12/01/2016

Um só Deus, uma só Fé, uma só Igreja


Assim como há um só Deus, um só Cristo e um só Espírito Santo, assim também há uma só verdade divinamente revelada; uma só fé divina que é o princípio da salvação do Homem e o fundamento de toda a justificação, a fé pela qual o justo vive e sem a qual é impossível agradar a Deus e chegar à comunhão de Seus filhos. Há uma só Igreja, una, verdadeira, santa e católica, que é a Igreja Apostólica Romana. Há uma só cátedra fundada sobre Pedro pela palavra do Senhor, fora da qual não podemos encontrar nem a verdadeira fé, nem a salvação eterna. Todo aquele que não tiver a Igreja como mãe não pode ter a Deus como pai, e quem quer que abandone a cátedra de Pedro sobre a qual a Igreja foi fundada, confia falsamente que está na Igreja de Cristo. Na verdade, não pode haver crime maior e mancha mais repugnante do que se opor a Cristo, do que dividir a Igreja gerada e comprada pelo Seu Sangue, do que esquecer o amor evangélico e combater com o furor da discórdia hostil, a harmonia do povo de Deus.

Papa Pio IX in «Singulari Quidem», 1856.

§

Com base na autoridade da Tradição e na autoridade do Magistério infalível da Igreja, digo convictamente que este vídeo promocional é herético.

10/01/2016

Solenidade da Sagrada Família


A Casa de Nazaré

Casinha branca, asseada,
Ó casa de Nazaré,
Louvada sejas, louvada,
Por quem no Lar tenha fé.

Era a família sagrada,
Jesus, Maria e José.
A nossa casa, coitada,
Já foi o que hoje não é.

Tu, na costura, entretida,
Eu trabalhando na vida,
E ele entre mimos ao pé...

Sem ser a tanto elevada,
Lembrava a nossa morada,
A casa da Nazaré.

António Sardinha

07/01/2016

Capitalismo e Comunismo


Tanto na vida individual, como na colectiva, o factor económico é hoje o mais importante, real e decisivo. Uma era económica é fundamentalmente anárquica e anti-hierárquica, representa uma subversão da ordem natural. Este carácter subversivo está presente tanto no marxismo como no seu aparente antagonista: o capitalismo moderno. O maior absurdo é aqueles que hoje dizem representar uma direita política permanecerem no círculo escuro e nebuloso desenhado pelo demoníaco poder da economia – um círculo habitado tanto pelo marxismo como pelo capitalismo, juntamente com uma série de fases intermédias. Hoje, aqueles que se alinham contra as forças da esquerda deveriam insistir nisto. Não há nada mais evidente do que o facto de o capitalismo ser tão subversivo quanto o marxismo. A visão materialista da vida, que é a base dos dois sistemas, é idêntica.

Julius Evola in «Men Among the Ruins».

§

Atenção: Este autor e esta obra não são inteiramente recomendáveis. A passagem aqui citada é divulgada apenas pela informação verídica que contém.

04/01/2016

Da tirania mediática


1ª Tese: Os instrumentos utilizados para influenciar a opinião nunca foram tão potentes.
Primeiro, porque o tempo passado em frente à televisão representa hoje em França quase 20% da vida dos nossos compatriotas (40% do tempo total em transportes e trabalho), e os produtores televisivos servem-se da informação para fazer passar as suas opiniões, e do entretenimento para promover os seus valores (ou anti-valores).
Em seguida, porque o capital consagrado à comunicação e à publicidade nunca foi tão importante, representando actualmente uma percentagem importante do produto interno bruto (PIB). Ora, tanto a publicidade como a comunicação social não se limitam a promover os seus produtos comerciais ou políticos, eles veiculam também as imagens e os valores. Televisão, publicidade e comunicação são de resto mais eficazes para influenciar opinião porque agem através da emoção em vez da razão.
Por último, para completar o dispositivo do suave totalitarismo, a escola e a empresa são também mobilizadas ao serviço do conformismo dominante.

