A Avenida Ressano Garcia passou a denominar-se Avenida da República e a Rua António Maria de Avelar passou a designar-se Avenida Cinco de Outubro. Uma semana depois são feitas novas alterações: a Rua Bela da Rainha passa a denominar-se Rua da Prata; a Avenida D. Amélia passa a Avenida Almirante Reis; a Rua D. Carlos I passa a chamar-se Avenida das Cortes; a Rua d'el-Rei passa a Rua do Comércio; a Avenida José Luciano passa a denominar-se Avenida Elias Garcia; a praça D. Fernando passa a praça Afonso de Albuquerque; a Avenida Hintze Ribeiro passa a Avenida Miguel Bombarda; a Rua da Princesa a Rua dos Fanqueiros; a praça do Príncipe Real passa a praça Rio de Janeiro; o Paço da Rainha passa a largo da Escola do Exército.
28/08/2014
22/08/2014
Da expressão "há mouro na costa!"
Relata a História que durante vários séculos toda a costa norte do Mediterrâneo, a região do Algarve e a orla marítima Alentejana, as Ilhas Britânicas e até mesmo a Escandinávia, foram objecto de frequentes razias protagonizadas por corsários e piratas mouriscos, na demanda de escravos europeus, os quais seriam consequentemente vendidos nos mercados esclavagistas de Argel, Marraquexe ou Trípoli.
Face a isto, os povoamentos localizados nas zonas costeiras encontravam-se em permanente estado de alerta de maneira a prevenir o perigo. Por toda a costa foram erguidos numerosos postos de vigia. Desde o alto dessas torres observava-se o horizonte, sendo que ao se avistarem as velas dos navios mouriscos, o sentinela de turno gritava desesperadamente: "há mouro na costa!". Acto contínuo, acendiam-se as fogueiras de sinal e as populações – alertadas – preparavam-se para se defenderem ou abandonavam as aldeias e dirigiam-se para o interior, onde os corsários não se atreviam a penetrar.
Esta prática criminosa perdurou durante séculos, havendo relatos destas incursões ainda em pleno século XIX. O grito "há mouro na costa!" passou a ser expressão de uso popular para advertir alguém sobre um eventual perigo. Em sentido inverso, a expressão antónima "não há mouro na costa!", serve para dar a entender que não existe perigo iminente para uma pessoa que procura realizar determinada tarefa.
Fonte: Arqueofuturismo Online.
20/08/2014
Espartanos: descendentes de Abraão
Ario, rei dos Espartanos, ao sumo sacerdote Onias, saúde!
Achou-se aqui, num escrito sobre os Espartanos e os Judeus, que eles são irmãos, e que todos vêm da linhagem de Abraão. Agora, pois, desde que nós soubemos isto, fazeis bem em nos escrever acerca da vossa prosperidade. E também nós vos respondemos: Os nossos gados e todos os nossos bens são vossos; e os vossos são nossos; e isto é o que ordenámos que vos seja declarado da nossa parte.
I Macabeus XII, 20-23
19/08/2014
A importância do Tomismo
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Santo Tomás de Aquino
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As sociedades civil e doméstica que se acham em grave perigo, como todos sabemos, por causa das pestes dominantes de opiniões perversas, viveriam certamente mais tranquilas e mais seguras se nas universidades e escolas se ensinasse uma doutrina mais sã e mais de acordo com o magistério e o ensinamento da Igreja, tal como contêm as obras de Santo Tomás de Aquino. Tudo o que nos ensina Santo Tomás sobre a verdadeira noção de liberdade, que hoje degenera em licença, sobre a origem divina de toda a autoridade, as leis e seu poder, o paternal e justo governo dos soberanos, a obediência devida aos poderes superiores, sobre a mútua caridade que deve reinar entre todos; todas estas coisas e outras do mesmo teor, são ensinadas por Santo Tomás e têm uma grande robustez e invencibilidade para deitar por terra todos os princípios do novo direito, que como todos sabem, são um perigo para a boa ordem das coisas e o bem-estar público.
Papa Leão XIII in encíclica «Aeterni Patris».
14/08/2014
Hino do Beato Nuno de Santa Maria
Herói e Santo, D. Nuno imortal,
Valei à terra de Portugal!
Dom Nuno Álvares Pereira
Nosso encanto e nossa glória,
Retomai vossa Bandeira
E levai-nos à vitória.
