16/01/2015

Pode um católico pertencer ao Rotary Club?


Segundo os próprios rotários, o Papa Francisco é membro honorário do Rotary Club de Buenos Aires desde 1999. Mas impõe-se a questão: Pode um católico pertencer ao Rotary Club? Vejamos o que diz o Santo Ofício:

Foi perguntado a esta Suprema Sagrada Congregação se é lícito aos católicos darem o seu nome à associação vulgarmente chamada Rotary Club.
Os Eminentíssimos e Reverendíssimos Senhores Cardeais que estão à frente das coisas relativas à Fé e velam pela conservação dos costumes, tendo ouvido o voto dos Reverendíssimos Senhores Consultores, na sessão plenária havida na terça-feira, 20 de Dezembro de 1950, determinaram responder:
Não é lícito aos clérigos darem o seu nome à associação Rotary Club ou assistirem às suas reuniões; os seculares são exortados a cumprirem o que se ordena no cânone 684 do Código de Direito Canónico.
No dia 26 do mesmo mês e ano, o Sumo Pontífice Pio, pela Divina Providência Papa XII, na audiência concedida ao Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor Assessor do Santo Ofício, aprovou a resolução dos Eminentíssimos Padres e mandou publicá-la.

Dado em Roma, no Palácio do Santo Ofício, a 11 de Fevereiro de 1951.
Mário Mariani, notário da Suprema Sagrada Congregação do Santo Ofício.

O referido cânone 684 diz: São dignos de louvor os fiéis que dão o seu nome às associações que a Igreja promove ou que, pelo menos, têm a sua aprovação; porém, acautelem-se das sociedades secretas, condenadas, sediciosas, suspeitas ou que procurem subtrair-se à legítima vigilância da Igreja.

14/01/2015

O poder e a manipulação dos Média

Deixo à consideração dos meus leitores, as diferentes perspectivas fotográficas de duas manifestações ocorridas em França. A primeira é da Frente de Esquerda em Dezembro de 2013; a segunda é a Marcha Republicana em Janeiro de 2015. Para ajudar à reflexão, relembro também o seguinte postal: O que a imprensa quer torna-se verdade.

Frente de Esquerda:


Marcha Republicana:

13/01/2015

Contra o Liberalismo


Não aceitamos o mito do progresso contínuo. Não aceitamos liberalizações. Fujamos às tentações e aos caminhos escorregadios abertos pelo deslumbramento do "pluralismo". Não façamos desvairadas corridas a autonomias. Procedamos com firmeza e consciência, cultivando as minorias valiosas e sabendo ver onde elas estão. Sem medo ao extremismo, porque existe um extremismo indispensável: o do bem, da verdade, da justiça, que não tem acomodações, nem meias-tintas, nem hibridismo.

Adaptado de «Dominar as Ondas», nº2, II Série, 16-30 Junho 1972.

10/01/2015

Intransigência, intolerância e fanatismo


A intransigência, o fanatismo, a intolerância são símbolos de fé, são as alavancas mais poderosas da Acção. Os transigentes, os tolerantes, os indiferentes são lesmas e cobardes, destinados ao desprezo ou às piores violências dos adversários fanáticos, intolerantes e intransigentes.
Intransigência, intolerância e fanatismo são termos pejorativos dum sentimento sagrado que se chama – a fé.
Há o fanatismo, a intolerância, a intransigência da Virtude e da Verdade, como há o fanatismo, a intolerância, a intransigência do Crime e da Mentira.
Só é fanático, intolerante e intransigente quem está convencido que é portador de verdade. A tolerância, a transigência, a indiferença são estados próprios de quem duvida, hesita e não se sente muito seguro da posição que ocupa.
Na luta entre o Bem e o Mal, entre a Santidade e o Pecado, entre Deus e Satã, não pode haver tolerância, transigência e indiferença, porque a sua presença só traz prejuízos para o Bem, para a Santidade e para Deus e vantagens para o Mal, o Pecado e Satã.
Porque foi fanática, intolerante, intransigente a Revolução conquistou o Mundo depois de ter mergulhado a França em Atlânticos de sangue. Porque é fanático, intolerante, intransigente o Comunismo está aí a governar o Mundo...
Porque foram fanáticas, intolerantes, intransigentes as Democracias ganharam a guerra. Porque não foi suficientemente fanático, intransigente e intolerante o Eixo, poupando a França, poupando os países ocupados – perdeu a guerra. Porque se não têm revelado fanáticas, intransigentes e intolerantes as Democracias ocidentais estão a ser vencidas pela Democracia oriental russa.
O fanatismo, a intolerância e a intransigência postas ao serviço da Verdade, da Virtude, do Bem e da Honra levam ao Heroísmo; postas ao serviço da Mentira, do Pecado, do Mal e da Cobardia levam ao Crime. Jeanne d'Arc e Robespierre; D. Sebastião e Marat; S. João de Brito e Estaline; Silva Porto e Buiça...
Têm-me acusado muitas vezes de fanático, intolerante e intransigente. Sou-o quanto pode sê-lo quem vive num século desvirilizado, essencialmente burguês, materialista e céptico, e percorreu as sete partidas do mundo da cultura à procura da verdade nova, para só encontrar verdades falsas, à busca desinteressada do Sol e só encontrou crepúsculos frios. Quando voltei, desiludido, à minha tenda levantada no meio do tumulto, verifiquei que a única solução acessível às minhas inquietações e angústias era a tradição. E regressei à secular tradição portuguesa – a Deus, à Pátria e ao Rei.
E sou fanático, intransigente e intolerante em defesa de Deus, da Pátria e do Rei, até mesmo contra os que falam em Deus desservindo-o, ou falam na Pátria traindo-a, ou falam no Rei deformando-o.

Alfredo Pimenta in jornal «A Nação», 24 de Janeiro de 1948.

07/01/2015

Liberdade de expressão?

