30/07/2015

Os "direitos" contra o Direito

Os vícios não são direitos!

Esta evidência, como aliás todas as evidências, necessita em certa medida de ser demonstrada, para uso de todos aqueles a quem a evolução do direito na época moderna, que transita desde o objectivo e real, rumo ao subjectivismo e imaginário, ainda não cegou de todo. Tal não será fácil. O homem moderno já não sabe que o direito é o justo: jus est quod justum est; para o homem moderno, o direito é aquilo que ele deseja, o que ele quer, o que ele exige em seu favor, ou em favor do grupo a que ele pertence, e que multiplica as suas reivindicações individuais. Somente aqueles que se emanciparem desse subjectivismo, mediante um esforço de inteligência, poderão sobreviver ao imenso naufrágio da humanidade, que se prepara na "alegria e na esperança" como profetizaram com grande clamor os autores da Constituição "Gaudium et Spes", no Concílio Vaticano II, demonstrando uma incurável cegueira.

Marcel de Corte in anexo ao «Catecismo dos Direitos Divinos na Ordem Social» do Pe. Philippe C.SS.R.

28/07/2015

A difamação contra D. Carlota Joaquina


Tenho vindo a constatar um reavivar das difamações contra D. Carlota Joaquina por parte dos partidários de Rosario Poidimani, o charlatão italiano que diz ser herdeiro da Coroa Portuguesa. As calúnias não são mais do que uma repetição dos panfletos do século XIX e prendem-se sobretudo com a acusação nojenta de que D. Miguel não seria filho de D. João VI, e por conseguinte, não seria legítimo Herdeiro da Coroa. O objectivo, está claro, é afastar D. Duarte (descendente de D. Miguel) da linha de sucessão do Trono, assim como evitar quaisquer pretensões tradicionalistas (anti-liberais). Mas donde surgiram essas calúnias? António Sardinha esclarece:

Tentaram eles [os maçons] estultamente atirar-nos contra a Santa Aliança numa guerra em que a nacionalidade certamente se pulverizava. Só uma figura se levanta, rugindo, protestando. É D. Carlota Joaquina, – é a cidadã ex-rainha, como se atreveram a designá-la, ao instaurarem-lhe um processo de rebelião, com pena de desterro. Sofreu por isso a calúnia dos panfletários a soldo das facções. Mas basta ler as instruções maçónicas do Grande Oriente Espanhol-Egípcio, para que D. Carlota Joaquina se nos apresente limpa de toda a baba de infâmia que enegrece a memória.
António Sardinha in «Ao Ritmo da Ampulheta».

Ou seja, a maçonaria espanhola deu indicações específicas para caluniar a rainha consorte. Motivos? D. Carlota Joaquina, espanhola de origem e acérrima anti-liberal, fazia frente aos planos da sociedade secreta.

Esclareço ainda que, mesmo que essas calúnias fossem autênticas, o Sr. Rosario Poidimani não tem qualquer direito à Coroa Portuguesa, porque:
1. Não é descendente dos Reis de Portugal.
2. É estrangeiro.
3. Representa por procuração o ramo ilegítimo de D. Pedro, imperador do Brasil.

23/07/2015

Nem só de riqueza material vivem as Nações


A prosperidade material cegou os homens: eles só viam as estradas, os caminhos-de-ferro, as empresas, as fábricas. Deslumbrados pelo desenvolvimento material do País, eles não reparavam em que a Disciplina ia enfraquecendo, em que a Autoridade se ia desprestigiando, em que a Religião se ia entibiando, em que o Respeito ia desaparecendo. Eles só viam portos, caminhos-de-ferro, estradas, fábricas, e não reparavam, na falência progressiva do nosso Património moral e cultural. Eles esqueciam que nem só de pão vive o homem, que nem só de riqueza material vivem as Nações. Essa concepção materialista que já tenho ouvido muitas vezes na boca dos defensores do Liberalismo é um dos piores sintomas que a deficiência intelectual e a desorientação cultural nos podem oferecer.
Um regime político não se avalia só pelo bem-estar material que proporciona ou facilita ou permite a um Povo – porque nem os indivíduos nem os Povos vieram a este mundo, exclusivamente para os bens materiais.