Em vosso peito de crente
E robusto lutador
Ardem continuamente
Chamas de fé e amor
Carmelita e Cavaleiro,
Abraçando a Cruz da Espada,
Mostraste ao mundo inteiro
O valor da Pátria Amada.
Ébria de sonho e de aurosa,
Voss'alma fremente e bela,
Brilhou nas eras de outrora
Mais alto do que uma estrela.
13/08/2014
Da "mouromania"
Existe hoje em Portugal uma certa "mouromania", uma mania de elogiar e enaltecer o passado mourisco da Península Ibéria, apresentado o Al-Andaluz como o expoente máximo de civilização e cultura, lugar de grande tolerância e liberdade, em oposição à suposta barbaridade, intolerância e incivilidade cristã medieval. Ora, tal ideia é apenas fruto do romantismo de alguns pseudo-intelectuais de cultura anti-cristã, pois nem o Al-Andaluz foi expoente máximo de cultura e civilização, nem foi lugar de grande tolerância e liberdade.
Sobre a cultura e civilização mourisca, eis o que diz o historiador Ernest Renan, citado por António Sardinha no livro Na Feira dos Mitos:
Fala-se muitas vezes duma ciência e duma filosofia árabe; na realidade, durante um século ou dois na Idade Média, os árabes foram nossos
mestres, mas só enquanto não conhecemos os originais gregos. A ciência e a
filosofia árabe nunca deixaram de ser uma mesquinha tradução da ciência e da
filosofia grega. Desde que a Grécia autêntica despertou, essas míseras
traduções ficaram sem sentido e não foi sem razão que os filólogos da
Renascença iniciaram contra elas uma verdadeira cruzada. De resto, olhando de
perto, essa ciência não tinha nada de árabe. O seu fundo é puramente grego, e
entre os que a criaram não se aponta um único semita. Eram espanhóis e persas,
escrevendo o árabe.
O papel filosófico dos judeus na Idade Média é também o de
simples intérpretes. A filosofia hebraica desta época é a filosofia árabe sem
modificações. Uma página de Roger Bacon encerra mais espírito científico do que
toda essa ciência em segunda mão, respeitável, sem dúvida, como um anel de
tradição, mas despida de grande originalidade.
Ou seja, toda a cultura mourisca não passa duma cópia arabizada
da antiga civilização grega, com influência hispânica e persa. Importa, porém,
dizer, que só há verdadeira civilização sob a Cristandade.
Sobre a liberdade e a tolerância islâmica, eis o que dizem
alguns versículos do Alcorão sobre os kafirs (infiéis, não-muçulmanos):
3:28 Crentes não devem ter os kafirs como amigos em
preferência a outros crentes. Aqueles que fazem isso não terão nenhuma protecção
de Alá e terão apenas eles mesmos como guardas. Alá te avisa para teme-Lo, pois
tudo retornará para Ele.
8:12 Então o seu Senhor falou para os Seus anjos e disse: "Eu
estarei convosco. Dêem força aos crentes. Eu irei enviar terror no coração dos
kafirs, cortar fora as suas cabeças e até mesmo a ponta dos seus dedos!"
33:60 Eles [os kafirs] serão amaldiçoados, e onde quer que
eles forem encontrados, serão presos e mortos. Esta era a prática de Alá, a
mesma prática com aqueles que vieram antes deles, e tu não encontrarás mudança
no modo de Alá.
47:4 Quando tu encontrares os kafirs no campo de batalha,
corta-lhes fora as suas cabeças até que os tenhas derrotado totalmente e então
toma-os como prisioneiros e amarra-os firmemente.
83:34 Naquele dia, o fiel irá ridicularizar os kafirs,
enquanto se senta sobre os sofás nupciais e os observa. Não devem os kafirs ter
a retribuição por aquilo que fizeram?
Assim se prova que, pela lei islâmica, os não-muçulmanos são
dignos de humilhação e morte.
E os chamados povos do Livro? Será que os cristãos e os judeus
têm um tratamento preferencial pelos muçulmanos? Eis o que diz novamente o
Alcorão:
9:29 Faz guerra àqueles que receberam as Escrituras [cristãos e judeus] mas não acreditam em Alá nem no Último Dia. Eles não proíbem o que
Alá e o seu mensageiro proíbem. Os cristãos e os judeus não seguem a religião
da verdade até que eles se submetam e paguem a taxa [jizya] e sejam humilhados.