Charlie Hebdo escarnece da Santíssima Trindade

Continuemos agora estas considerações a respeito da liberdade de exprimir pela palavra ou pela imprensa tudo o que se quiser. Se esta liberdade não for justamente temperada, se ultrapassar os devidos limites e medidas, desnecessário é dizer que tal liberdade não é seguramente um direito. Pois o direito é uma faculdade moral, e, como dissemos e como não se pode deixar de repetir, seria absurdo crer que esta faculdade cabe naturalmente e sem distinção nem discernimento, à verdade e à mentira, ao bem e ao mal. À verdade e ao bem, há o direito de os propagar no Estado com liberdade prudente, a fim de que possam aproveitar um maior número; mas as doutrinas falsas, que são para o espírito a peste mais fatal, assim como os vícios que corrompem o coração e os costumes, é justo que a autoridade pública empregue toda a sua solicitude para os reprimir, a fim de impedir que o mal alastre para ruína da sociedade.

Papa Leão XIII in encíclica «Libertas Praestantissimum».

04/01/2015

Do liberalismo à apostasia


Os católicos liberais introduzem os erros liberais no interior da Igreja e nas sociedades ainda católicas. É muito instrutivo reler as declarações dos Papas a este respeito e comprovar o vigor das condenações.
É de grande utilidade relembrar a aprovação de Pio IX a Louis Veuillot, autor do admirável livro "A Ilusão Liberal", e a do Santo Ofício a Dom Félix Sardá y Salvany para "O Liberalismo é Pecado".
O que teriam pensado estes autores se houvessem comprovado, como nós actualmente, que o liberalismo é rei e senhor no Vaticano e nos episcopados?
Destes factos surge a urgente necessidade para os futuros sacerdotes de conhecer este erro. Pois o católico liberal tem uma falsa concepção do acto de fé, como bem o mostra Dom Sardá (capítulo VII). A fé não é mais uma dependência objectiva da autoridade de Deus, mas um sentimento subjectivo, que em consequência, respeita todos os erros e especialmente os religiosos. Louis Veuillot no seu capítulo XXIII mostra que o princípio fundamental da Revolução Francesa de 1789 é a independência religiosa, a secularização da sociedade, e em definitivo a liberdade religiosa.
(...)
Com o fim de guardar e proteger a fé católica desta peste do liberalismo, parece-me que este livro chega muito oportunamente, fazendo-se eco das palavras de Nosso Senhor: "Aquele que crê será salvo, aquele que não crê condenar-se-á"; é esta a fé que o Verbo de Deus encarnado exige de todos aqueles que querem ser salvos. Ela foi causa da Sua morte e, seguindo o Seu caminho, de todos os mártires e testemunhas que a professaram. Com o liberalismo religioso, não há mais mártires nem missionários, mas somente destruidores da religião reunidos em volta da promessa de uma paz puramente de palavras.
Longe de nós este liberalismo, sepultura da Igreja Católica. Seguindo Nosso Senhor, levemos o estandarte da Cruz, único sinal e única fonte de salvação.

Mons. Marcel Lefebvre in prefácio a «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar».

30/12/2014

O roubo das Selvagens


Diz a sabedoria popular: de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento. E de facto, os espanhóis continuam a fazer jus a este velho ditado. Não satisfeitos com o roubo duas vezes secular de Olivença, tentam agora em definitivo apoderar-se das Ilhas Selvagens. Uma afronta! Mas relembro que as provocações castelhanas já não são de agora: navios de pesca espanhóis invadem regularmente as águas portuguesas. Assim sendo, creio que se justifica o envio imediato de um navio de guerra para o largo das Ilhas Selvagens e um maior patrulhamento das nossas águas territoriais. Isto, claro, caso Portugal tivesse um governo verdadeiramente português, não comprometido com interesses obscuros, e sem medo de defender aquilo que é nosso por direito.
De notar, uma triste coincidência: o Rei de Espanha chama-se Filipe VI. Estaremos perante mais uma usurpação filipina?

21/12/2014

Os dois significados da palavra "liberal"

Filosofia e as Sete Artes Liberais

Liberal, da palavra latina liberalis, diz-se daquele que é generoso (capaz de "liberalidades") e, de forma geral, de tudo o que é digno de uma pessoa de condição livre, em oposição à condição de escravo. Artes liberales ou doctrinae, as "artes liberais", é a erudição. Este primeiro significado sobrevive mais ou menos na expressão: as "profissões liberais" (advogado, médico, arquitecto, escritor, etc.), quer dizer, as que se exercem mais livremente do que as profissões assalariadas. A liberalidade consiste, então, em ter disposição a dar generosamente, ou então, o dom mesmo feito com generosidade. Ser liberal, no sentido que empregam esta palavra Bossuet, Molière e La Fontaine, é o contrário de ser mesquinho ou avaro. Este primeiro significado não faz nenhuma referência a uma doutrina política ou moral particular.
O segundo significado é ideológico. O liberal é então um partidário do liberalismo, doutrina que pode ser económica, moral, política, religiosa, e que faz da liberdade o princípio director (supremo ou inclusive único) da vida individual ou colectiva.
Ideologia por sua vez filosófica e religiosa, política e moral, económica e social, o liberalismo encontra resumida a sua expressão mais definitiva no hino que uma hierarquia maçónica fazia cantar em 1984 às organizações católicas no momento das manifestações pela liberdade escolar: "Liberdade, creio que tu és a única verdade".

Jean Madiran in revista «Roma», Março de 1987.

14/12/2014

Natal não é quando o Homem quiser

Tolos

Nestes dias, que são os nossos, é muito comum, entre os círculos sociais que frequentamos, escutar a expressão: «Natal é sempre que o Homem quiser». E os Homens da nossa sociedade quiseram fazer um Natal à sua medida – um Natal puramente antropológico, sem qualquer rasgo de transcendência, porque isso poderia inviabilizar o "querer" dos Homens. Quiseram tanto um Natal à sua medida, que o Natal ficou sem medida alguma, sem altura nem profundidade. Deixou de ser Natal, para ser um tempo de maior dedicação à família, pelo menos o dia 25 de Dezembro, que quase ninguém prescinde de passar junto dos seus. Deixou de ser Natal para ser a época das iguarias tradicionais, e todos reivindicamos poder ter nas nossas mesas os sabores que ainda nos recordem aqueles tempos idos de quando ainda era Natal. Deixou de ser Natal para ser um tempo comercial, e nesta altura até surgem os mais interessantes dados estatísticos, que tentam, por exemplo, interpretar a preferência dos portugueses em efectuar os pagamentos através do multibanco. Outros há que tentam comprovar nestes tempos de maior agitação económica a famosa máxima «os portugueses deixam tudo para o último dia». Deixou de ser Natal para ser época de férias, e não apenas escolares, porque há muitos que aproveitam uns merecidos dias de repouso nas estâncias de neve. O Homem quis tanto um Natal à sua medida que despojou o Natal de significado, de sentido e lamentavelmente de transcendência.