Alfredo Pimenta in «Vésperas do Estado Novo».

20/07/2015

Absoluto e Absolutismo

D. Miguel

Absoluto e Absolutismo – A primeira destas palavras é antiga, porém a outra é de novo cunho, e foi trazida para subsídio da primeira, tanto que lhe fecharam o seu novo sentido. Vem de longe a transformação do sentido inocente da expressão – Rei absoluto. Já houve quem arguisse os Publicistas Ingleses de terem feito o absoluto sinónimo de despótico, e os Mações incorrem na mesma censura. Rei absoluto quer dizer: um Rei como sempre foram os nossos, que fundaram, restauraram e ampliaram a monarquia... Foi Rei absoluto o Senhor D. Afonso Henriques... Foi Rei absoluto o Senhor D. João I, foi Rei absoluto o Senhor D. Manuel, e foi Rei absoluto o Senhor D. João III. Rei absoluto é um Rei que governa o seu Reino sem conhecer por seu superior senão o mesmo Deus... O poder dos Reis é absoluto, porque não é responsável a nenhuma jurisdição humana, do que fizer ou determinar, porque se houvesse jurisdição de inquirir do seu procedimento, seguia-se que este se devia chamar propriamente Soberano, e o Soberano seria ao mesmo tempo inferior e dependente, o que repugna segundo a hipótese! De mais nestas ideias de Soberania, ou se estabelece um progresso até infinito, porque há medida que formos subindo aparecerá sempre um Soberano que esteja nas mesmas circunstâncias do Rei e que seja necessário fazer responsável a um superior, ou se introduz apelação para o Povo e se vem a degenerar (pelo menos nos grandes Estados) numa perpétua confusão e anarquia.

Frei Fortunato de São Boaventura in «O Mastigoforo», 1824.

18/07/2015

Doutrina católica sobre as greves

Grevistas

Embora a Igreja não condene formalmente as greves – mesmo que condene formalmente o socialismo – o Magistério não deixa de reprovar esse método de "luta social", por considerar que põe em risco a paz pública e o interesse colectivo dos povos. Eis o que diz a famosa encíclica Rerum Novarum:

Impedir as greves
O trabalho muito prolongado e pesado e uma retribuição mesquinha dão, não poucas vezes, aos operários ocasião de greves. É preciso que o Estado ponha cobro a esta desordem grave e frequente, porque estas greves causam dano não só aos patrões e aos mesmos operários, mas também ao comércio e aos interesses comuns; e em razão das violências e tumultos, a que de ordinário dão ocasião, põem muitas vezes em risco a tranquilidade pública. O remédio, portanto, nesta parte, mais eficaz e salutar é prevenir o mal com a autoridade das leis, e impedir a explosão, removendo a tempo as causas de que se prevê que hão-de nascer os conflitos entre os operários e os patrões.
Papa Leão XIII in «Rerum Novarum», 1891.

Pode uma desordem grave e danosa ser um direito? Não. Logo, a greve não pode ter uma existência legal.

17/07/2015

O valor da Lei


A Lei vale, não porque é Lei, mas pela soma de serviços que presta ao Bem comum. Se esses serviços são nulos, o valor da Lei é nulo; se a Lei desserve o Bem comum, a Lei é prejudicial. E as Leis prejudiciais, como elementos de sedição pública, tem de ser revogadas por todos os meios ao nosso alcance.

Alfredo Pimenta in «Nas Vésperas do Estado Novo».

16/07/2015

16 de Julho: Nossa Senhora do Carmo


Na manhã do dia 16 de Julho de 1251, Nossa Senhora do Carmo disse a São Simão Stock:

Recebe, dilectíssimo filho, este Escapulário da tua Ordem como sinal distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos do Carmelo; é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, aliança de paz e de uma protecção sempiterna. Quem morrer revestido com ele, será preservado do fogo eterno.


Antífona: Flos Carmeli, Vitis florigera, Splendor Coeli, Virgo puerpera, Singularis, Mater mitis, sede viri nescia. Carmelitis da privilegia, Stella maris!