Então e os dhimmis? O que acontece às pessoas doutras religiões
que vivem sob o jugo islâmico? Eis as condições exigidas aos cristãos pelo Tratado de Umar (637):
- Nós não iremos construir, nas nossas cidades ou arredores,
novos mosteiros, igrejas, conventos, ou celas para monges, nem iremos
consertá-los, de dia ou de noite, mesmo que eles caíam em ruínas, ou sejam
situados nos bairros dos muçulmanos.
- Nós iremos manter os nossos portões abertos para os
transeuntes e viajantes.
- Nós iremos dar comida e alojamento por 3 dias para todos
os muçulmanos que passarem no nosso caminho.
- Nós não iremos prover refúgio em nossas igrejas ou casas
para qualquer espião, nem escondê-lo dos muçulmanos.
- Nós não iremos manifestar a nossa religião em público e nem
converter ninguém para ela.
- Nós não iremos impedir que qualquer um de nós se converta
para o Islão se ele assim desejar.
- Nós iremos mostrar respeito para com os muçulmanos, e nós
iremos levantar dos nossos assentos quando eles desejarem sentar.
- Nós não buscaremos parecer como os muçulmanos, imitando o
modo como eles se vestem.
- Nós não iremos montar em selas, nem cingir espadas, nem
portar qualquer tipo de armas, nem carregá-las connosco.
- Nós não iremos ter inscrições em árabe nos nossos selos.
- Nós não iremos fermentar bebidas (álcool).
- Nós iremos cortar as franjas das nossas cabeças (manter um cabelo curto como sinal de humilhação).
- Nós iremos sempre nos vestir do mesmo modo onde quer que
estejamos, e nós iremos amarrar o Zunar em torno das nossas cinturas
(cristãos e judeus têm que usar roupas especiais).
- Nós não iremos mostrar nossas cruzes ou os nossos livros
nas estradas ou mercados dos muçulmanos.
- Nós iremos apenas usar chocalhos nas nossas igrejas, bem
baixinho.
- Nós não iremos aumentar as nossas vozes quando seguindo os
nossos mortos.
- Nós não tomaremos escravos que tenham sido determinados para pertencerem aos muçulmanos.
- Nós não iremos construir casas mais altas que as casas dos muçulmanos.
- Qualquer um que espancar um muçulmano com intenção deliberada, perderá os direitos de protecção deste pacto.
Fica assim demonstrado que o Al-Andaluz nunca foi o auge de civilização e cultura peninsular, muito menos um lugar em que a população cristã (maioritária) vivesse sob grande protecção e liberdade. Porém, quero deixar claro que pelo facto de denunciar a farsa da liberdade e tolerância islâmica, não significa que defenda a liberdade religiosa. Isso seria cair num relativismo e num indiferentismo grotesco, algo que foi veementemente condenado pelos Papas antes do Concílio Vaticano II.
Mas quero também acrescentar que os mouros e os judeus não têm qualquer direito a viver em terras ibéricas, onde sempre foram estrangeiros. Se eles viveram cá até ao decreto de expulsão, viveram segundo a condição de pessoas toleradas. E caso os nossos reis católicos quisessem expulsá-los, como veio a acontecer, estavam no seu pleno direito. Recordo que na Acta das Cortes de Lamego (1139) está expresso: Qui non sunt de Mauris, et de infidelibus Iudaeis, sed Portugalêses.
Contudo, importa ainda clarificar que nenhum judeu ou muçulmano foi perseguido por ser judeu ou muçulmano. O Santo Ofício apenas vigiava a conduta dos cristãos. As pessoas que foram condenadas por judaísmo, por exemplo, foram-no por se terem falsamente convertido ao Catolicismo. Muitos judeus, pela ambição de ascender socialmente, convertiam-se aparentemente ao Catolicismo, mas permaneciam secretamente judeus. Foram esses os condenados pela Inquisição. Já as outras confissões religiosas, eram toleradas e estavam restritas ao culto privado, nunca público. Por exemplo, ainda hoje a sinagoga de Lisboa não tem fachada para a rua por esse mesmo motivo. Não que os judeus não pudessem ser judeus, antes o seu culto era exclusivamente privado. Estas eram as leis católicas do Reino de Portugal.
