deve-se obediência à Autoridade ou ao Poder – mas à Autoridade legítima ou ao Poder legítimo.

2.º – Todo o Poder vem de Deus – mas subentenda-se o Poder legítimo, o que é verdadeiramente theou diákonós.

3.º – Os homens inventaram um princípio oposto a este – e segundo o qual, todo o Poder reside na multidão nacional.

4.º – Estes dois princípios antagónicos deram duas formas de governo antagónicas: respectivamente a Monarquia e a República: a Monarquia é-o, pela graça de Deus; a República, pela vontade soberana do Povo.

5.º – Sobre as excelências ou virtudes da Monarquia, e sobre os malefícios ou vícios da República, nunca a Igreja, como a Igreja, se manifestou directamente, nem tinha que se manifestar.

6.º – Mas mantendo o princípio da origem divina do Poder e do seu destino legítimo, colocou-nos no caminho da solução do problema.

7.º – Por outro lado, se a Igreja se não pronunciou, pronunciaram-se, na Igreja, vozes oportunas e autorizadas, proclamando que a Realeza era o melhor (praestantior) de todos os governos, e que o Sufrágio universal era chaga destruidora da ordem social.

8.º – Porque parte dum princípio que exclui a origem divina do Poder, e porque tem como base essencial e seu animador integral, o Sufrágio universal, cuja destruição merece a bênção dum Pontífice – e dos maiores da Igreja –, não é possível encontrar-se ou defender-se a compatibilidade da Igreja com a República.

Alfredo Pimenta in «A Igreja e os Regimes Políticos», 1942.

21/10/2013

A colonização da Europa


Esta nova esquerda, convertida ao capitalismo, defende com garra um socialismo virtual e uma imigração real. Neste cocktail é difícil adivinhar que parte é imbecilidade, altruísmo alucinado, snobismo anti-racista, etnomasoquismo e (o pior todavia) estratégia política. O sentimento que domina entre os colaboradores imigracionistas é o mesmo que dominou as elites decadentes de Roma no séc. III: a mediocridade e a cobardia, (...) e um egoísmo indiferente ao seu próprio povo e às suas gerações futuras. A história dirá que os europeus e concretamente as suas burguesias decadentes foram os primeiros responsáveis da colonização da Europa e da sua submersão demográfica. Para resolver o problema, problema do qual resultará o caos, não há outra solução, por um meio ou outro, que reduzir ao silêncio os colaboradores, os lobbies imigracionistas, que são a primeira causa desde há 30 anos da nossa colonização. O inimigo colonizador é um inimigo estimável, que joga o seu jogo, mas os colaboradores que atentam contra o seu próprio lado, não merecem, como dizia De Gaulle e o imperador Diocleciano, condescendência alguma.

Guillaume Faye in «La Colonisation de l'Europe».

17/10/2013

A dignidade que lhe é devida!


A Bandeira Nacional, no seu uso, deverá ser apresentada de acordo com o padrão oficial e em bom estado, de modo a ser preservada a dignidade que lhe é devida.

Artigo 2.º, n.º 2, Decreto-Lei n.º 150/87 de 30 de Março.

05/10/2013

O que foi (é) a República


A situação de Portugal, proclamada a República, é a de uma multidão amorfa de pobres-diabos, governada por uma minoria violenta de malandros e de comilões. O constitucionalismo republicano, para o descrever com brandura, foi uma orgia lenta de bandidos estúpidos.

Fernando Pessoa in «Da República».

01/10/2013

O problema das elites


O nosso grande problema é o da formação das elites que eduquem e dirijam a Nação. A sua fraqueza ou deficiência é a mais grave crise nacional. Só as gerações em marcha, se devidamente aproveitadas, nos fornecerão os dirigentes – governantes, técnicos, professores, sacerdotes, chefes do trabalho, operários especializados – indispensáveis à nossa completa renovação. Considero até mais urgente a constituição de vastas elites do que ensinar toda a gente a ler. É que os grandes problemas nacionais têm de ser resolvidos, não pelo povo, mas pelas elites enquadrando as massas.

António de Oliveira Salazar in «Homens e Multidões» de António Ferro.

21/09/2013

António José de Brito – Presente!


António José Aguiar Alves de Brito
(22 de Novembro de 1927 – 21 de Setembro de 2013)

Requiescat in pace.

17/09/2013

Como resolver a crise na Igreja?


Todo aquele que tiver tendências modernistas, seja ele quem for, deve ser afastado quer dos cargos quer do magistério; e se já tiver de posse, cumpre ser removido.

Papa São Pio X in «Pascendi Dominici Gregis», 1907.

10/09/2013

07/09/2013

Soluções de compromisso


Antigamente, uma solução de compromisso significava que meio pão era preferível a pão nenhum; para o estadista moderno, uma solução de compromisso significa que, no fundo, meio pão é preferível ao pão todo.

G. K. Chesterton in «Disparates do Mundo».

30/08/2013

Acabemos com isto!


Diante de uma casa a arder, não se discutem teorias: apaga-se o fogo, a bem ou a mal. A sociedade portuguesa está a arder. Acudam-lhe enquanto é tempo. Arrumem para o lado os incendiários ou os coniventes, encontrem-se eles onde se encontrarem, – no Parlamento, nos jornais, nas Secretarias, nas ruas e nas alfurjas – e salvem isto da derrocada!