Jean-Yves Le Gallou in «Douze thèses pour un gramscisme technologique», 2008.

31/12/2015

O que fazer?


Finalmente, refiramo-nos ao facto de que o mundo mudou dramaticamente nos últimos dez anos. A velha União Soviética está aparentemente morta; a Eutanásia, o desejo de matar os velhos por lei, aproxima-se da vitória em vários parlamentos nacionais europeus; a SIDA faz tombar pervertidos por todo o mundo, a vingança de uma Ordem Moral ridicularizada e ignorada durante demasiado tempo; o movimento New Age tenta preencher um vácuo espiritual mundial com uma filosofia de vida da treta, que não é mais do que Bruxaria e Satanismo travestidos como um novo e atractivo Modo-de-Vida. Sim, o mundo mudou, e continuará a mudar para pior. Cada dia se torna mais inaceitável, mais insuportável.
(...) A Verdade e os Valores Correctos não estão apenas a desaparecer de vista, mas começam a tornar-se incompreensíveis para um número cada vez maior de pessoas: consequência inevitável de um mundo mergulhado no veneno do Liberalismo de todos os tipos. (...)
Confrontado por todos os lados com injustiça e exploração, o homem comum rezinga: "O que posso eu fazer?". A resposta é assustadoramente simples: LUTAR, LUTAR e LUTAR OUTRA VEZ! Acaba com a baixeza e a cobardia que caracteriza a nossa época. Desfralda os estandartes da Verdade, Heroísmo e Sacrifício. Tornem-se os Guerreiros e Santos que outrora tornaram esta terra digna de amor e respeito. Vive a tua vida para que outros possam viver, e vive [heroicamente]. Lança a Guerra Santa que limpa a alma, purifica a mente e expulsa para sempre os traidores e cobardes do nosso seio! Luta com coragem, determinação granítica e um coração alegre até à Vitória Final!

Derek Holland in Novo Prefácio a «O Soldado Político», 1994.

28/12/2015

TV: arma de estupidificação em massa


Ver televisão é a actividade de lazer (ou melhor, não-actividade) preferida de milhões de pessoas em todo o mundo. O americano médio, aos sessenta anos, passou quinze anos em frente a um ecrã de televisão. Passa-se o mesmo em muitos outros países.
Muitas pessoas acham que ver televisão é "relaxante". Observe de perto e perceberá que quanto mais tempo o ecrã for o centro da sua atenção, mais a sua actividade mental se torna suspensa, e nos longos períodos em que está a ver um talk-show, um concurso, uma comédia, ou até publicidade, não há qualquer pensamento gerado na sua mente. Não apenas não se lembra mais dos seus problemas, como se torna temporariamente livre de si mesmo – o que poderá ser mais relaxante que isso?
Ver televisão cria um espaço interior? Torna-o presente? Infelizmente, não. Apesar de, por longos períodos a sua mente possa não gerar qualquer pensamento, está ligada ao show televisivo. A sua mente está inactiva apenas no sentido em que não produz pensamentos. Continua, no entanto, a absorver continuamente pensamentos e imagens que atravessam o ecrã de televisão. Isto induz a uma espécie de transe, um estado passivo de alta susceptibilidade, não muito diferente da hipnose. Por isso, a televisão está ligada à manipulação da "opinião pública". Políticos e grupos de interesse, assim como publicitários, sabem-no e, por isso, pagam milhões de dólares para apanhar o espectador nesse estado de receptividade descuidada. Eles querem que os seus pensamentos se tornem os pensamentos do espectador, e normalmente conseguem.

Eckhart Tolle in «A New Earth».

26/12/2015

O Natal é uma festa pagã?