Tradução: Flor do Carmelo, Vide florífera, Esplendor do Céu, Virgem incomparável, Singular! Ó Mãe amável e sempre virgem, dai aos Carmelitas os privilégios de vossa protecção, Estrela do mar!

09/07/2015

A paz da Igreja não é a paz mundana


E sim, peçamos a paz, tal como é compreendida e desejada pelos filhos de Deus; uma paz digna deste nome, que a Sagrada Escritura de modo algum separa da Verdade, da Justiça e da Graça; esta é a paz da Igreja: o tranquilo cumprimento da lei cristã, o pacífico desenvolvimento das obras da Fé e Caridade, a afirmação pública da verdade e dos preceitos do Evangelho, a conformidade das leis e instituições humanas com a doutrina e o ensinamento moral de Jesus Cristo, a contínua resistência ao Príncipe das Trevas e a todos aqueles que propagam as suas perversas máximas.

Bispo de Mântua (futuro Papa São Pio X), alocução de 3 de Setembro de 1889.

07/07/2015

A doença análoga de Capitalismo e Comunismo


Pusemos demasiadas esperanças nas transformações político-sociais e notamos que nos tiraram o que tínhamos de mais precioso: a nossa vida interior. A Leste, é a feira do Partido que a calca aos pés, a Oeste, a feira do Comércio: e o que mais apavora nem é o facto do mundo ter estilhaçado, é o facto dos principais pedaços estarem atingidos por uma doença análoga.

Aleksandr Solzhenitsyn in «O Declínio da Coragem», 1978.

04/07/2015

Qual é o Salazar que se segue?

Ramalho Ortigão

O estrangeiro via claramente o perigo da situação portuguesa. Três semanas antes da revolta da Avenida, pessoais relações de amizade me fizeram tomar parte num jantar de diplomatas, realizado no Royal Hotel de Lausanne. Depois do café, fumando num recanto do hall, um estadista, bem conhecido e devidamente amado no Brasil, dizia-me, resumindo familiarmente a moralidade das opiniões trocadas ao jantar: – «Ou em Portugal se constitui prontamente uma forte ditadura inteligente, patriótica, íntegra e ousada, ou Portugal é um país irremissivelmente perdido no concerto da civilização».

Ramalho Ortigão in «Últimas Farpas», 1911.