Alfredo Pimenta in jornal «A Época», 1 de Junho de 1924.

25/08/2013

Plus ultra


Para testemunhar a verdade da sua Terra, mandou Deus a geração nova. Para testemunhar a mesma verdade, praticando o acto de Inteligência que eu peço à geração nova para praticar, é que eu me confesso católico e monárquico. Confessando-me católico e monárquico, confesso o património civilizador da minha Raça e a parte que me cabe, dentro dele para o prolongar e enriquecer ainda mais. Preparemos os corações, saindo pela noite funda ao encontro da madrugada!

António Sardinha in «O Integralismo Lusitano» de Leão Ramos Ascensão.

14/08/2013

Aljubarrota


Festa popular e festa de mocidade. Nuno Álvares tinha vinte e três anos quando da revolução em Lisboa, e 25 em Aljubarrota; D. João I, 25 ao ser proclamado defensor do reino e 27 na segunda daquelas datas. O estado maior do Condestável eram rapazes de pouca idade, com o espírito aventuroso e irrequieto dos jovens, insofridos nas pelejas, mas obedecendo cegamente ao chefe. Com estes se fez a campanha e se assegurou a independência de Portugal.
Hoje como então se exige espírito novo para fazer a revolução nacional. O espírito novo é mais fácil encontrá-lo em novos que em velhos, ainda que haja velhos com mocidade de espírito e moços gastos por interesses e preocupações que não costumam ser da sua idade. É, porém, essencial que o espírito da mocidade seja por nós formado no sentido da vocação histórica de Portugal, com os exemplos de que é fecunda a História, exemplos de sacrifício, patriotismo, desinteresse, abnegação, valentia, sentimento da dignidade própria, respeito absoluto pela alheia.
Facto cheio de ensinamentos é o comemorado hoje: homens que sirvam de exemplo para a nossa formação esses que, à volta de D. João I e do Condestável, batalharam e serviram e foram de tamanha estatura que futuros séculos de maravilha não lhes tocaram nem os puderam diminuir. Sobretudo esse Condestável D. Nuno, depois Frei Nuno de Santa Maria, guerreiro e monge, chefe de exércitos e edificador de conventos, vencedor de castelhanos e distribuindo em maus anos seus bens pelos mesmos que derrotara em batalhas para que não mandassem na sua terra, erguendo sua valentia no altar da Pátria como a Igreja o havia de erguer pelas suas virtudes nos altares da fé, cheio de honras e riquezas e enterrado em vida no Convento do Carmo, na dura estamenha de frade, quando depois de Ceuta lhe pareceu já não ser necessária a espada para defesa da Pátria, mas disposto de novo a vestir as armas se el-Rei de Castela mais alguma vez se tentasse a invadir Portugal.

António de Oliveira Salazar in «A Voz», n.º 3048, 15 de Agosto de 1935.

10/08/2013

A Olivença, a perdida


Fiel ao sangue, nossa irmã germana,
chora Olivença as suas horas más
junto do rio que tornou atrás,
quando soou a trompa castelhana.

Ó Casa de Antre Tejo-e-Guadiana,
lembra-te dela que entre ferros jaz!
Não a dobrou a guerra nem a paz,
– fiel ao sangue, o sangue a ti a irmana!

E todo aquele em quem ainda viva
o ardor da Raça e a voz que nele anseia,
se for p'ra além da raia alguma vez,

é Olivença, nossa irmã cativa
lá onde com surpresa a gente alheia
oiça dizer adeus em português!

António Sardinha in «Epopeia da Planície».

06/08/2013

Memorial para governo do Reino


Num memorial de sua letra, que fez antes de tomar o governo do Reino, El-Rei D. Sebastião escreveu as máximas que devia observar, e são as seguintes:

– Terei a Deus por fim de todas as minhas obras, e em todas elas me lembrarei d'Ele.
– Em me deitando, e levantando, conto com Ele muito particular. – Cuidar à noite, em que falei naquele dia.
– Trabalharei muito por dilatar a Fé. – Favorecerei muito as coisas da Igreja. – Armar todo o Reino. – Defender alfaias e delícias. – Fazer mercê a bons, castigar a maus. – Não crer levemente, e ouvir sempre ambas as partes. – Fazer justiça ao grande, e ao pequeno, sem excepção de pessoa. – Tirar as onzenas. – Conquistar e povoar a Índia, Brasil, Angola e Mina. – Todo o que me falar desonestidades, castigá-lo rijamente.
– Quando houver de fazer alguma coisa, comunicá-la primeiro com Deus. – Reformar os costumes, começando por mim no vestir e comer. – Em negócios, ter primeiro conta com o bem comum, e depois com os particulares. – Tirar alguns tributos e buscar modo com que Lisboa seja abastada. – As leis que fizer, mostrá-las primeiro a homens de virtude e letras, para que me apontem os inconvenientes que tiverem.
– Levar os súbditos por amor, enquanto puder. – Ser inteiro aos grandes, humano aos pequenos.
– As comendas sirvam em África.
– Não ter junto de mim senão homens tementes a Deus.
– Devassar dos ofícios de justiça, e fazenda, cada ano.
– Escrever a todos os Prelados que façam dizer Missas e Orações por mim, e pedir jubileu ao Papa.
– Terei nos postos do mar homens de confiança, e os que entram, que não sejam suspeitos na Fé.
– As coisas que não entender bem, comunicá-las primeiro com quem me possa dar parecer desenganado.
– Não dar, nem prometer nada, sem saber se é injustiça ou mal feita. – Mostrar bom rosto e agasalhado a todos. – Prover os cargos e ofícios em quem faz para isso, e não por outros respeitos. – Não desmaiar nas dificuldades, antes ter maior fé e confiança em Deus. – Tirar a cobiça. – Mostrar sempre ânimo liberal e não acanhado. – Gabar os homens, e cavaleiros, que tiverem bons procedimentos, diante de gente, e os que tiverem préstimo para a República, e mostrar aborrecimento às coisas a ela prejudiciais. – Não dizer palavras que escandalizem, mormente quando estiver agastado. – Os meus Embaixadores andarão sempre vestidos à portuguesa.
– Em todas as coisas que fizer, terei primeiro conta com a honra de Deus. – Serei pai dos pobres e de quem não tem quem faça por eles.