Alguns ateus, neo-pagãos, ou simplesmente anti-cristãos, gostam de dizer que o Natal (nascimento de Jesus Cristo) é uma usurpação da antiga festa romana pagã do Sol Invicto. Nada mais errado. Pelo contrário, a festividade do Sol Invicto foi introduzida e oficializada pelo imperador Aureliano no século III depois de Cristo, como forma de combater a rápida ascensão do Cristianismo no seio do Império Romano. A 'New Catholic Encyclopedia' de 1967 diz: "A 25 de Dezembro de 274, Aureliano mandou proclamar o deus-sol como o principal padroeiro do Império e dedicou um templo a ele no Campo de Marte". Desde essa data, Júpiter deixou de ser o maior e principal "deus" do Panteão Romano. Este imperador também se auto-proclamou como pessoa divina, mudando assim o costume romano que só reconhecia a "divindade" dos imperadores após a sua morte. O culto do Sol permaneceu como religião oficial até ao imperador Constantino.

Em relação a Jesus Cristo, e para aqueles que duvidam da Sua existência histórica, relembro que o historiador romano Tácito escreveu sobre a condenação e crucificação de Jesus nos Anais do século I. Já sobre as datas relacionadas com o Seu nascimento, morte e ressurreição, recomendo a leitura do seguinte texto: Datas da Concepção, Nascimento, Morte e Ressurreição de Cristo.

24/12/2015

Adeste Fideles


Vinde fiéis e acorrei,
Alegres e jubilosos;
Vinde todos a Belém!
Porque este recém-nascido
É o grande Rei dos Anjos:
Vinde todos adorá-lO. (3x)

Abandonando os rebanhos,
Encaminham-se ao presépio,
Os pastores deslumbrados!
Também nós, por nossa vez,
Corramos todos vibrantes:
Vinde todos adorá-lO. (3x)

Ali veremos oculto,
Sob o véu da carne humana,
O eterno esplendor do Pai!
Ao Deus, que Se fez menino,
Envolto em pobres paninhos,
Vinde todos adorá-lO. (3x)

A Quem por nós Se fez pobre,
E jaz em palhas deitado,
Abracemos e aqueçamos
Ao calor dos nossos beijos!
Como ficar sem amar
Àquele que tanto nos ama?
Vinde todos adorá-lO. (3x)

22/12/2015

Das alterações na oração do Pai Nosso


O Pai Nosso é a oração que o próprio Cristo nos ensinou. A sua formulação "a qual aprendemos desde pequenos" está avalizada pela tradição da Igreja, e o seu uso perde-se nos séculos e gerações. Talvez nada se deve considerar mais intangível.
Apesar disso, a Igreja do aggiornamento, que alterou substancialmente o rito da Missa, não podia deixar de pôr a sua marca na nossa oração mas íntima e entranhada, nas palavras do mesmo Cristo. Já temos um Pai Nosso conciliar e aggiornato...
Trata-se, ao que parece, de um texto novo, idealizado sob o desígnio da mudança pela mudança, e sabe Deus se com outros desígnios. Vamos ao próprio conteúdo do novo texto.
Substituiu-se nele a petição do perdão de "nossas dívidas" pelo de "nossas ofensas". Mas, dívida e ofensa são o mesmo?
Posso ter dívidas com outro (de gratidão, de apoio, de caridade) e não lhe ter ofendido nunca. Inversamente, alguém pode ser nosso devedor e não nos ter ofendido jamais. O que ofende (causa dano, injuria) contrai, certamente, uma dívida com o ofendido (a de repará-lo), mas nem toda a dívida contém ofensa. A oração do Pai Nosso é de uma tal perfeição, sendo de origem divina, que não se pode alterar uma letra sem prejudicá-la.
Facilmente se compreende o objectivo progressista, se se considera que com a nova formulação, a Virgem Maria não teria podido rezar a oração que o seu Divino Filho ensinou aos homens. Porque a Virgem tinha, certamente, grandes dívidas para com Deus (tê-La criado, tê-La escolhido entre todas as mulheres, tê-La preservado do pecado original, etc), mas jamais cometeu ofensa alguma contra Deus.
Ensinemos, pois, a nossos filhos a oração que aprendemos de nossa mãe, e que Ele mesmo nos ensinou.