08/12/2014

Maria Imaculada e Portugal


Em todas as fases da História de Portugal, Nosso Senhor concedeu à nação lusa especiais graças de predilecção. E que maior graça de predilecção poderia prodigalizar, senão uma intensíssima devoção a Nossa Senhora, devoção essa que é o sinal dos predestinados?
Já vimos nos capítulos anteriores como a devoção mariana marcou profundamente a história lusa.
Desde a fundação do Reino, essa devoção estava presente de modo insigne: na cura milagrosa, atribuída a Nossa Senhora de Cárquere, de D. Afonso Henriques menino, primeiro Rei e homem-símbolo do Portugal nascente; no relacionamento com Santa Maria de Claraval, a quem Portugal foi consagrado como feudatário, como feudatário também foi de São Pedro Apóstolo; em incontáveis invocações que acompanharam passo a passo o esforço dos primeiros reis, para livrar o território luso do inimigo agareno.
Uma vez expulso o invasor, veio um período de guerras intestinas, no qual também esteve bem marcada a devoção a Maria Santíssima. Nesse período brilhou, como estrela de brilho magnífico, a virtuosíssima Rainha Santa Isabel, que perfumou toda a História de Portugal. Princesa da Casa Real de Aragão, com apenas 9 anos de idade foi para Portugal, onde completou a sua educação para a vida e sobretudo para a santidade.
Vieram depois as guerras para assegurar a independência e – bem incomparavelmente mais alto – a fidelidade à Santa Sé Romana. Também nessa fase foram muitas as devoções mariais; Nossa Senhora da Vitória, Santa Maria do Assumar, Nossa Senhora do Carmo, Santa Maria de Agosto, a Imaculada Conceição. Como homem-símbolo do Portugal dessa fase, sem dúvida se destaca o Santo Condestável.
Seguiu-se a fase das Navegações. Por toda a superfície da Terra os portugueses foram erigindo igrejas a Nossa Senhora, desde a primeira delas, em Ceuta, até o remotíssimo e tão querido e sofrido Timor, cuja Catedral, em Díli, é também consagrada a Nossa Senhora, sob a invocação da Imaculada Conceição. Homens-símbolos não faltam nesse período, desde o Infante D. Henrique com a Ínclita Geração, até, no crepúsculo dessa era de glória, o inigualável Rei D. Sebastião.
Na triste fase em que Portugal perdeu sua independência – e na perda dessa independência, como também em Alcácer-Quibir, causa próxima da perda, como não ver um castigo da Providência pelas infidelidades de seus filhos portugueses? – foi em Vila Viçosa que se concentraram as esperanças de Restauração. Vila Viçosa foi, com efeito, um foco de intensíssima devoção marial, que se irradiava para o Alentejo, para todo o Portugal continental e ultramarino. Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa foi, pode-se dizer, símbolo e penhor da Restauração. Foi a seus pés, sob seu olhar e não sem sua milagrosa protecção que se consumou em 1640 a Restauração.
Com o natural reerguer-se da nação, seguiu-se uma era de grande esplendor marial. São desse tempo a consagração do Reino a Nossa Senhora e o juramento da Universidade de Coimbra, de defender o privilégio da Imaculada Conceição.
Em todos os primeiros sete séculos da História de Portugal, sempre os reis estiveram à frente do imenso movimento global das almas em direcção a Nossa Senhora – com excepção, infelizmente, do período pombalino e, de certa forma, dos monarcas liberais do século passado, que pagaram pesado tributo aos erros do seu tempo.
O Brasil muito se beneficiou com a devoção a Nossa Senhora trazida pelos portugueses. Além do Padroado de Nossa Senhora da Conceição, literalmente incontáveis são as igrejas e capelas, sob as mais diversas invocações, consagradas no Brasil por obra dos portugueses. Essa terna e filial devoção a Nossa Senhora é precisamente um dos maiores benefícios que Portugal trouxe ao Brasil.
Já no século XX, precisamente sete anos após a instalação de uma república laica e persecutória da Igreja, Nossa Senhora Se dignou aparecer em Fátima e tomar a Terra de Santa Maria como pedestal de cima do qual falou ao mundo inteiro.
Na terceira aparição, a 13 de Julho de 1917, depois de mostrar aos três videntes o Inferno, disse a Virgem:
"Vistes o Inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração.
Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz.
A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo dos seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre.
Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas; por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.
Em Portugal se conservará sempre o Dogma da Fé, etc.
Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco, sim, podeis dizê-lo".
Trata-se de uma mensagem sumamente séria, sumamente grave, mensagem profética e anunciadora de dias terríveis que ainda estão por vir. Mas mensagem que, em meio à tragédia, contém duas promessas de um valor inestimável: "Por fim o meu Imaculado Coração triunfará", e "Em Portugal se conservará sempre o Dogma da Fé".
A primeira dessas promessas é de âmbito mundial, sem dúvida; a segunda, mais restrita a Portugal, embora tenha sido formulada depois, de certa forma se ordena à primeira. De facto, só se pode entender a conservação do Dogma da Fé em Portugal como um elemento do triunfo global do Imaculado Coração de Maria, ou até como um meio para tal triunfo.
É muito bonito ver que, 800 anos depois de Ourique, em última análise Nossa Senhora veio reafirmar a mesma promessa de aliança que seu filho fizera a D. Afonso Henriques. Portugal parecia ter esquecido dela... mas Nossa Senhora veio lembrá-la.
"Quase todos os portugueses estamos convencidos de que Ela veio a esse coração de Portugal, que é Fátima, retomar o padroado da nossa terra, que pareceu quererem arrebatar-Lhe. Aquela, a quem a Igreja chama a Virgem fiel, não abandonou os que queriam abandoná-La" – disse o Cardeal D. Manuel Gonçalves Cerejeira em 1946, quando se comemoravam os 300 anos da consagração de D. João IV.
Meio século depois [1996], tais palavras permanecem actualíssimas.