04/08/2013

D. Sebastião, o rei casto


Sua alma cada vez mais se esmaltava de intenções formosas, e seu corpo vestia-se de castidade. Não deixava que nenhuma dama lhe tocasse, e quando passeava a cavalo pela Rua Nova, ou pelas betesgas da velha e mourisca Lisboa, jamais levantava os olhos para as donzelas que chegavam às ventanas ou curiosamente espreitavam por detrás das verdes adufas árabes.
Era que seu espírito, vivendo exclusivamente para o catolicismo e para a guerra, queria servir estas ideias com alma pura e corpo casto.
Uma manhã, na igreja de São Roque, confessado e comungado, recolheu-se todo em si, cabeça inclinada para o peito, em profunda absorção. Esteve assim muito tempo. Depois, ergueu a fronte, pôs firme os olhos num crucifixo alto e, entre grossas lágrimas, rogou com a alma inteira:
– Senhor, Vós que a tantos príncipes haveis concedido impérios e monarquias, concedei-me ser vosso capitão!
Eram três as suas orações diárias: – Que Deus o inflamasse no zelo da fé, que ele queria propagar pelo mundo; – que Deus o tornasse um ardido guerreiro; – que Deus o conservasse casto.
Ser casto! Para ele a castidade era uma graça física que o tornava forte, uma fortaleza que o fazia ledo. A castidade dilatava-lhe a alma, amando a todos – ao reino, à grei. Era uma pureza que, vivendo em si, marcava conceito nobre em todos os seus propósitos, lhe punha frescor no olhar e lhe brunia as faces com sorrisos brancos. Ser casto era vestir um arnês de candura.

Antero de Figueiredo in «D. Sebastião: Rei de Portugal», 1924.

30/07/2013

Amor não é Tolerância


Existe também outra falsificação da imagem deste amor sobrenatural. Acredita-se que um homem que actua na vida segundo a lei do amor, deve ser necessariamente um homem bondoso, pleno de compaixão, disposto a todos os compromissos, incapaz de fazer uso da violência, pronto a perdoar todas as injustiças e sobretudo amante da paz. Isto não é verdade.
Existem circunstâncias nas quais o amor de tipo espiritual pode chegar a ser terrível e impiedoso. Quando o Arcanjo São Miguel expulsou Lúcifer e as suas hostes do Céu, não procedeu com suavidade com os rebeldes; Jesus Cristo tomou um chicote e escorraçou os vendilhões do templo. No dia do Juízo Final, não podemos dizer que Jesus Cristo não tem amor porque vai a julgar-nos e muitos terminarão no Inferno. Quando um líder de um país manda cortar a cabeça de um malfeitor, não significa que não tem amor; pelo contrário, poderia ser acusado de falta de amor para com o povo se não tivesse procedido tão severamente. Corneliu Codreanu, acusado no parlamento do seu país de não ser cristão, por exigir a aplicação da pena capital, respondeu: «Entre a morte da minha nação e a morte de um malfeitor, prefiro a morte deste último».

Horia Sima in «El Hombre Cristiano y La Acción Política».

18/07/2013

Os católicos-liberais


Embora os filhos do século sejam mais hábeis que os filhos da luz, seus ardis e suas violências teriam, sem dúvida, menor êxito se um grande número, entre aqueles que se intitulam católicos, não lhes entendesse mão amiga. Sim, infelizmente, há os que parecem querer caminhar de acordo com os nossos inimigos, e se esforçam por estabelecer uma aliança entre a luz e as trevas, um acordo entre a justiça e a iniquidade por meio dessas doutrinas que se chamam católico-liberais, as quais, apoiando-se sobre os mais perniciosos princípios, adulam o poder civil quando ele invade as coisas espirituais, e impulsionam as almas ao respeito, ou ao menos à tolerância das leis mais iníquas. Como se absolutamente não estivesse escrito que ninguém pode servir a dois senhores. São eles muito mais perigosos certamente e mais funestos do que os inimigos declarados, não só porque lhes secundam os esforços, talvez sem o perceberem, como também porque, mantendo-se no extremo limite das opiniões condenadas, tomam uma aparência de integridade e de doutrina irrepreensível, aliciando os imprudentes amigos de conciliações e enganando as pessoas honestas, que se revoltariam contra um erro declarado. Por isso, eles dividem os espíritos, rasgam a unidade e enfraquecem as forças que seria necessário reunir contra o inimigo.

