28/09/2015

Os cristãos estão impedidos de se defender?


A passagem muito citada "amai os vossos inimigos" (Mateus 5:44; Lucas 6:27) diz "diligite inimicos vestros" e não "diligite hostes vestros"; não é do inimigo político que se fala. Também no combate milenar entre a Cristandade e o Islão nunca um cristão chegou ao pensamento de que, por amor aos sarracenos ou aos turcos, se tinha de entregar a Europa ao Islão, em vez de defendê-la. Não é preciso odiar pessoalmente o inimigo em sentido político e só na esfera do privado faz sentido amar o seu "inimigo", isto é, o seu opositor. Aquela passagem bíblica toca tanto menos a contraposição política quanto mais quer destacar as contraposições entre bem e mal ou entre belo e feio. Sobretudo ela não quer dizer que se deve amar os inimigos do seu povo e apoiá-los contra o seu próprio povo.

Carl Schmitt in «O Conceito de Político», 1932.

26/09/2015

D. João V e as "praxes" académicas


Hoje têm o nome de "praxes", mas até ao século XVIII fala-se de "investidas". Os rituais destinados aos novatos da Universidade de Coimbra foram muitas vezes marcados por alguma dose de violência, várias vezes postos em causa e até proibidos. Em 1727, por exemplo, D. João V interditou totalmente qualquer "investida". Alegou o Rei que as actividades, apesar de serem muito antigas na universidade, se haviam tornado cada vez mais bárbaras. A morte de um estudante, no ano anterior, poderá ter sido a última gota. E o monarca deliberou: "É por bem, e mando que todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos".

23/09/2015

Por que razão o Ocidente não gosta de Bashar al-Assad?


Algumas das razões mais importantes:

1. Na Síria, a lei islâmica não tem liberdade judicial.
2. Na Síria, a religião cristã goza de liberdade pública.
3. Na Síria, o Estado é detentor da única empresa petrolífera.
4. Na Síria, o Banco Central controla todas as operações de câmbio e comércio externo.
5. A Síria não tem dívidas ao Fundo Monetário Internacional.
6. A Síria tem uma política externa anti-sionista.
7. A Síria faz parte do movimento não-alinhado.
8. A Síria tem boas relações políticas e económicas com a Rússia e o Irão.

E para terminar, peço-vos que vejam o vídeo que se segue:

18/09/2015

O que é a Nação?


Possivelmente para alguns, associação transitória ou permanente de interesses materiais, a Nação [Pátria] é para nós sobretudo uma entidade moral, que se formou através de séculos pelo trabalho e solidariedade de sucessivas gerações, ligadas por afinidades de sangue e de espírito, e a que nada repugna crer, esteja atribuída no plano providencial, uma missão específica no conjunto humano.
Só esse peso do sacrifício sem conta, da cooperação de esforços, da identidade de origem, só esse património colectivo, só essa comunhão espiritual, podem moralmente alicerçar o dever de servi-la e dar a vida por ela.

António de Oliveira Salazar in discurso «O Meu Depoimento», 7 de Janeiro de 1949.

16/09/2015

Um romance premonitório


Um dia, num futuro que não vem longe, uma estranha frota de velhos navios corroídos pelo tempo e pelo uso parte do golfo de Bengala e ruma em direcção à Europa. Traz a bordo um milhão de estropiados: os esfomeados dos "países subdesenvolvidos", que, cansados da miséria, resolvem bater às portas do paraíso do homem branco.
Como irá ele reagir à invasão pacífica dos que vêm buscar abrigo nas suas terras? Com a respiração suspensa, o mundo espera. Entretanto, ao longo de todas as fronteiras do hemisfério rico, outros milhões de homens – muitos – aguardam para se aventurarem também à conquista do paraíso...
Ficção científica? E talvez não, se tivermos presentes as previsões demográficas para o ano 2000...
É este o grave problema que Jean Raspail nos propõe neste romance grave. Um romance em que, através do trágico ou do burlesco das situações imaginadas, o autor assume uma posição que o leitor pode aceitar ou rejeitar. O problema, esse, talvez não possa ignorá-lo...

Sinopse do romance «Le Camp des Saints» de 1973.

14/09/2015

Socorro!