10/08/2014
Aos banqueiros
Quando amanhã
fugirem os banqueiros
dos palácios roubados
E em vez deles
homens verdadeiros
Forem monges, poetas ou soldados
Então,
na Mão Direita de Deus
Rolará a terra
E será perfeita
Pedro Homem de Mello
09/08/2014
O único Senhor
Rejeitar o senhorio de Cristo é colocar as premissas para uma recaída na sujeição a alguma tirania renascida, que sob disfarces diversos se queira voltar a apresentar à ribalta da História. Quem não acolhe Jesus ressuscitado como único Senhor muito frequentemente acaba por se deixar dominar por eventuais novos "donos dos homens", por diversos ídolos que exigem uma adoração indevida, ou pelos mitos arbitrários que exigem ser honrados como a verdade. Diz repetidamente Santo Ambrósio: "Quantos donos acaba por ter, quem se afasta do único Senhor!".
05/08/2014
O Purim de Alcácer-Quibir
Ontem, dia 4 de Agosto, dia da Batalha de Alcácer-Quibir, foi um dia de má memória para Portugal, mas um dia de boa memória para os judeus do Magrebe. Ontem, os judeus de Marrocos celebraram um Purim, uma festa religiosa que comemora o salvamento miraculoso dos judeus, vítimas de uma suposta perseguição dos portugueses. Segundo reza a lenda judaica, D. Sebastião teria jurado, antes de embarcar para Alcácer-Quibir, converter todos os judeus à força. Mas os judeus anteciparam-se, e através de dois soldados desertores, souberam das intenções do Rei de Portugal. Assim, como forma de evitar tamanha "crueldade", os judeus teriam feito um dia de jejum e oração. Tudo isto foi escrito numa Meguilá, rolo em pergaminho manuscrito, de que ainda existem alguns exemplares em Israel, e provavelmente em outros países. São lidas nas sinagogas e nas famílias, no dia a que eles chamam "Purim Sebastiano", ou "Purim de Sebastian YSV" (abreviatura de "Que se apaguem o seu nome e a sua memória"). É isto que os judeus de Tânger e de Tetuão comemoram todos os anos naquela data.
Relembro: Os judeus e as Invasões Mouras.
04/08/2014
D. Sebastião
Esperai! Caí no areal e na hora adversa
Que Deus concede aos seus
Para o intervalo em que esteja a alma imersa
Em sonhos que são Deus.
Que importa o areal e a morte e a desventura
Se com Deus me guardei?
É O que eu me sonhei que eterno dura,
É Esse que regressarei.
Fernando Pessoa
01/08/2014
30/07/2014
29/07/2014
Crime de excesso
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Fim do Ramadão, Lisboa, 28 de Julho de 2014
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Nós temos vindo a transgredir os justos limites da tolerância, do respeito e da amizade. Nós temos vindo a cometer o crime de excesso. Queira Deus que não tenhamos que pagar em breve, e que as nobres raças às quais nós devemos uma contribuição tão valiosa, nunca se sintam envergonhadas pelo sentimento da nossa fraqueza.
Charles Maurras, sobre a inauguração da Grande Mesquita de Paris em 1926.
27/07/2014
A URSS perseguia os judeus?
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Região Autónoma Judaica, criada por Estaline em 1934
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Dado o mito amplamente difundido por uma certa direita liberal-sionista, importa esclarecer que:
Os comunistas, como internacionalistas consistentes, não podem deixar de ser irreconciliáveis, inimigos declarados do anti-semitismo. Na URSS o anti-semitismo é punível com a máxima severidade da lei como um fenómeno profundamente hostil ao regime soviético. Sob a lei soviética, anti-semitas activos são passíveis de pena-de-morte.