02/07/2015

Sobre a Missa Nova ou Missa de Paulo VI


A respeito da Missa Nova, desfaçamos imediatamente esta ideia absurda: "Se a Missa Nova é válida, então pode-se participar dela". A Igreja sempre proibiu os fiéis de assistir às Missas dos cismáticos e dos hereges, ainda que fossem válidas. É evidente que não se pode participar de Missas sacrílegas, nem em Missas que colocam a nossa fé em perigo.
Além disso, é fácil demonstrar que a Missa Nova, tal como foi formulada pela Comissão de Liturgia, com todas as autorizações dadas pelo Concílio de uma maneira oficial, e com todas as explicações dadas por Monsenhor Bugnini, apresenta uma aproximação inexplicável à teologia e ao culto dos protestantes.
Assim, por exemplo, não aparecem muito claramente, e até se contradizem, os dogmas fundamentais da Santa Missa, que são os seguintes: – só o Sacerdote é o único ministro; – há um verdadeiro sacrifício, uma acção sacrifical; – a Vítima é Nosso Senhor Jesus Cristo, presente na Hóstia sob as espécies de pão e de vinho com o seu corpo, sangue, alma e divindade; – é um sacrifício propiciatório; – o Sacrifício e o Sacramento realizam-se com as palavras da Consagração e não com as palavras que a precedem ou seguem.
Basta enumerar algumas das novidades para demonstrar a aproximação com os protestantes: – o altar transformado em mesa, sem a ara; – a Missa de frente ao povo, em língua vernácula, em voz alta; – a Missa tem duas partes: a Liturgia da Palavra e a da Eucaristia; – os vasos sagrados vulgares, o pão fermentado, a distribuição da Eucaristia por leigos, na mão; – o Sacrário escondido; – as leituras feitas por mulheres; – a Comunhão dada por leigos.
Todas estas novidades estão autorizadas.
Pode-se dizer, então, sem nenhum exagero que a maioria dessas Missas é sacrílega e que diminuem a fé, pervertendo-a. A dessacralização é tal que a Missa se expõe a perder o seu carácter sobrenatural, o seu "mistério de fé", para se converter em nada mais do que um acto de religião natural.
Essas Missas Novas não só não podem ser motivo de uma obrigação para o preceito dominical, senão que, com relação a elas, é preciso seguir as regras da Teologia moral e do direito canónico, que são as da prudência sobrenatural com relação à participação ou à assistência a uma acção perigosa para a nossa fé ou eventualmente sacrílega.
Deve-se dizer, então, que todas essas Missas são inválidas? Desde que existam as condições essenciais para a validez, quer dizer, a matéria, a forma, a intenção e o sacerdote validamente ordenado, não se pode afirmar que sejam inválidas. As orações do Ofertório, do Cânon e da Comunhão do Sacerdote que estão ao redor da Consagração são necessárias para a integridade do Sacrifício e do Sacramento, mas não para a sua validez. O Cardeal Mindszenty na prisão, que escondido dos seus guardas pronunciava as palavras da Consagração sobre um pouco de pão e de vinho para se alimentar do Corpo e do Sangue de Nosso Senhor, certamente realizou o Sacrifício e o Sacramento.
Mas à medida que a fé dos sacerdotes se corrompe e deixam de ter a intenção que a Igreja põe (porque a Igreja não pode mudar de intenção), haverá menos Missas válidas. A formação actual não prepara os seminaristas para assegurar a validez das Missas. O Sacrifício propiciatório da Missa não é mais o fim essencial do Sacerdote. Nada mais decepcionante e triste do que ouvir os sermões ou comunicados dos Bispos sobre a vocação, por ocasião de uma ordenação sacerdotal. Não sabem mais o que é um Sacerdote.
Para julgar da falta subjectiva daqueles que celebram a Missa Nova e dos que assistem a ela, devemos aplicar a regra de discernimento de espíritos segundo as directivas da Teologia moral e pastoral. Devemos agir sempre como médicos de almas e não como juízes e carrascos, como estão tentados a fazer aqueles que estão animados por zelo amargo e não pelo verdadeiro zelo. Os jovens padres devem inspirar-se nas palavras de São Pio X na sua primeira encíclica e nos numerosos textos de autores espirituais como os de Dom Chautard, "A alma de todo apostolado", Garrigou-Lagrange no volume II de "Perfeição cristã e contemplação", e Dom Marmion em "Cristo, ideal do Monge".

Mons. Marcel Lefebvre in «Declaração sobre a Missa Nova e o Papa», 8 de Novembro de 1979.

29/06/2015

Pecados que pedem vingança a Deus


Quais são os pecados que bradam ao Céu e pedem vingança a Deus?
Os pecados que bradam ao Céu e pedem vingança a Deus são quatro:
1º homicídio voluntário;
2º pecado impuro contra a natureza;
3º opressão dos pobres, principalmente órfãos e viúvas;
4º não pagar o salário a quem trabalha.

Por que se diz que estes pecados pedem vingança a Deus?
Diz-se que estes pecados pedem vingança a Deus, porque o diz o Espírito Santo, e porque a sua malícia é tão grave e manifesta, que provoca o mesmo Deus a puni-los com os mais severos castigos.

Adaptado de «Catecismo Maior de São Pio X».

27/06/2015

A Carta da Terra e a Nova Ordem Mundial (II)