Armando Alexandre dos Santos in «O Culto de Maria Imaculada na Tradição e na História de Portugal».

06/12/2014

São Nicolau e o Pai Natal


Quem deu força à lenda do Pai Natal foi Clement Clarke Moore, um professor de literatura grega em Nova Iorque, com o poema "Uma visita de São Nicolau", escrito para os seus filhos em 1822. Moore divulgou a versão de que São Nicolau viajava num trenó puxado por renas e ajudou a popularizar outras características, como o facto de ele entrar pela chaminé na Noite de Natal. A explicação da chaminé vem da Finlândia, uma das fontes de inspiração do poema. Os antigos lapões viviam em pequenas tendas cobertas com pele de rena. A entrada era um buraco no telhado. E assim, de personagem real na Ásia Menor [Bispo de Mira], o Pai Natal imaginário passou a vir do Pólo Norte.
A última e mais importante característica incluída na figura do Pai Natal é a sua roupa vermelha e branca. Antigamente, ele vestia-se como bispo ou usava cores próximas do castanho, com uma coroa de azevinhos na cabeça ou nas mãos. Mas não havia um padrão. O seu visual actual foi obra do ilustrador Thomas Nast, na revista Harper's Weekly, em 1886, numa edição especial de Natal. Em alguns lugares da Europa ele ainda é representado com os paramentos eclesiásticos de bispo e, ao invés do gorro vermelho, tem uma mitra episcopal.

Adaptado de «Guia de Curiosidades Católicas» de Evaristo Eduardo de Miranda.

01/12/2014

A el-rei D. João IV


Que logras Portugal? Um rei perfeito.
Quem o constituiu? Sacra piedade.
Que alcançaste com ele? A liberdade.
Que liberdade tens? Ser-lhe sujeito.

Que tens na sujeição? Honra e proveito.
Que é o novo rei? Quase deidade.
Que ostenta nas acções? Felicidade.
E que tem de feliz? Ser por Deus feito.

Que eras antes dele? Um labirinto.
Que te julgas agora? Um firmamento.
Temes alguém? Não temo a mesma Parca.

Sentes alguma pena? Uma só sinto.
Qual é? Não ser um mundo, ou não ser cento.
Para ser mais capaz de tal Monarca.

Violante do Céu

30/11/2014

Mons. Marcel Lefebvre sobre o Concílio Vaticano II


O Vaticano II foi igualmente uma mistificação, com a diferença de que os Papas (João XXIII e Paulo VI) apesar de estar presentes, não opuseram resistência nem ao menos à manipulação dos liberais, mas até a favoreceram. Como foi isto possível? Declarando este Concílio pastoral e não-dogmático, insistindo no "aggiornamento" e no ecumenismo, estes Papas privaram a si mesmos e ao próprio Concílio da intervenção do carisma da infalibilidade, que o haveria preservado de qualquer erro.
(...)
Quantos enganos e orientações heterodoxas poderiam ter sido evitados, se o Vaticano II tivesse sido um concílio dogmático e não um concílio que se chamou pastoral!
(...)
Não digo que neste Concílio tudo seja mau, e que não haja alguns belos textos que mereçam ser meditados; mas afirmo, com as provas na mão, que há documentos perigosos e inclusive erróneos, que apresentam tendências liberais modernistas, que inspiraram as reformas, que agora deitam a Igreja por terra.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar».

§

Para conhecer em pormenor os erros do Concílio: Sinopse dos erros imputados ao Concílio Vaticano II.

26/11/2014

Os Democráticos


Andam sempre atribulados,
Prógnatas sorumbáticos,
Esfalfam-se enredados,
Em partidos fantasmáticos,
Têm arranques eléctricos,
Têm humores hepáticos,
São metódicos e métricos,
Mas com apelos lunáticos,

Os Democráticos,
Os Democráticos.

São como ratos cinzentos,
Esgueiram-se rápidos, tácticos,
Por dentro dos parlamentos,
Onde já não são dogmáticos,
Comem pratos semióticos,
Tratados nefelibáticos,
Fazem programas demóticos,
Cuneiformes e hieráticos,

Os Democráticos,
Os Democráticos.

Fazem sermões quilométricos,
Até ficarem asmáticos,
Por entre comícios tétricos,
Teatrais, melodramáticos,
Repetem formas enfáticas,
Para públicos apáticos,
Reproduzem as temáticas,
Inspirados, carismáticos,

Os Democráticos,
Os Democráticos.

P'ra fazer efeitos ópticos,
Envergam estilos áticos,
Ao país servem narcóticos,
Com rótulos profiláticos,
A falar são diuréticos,
A trabalhar são sabáticos,
A governar são caquécticos,
A escrever pouco gramáticos,

Os Democráticos,
Os Democráticos.

Antes de ser deputados,
Andavam em carros práticos,
Funcionários poupados,
De orçamentos matemáticos,
Mas uns bons anos passados,
Em lugares mais numismáticos,
Já se passeiam, coitados,
Em Mercedes tecnocráticos,

Os Democráticos,
Os Democráticos.
-
Poema de Luís Sá Cunha.
Canção de José Campos e Sousa.

24/11/2014

Democracia e corrupção


É evidente e ensinado pela experiência que é fácil a corrupção onde a responsabilidade de poucos é substituída pela irresponsabilidade de muitos: os regimes democráticos prestam-se, mais do que nenhuns outros, a compromissos, entendimentos, cumplicidades abertas ou inconscientes com a plutocracia.

António de Oliveira Salazar in «Discursos e Notas Políticas».