Papa Pio IX in «Carta ao Círculo Santo Ambrósio de Milão», 6 de Março de 1873.

14/07/2013

As três revoluções


Este inimigo terrível tem um nome: chama-se Revolução. A sua causa profunda é uma explosão de orgulho e de sensualidade que inspirou, não diríamos um sistema, mas toda uma cadeia de sistemas ideológicos. Da larga aceitação dada a estes no mundo inteiro, decorreram as três grandes revoluções da História do Ocidente: a Pseudo-Reforma, a Revolução Francesa e o Comunismo. (...)
A Pseudo-Reforma foi uma primeira Revolução. Ela implantou o espírito de dúvida, o liberalismo religioso e o igualitarismo eclesiástico, em medida variável aliás nas várias seitas a que deu origem.
Seguiu-se-lhe a Revolução Francesa, que foi o triunfo do igualitarismo em dois campos. No campo religioso, sob a forma do ateísmo, especiosamente rotulado de laicismo. E na esfera política, pela falsa máxima de que toda a desigualdade é uma injustiça, toda a autoridade é um perigo, e a liberdade é o bem supremo.
O Comunismo é a transposição destas máximas para o campo social e económico.

Plinio Corrêa de Oliveira in «Revolução e Contra-Revolução».

10/07/2013

A vulgaridade como direito


Não se trata de o homem-massa ser estúpido. Pelo contrário, o actual é mais esperto, tem mais capacidade intelectiva que o de qualquer outra época. Mas essa capacidade não lhe serve de nada; com rigor, a vaga sensação de possuí-la serve-lhe só para encerrar-se mais em si mesmo e não usá-la. Consagra de uma vez para sempre o sortido de tópicos, preconceitos, ideias-feitas ou, simplesmente, vocábulos ocos que o acaso amontoou no seu interior e, com uma audácia que só se explica pela ingenuidade, imporá onde quer que seja. É isto que no primeiro capítulo eu enunciava como característico da nossa época: não que o vulgar julgue que é excelente e não vulgar, mas que o vulgar proclame e imponha o direito da vulgaridade, ou a vulgaridade como direito.

José Ortega y Gasset in «A Rebelião das Massas».

02/07/2013

País governado ao acaso


Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o estadista. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?

Eça de Queiroz in «O Distrito de Évora».

24/06/2013

Livro: O cônsul Aristides Sousa Mendes: a Verdade e a Mentira


O embaixador Carlos Fernandes, diplomata de carreira e professor universitário, com vasta obra publicada, foi sempre um moderado, na sua vida privada e na pública. E é-o neste livro. Nunca quis entrar na política, mais ou menos partidária, para que foi convidado desde muito novo. Só quis servir o Estado, isto é, toda a comunidade portuguesa organizada como tal, e não apenas uma fracção dela. E serviu-o durante muitos anos e intensamente, como se verifica pelo seu extraordinariamente vasto curriculum vitae, tendo tido actividade notável na negociação dos acordos no seio da EFTA, na Conferência da Haia de Direito Internacional Privado, e sido até pioneiro na elaboração e negociação dos acordos sobre protecção no trabalho e segurança social dos emigrantes, e na transferência de presos condenados e a cumprir prisão no estrangeiro.

Cansado de ler e ouvir tão abundantes como mirabolantes fantasias a respeito de A. de Sousa Mendes, enquanto cônsul de Portugal em Bordéus, em Junho de 1940, fantasias que este nunca invocou nem sugeriu, além de pressionado por vários amigos, dado que ele é, actualmente, a única pessoa viva que, ainda no MNE, conviveu com Sousa Mendes, e, crê-se, a única dos que sobre ele escreveram que o conheceu pessoalmente, decidiu escrever este livro, repondo a verdade sempre que o julgou necessário, sem deixar de evidenciar simpatia pessoal, não profissional, por este cônsul de Portugal, dadas as circunstâncias de tempo, lugar, e psicológicas em que actuou.

É, como verificarão, um livro muito bem documentado, e, sem dúvida, a queda de um mito, não de um anjo, já que esta descreveu-a o grande Camilo Castelo Branco de forma inexcedível.

O leitor vai encontrar aqui vasta informação relevante que certamente desconhecia, porque, propositadamente, se tem omitido ou deturpado, por razões políticas e económicas, que aborrecem a verdade.

Aristides, ao contrário do que se tem propalado, não deu 30.000 vistos dos quais 10.000 a judeus nos dias da ira, mas apenas entre 600 e 650, nunca tendo sido exonerado de cônsul de Portugal nem aposentado por Salazar, recebendo até morrer o seu vencimento como tal.

Desde alguns descendentes de Aristides até ao influente político americano de origem açoriana Tony Coelho, passando por grupos judaicos amestrados para isso, e por Jaime Gama e outros políticos portugueses, tem-se elevado uma monstruosa montanha mitificadora à base de falácias que não engrandecem quer Aristides quer a Assembleia da República, quer o Governo e o Presidente da República que para isso contribuíram.