A Junta de Freguesia do Socorro, na Mouraria, tem cerca de 15 mil habitantes, 11 mil dos quais já são estrangeiros, revelou à Lusa o presidente da junta, Marcelino Figueiredo (PSD).
A população envelhecida da freguesia do Socorro, bairro histórico da capital, tem sido renovada com imigrantes estrangeiros «que diariamente solicitam os serviços da junta com o objectivo de regularizarem a sua situação em Portugal», afirmou o presidente.
Questionado sobre a evolução do número de estrangeiros que têm chegado à freguesia, o presidente da junta respondeu: «Não sei. O que sei é que todos os dias tenho mais processos de legalização para tratar».
«Ultimamente, a maior comunidade que tem chegado à freguesia é a do Bangladesh e as nacionalidades com maior expressão continuam a ser a chinesa, a indiana, a paquistanesa, e mais recentemente também, a ucraniana, macedónia, e de países africanos muçulmanos», revelou Marcelino Figueiredo.
O presidente da Junta salientou que «uns chamam os outros e são quase todos familiares e estabelecem-se como vendedores de brinquedos, produtos electrónicos e na restauração».
Nesta área existem dois centros comerciais ocupados na sua maioria por comerciantes asiáticos, com as tradicionais lojas chinesas até às lojas de electrónica.
Marcelino Figueiredo salientou ainda que «nesta altura, os católicos até já estão em minoria» e que «a comunidade muçulmana já abriu uma pequena mesquita na freguesia».

12/09/2015

A tolerância entre a virtude e o vício


O único fundamento lógico possível da tolerância, encontra-se na necessidade de permitir um mal para impedir outro maior que ele. Esta necessidade é uma exigência absoluta, não relativa ou condicionada, ainda que indubitavelmente se prefira algo que só de um modo relativo (em sentido ontológico, não na acepção gnoseológica) é admissível. O tolerável é sempre um mal (o bom não é tolerado, senão positivamente querido, amado) e um mal é tolerável unicamente na qualidade de mal menor, sendo esta qualidade um valor objectivo, isto é, absoluto ou em si.

Antonio Millán-Puelles in «Ética y Realismo».

02/09/2015

A Cavalaria: excertos


Quando os cavaleiros assistiam à Missa e chegava a leitura do Evangelho, em silêncio, eles desembainhavam as espadas e as mantinham nuas e erectas diante do rosto, enquanto durasse a leitura sagrada. Esta altiva atitude queria dizer: se for preciso defender o Evangelho, nós estamos aqui! Neste gesto estava todo o espírito da Cavalaria. (página 30)

Recebe esta espada, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, serve-te dela para a tua defesa, para a defesa da Santa Igreja de Deus e para a confusão dos inimigos da Cruz de Cristo. Vai e lembra-te que os santos não conquistaram os reinos pelo gládio, mas pela fé. (página 47)

Cavaleiros, não esqueçais que Deus vos fez para serdes a muralha da Igreja. (página 49)

Diante dos pobres é preciso que te humilhes, é preciso que te faças pequeno. Tu lhes deves ajuda e conselho. (página 53)

Oh Deus, Vós só permitis aqui na terra o uso da espada para combater a malícia dos maus e para defender a justiça. Fazei, pois, que o vosso cavaleiro jamais utilize do gládio para lesar injustamente quem quer que seja; mas que se sirva dele, para defender, aqui na terra, o que é justo e recto. (página 86)

Toma esta espada. Exerce com ela o vigor de justiça; abate com ela o poder da injustiça. Defende com ela a Igreja de Deus e seus fiéis. Dispersa com ela os inimigos de Cristo. O que está por terra, levanta-o. O que levantastes, conserva-o. O que é injusto aqui na terra, abate-o. O que é conforme a ordem, fortifica-o. É assim que, glorioso e altivo, unicamente pelo triunfo das virtudes, justitiae cultor egregius, chegarás ao Reino dos Céus, onde com Jesus Cristo, de que trazes a marca, reinarás eternamente. (página 304)

Léon Gautier in «La Chevalerie», 1884.