16/11/2014

Dogmatismo anti-dogmático


Há dois tipos de pessoas no mundo: os dogmáticos conscientes e os dogmáticos inconscientes. Eu sempre achei que os dogmáticos inconscientes eram, de longe, os mais dogmáticos.

G. K. Chesterton in «Generally Speaking».

10/11/2014

25º aniversário da queda do Muro de Berlim


O quadro acima reproduzido chama-se Reunificação e é do pintor alemão Herbert Smagon, conhecido pelas suas obras bastante polémicas. Neste caso, o pintor quis ilustrar as duas Alemanhas separadas pelo Muro de Berlim, que representavam simultaneamente os dois blocos que governavam o mundo de então: o capitalista e o comunista. Do lado capitalista, vemos representado o individualismo, o consumismo e a luxúria dos prazeres sensuais. Do lado comunista, vemos o colectivismo uniforme, cinzento, frio e desprovido de vida. Em ambos os lados, vemos o materialismo, a ausência da dimensão espiritual. Como diria António Marques Bessa no seu Ensaio sobre o fim da nossa Idade: "tanto a Este como a Oeste o que domina é o reino imundo da quantidade, das ideias reflexas, do homem vegetativo" e acrescenta ainda que "a vida amputada da dimensão espiritual, vai-se progressivamente concentrando no económico, no puramente material". Também por isso, segundo este autor, "as angústias mais características do nosso tempo e da nossa civilização são as espirituais, que nascem da tensão entre o homem e a sociedade de massa, que o sufoca e aniquila em tudo aquilo que tem de supramaterial". De facto, o Muro caiu, as Alemanhas reunificaram-se e a guerra entre os dois blocos terminou. Venceu o materialismo. Perdemos todos.

05/11/2014

Portugal fundou o Brasil


Recentemente, alguém fazendo-se passar por uma actriz brasileira de ascendência italiana, disse que Portugal foi o primeiro responsável pela decadência brasileira. Ora, o raciocínio do dito ladrão de identidades assenta em premissas totalmente falsas. São elas:

1) O Brasil já existia antes de 1500 e era uma nação próspera e coesa.
2) Portugal invadiu e explorou, isto é, usurpou e pilhou, esse preexistente Brasil.

Infelizmente este tipo de discurso falacioso é comum entre um grande número de brasileiros. Tal deve-se a uma tentativa forçada das elites intelectuais brasileiras em criar uma identidade própria separada de Portugal, uma espécie de pátria crioula. Daí também que muitos escritores do século XIX, como Machado de Assis, José de Alencar, Castro Alves ou Gonçalves Dias, tenham apostado numa exaltação desmesurada dos índios e dos pretos. O Brasil seria, segundo esta elite intelectual, uma criação exclusivamente afro-indígena, na qual Portugal teve um contributo mínimo e até negativo. Importa pois corrigir esse erro e dizer que o papel de Portugal na Terra de Vera Cruz foi de modo algum irrelevante ou prejudicial. O território brasileiro antes da chegada de Pedro Álvares Cabral era uma manta de retalhos de tribos de caçadores-recolectores – alguns canibais –, pagãos e idólatras, sem ciência desenvolvida ou linguagem escrita. Coube assim a Portugal o papel de conquistar o Pindorama para a Fé e para a Civilização, tal como sempre foi reconhecido e apoiado pela Igreja – o reinado de Cristo sobrepõe-se a qualquer direito humano. Portanto, quem acusa Portugal de roubar ou destruir o Brasil, mente. Até porque Portugal jamais poderia roubar aquilo que lhe pertencia por direito – ninguém se rouba a si mesmo. Contudo, Portugal não é responsável pelo que se sucedeu após 1822. Se hoje o Brasil é uma nação falhada e inviável, tal deve-se em exclusivo aos próprios brasileiros e ao seu afastamento da matriz original portuguesa.

03/11/2014

A Vida


A vida é o dia de hoje,
a vida é ai que mal soa,
a vida é sombra que foge,
a vida é nuvem que voa;
a vida é sonho tão leve
que se desfaz como a neve
e como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
mais leve que o pensamento,
a vida leva-a o vento,
a vida é folha que cai!

A vida é flor na corrente,
a vida é sopro suave,
a vida é estrela cadente,
voa mais leve que a ave:
Nuvem que o vento nos ares,
onda que o vento nos mares
uma após outra lançou,
a vida – pena caída
da asa de ave ferida –
de vale em vale impelida,
a vida o vento a levou!

João de Deus in «Campo de Flores».

26/10/2014

Festa de Cristo Rei


Instituindo a festa de Cristo Rei, o Papa Pio XI quis proclamar solenemente a realeza social de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre o mundo. Rei das almas e das consciências, das inteligências e das vontades, Cristo é também o Rei das famílias e das cidades, dos povos e das nações, o Rei de todo o universo. Como Pio XI demonstrou na encíclica Quas Primas de 11 de Dezembro de 1925, o laicismo é a negação radical desta realeza de Cristo; organizando a vida social como se Deus não existisse, leva à apostasia das massas e conduz a sociedade à ruína.
Toda a missa e o ofício da festa de Cristo Rei são uma proclamação solene da realeza universal de Cristo contra o laicismo do nosso tempo. (...) A grande realidade do cristianismo é Cristo ressuscitado, reinando com todo o esplendor da Sua vitória, no meio dos eleitos que são a Sua conquista.

Adaptado de «Missal Romano Quotidiano», 1963.

24/10/2014

Luz Citânia


A terra mais ocidental de todas é a Lusitânia. E porque se chama Ocidente aquela parte do mundo? Porventura porque vivem ali menos, ou morrem mais os homens? Não; senão porque ali vão morrer, ali acabam, ali se sepultam e se escondem todas as luzes do firmamento.
Sai no Oriente o Sol com o dia coroado de raios, como Rei e fonte da Luz; sai a Lua e as Estrelas com a noite, como tochas acesas e cintilantes contra a escuridade das trevas; sobem por sua ordem ao Zénite; dão volta ao globo do mundo, resplandecendo sempre e alumiando terras e mares; mas em chegando aos Horizontes da Lusitânia, ali se afogam os raios, ali se sepultam os resplendores, ali desaparece e perece toda aquela pompa de luzes.