Rafael Gambra Ciudad in revista «Roca Viva», Janeiro de 1994.

§

Recebi a confirmação de que o Pai Nosso foi alterado em 1941, sob o papado de Pio XII. Mas não é de admirar que estas alterações sejam anteriores ao Concílio Vaticano II, pois o veneno liberal-modernista foi introduzido em doses menores bem antes da década de 1960. Relembro, por exemplo, o que disse Mons. Lefebvre: 1926 marca na França uma etapa decisiva na "ocupação" da Igreja pela facção católico-liberal.

19/12/2015

Não acredite em relativistas


Tradução: Um escritor que diz que não existem verdades, ou que toda a verdade é "meramente relativa", está a pedir para não acreditar nele. Então, não acredite.

16/12/2015

O declínio da autoridade


Se é certo que o Mundo perdeu o respeito da autoridade, isso se deve ao facto de o ter perdido, primeiro, na família. Por um singular paradoxo, à medida que o lar ia perdendo a sua autoridade, a autoridade do Estado ia-se, por sua vez, tornando tirânica. Muitos são, hoje, os homens que tendem a inchar, sem conta, peso, nem medida, a sua personalidade.

Mons. Fulton Sheen in «O Primeiro Amor do Mundo».

14/12/2015

Intolerância


A intolerância não é estupidez ou fúria cega. Não é mesmo digno de ser intolerante quem não sabe por que deve sê-lo, quem não sabe por que o é. Intolerância é amor da verdade, e tanto da Suprema Verdade, como de qualquer verdade. É a face exterior da convicção, que por sua vez é a face interior da verdade, que, se não depende de nós para ser, só o é para nós quando a procuramos, a amamos, e sabemo-la defender.

Jackson de Figueiredo in «Trechos Escolhidos».

11/12/2015

Sem um ideal elevado de vida, perecemos


A natureza humana não pode subsistir sem algum tipo de esperança e de propósito, ou como diz a Bíblia, quando não há ideal, o povo perece.

G. K. Chesterton in «Hereges».

06/12/2015

Relativismo: a fraqueza do Ocidente


A fraqueza do Ocidente consiste em não estar seguro de qualquer espécie de verdade. Somos como Pilatos, quando Nosso Senhor lhe disse: «Vim a dar testemunho da verdade, e os que são da verdade ouvem a Minha voz». Pilatos sorriu cinicamente e perguntou: «O que é a verdade?». E voltou-lhe as costas. O seu pragmatismo levara-o a acreditar que a filosofia da vida era um mero expediente e não um princípio.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar».

03/12/2015

A desigualdade é a primeira lei social


Uma sociedade é um grupo de seres desiguais, organizados para fazer face a necessidades comuns. Em todas as espécies sociais a igualdade dos indivíduos é uma impossibilidade natural. A desigualdade deve, portanto, ser considerada como a primeira lei das estruturas sociais, quer nas sociedades humanas, quer em outros tipos de sociedade animal.

Robert Ardrey in «The Social Contract».