José Estaline (1931)
25/07/2014
Juramento de Ourique
Eu Dom Afonso, Rei de Portugal, Filho do ilustre Conde Dom Henrique, Neto do Grande Rei Dom Afonso: sendo presentes Vós o Bispo de Braga, e Bispo de Coimbra, e Teotónio, e os mais Magnates, Oficiais, e Vassalos do meu Reino: juro por esta cruz de metal, e por este Livro dos Santíssimos Evangelhos, em que ponho a mão: que eu mísero pecador, com estes meus olhos indignos, vi a Deus Nosso Senhor Jesus Cristo, posto em uma Cruz nesta forma: Eu estava com meu Exército nas Terras de Além Tejo, no Campo de Ourique, para pelejar com Ismael, e outros quatro Reis dos mouros, que tinham consigo infinitos milhares de homens. E a minha gente atemorizada com esta multidão, estava enfadada, e muito triste, em tanto que muitos diziam ser temeridade começar a guerra. E eu triste por aquilo que ouvia, comecei a cuidar comigo que faria; e tinha um livro na minha Tenda, no qual estava escrito o Testamento Velho, e o Testamento de Jesus Cristo: abri-o, e li nele a vitória de Gedeão, e disse antre mim: Vós sabeis Senhor Jesus Cristo, que por vosso amor faço esta guerra contra vossos inimigos; e que na vossa mão está dar-me a mim e aos meus fortaleza para que vençamos aqueles blasfemadores de Vosso Nome. E dizendo isto adormeci sobre o Livro, e logo vi um Velho, que se vinha para mim, e me dizia: Afonso, confia, porque viverás e desbaratarás estes Reis, e quebrantarás os seus poderes e o Senhor se te há-de mostrar. Estando eu vendo isto, chegou-se a mim João Fernandes de Sousa, vassalo de minha Câmara, e disse-me: Senhor, levantai-vos, está aqui um homem velho, que vos quer falar: entre, disse eu, se é fiel. E entrado ele onde eu estava, conheci ser aquele mesmo, que eu tinha visto na visão. O qual me disse: Senhor, está de bom ânimo: vencerás, vencerás e não serás vencido. És amado do Senhor, porque sobre ti, e sobre teus descendentes depois de ti, tem posto os olhos de sua misericórdia até à décima sexta geração, na qual se diminuirá a descendência, mas na mesma assim diminuída, o mesmo Senhor tornará a pôr os olhos e verá. Ele me manda dizer-te, que tanto que ouvires esta noite que vem, tanto a campainha da minha Ermida, na qual vivi sessenta e seis anos, entre os infiéis, guardado com o favor do altíssimo, sairás do teu arraial, só e sem companheiros, e mostrar-te-á sua muita piedade. Obedeci e com reverência posto em terra, venerei o embaixador, e a Quem o mandava. E estando em Oração, esperando pelo som da campainha, já na segunda vigília da noite, a ouvi. Então armado com a espada, e escudo, saí do arraial, e vi subitamente para a parte direita contra o Oriente um Raio resplandecente, e o resplandecer crescia pouco e pouco em mais, e quando naquela parte pus os olhos com eficácia, logo no mesmo raio mais claro que o Sol, vejo o sinal da Cruz e Jesus Cristo nela crucificado, e de uma outra parte multidão de mancebos alvíssimos, que eu creio eram os Santos Anjos. A qual visão, tanto que eu vi, posta à parte a espada, e escudo, e deixados os vestidos, e calçado, humilhado me lancei em terra, e aí derramando muita cópia de lágrimas, comecei a rogar pelo esforço dos meus Vassalos. E nada turbado disse: Vós a mim Senhor? Porque a quem já crê em Vós, quereis acrescentar a Fé? Melhor será que vos vejam os Infiéis e creiam, e não eu que com a água do baptismo vos conheci e conheço pelo verdadeiro filho da Virgem, e do Padre Eterno. A Cruz era de admirável grandeza, e levantada de terra quase dez côvados. O Senhor, com suave órgão de voz, que meus indignos ouvidos receberam, me disse: Não te apareci desta maneira para te acrescentar a Fé, mas fortalecer o teu coração neste conflito, e para estabelecer e confirmar sobre firme pedra os princípios do teu Reino. Confia, Afonso, porque não somente vencerás esta batalha, mas todas as outras, em que pelejares contra os inimigos da Cruz. Tua gente acharás alegre para a guerra, e forte, pedindote que com nome de Rei entres nesta batalha com título de Rei. Não duvides, mas concede-lhe liberalmente o que te pedirem. Porque Eu sou o que faço e desfaço Reinos