Pe. António Vieira in «Sermão de Santo António», Roma, 1671.

22/10/2014

Proporção

Que casa escolherá esta família?

Quais são os elementos primordiais de que o arquitecto dispõe para o seu trabalho? Se existisse um evangelho da arquitectura, começaria por certo assim: "No princípio era a Proporção..." E realmente é a proporção base de toda a arquitectura.

Raul Lino in «Casas Portuguesas», 1933.

14/10/2014

Astúrias: Cristianismo e Reconquista


A Crónica de Afonso III mostra-nos o sentido que na corte ásturo-leonesa se dava à obra da Reconquista; nela, o reino ásture reivindicava o seu carácter de sucessor do reino visigodo de Toledo, cuja queda se justificava pelo estado de pecado em que se encontravam os reis e sacerdotes daquele reino nos seus últimos tempos. Assim, o reino ásture iniciava a Reconquista sob o signo do Cristianismo. Já na Crónica de Albelda, os Ástures aparecem claramente identificados com os cristãos e a expansão do reino ásture com a da Igreja.

Adaptado de «História Universal», Volume II, Publicações Alfa, 1985.

13/10/2014

O Milagre do Sol

Reportagem do jornalista ateu, Avelino de Almeida, para a «Ilustração Portuguesa», a 29 de Outubro de 1917:



10/10/2014

Batalha de Poitiers


Neste mês de Outubro, há 1282 anos, as tropas francas de Carlos Martelo travavam o exército sarraceno do Califado de Córdoba, em Poitiers. Era o fim da expansão mourisca na Europa e o início da Reconquista. Pelo enorme feito, Carlos Martelo recebeu do Papa Gregório III o título de Herói da Cristandade.

05/10/2014

República: continuação da "obra" da Monarquia Liberal


A monarquia [liberal] havia desperdiçado, estúpida e imoralmente, os dinheiros públicos. O país, disse Dias Ferreira, era governado por quadrilhas de ladrões. E a república que veio multiplicou por qualquer coisa – concedamos generosamente que foi só por dois (e basta) – os escândalos financeiros da monarquia [liberal]. (pág. 150)

A república actual é a continuação do estado de coisas da monarquia [liberal] (...). É preciso não perder isto de vista, para que se não erre a significação do actual estado de coisas em Portugal. (págs. 155-156)

A tradição constitucional, ou liberal, preparara a «ideia» republicana que, de um ponto de vista, é apenas o Constitucionalismo num nível mais baixo ou com uma maior amplitude de aderência – o liberalismo popular. (pág. 257)

Fernando Pessoa in «Da República».

04/10/2014

Comemorar a República a 5 de Outubro?


Se república quer dizer não-monarquia, em Portugal a república data de Évora Monte. O último Rei de Portugal foi Dom Miguel e não Dom Manuel, como é corrente ensinar-se. Comemorar o advento da república em 2010 não passa de uma dispendiosa (cem milhões, ao que parece) fantasia.

António José de Brito in «Revista Nova Águia», nº 6, 2010.

01/10/2014

Maçonaria: crenças, ensinamentos e práticas

O seguinte documentário foi produzido por uma organização protestante em 1991, com o objectivo de mostrar, com base em fontes e autoridades maçónicas, a origem pagã e anti-cristã da seita dos pedreiros-livres. Porém, como os seus autores são protestantes, não deixam de usar um certo discurso anti-católico, nomeadamente na parte inicial quando referem as virtudes dos humanistas contra a corrupção da Igreja. Peço-vos que fechem os vossos ouvidos a isso. Destaco também a gralha "República de Pilatos" em vez de "República de Platão".

29/09/2014

Dedicação de São Miguel Arcanjo


Oração:
São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate, sede nossa guarda contra a maldade e ciladas do demónio. Instante e humildemente pedimos que Deus sobre ele impere; e vós, príncipe da milícia celeste, com o poder divino, precipitai no inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos, que vagueiam pelo mundo para perdição das almas. Ámen.

28/09/2014

Action Française


Jornal e movimento político dirigido por Charles Maurras, L'Action Française lutava baseada em sãs verdades naturais contra o democratismo liberal. Foi acusada falsamente de naturalismo. O Papa Pio XI, enganado, condenou-a. Pio XII viria a levantar esta sanção. Porém o mal estava feito: 1926 marca em França uma etapa decisiva na "ocupação" da Igreja pela facção católico-liberal.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

26/09/2014

Fascismo e Catolicismo


No terreno da política religiosa, o Fascismo assinou o Pacto de Latrão em que a Questão Romana ficou definitivamente resolvida e em que se regularam as relações entre a Igreja e o Estado. O Catolicismo foi reconhecido como religião oficial, passando a ser obrigatória a educação cristã na escola. No seio do Partido, cada legião de balillas tem um capelão, sendo obrigatória a missa aos domingos, antes de qualquer outra ocupação.
Existe até uma oração especial dos balillas pelo Duce do Fascismo, composta pelo Bispo de Bréscia, nos termos seguintes:
«Escuta, oh Deus! o pedido que Te dirigem os rapazes da Itália, glorioso senhor dos povos que governas com mão benigna e poderosa. Pedimos-Te que o nosso Duce possa sempre conduzir a Pátria ao cumprimento da missão que a Providência lhe marcou no mundo. Bendiz os seus planos e coroa os seus constantes esforços para conseguir que a Itália seja sempre digna de conservar a sua condição de grande povo católico e o seu posto de honra como centro da cristandade católica».
No terreno dos costumes, as medidas enérgicas contra os adultérios, abortos, propaganda licenciosa, a defesa da família, a dignificação do trabalho contribuíram imenso para a elevação do nível moral da população.

António José de Brito in «A Nação» de 19 de Outubro de 1946.