30/08/2015

Liberdade de ensino e relativismo


Guardemos pois estas palavras do Papa [Leão XIII na encíclica Libertas]: o poder civil não pode dar nas escolas chamadas públicas o direito de ensinar Marx e Freud, ou o que é pior, dar licença de ensinar que todas as opiniões e doutrinas têm igual valor, que nenhuma pode reivindicar a verdade para si, que todas devem tolerar-se mutuamente; isto constitui a pior das corrupções do espírito: o relativismo.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar».

27/08/2015

26/08/2015

A honra sobre o proveito

Depois da conquista de Ceuta de 1415, surgiram dúvidas sobre a manutenção da cidade...


Mas um dos conselheiros do Rei parece ter mantido a clareza de espírito quando disse: Eles antepõem as coisas proveitosas às honrosas! Senhor, se quereis largar a cidade, sois corsário e não rei!

21/08/2015

600 anos da tomada de Ceuta


Não sofre o peito forte, usado à guerra,
não ter amigo já a quem faça dano;
e assim não tendo a quem vencer na terra,
vai cometer as ondas do Oceano.
Este é o primeiro Rei que se desterra
da Pátria, por fazer que o Africano
conheça, pelas armas, quanto excede
a lei de Cristo à lei de Mafamede.

Luís Vaz de Camões in «Os Lusíadas».

18/08/2015

O erro fundamental dos dias de hoje


Incontestavelmente, o erro simultaneamente mais pernicioso e mais irredutível é aquele em virtude do qual não há e não pode haver, nem para os indivíduos, nem para as sociedades, verdades impostas, isto é, objectivamente existentes. Portanto, em direito e em facto, não há e não pode haver, nem verdade, nem erro. A consequência estritamente lógica é que não há, nem bem, nem mal, nem direito, nem justiça. Todos os direitos são atribuídos no mesmo título, ao erro e à verdade, ao bem e ao mal.

Pe. Philippe C.SS.R. in «Catecismo dos Direitos Divinos na Ordem Social».

16/08/2015

Dos "migrantes"


Desde a antiguidade, facto já assinalado por Aristóteles, Tucídides e Xenofonte, toda a nação que admite no seu seio a entrada desenfreada de alógenos [estrangeiros] está condenada à decadência, sendo que estes últimos substituem progressivamente os autóctones e tendem a persegui-los e a destruí-los culturalmente e/ou fisicamente. Esse processo está em marcha em inúmeras zonas da França.

Guillaume Faye in «Pourquoi nous combattons», 2001.

14/08/2015

Rosácea d'Aljubarrota


À vista do Mosteiro
da Batalha
– há conquista
que resista,
há lá guerreiro
que valha?!...

...Deixai, então, que vos fale
(– porque me dá cuidado
e por mais nada!)
d'aqueloutro Portugal
talhado à espada
– e condenado, afinal,
a não ser nada... –

...Sala d'aula do Além,
anfiteatro do Mar,
– que ninguém, que já ninguém
hoje vem
contemplar...

Rodrigo Emílio

12/08/2015

Contra o irrealismo utópico


Tradução: O maior desarranjo do espírito, é acreditar nas coisas porque nós queremos que elas sejam, e não porque as vimos que elas são realmente.