e Impérios. E minha vontade é edificar sobre ti e sobre tua geração depois de ti, um Império, para que o meu Nome seja levado a gentes estranhas. E porque os teus sucessores conheçam quem te deu o Reino, fabricarás o teu Escudo de armas com a divisa do preço, com que Eu comprei o género humano, e com o que eu fui comprado dos Judeus. E ser-me-á um Reino santificado, puro na Fé e pela piedade amado. Tanto que eu ouvi estas coisas, prostrado em terra, o adorei, dizendo: Senhor, por que merecimentos me anunciais tanta piedade? Farei o que mandais e vós ponde os olhos de misericórdia em os meus descendentes, como me prometeis; e a gente de Portugal guardai e salvai, e se contra eles algum mal tiverdes determinado, antes o convertei todo em mim; e a meus sucessores e o meu povo, que amo tanto como único filho, absolvei. Consentindo, o Senhor disse: Não se apartará deles, nem de ti alguma hora minha misericórdia, porque por eles tenho aparelhado para mim grande sementeira, porque os escolhi por meus semeadores para terras mui apartadas e remotas. E dizendo isto desapareceu, e eu, cheio de confiança e suavidade, tornei ao exército. E que tudo passou assim eu el Rei Dom Afonso o juro pelos Santíssimos Evangelhos de Jesus Cristo, em que ponho a mão. Pelo que mando a meus sucessores, que tragam por divisa e insígnia, cinco escudos patidos em cruz, por amor da Cruz e das cinco Chagas de Jesus Cristo, e em cada um trinta dinheiros de prata, e em cima a serpente de Moisés, por ser figura de Cristo. E esta será a divisa da nossa nobreza em toda nossa geração. E se algum outra coisa intentar, seja maldito do Senhor e com Judas traidor atormentado no Inferno. Feita em Coimbra a vinte e oito de Outubro, da Era de Cristo mil cento e cinquenta e dois.
Eu Dom Afonso, Rei de Portugal.
Dom João, Bispo de Coimbra.
Dom João, Metropolitano de Braga.
Dom Teotónio, Prior.
20/07/2014
A convocação de Cortes não era obrigatória
As palavras que se seguem são de um liberal, mas valem pela verdade que contêm:
Embora decorresse o longo espaço de cento e trinta anos sem serem convocadas; à necessidade, à razão de Estado, à Revolução Francesa, e talvez mesmo ao abuso, deva Portugal esta fatal suspensão das suas liberdades; mas esta suspensão não equivaleu jamais, nem pode equivaler a uma revogação. São por sua natureza imprescritíveis semelhantes Leis; convocavam-se Cortes, quando o Soberano o julgava preciso, e o exigia o bem do Estado. Nunca houve Lei, que determinasse a sua convocação periodicamente. D. Dinis convocou-as cinco vezes, D. Afonso IV seis, D. Fernando cinco, D. João I vinte e cinco vezes, D. Afonso V dezoito vezes.
D. José Sebastião de Saldanha Oliveira Daun in «Quadro Histórico-Político dos Acontecimentos mais Memoráveis da História de Portugal», 1829.
18/07/2014
Socialismo, sionismo e satanismo
Ligação misteriosa foi a que se estabeleceu entre Marx e o seu mestre, o escritor judeu Moses Hess, considerado o Pai do Sionismo Socialista. Na cosmovisão e na mentalidade de Moses Hess, há uma curiosa superposição e permeação de camadas ideológicas – a tríade socialismo, sionismo e satanismo. Ao mesmo tempo, Moses foi um dos fundadores do socialismo e mentor de Marx e Engels; arvorou o ideal do sionismo sendo o seu precursor, antes mesmo de Theodor Herzl; além disso, iniciou no satanismo os seus dois discípulos. Moses publicou em 1862 o livro Roma e Jerusalém (Rome and Jerusalem: The Last National Question). Nele Moses Hess preconizou a criação e o estabelecimento da nação judaica na Palestina, onde os judeus teriam um estilo de vida agrário socialista e passariam por um processo de "redenção pela terra".
16/07/2014
12/07/2014
A face da República
Muitas vezes fui vencido em discussões dentro do meu próprio partido. Nunca dei uma excessiva importância aos debates ideológicos e sempre condicionei muito mais a minha acção pelas relações políticas e tácticas no terreno, por forma a, pragmaticamente, levar a água ao meu moinho.
Mário Soares in jornal «Diário de Notícias», 24 de Abril de 1984.
04/07/2014
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