23/06/2013

O ateísmo é o ópio do povo


Lenine disse que a religião é o ópio do povo... Mas é apenas crendo em Deus que nós podemos criticar o Estado. Uma vez abolido Deus, e o Estado torna-se Deus. Este facto está escrito em toda a história humana; mas está escrito mais claramente na história recente da Rússia; que foi criada por Lenine... Lenine apenas caiu num pequeno erro: ele percebeu tudo ao contrário. A verdade é que o ateísmo é o ópio do povo. Onde quer que as pessoas não acreditem em algo para além do mundo, elas irão adorar o mundo.

Gilbert Keith Chesterton in «Christendom in Dublin».

20/06/2013

Cicuta


O Constitucionalismo nunca se casou com a Nacionalidade Portuguesa, porque foi sempre estrangeiro. Toda a obra que um povo realizar, fora do seu espírito, não vinga, é estéril e condenada a uma morte próxima.

Teixeira de Pascoais in «Saudade e o Saudosismo».

13/06/2013

Santo António


Martelo de hereges, volta à vida!
que a tua língua resplandeça ardente,
p'ra bem de tanta alma empedernida.

Lá donde estás, António, não nos deixes!
Se os homens te esqueceram negramente,
lembra-te, Santo, que ainda tens os peixes!

António Sardinha in «Pequena Casa Lusitana».

10/06/2013

Portugal Crucificado


Crucificado sobre um alto cerro,
com moiros a jogar-lhe a roupa aos dados,
eis Portugal pagando o antigo erro,
eis Portugal penando os seus pecados.

Insultam-no de baixo com aferro
esses a quem o insulto fez medrados.
Hora de expiação. Um ar de enterro
tingiu de treva os longes carregados.

E exclama Portugal: – «Senhor! Senhor!
A mim, alcaide-mor da Cristandade,
assim me abandonaste na agonia!»

António Sardinha in «Pequena Casa Lusitana».

09/06/2013

A liberdade e a independência perdida


Independência, liberdade, quer dizer vida; e vida quer dizer – concordância entre o meio e o fim, obediência do condicional ao absoluto, sacrifício do inferior ao superior, do criador individual e animal à criatura espiritual.
O antigo português foi livre no sentido verdadeiro da palavra. As descobertas nasceram da sua própria força criadora. Nas cortes, falava, rosto a rosto ao Príncipe, e a sua lança, cravada na fronteira, assegurou a Portugal a nobre independência garantida pelo espírito de sacrifício.
Portugal foi livre, enquanto foi português nas suas obras; enquanto soube realizá-las, obedecendo apenas à sua Vontade vitoriosa.
Sem actividade criadora não há liberdade nem independência. Cada instante de liberdade é preciso construí-lo e defendê-lo como um reduto. Representa um estado de esforço alegre e doloroso; alegre, porque dá ao homem a consciência do seu valor; e doloroso porque lhe exige trabalho nos dias de paz e vida nas horas de guerra.
A escravidão é feita de descanso e de tristeza.

Teixeira de Pascoaes in «Arte de Ser Português».

04/06/2013

Ecumenismo e Maçonaria


Podemos dizer que o ecumenismo é o filho legítimo da Maçonaria... No nosso tempo, o nosso irmão Franklin Roosevelt reclamou para todos a possibilidade de "adorar a Deus segundo os seus princípios e convicções". Isto é tolerância, e é também ecumenismo. Nós, os maçons tradicionais, permitimo-nos parafrasear e transpor estas palavras de um estadista célebre, adaptando-as às circunstâncias: católicos, ortodoxos, protestantes, israelitas, muçulmanos, hindus, budistas, livres-pensadores, livres-crentes, estes são apenas os nossos primeiros nomes; a Maçonaria é o nome da nossa família.

Yves Marsaudon in «L'oecuménisme vu par un franc-maçon de tradition».

29/05/2013

Vilafrancada


A força dos males nacionais, já sem limites, não me deixou escolher: a honra não me permitiu ver por mais tempo em vergonhosa inércia a majestade real, ultrajada e feita ludíbrio dos facciosos, todas as classes da nação com diabólico estudo deprimidas, e todos nós o desprezo da Europa e do mundo, por um sofrimento que passaria a cobardia; e em lugar dos primitivos direitos nacionais que vos prometeram recobrar em 24 de Agosto de 1820, deram-vos a sua ruína, o rei reduzido a um mero fantasma; a magistratura diariamente despojada e ultrajada; a nobreza, à qual se agregaram sucessivamente os cidadãos beneméritos e à qual deveis vossa glória nas terras de África e nos mares da Ásia, reduzida ao abatimento, despojada do lustre que outrora obtivera do reconhecimento real; a religião e seus ministros objecto de mofa e escárnio.
Que é uma nação quando sofre ver-se assim aviltada? Eia, portugueses, uma mais longa prudência seria infâmia. Já os generosos transmontanos nos precederam na luta; vinde juntar-vos ao estandarte real que levo em minhas mãos; libertemos o rei e Sua Majestade livre dê uma Constituição a seus povos; fiemo-nos em seus paternais sentimentos; e ela será tão alheia do despotismo como da licença; assim reconciliará a nação consigo mesmo e com a Europa civilizada.
Acho-me no meio de valentes e briosos portugueses, decididos como eu a morrer ou a restituir Sua Majestade à sua liberdade e autoridade, e a todas as classes seus direitos. Não hesiteis, eclesiásticos e cidadãos de todas as classes, vinde auxiliar a causa da religião, da realeza e de vós todos: e juremos não tornar a beijar a real mão senão depois de Sua Majestade estar restituído à sua autoridade.
Não acrediteis que queremos restaurar o despotismo, operar reacções ou tomar vinganças; juremos pela religião e pela honra que só queremos a união de todos os portugueses e um total esquecimento das opiniões passadas.