A Carta da Terra é um manifesto materialista, pagão, panteísta, e que pretende fornecer uma base ética para um rígido controlo da população mundial. Os especialistas disfarçam de boas intenções o projecto de transformar grandes áreas do planeta em armazéns de matérias-primas que garantam a manutenção dos opulentos hábitos de consumo de uns poucos privilegiados. Se não fosse assim, por que a Carta mandaria adoptar – com a usual linguagem anti-natalista da ONU – "modos de reprodução que respeitem os direitos humanos e as capacidades regenerativas da Terra"? Serão impostas, em certas áreas do planeta, quotas populacionais para preservar os recursos naturais?
A Carta da Terra é um paradigma da reengenharia social anti-cristã que promove a perspectiva de género e a saúde sexual e reprodutiva – homossexualismo e aborto químico ou cirúrgico – como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável.
A Carta da Terra é a manifestação desse novo humanismo que visa preservar as florestas e salvar de um suposto extermínio as focas, baleias, gorilas, peixes-boi, leopardos, elefantes, as várias espécies de borboletas, ursos e cabras-montesas, e, por outro lado, não apenas justifica, mas obriga a perseguir e provocar um verdadeiro holocausto com leis que autorizam o abominável crime do aborto em nome dos direitos humanos, da paz, da igualdade, da harmonia universal. Não é o assassinato de milhões de inocentes o maior ataque à paz e aos direitos humanos?
"A Terra, cada forma de vida e todos os seres vivos possuem um valor intrínseco. Deve ser assegurado o seu respeito e cuidado", diz a Carta no seu primeiro ponto. Será que esta declaração reconhece que apenas os homens detêm os direitos de proprietários e guardiões inteligentes e nobres com que lhes dotou o Criador? Ou, pelo contrário, as pedras, plantas e animais têm os mesmos "direitos" que o homem?
Uma vez desconhecida a acção criadora de Deus, fonte da dignidade humana, não há dificuldade em dizer que todas as criaturas, sejam racionais, irracionais, animadas ou inanimadas, são iguais em dignidade. Um orangotango, um homem e uma espécie vegetal valem o mesmo. "Exigimos a extensão da comunidade de iguais a todos os hominídeos: os seres humanos, os bonobos, chimpanzés, gorilas e orangotangos", afirma o primeiro item da Declaração do Grande Símio, que circula pelo mundo à procura de consenso para se tornar um documento oficial das Nações Unidas. Mais ainda, a agenda espiritual da Carta, "fruto de debates com líderes religiosos", impõe dois mandamentos: guardar reverência pela Terra e pelo Cosmos, e respeitar as Miríades de Espécies.
A Carta também responde a uma ideologia que cultiva várias formas de materialismo pseudo-religioso, próprias das mitologias orientais, do indigenismo e de estranhos esoterismos, tornando-se um instrumento de descristianização.
Como alguém que conserva num zoológico um orangotango albino, este novo humanismo procura preservar o que ele chama de povos originários com a esterilização prévia para que não cresçam mais do que o necessário. E, como se isso fosse pouco, pretende que sejam reconhecidos os seus direitos de retornar às suas práticas religiosas ancestrais: uma maneira de apagar e, em outros casos, impedir a evangelização.
O processo da Carta da Terra já tem mais de quinze anos, com actividades nos cinco continentes, sendo significativo, por exemplo, o número de apresentações da Carta em Espanha e no México. A estratégia consiste em apresentá-la em congressos e foros, âmbitos parlamentares e de governo, procurando adeptos para o consenso universal. É notável como tentam, com muita paciência e perseverança, a adesão de municípios de grandes e pequenas cidades e de legislaturas regionais, ao mesmo tempo que tentam a incorporação do documento em currículos académicos.
Entre os indivíduos e associações que procuram aderir ao consenso, estão políticos e financiadores de todos os níveis, bem como comunidades religiosas católicas e instituições e autoridades de outras denominações cristãs.
(...)
A UNESCO incorporou plenamente a Carta da Terra em 2003, atribuindo-lhe a categoria de instrumento educativo em Abril de 2005, no Projecto de Aplicação Internacional da Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS). Mas, mesmo antes disso, no Fórum do Milénio das ONGs (2000), organizado pelas Nações Unidas, a Carta foi listada entre os documentos que os participantes do Fórum se comprometeriam a impor à sociedade global.

Pe. Juan Claudio Sanahuja in «Poder Global e Religião Universal», 2010.

25/06/2015

Monarquia democrática, para quê?