10/08/2015

Onde não há ódio à heresia, não há santidade


Se odiássemos o pecado como deveríamos odiá-lo; puramente, profundamente, valentemente, deveríamos fazer mais penitência, infligir em nós próprios maiores castigos, deveríamos chorar os nossos pecados mais abundantemente. Pois, então, a suprema deslealdade para com Deus é a heresia. É o pecado dos pecados, a mais repugnante das coisas que Deus desdenha neste mundo enfermo. No entanto, quão pouco entendemos da sua enorme odiosidade! É a poluição da verdade de Deus, o que é a pior de todas as impurezas.
Porém, quão pouca importância damos à heresia! Fitamo-la e permanecemos calmos... Tocamo-la e não trememos. Misturamos-nos com ela e não temos medo. Vemo-la tocar nas coisas sagradas e não temos nenhum sentido do sacrilégio. Inalamos o seu odor e não mostramos qualquer sinal de abominação ou de nojo. De entre nós, alguns simpatizam com ela e alguns até atenuam a sua culpa. Não amamos a Deus o suficiente para nos enraivecermos por causa da Sua glória. Não amamos os homens o suficiente para sermos caridosamente verdadeiros por causa das suas almas.
Tendo perdido o tacto, o paladar, a visão e todos os sentidos das coisas celestiais, somos capazes de morar no meio desta praga odiosa, imperturbavelmente tranquilos, reconciliados com a sua repulsividade, e não sem proferirmos declarações em que nos gabamos de uma admiração liberal, talvez até com uma demonstração solícita de simpatia tolerante [para com os seus promotores].
Porque estamos tão abaixo dos antigos santos, e até dos modernos apóstolos destes últimos tempos, na abundância das nossas conversões? Porque não temos a antiga firmeza! Falta-nos o velho espírito da Igreja, o velho génio eclesiástico. A nossa caridade não é sincera porque não é severa, e não é persuasiva porque não é sincera.
Falta-nos a devoção à verdade enquanto verdade, enquanto verdade de Deus. O nosso zelo pelas almas é fraco, porque não temos zelo pela honra de Deus. Agimos como se Deus ficasse lisonjeado pelas conversões, e não pelas almas trémulas, salvas por uma abundância de misericórdia.
Dizemos aos homens a metade da verdade, a metade que melhor convém à nossa própria pusilanimidade e aos seus próprios preconceitos. E, então, admiramo-nos que tão poucos se convertam e que, desses tão poucos, tantos apostatem.
Somos tão fracos a ponto de nos surpreendermos que a nossa meia-verdade não tenha tanto sucesso como a verdade completa de Deus.
Onde não há ódio à heresia, não há santidade.
Um homem, que poderia ser um apóstolo, torna-se uma úlcera na Igreja por falta de recta indignação.

Pe. Frederick William Faber in «The Precious Blood: The Price of Our Salvation», 1860.

06/08/2015

Bomba de Hiroshima e Fátima


6 de Agosto de 1945: Oito sacerdotes jesuítas que viviam a apenas alguns quarteirões do local da explosão sobreviveram milagrosamente à bomba atómica. Todos os que viviam num raio de 1,5 km morreram instantaneamente, e os que estavam fora do raio de alcance, morreram de radiação dias depois.

Os sacerdotes foram examinados mais de 200 vezes por cientistas, não encontrando nenhuma explicação natural para o facto. Mas cada vez que confrontados com perguntas, os sacerdotes repetiam: "Nós acreditamos que sobrevivemos porque vivíamos a Mensagem de Fátima".

Eis uma entrevista com um dos sacerdotes:

04/08/2015

A fidelidade católica de Portugal


Sobre o elogio do Bispo de Ampiano a Portugal, na festa de São Domingos de Gusmão, a 4 de Agosto de 1561:

Disse-me diante de todos que tinha para si que Portugal era o mais feliz dos Reinos do Mundo, desde os tempos de Noé, por quatro grandes proeminências de que nenhum outro reino cristão goza: I - Nunca apostatou da fé que recebeu; II - Nunca se afastou da obediência da Santa Sé Apostólica; III - Nenhum outro reino levou tão longe o nome de Cristo; IV - Nunca fez guerra agressiva senão contra infiéis.

D. Fr. Bartolomeu dos Mártires in «O Patriotismo de D. Frei Bartolomeu» de Fr. Raul de Almeida Rolo.

30/07/2015

Os "direitos" contra o Direito

Os vícios não são direitos!

Esta evidência, como aliás todas as evidências, necessita em certa medida de ser demonstrada, para uso de todos aqueles a quem a evolução do direito na época moderna, que transita desde o objectivo e real, rumo ao subjectivismo e imaginário, ainda não cegou de todo. Tal não será fácil. O homem moderno já não sabe que o direito é o justo: jus est quod justum est; para o homem moderno, o direito é aquilo que ele deseja, o que ele quer, o que ele exige em seu favor, ou em favor do grupo a que ele pertence, e que multiplica as suas reivindicações individuais. Somente aqueles que se emanciparem desse subjectivismo, mediante um esforço de inteligência, poderão sobreviver ao imenso naufrágio da humanidade, que se prepara na "alegria e na esperança" como profetizaram com grande clamor os autores da Constituição "Gaudium et Spes", no Concílio Vaticano II, demonstrando uma incurável cegueira.

Marcel de Corte in anexo ao «Catecismo dos Direitos Divinos na Ordem Social» do Pe. Philippe C.SS.R.