S.M.F. El-Rei Dom Miguel

26/05/2013

Possibilidades ilimitadas


Por princípio somos aquilo que o nosso mundo nos convida a ser, e as partes fundamentais da nossa alma são impressas nela de acordo com o perfil do seu contorno, como se fosse um molde. Naturalmente, viver não é mais do que lidar com o mundo. As características gerais que ele nos apresentar serão as características gerais da nossa vida. Por isso insisto tanto em fazer notar que o mundo onde as massas actuais nasceram mostrava uma fisionomia radicalmente nova na história. Enquanto no passado viver significava para o homem médio encontrar em seu redor dificuldades, perigos, escassez, limitações de destino e dependência, o mundo novo aparece como âmbito de possibilidades praticamente ilimitadas, seguro, onde não se depende de ninguém. Em torno desta impressão primária e permanente vai-se formar cada alma contemporânea, como em torno da oposta se formaram as antigas. Porque esta impressão fundamental converte-se em voz interior que murmura sem cessar algo assim como que palavras no mais profundo da pessoa e lhe insinua tenazmente uma definição da vida que é, simultaneamente, um imperativo. E, se a impressão tradicional dizia: "Viver é sentir-se limitado e, por isso mesmo, ter de contar com o que nos limita", a novíssima voz grita: "Viver é não encontrar limitação alguma; portanto, abandonar-se tranquilamente a si mesmo. Praticamente nada é impossível, nada é perigoso e, em princípio, ninguém é superior a ninguém".

José Ortega y Gasset in «A Rebelião das Massas».

24/05/2013

A Era do Álibi


Os cientistas oficiais preferem explicar o Estado pela luta de classes, o canibalismo pela deficiência em proteínas, a guerra pelas indústrias de armamento e pelo capitalismo, a droga pela falta de amor, o crime pela frustração, e assim por diante. O ciclo cultural que nos integra culminou afinal numa gigantesca Era do Álibi. Tudo está desculpado. Ninguém tem culpa de nada.

António Marques Bessa in «Ensaio sobre o fim da nossa Idade».

22/05/2013

O grande mal dos modernos


O grande mal dos modernos é ter perdido o senso comum sem ter aprendido a raciocinar. Isto é de resto apenas uma forma do mal de hoje: o termo-nos desligado do passado sem nos termos adaptado ainda ao futuro.

Fernando Pessoa in «Da República».

18/05/2013

Civilização Cristã


Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos príncipes e à protecção legítima dos magistrados. Então o sacerdócio e o império estavam ligados em si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, frutos cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer.

Papa Leão XIII in «Immortale Dei», 1885.

17/05/2013

Quem ganha com a adopção gay?

No dia em que o Parlamento português (cuja maioria se diz "de direita") aprovou a adopção de crianças por parelhas de homossexuais, nada melhor do que ouvir Alain Soral, um homem sem papas na língua e que expõe os verdadeiros intentos por detrás da adopção gay em França (e no Mundo):



Nota: Alain Soral não se considera um homem de direita, no entanto também não é um esquerdista típico. Alain Soral representa aquilo que se pode chamar "esquerda do trabalho" e "direita dos valores".

11/05/2013

O Nacionalismo em acusação


Sabemos que o nacionalismo está em acusação. Quem o professa ou defende arrisca a reputação perante os "colegas"; é apontado de retrógrado pelos universalistas utópicos, e burguês-tachista, por todos em geral.
O nacionalismo devido a interesses da plutocracia e propaganda capitalista-marxista tornou-se réu. Dificulta negócios. Quando as ideias desta Europa, a única que perdeu a Guerra, são os dólares, as mais-valias e os salários, e onde os jovens se tornam espectadores idiotas (convencidos que são activistas) da derrocada, os utilitaristas podem-se congratular. Mais: quando as nações são encaradas como mercados, e unicamente como mercados, do capital apátrida, tem-se toda a conveniência em que os focos nacionalistas sejam suprimidos.
O nacionalismo, portanto, vê-se atacado numa ampla frente: desde os militantes e simpatizantes comunistas até aos "palermas de café", que falam de cór consoante a propaganda impingida pelos meios de informação onde eles bebem usualmente a "cultura política" com que fazem revoluções radicais.

António Marques Bessa in revista «Política», Fevereiro de 1969.