Entre Monarquia constitucional parlamentar e República parlamentar constitucional não distingo diferença, nem considero que ela sequer exista, a não ser historicamente, entre o princípio da eleição e o da hereditariedade, tendo eu por tão precários os acasos do voto como os do nascimento.
O que me repugna num e noutro dos dois regimes é a embusteira tirania do sufrágio em que ambos se baseiam, e a consequente interferência da néscia razão da urna na solução de problemas tão melindrosamente científicos como o da governação dos homens.
O votismo e o parlamentarismo são, em Portugal pelo menos, os agentes mais perniciosamente destrutivos de toda a competência administrativa.

Ramalho Ortigão in «Últimas Farpas», 1911.

24/06/2015

22/06/2015

A Carta da Terra e a Nova Ordem Mundial (I)


A Carta foi idealizada no início dos anos 90 por duas organizações: a Cruz Verde Internacional, de Mikhail Gorbachev, e o Conselho da Terra, dirigido por Maurice Strong. Gorbachev declarou, em 1997: "O mecanismo que usaremos será a substituição dos Dez Mandamentos pelos princípios contidos na presente Carta ou Constituição da Terra". A Carta foi patrocinada desde o início por Federico Mayor, Director Geral da UNESCO de 1987 a 1999.
Quais são os princípios da Carta? O prefácio afirma: "A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva como uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra proveu as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de resistência da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável, com todos os seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global, com os seus recursos finitos, é uma preocupação comum a todos os povos. A protecção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado".
Os postulados agnósticos e panteístas da Carta seriam a base da nova sociedade: "O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humanitário. Os nossos desafios ambientais, económicos, políticos, sociais e espirituais estão interrelacionados, e juntos podemos forjar soluções inclusivas". A visão totalizadora do desenvolvimento sustentável, impregnada da linguagem vaga do holismo Nova Era, aparece de vez em quando: "Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas. Assegurar que as comunidades garantam, em todos os níveis, os direitos humanos e as liberdades fundamentais, e proporcionem a cada um a oportunidade de desenvolver o seu pleno potencial".
Para isso, nos termos da Carta, torna-se imperativo: "Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação com a diversidade biológica e os processos naturais que sustentam a vida. Adoptar, em todos os níveis, planos de desenvolvimento sustentável e regulamentos que permitam incluir a conservação e a reabilitação ambientais como parte integrante de todas as iniciativas de desenvolvimento".
Não poderia faltar o mandamento ecologista de controlar a natalidade para salvar o planeta, próprio do paradigma do desenvolvimento sustentável: "Adoptar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário", além de outros imperativos que colaboram directamente com as políticas do anti-natalismo compulsório e com a reengenharia anti-cristã da sociedade: "Afirmar a igualdade e a equidade de género como pré-requisito para o desenvolvimento sustentável e garantir o acesso universal à educação, o cuidado à saúde e a oportunidade económica (...). Garantir os direitos humanos das mulheres e das meninas, e acabar com toda a violência contra elas (...). Garantir o acesso universal aos cuidados de saúde reprodutiva, promovendo a reprodução responsável. Adoptar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e a suficiência material num mundo finito".
Para concluir, a imposição de dobrar-se às Nações Unidas e à Nova Ordem Mundial adoptando a Carta como o fundamento da nova religião global: "Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar o seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com as suas obrigações sob os acordos internacionais existentes e apoiar a implantação dos princípios da Carta da Terra, através de um instrumento internacional juridicamente vinculante sobre o meio ambiente e desenvolvimento".
Na Carta da Terra, Deus está totalmente ausente. Não aparece nem mesmo como uma "hipótese" conciliadora. Isso faz com que a proposta de defesa da Vida e da Terra se apoie em fundamentos equivocados. E sabemos que defender uma realidade com argumentos e razões que não são correctos e adequados, é a melhor maneira de deixar esta realidade completamente indefesa, e que afirmá-la com uma base errónea é a maneira mais directa de deixá-la sem apoio.
A visão cristã é inconciliável com o imanentismo panteísta da Carta. Na Carta da Terra o homem é uma partícula do universo em pé de igualdade com um animal ou um vegetal, incapaz de conhecer qualquer realidade que não seja material. Não é o centro da Criação, criado como sábio administrador de Deus. (...)
Na Carta da Terra, o ser humano – homem e mulher – parece ser constantemente carregado pela corrente de uma evolução que não tem causa eficiente nem final, sem origem ou objectivo transcendente. O destino comum que daria unidade à grande diversidade na qual se encontra indiscriminadamente imerso não é a Parusia, a vinda do Senhor Jesus na Glória, a Transfiguração do Cosmos; é mais propriamente uma permanência nesta Terra, que exige uma solidariedade dos seres vivos a fim de construir e perpetuar uma bem-aventurança intramundana. As sucessivas gerações usufruirão desta felicidade ao melhor estilo das utopias milenaristas ou materialistas.
Sob esse ponto de vista, o desenvolvimento sustentável ou sustentabilidade assume o carácter de uma pseudo-categoria teológica que aspira a ser critério de moralidade universalmente vinculante. Isso tudo constitui uma profunda negação da escatologia cristã e um retorno ao pensamento mágico promovido pelas correntes da Nova Era.