22/09/2014

O substractum de Portugal


Confirmando a intuição de Menéndez y Pelayo, temos que reconhecer, realmente, a existência no Ocidente da Península duma família étnica, um pouco, senão bastante, diversificada da que residia no Centro e no Levante. Não nos demoraremos a deslindar complicados novelos genealógicos. Basta consignar que já Apiano Alexandrino, historiador das Guerras Ibéricas, se faz eco das divergências existentes entre Lusitanos e Celtiberos que, estando todos em luta contra Roma, não foi nunca possível obter a sua união. Dispondo duma alta erudição clássica, dificilmente haverá quem se socorra com tanta segurança das fontes histórico-geográficas do conhecimento da Península na Antiguidade como o ilustre professor da universidade de Erlangen, Dr. Adolfo Schulten, sábio explorador das ruínas de Numância. Pois no seu recente estudo sobre Viriato, o Dr. Adolfo Schulten aí alude, como factor de significação na vida social e militar da Península, ao que ele chama a "obstinação ibérica". A "obstinação ibérica", traduzindo de Lusitanos para Celtiberos, apesar do seu próximo parentesco, uma diferença que os séculos perpetuaram, decerto se radicava em causas mais fundas de que uma simples rivalidade de vizinhança, então bem fácil de explicar pelo apertado cantonalismo em que se confinavam, em relação umas às outras, as diversas tribos peninsulares.
Na verdade, se considerarmos que a Península foi passeada por inumeráveis invasões, para o Ocidente, – extremo inóspito e desamparado, seriam empurradas aquelas gentes mais antigas, quase autóctones, que não puderam resistir à conquista e não quiseram fundir-se com os novos senhores. Ou sejam Lígures, Celtas ou Iberos – para o caso a designação pouco importa – eis o tronco donde os Lusitanos derivaram. Representando assim na Península, como um substractum menos assimilável, uma etnia mais agarrada à terra, compreende-se desde já a arreigada índole agrária dessa grei, que, vivendo agremiada em estreitas mancomunidades agrícolas, bem cedo assentou os alicerces do futuro Portugal.

António Sardinha in «A Aliança Peninsular».

17/09/2014

17 de Setembro de 1939


Neste mesmo dia, há 75 anos, o Exército Vermelho invadia a parte oriental da Polónia, anexando-a à União Soviética. Ficava assim fechada a ocupação da Polónia, cuja parte ocidental já tinha sido anexada pela Alemanha, a 1 de Setembro de 1939. Contudo, se a conquista alemã levou a França e a Inglaterra a declararem guerra à Alemanha, o mesmo já não aconteceu em relação à URSS, que além da Polónia Oriental, também invadiu os Países do Báltico, a Carélia, a Moldávia e a Ruténia. À invasão soviética só sobreviveu a Finlândia, que lutou arduamente na célebre Guerra do Inverno, com uma humilhante derrota para a URSS.
Para a História, fica esta estranha dualidade por parte dos Aliados: passividade perante as invasões soviéticas, agressividade perante a invasão alemã.

16/09/2014

A Soberania reside no Rei


A questão que mais vezes me tem feito dar voltas ao juízo é a da Soberania do povo. Havia sete séculos que se dizia que a Soberania estava no Rei. Em todo este espaço Portugal formou-se em Reino, ganhou poder, caiu, levantou-se, e sempre se engrandeceu. Quem notando estes acontecimentos não via que a Soberania posta em El-Rei está muito bem posta? Todavia depois de 24 de Agosto [de 1820] começou a dizer-se que a Soberania residia essencialmente na nação, isto é, que a nação não é nação sem ser Soberana! Confesso que ouvindo esta doutrina senti em mim certa comoção estranha, e tal qual se sente pela aparição de fenómenos imprevistos, espantosos e anteriormente ignorados.

Frei Fortunato de São Boaventura in «O Punhal dos Corcundas», 1823.

12/09/2014

A Ostpolitik: um mau fruto do Concílio Vaticano II


Depois do Vaticano II, os Acordos de Helsínquia foram patrocinados pelo Vaticano: o primeiro e o último discurso foram pronunciados por Mons. Casaroli, sagrado arcebispo para a ocasião. A Santa Sé manifestou logo hostilidade a todos os governos anti-comunistas. No Chile, a Santa Sé sustentou a revolução comunista de Allende de 1970 a 1972. O Vaticano age assim por meio de suas nunciaturas com a nomeação de cardeais como Tarancón (Espanha), Ribeiro (Portugal), Silva Henríquez (Chile), de acordo com a política pró-comunista da Santa Sé. A influência de tais cardeais é considerável nestes países católicos! Suas influências são determinantes sobre as conferências episcopais, na nomeação de bispos revolucionários que também são, na maioria, favoráveis à política da Santa Sé e em oposição ao governo. O que pode fazer um governo católico contra a maioria do episcopado que trabalha contra ele? É uma situação horrorosa! Assistimos a uma incrível subversão de forças: a Igreja transforma-se na principal força revolucionária nos países católicos.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar».

10/09/2014

O primado do Espírito e a função da Realeza


Acreditais, então, que o sofrimento se suprime por meio de leis e de instituições? Não se suprime nem se diminui, porque o Homem, à medida que se melhora a sua condição material, encontra novas formas de sofrer. O verdadeiro fim da Realeza consiste em manter uma hierarquia mandada por Deus, pela qual subsiste a Ordem, que é o primeiro bem dos povos, e se deixe cada um no seu lugar, obedecendo e dedicando-se, trabalhar, por si próprio, para a sua salvação eterna.

Jules Lemaître in «Les Rois», 1893.

04/09/2014

Atavismo


Nós somos aquilo que a lenta elaboração dos séculos forjou e constituiu – e não o que de nós queiram fazer as lucubrações subjectivas de qualquer filosofia social ou política. A substância do nosso ser colectivo foi a História que a teceu. Trabalhando sobre a raça e sobre os indivíduos, estes reagem pelas suas instituições próprias e com as qualidades morais, espirituais e físicas, herdadas dos seus antepassados, conforme as leis misteriosas do atavismo. Os sulcos profundos desse atavismo encontram-se esculpidos no íntimo da alma portuguesa. Abrindo os regos da terra, com as armas ao lado, prontos para a defesa dos torrões que revolviam, tal é a imagem dos velhos portugueses. Atavismos da independência e atavismos da livrança e dos povoamentos – criadores da Metrópole.