04/05/2013

Os Sete Pecados Mortais da Democracia


Os Sete Pecados Mortais da Democracia: a Soberba Individualista; a Avareza Capitalista; a Luxúria das Palavras; a Ira Revolucionária; a Inveja Democrática; a Gula do Orçamento; a Preguiça Constitucional.

António Pedro in jornal «Revolução», 1932.

01/05/2013

1º de Maio, dia de São José Operário


Quantas vezes Nós manifestámos e explicámos o amor da Igreja para com os operários! No entanto, propaga-se amplamente a calúnia atroz de que «a Igreja é aliada do capitalismo contra os trabalhadores»! Ela, mãe e mestra de todos, teve sempre particular solicitude pelos filhos que se encontram em condições mais difíceis, e também, na realidade, contribuiu notavelmente para a conquista dos apreciáveis progressos obtidos por várias categorias de trabalhadores. Nós mesmo, na radio-mensagem natalícia de 1942, dizíamos: «Levada sempre por motivos religiosos, a Igreja condenou os vários sistemas do socialismo marxista e condena-os ainda hoje como é seu dever e direito permanente de preservar os homens de correntes e influências que põem em risco a sua salvação eterna. Mas a Igreja não pode ignorar ou deixar de ver que o operário, no esforço de melhorar a sua condição, choca com qualquer engenho que, longe de ser conforme à natureza, contrasta com a ordem de Deus e com o objectivo que ele assinalou aos bens terrenos. Por mais falsos, condenáveis e perigosos tenham sido e sejam os caminhos seguidos, quem, sobretudo se é sacerdote ou cristão, poderia permanecer surdo ao grito que se levanta dos profundos e, num mundo de um Deus justo, clama por justiça e espírito de fraternidade?».

Papa Pio XII in «Discurso por ocasião da solenidade de São José Operário», 1 de Maio de 1955.

28/04/2013

Do amor pátrio


O homem é devedor a respeito de outro em diversos graus, que correspondem, por um lado a excelência das pessoas, por outro lado a importância dos benefícios recebidos. Sob um e outro aspecto, Deus ocupa o primeiro lugar, visto que Ele é ao mesmo tempo o melhor de todos os seres e o primeiro princípio ao qual o homem deve tudo. Mas os princípios secundários da vida humana são os Pais e a Pátria. Por isso a eles, depois de Deus, é a quem o homem é principalmente devedor. De modo que depois da virtude da religião, cujo papel é prestar culto a Deus, vem a virtude da piedade, que presta culto aos Pais e à Pátria.

São Tomás de Aquino in «Compendio de la Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino» do Pe. Raphael Sineux.

25/04/2013

Rebentou um cano de esgoto


Na manhã de 25 de Abril de 1974 um amigo do professor Bissaia Barreto telefonou-lhe: rebentara uma revolução, que já se declarava triunfante. O velho mestre de Coimbra, que fora dentro do Estado Novo o cabecilha da corrente democrática, teve apenas este comentário: – «Olhe, meu amigo, rebentou um cano de esgoto».

Barradas de Oliveira in «Quando os Cravos Murcham», 1975.

21/04/2013

Partidos para quê?


Que desapareçam os partidos políticos. Nunca ninguém nasceu membro de um partido político; em troca, todos nascemos membros de uma família, somos todos vizinhos num município, esforçamo-nos todos no exercício de um trabalho. Pois se essas são as nossas unidades naturais, se a família e o município e a corporação é no que verdadeiramente vivemos, para que necessitamos do instrumento intermédio e pernicioso dos partidos políticos que, para unir-nos em grupos artificiais, começam por desunir-nos nas nossas realidades autênticas?

José Antonio Primo de Rivera in «Discurso de fundação da Falange Espanhola».

18/04/2013

A máfia do avental


Tu deves encobrir todos os crimes dos teus irmãos maçons... e se fores chamado a testemunhar contra um irmão maçon, está sempre certo em protegê-lo. Prevaricando, não digas toda a verdade sobre o seu caso, mantém os seus segredos, esquece as partes mais importantes. Pode ser perjúrio fazer isto, é verdade, mas estarás a cumprir com as tuas obrigações maçónicas.

Edmond Ronayne in «Handbook of Masonry», 1917.

14/04/2013

Os judeus e as Invasões Mouras


Uma vez que a ilegítima Assembleia da República aprovou por unanimidade a atribuição de nacionalidade portuguesa aos descendentes de judeus sefarditas, nada melhor do que recordar a acção destes durante as Invasões Mouras do século VIII, segundo a palavra de dois historiadores judeus:

No ano de 711, a Espanha foi conquistada pelos muçulmanos e os judeus saudaram a sua vinda com júbilo. Eles regressaram a Espanha dos países para onde haviam fugido. Eles saíram ao encontro dos conquistadores, ajudando-os a tomar as cidades de Espanha.
Deborah Pessin in «The Jewish People», 1951.

Os barbarescos ajudaram o movimento Árabe a estender-se até Espanha, enquanto os judeus sustentavam o empreendimento ao mesmo tempo com homens e com dinheiro. Em 711, os barbarescos comandados por Tariq cruzaram o Estreito e ocuparam a Andaluzia. Os judeus convergiram com piquetes de tropas e guarnições para o distrito.
Josef Kastein in «History and Destiny of the Jews», 1933.

08/04/2013

O progresso traz felicidade?