Pe. Juan Claudio Sanahuja in «Poder Global e Religião Universal», 2010.

20/06/2015

O testemunho de um dissidente soviético


Palavras de quem sofreu directamente a brutalidade do sistema comunista:

Se me perguntarem se eu quero propor ao meu país como modelo o Ocidente, tal como hoje se apresenta, devo responder com franqueza: não, não posso recomendar a vossa sociedade como ideal para a transformação da nossa. (...) Uma sociedade não pode permanecer no fundo do abismo sem leis, como é o nosso caso, mas será irrisório manter-se à superfície lisa dum juridismo sem alma, como sucede convosco. Uma alma humana acabrunhada por muitas dezenas de anos de violência aspira a algo de mais elevado, mais quente e mais puro do que o que pode propor-lhe a existência de massa no Ocidente, anunciada, como se fosse um cartão-de-visita, por uma pressão enjoativa de publicidade, pelo embrutecimento da televisão e por uma música insuportável.

Aleksandr Solzhenitsyn in «O Declínio da Coragem», 1978.

17/06/2015

A ideologia do género explicada em 2 minutos


Transcrição:

Um menino e uma menina. São o mesmo? À primeira vista, sabemos que não são. Meninos e meninas não são o mesmo. São diferentes. São diferentes quando são bebés. São diferentes quando crescem. E, sobretudo, são diferentes por dentro. Mas, para alguns, eles são diferentes, não por terem corpos diferentes. E sim, porque os pais, a família, a sociedade, a escola, o mundo inteiro os obriga a serem diferentes. Uma menina é menina, porque foi obrigada a ser menina. Um menino é menino, porque foi obrigado a ser menino. E como são diferentes, não são iguais. Mas, segundo alguns, isto gera um problema. A desigualdade entre meninos e meninas, que mais tarde se converterá em desigualdade entre homens e mulheres. Como resolvem este problema? Eliminando toda a diferença entre meninos e meninas, e actuando como se fossem o mesmo. Assim tiveram que encontrar uma forma para que os pais, a família, a sociedade e a escola, deixem de obrigar os meninos a serem meninos e as meninas a serem meninas. Mas como os pais, a família e a sociedade não aceitam isto, alguns chegaram à conclusão de que a escola é a melhor forma de alcançarem os seus objectivos. Porque na escola, longe dos pais e da família, podem reprogramar o que é ser um menino e uma menina. Sim, o papá pode usar vestidos femininos e batom nos lábios. Sim, uma mulher pode conduzir camiões. Sim, um bebé pode ter "duas mamãs" ou "dois papás". A escola deve, segundo alguns, desaparecer com as diferenças naturais entre o masculino e o feminino. Deste modo, criando uma confusão, meninos e meninas são idênticos e a desigualdade já não é mais um problema. Em seguida, como um menino sabe se é um menino?! Vamos lá... Depois de misturar tudo, e dizer que todos são idênticos, um menino já não sabe se é um menino e uma menina já não sabe se é uma menina. Solucionámos o problema da igualdade? Não. Somente criámos outro problema. O problema da identidade. Não queremos uma escola que confunda as crianças. Queremos que as crianças aprendam a ler, a escrever e a fazer contas na escola. Queremos escolas que formem cidadãos críticos por meio da cultura. Deixem as meninas serem meninas! Deixem os meninos serem meninos!