Henrique de Paiva Couceiro in «Profissão de Fé: Lusitânia Transformada».

31/08/2014

Portugal na Capela Sistina


Os feitos portugueses causaram muita admiração em Roma; e Deus quis que Miguel Ângelo desse testemunho disso, para os que haveriam de vir, no painel principal da Capela Sistina (sobre o altar-mor), pintando a cena "o resgate dos escravos" (na qual Portugal com um longo rosário faz subir a África e a Índia).
Entre as dezenas de figuras desenhadas por Miguel Ângelo na famosa pintura "Juízo Final" – almas perdidas, anjos, demónios, apóstolos e santos – destacam-se dois homens pendentes num rosário, em movimento ascendente de Salvação.
Eles estabelecem uma relação simbólica com Portugal. São um negro e um indiano agarrados a um terço. O primeiro representa o continente africano, o segundo o mundo oriental e o rosário representa a oração.
Falta um índio da América – facto que talvez se possa atribuir à animosidade que então reinava contra os espanhóis. Mas a mensagem é clara: levado pelos missionários portugueses, o Evangelho salvaria o novo mundo do Fim dos Tempos.

Fonte: Ascendens

28/08/2014

Alterações republicanas na toponímia da cidade de Lisboa


A Avenida Ressano Garcia passou a denominar-se Avenida da República e a Rua António Maria de Avelar passou a designar-se Avenida Cinco de Outubro. Uma semana depois são feitas novas alterações: a Rua Bela da Rainha passa a denominar-se Rua da Prata; a Avenida D. Amélia passa a Avenida Almirante Reis; a Rua D. Carlos I passa a chamar-se Avenida das Cortes; a Rua d'el-Rei passa a Rua do Comércio; a Avenida José Luciano passa a denominar-se Avenida Elias Garcia; a praça D. Fernando passa a praça Afonso de Albuquerque; a Avenida Hintze Ribeiro passa a Avenida Miguel Bombarda; a Rua da Princesa a Rua dos Fanqueiros; a praça do Príncipe Real passa a praça Rio de Janeiro; o Paço da Rainha passa a largo da Escola do Exército.

22/08/2014

Da expressão "há mouro na costa!"


Relata a História que durante vários séculos toda a costa norte do Mediterrâneo, a região do Algarve e a orla marítima Alentejana, as Ilhas Britânicas e até mesmo a Escandinávia, foram objecto de frequentes razias protagonizadas por corsários e piratas mouriscos, na demanda de escravos europeus, os quais seriam consequentemente vendidos nos mercados esclavagistas de Argel, Marraquexe ou Trípoli.
Face a isto, os povoamentos localizados nas zonas costeiras encontravam-se em permanente estado de alerta de maneira a prevenir o perigo. Por toda a costa foram erguidos numerosos postos de vigia. Desde o alto dessas torres observava-se o horizonte, sendo que ao se avistarem as velas dos navios mouriscos, o sentinela de turno gritava desesperadamente: "há mouro na costa!". Acto contínuo, acendiam-se as fogueiras de sinal e as populações – alertadas – preparavam-se para se defenderem ou abandonavam as aldeias e dirigiam-se para o interior, onde os corsários não se atreviam a penetrar.
Esta prática criminosa perdurou durante séculos, havendo relatos destas incursões ainda em pleno século XIX. O grito "há mouro na costa!" passou a ser expressão de uso popular para advertir alguém sobre um eventual perigo. Em sentido inverso, a expressão antónima "não há mouro na costa!", serve para dar a entender que não existe perigo iminente para uma pessoa que procura realizar determinada tarefa.

20/08/2014

Espartanos: descendentes de Abraão


Ario, rei dos Espartanos, ao sumo sacerdote Onias, saúde!
Achou-se aqui, num escrito sobre os Espartanos e os Judeus, que eles são irmãos, e que todos vêm da linhagem de Abraão. Agora, pois, desde que nós soubemos isto, fazeis bem em nos escrever acerca da vossa prosperidade. E também nós vos respondemos: Os nossos gados e todos os nossos bens são vossos; e os vossos são nossos; e isto é o que ordenámos que vos seja declarado da nossa parte.

I Macabeus XII, 20-23

19/08/2014

A importância do Tomismo

Santo Tomás de Aquino

As sociedades civil e doméstica que se acham em grave perigo, como todos sabemos, por causa das pestes dominantes de opiniões perversas, viveriam certamente mais tranquilas e mais seguras se nas universidades e escolas se ensinasse uma doutrina mais sã e mais de acordo com o magistério e o ensinamento da Igreja, tal como contêm as obras de Santo Tomás de Aquino. Tudo o que nos ensina Santo Tomás sobre a verdadeira noção de liberdade, que hoje degenera em licença, sobre a origem divina de toda a autoridade, as leis e seu poder, o paternal e justo governo dos soberanos, a obediência devida aos poderes superiores, sobre a mútua caridade que deve reinar entre todos; todas estas coisas e outras do mesmo teor, são ensinadas por Santo Tomás e têm uma grande robustez e invencibilidade para deitar por terra todos os princípios do novo direito, que como todos sabem, são um perigo para a boa ordem das coisas e o bem-estar público.

Papa Leão XIII in encíclica «Aeterni Patris».

14/08/2014

Hino do Beato Nuno de Santa Maria


Herói e Santo, D. Nuno imortal,
Valei à terra de Portugal!

Dom Nuno Álvares Pereira
Nosso encanto e nossa glória,
Retomai vossa Bandeira
E levai-nos à vitória.

Em vosso peito de crente
E robusto lutador
Ardem continuamente
Chamas de fé e amor

Carmelita e Cavaleiro,
Abraçando a Cruz da Espada,
Mostraste ao mundo inteiro
O valor da Pátria Amada.

Ébria de sonho e de aurosa,
Voss'alma fremente e bela,
Brilhou nas eras de outrora
Mais alto do que uma estrela.