Que tem feito a sociedade há três séculos a favor da parte moral do homem? Nada, querer iluminar o homem, tirar-lhe ilusões. E tiradas essas ilusões, que sucedeu? O homem materializou-se, e a sociedade corrompeu-se. Vejamos que progressos materiais obtivemos nesses três séculos: obtivemos as aplicações do vapor, a química fez passos de gigante, as ciências naturais chegaram quase à perfeição, os resultados científicos e artísticos simplificaram-se, inventou-se o galvanismo, o telégrafo eléctrico, a fotografia, desapareceram as distâncias, o comércio reina dominador sobre todos, somos engolfados em prosperidade material, e ao mesmo tempo somos muito infelizes.

D. Pedro V in «Escritos de El-Rei D. Pedro V».

06/04/2013

A Ilustre Casa de Ramires


Então João Gouveia abandonou o recosto do banco de pedra, e teso na estrada, com o coco à banda, reabotoando a sobrecasaca, como sempre que estabelecia um resumo:
– Pois eu tenho estudado muito o nosso amigo Gonçalo Mendes. E sabem vocês, sabe o Sr. Padre Soeiro quem ele me lembra?
– Quem?
– Talvez se riam. Mas eu sustento a semelhança. Aquele todo de Gonçalo, a franqueza, a doçura, a bondade, a imensa bondade, que notou o Sr. Padre Soeiro... Os fogachos e entusiasmos, que acabam logo em fumo, e juntamente muita persistência, muito aferro quando se fila à sua ideia... A generosidade, o desleixo, a constante trapalhada nos negócios, e sentimentos de muita honra, uns escrúpulos, quase pueris, não é verdade?... A imaginação que o leva sempre a exagerar até à mentira, e ao mesmo tempo um espírito prático, sempre atento à realidade útil. A viveza, a facilidade em compreender, em apanhar... A esperança constante nalgum milagre, no velho milagre de Ourique, que sanará todas as dificuldades... A vaidade, o gosto de se arrebicar, de luzir, e uma simplicidade tão grande, que dá na rua o braço a um mendigo... Um fundo de melancolia, apesar de tão palrador, tão sociável. A desconfiança terrível de si mesmo, que o acobarda, o encolhe, até que um dia se decide, e aparece um herói, que tudo arrasa... Até aquela antiguidade de raça, aqui pegada à sua velha Torre, há mil anos... Até agora aquele arranque para a África... Assim todo completo, com o bem, com o mal, sabem vocês quem ele me lembra?
– Quem?
– Portugal.
Os três amigos retomaram o caminho de Vila-Clara. No céu branco uma estrelinha tremeluzia sobre Santa Maria de Craquede. E Padre Soeiro, com o seu guarda-sol sob o braço, recolheu à Torre vagarosamente, no silêncio e doçura da tarde, rezando as suas avé-marias, e pedindo a paz de Deus para Gonçalo, para todos os homens, para campos e casais adormecidos, e para a terra formosa de Portugal, tão cheia de graça amorável, que sempre bendita fosse entre as terras.

Eça de Queiroz in «A Ilustre Casa de Ramires».

31/03/2013

Aleluia!


Louvai ao Senhor, todas as nações; louvai-O, todos os povos. Porque a Sua benignidade é grande para connosco, e a verdade do Senhor é para sempre. Louvai ao Senhor.

Salmo 117

29/03/2013

Filme: A Paixão de Cristo

Vexilla Regis


O órgão geme. É Sexta-feira Santa.
Adoração da Cruz na Catedral.
E sobe o coro numa voz que espanta,
– voz de tragédia e cerração mortal!

Só um madeiro agreste se levanta,
abrindo os braços negros por igual.
Os padres cantam. E em tristeza tanta
recanta o incenso a mística espiral.

Soluça o órgão... Com a cruz erguida,
por todo o templo a fé que nos alenta
entoa um hino à Árvore-da-Vida.

E eu, pobre criatura transitória,
enquanto a procissão perpassa lenta,
julgo assistir ao desfilar da História!

António Sardinha in «Na Corte da Saudade».

27/03/2013

A vida é fruto do acaso?


Suponhamos que, chegando a uma ilha desabitada, encontramos uma estátua maravilhosamente esculpida. Certamente – concluiremos – esta ilha foi em tempos habitada ou, pelo menos, visitada por homens que ali deixaram aquela estátua.
Que diríamos, porém, se alguém quisesse troçar da nossa natural suposição e nos dissesse: Mas quê? Isso é uma explicação gratuita, devida simplesmente à tendência que tendes de interpretar antropomorficamente as coisas! A estátua não é obra do homem! Foram as chuvas e os ventos que, primeiro, arrancaram da montanha o mármore; os agentes atmosféricos e os temporais que depois o trabalharam e, por fim, uma rajada violenta que a pôs de pé!
Quem poderia aceitar uma tal explicação sem renunciar ao mais elementar bom senso?
Mas, se o acaso é impotente para produzir uma estátua, que apenas é uma imagem da vida, como poderemos nós supor que o mesmo tenha produzido um organismo, inteiro e complexo, com todos os seus órgãos maravilhosos?

Pe. Victor Marcozzi in «Deus e a Ciência», 1957.