01/12/2015

Sobre o 1º de Dezembro de 1640


Quem negará ser o melhor dia de Portugal o primeiro de Dezembro, em que se viu sujeito a Vossa Majestade, e livre do governo d'el-Rei D. Filipe IV de Castela? Não digo que se viu livre Portugal então de um mau Príncipe, porque o decoro que se deve às Majestades, o não permite, nem as excelências pessoais d'el-Rei católico poderão nunca ser menoscabadas. De um mau governo digo, que se livrou justamente, e nesta parte não fica ofendida a católica Majestade, a quem sempre veneraremos, pelo que foi enquanto tolerado Rei deste Reino... Nunca da nação Portuguesa, observantíssima veneradora dos Príncipes que teve, emanarão indecências descorteses, contra a imunidade de Príncipe tão grande. (...)
Nas Crónicas de São Francisco se conta que estando o Seráfico Patriarca em Portugal, vaticinara que nunca este Reino havia de ser unido a Castela. Muitos, que, sem considerar as coisas as desestimam, negavam esta predicação vendo que entrou Filipe Segundo na herança do Reino: mas ainda assim sustentava o doutíssimo Padre Frei Lucas Wandingo, cronista da mesma Ordem, ser verdadeira a profecia do Santo, porque ainda que unidos os Reinos de Portugal e Castela num herdeiro, entre si eram distintos, tanto que os naturais de um Reino se reputavam por estrangeiros no outro; a moeda era diferente e as provisões se passavam em diferentes línguas, em forma que se não podiam chamar Reinos unidos. Intentou nos dois anos passados a soberba Castelhana apertar mais o ponto, e fazer que esta união de Reinos, que havia na pessoa do injusto possuidor, estivesse também entre os mesmos Reinos. Aqui acudiu São Francisco, e mostrou com efeito o entendimento de sua profecia, que era não ser Portugal nunca unido a Castela, e assim quando naquele Reino pretendiam a união de ambos, executámos nós a total separação...

Frei Francisco Brandão in «Discurso gratulatório sobre o dia da feliz restituição e aclamação da Majestade d'el-Rei D. João», 1642.

30/11/2015

Catolicidade


A nota de catolicidade da Igreja reside precisamente na sua capacidade de reunir numa unidade sublime de Fé, os povos de todos os tempos, de todas as raças e de todos os lugares, sem suprimir as suas legítimas diversidades.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987

21/11/2015

A demissão suicidária dos europeus


Mas a civilização ocidental findou, aniquilada pelo cancro da autodemissão. Tudo aquilo que constituía a definição, a força e a realidade da civilização ocidental, quer dizer, europeia, é negado, minimizado, combatido pelos próprios europeus. A Europa já não crê na sua própria alma. A raça branca quer submeter-se, retirar ou diluir-se nas outras raças. A Europa e a raça branca perderam o sentido de missão, nem acreditam já na validade do que criaram, nem na necessidade da sua orientação.

Goulart Nogueira in revista «Tempo Presente», nº 12, Abril de 1960.

06/11/2015

6 de Novembro: Beato Nuno de Santa Maria


Ó Deus, que destes ao Beato Nuno a graça de combater o bom combate, e o tornastes exímio desprezador de si mesmo, concedei aos vossos servos que, depois de vencermos as concupiscências mundanas, gozemos eternamente na pátria celeste. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Ámen.

05/11/2015

Chesterton aos vegetarianos


Vocês, vegetarianos, não sentem remorsos ao ver uma coisa destas? Vocês vivem de devorar plantas inofensivas e eis aqui uma planta que neste momento devora animais. É realmente justo, é a vingança do reino vegetal.

G. K. Chesterton in «Autobiografia».

02/11/2015

Meditação sobre a morte


Muito depressa chegará o teu fim neste mundo; vê, pois, como te preparas: hoje está vivo o homem, e amanhã já não existe. Entretanto, logo que se perdeu de vista, também se perderá da memória. Ó cegueira e dureza do coração humano, que só cuida do presente, sem olhar para o futuro! De tal modo te deves haver em todas as tuas obras e pensamentos, como se fosse já a hora da morte. Se tivesses boa consciência não temerias muito a morte. Melhor fora evitar o pecado que fugir da morte. Se não estás preparado hoje, como o estarás amanhã? O dia de amanhã é incerto, e quem sabe se te será concedido?

Que nos aproveita vivermos muito tempo, quando tão pouco nos emendamos? Oh! nem sempre traz emenda a longa vida, senão que aumenta, muitas vezes, a culpa. Deus queira que tivéssemos, um dia sequer, vivido bem neste mundo! Muitos contam os anos decorridos desde a sua conversão; frequentemente, porém, é pouco o fruto da emenda. Se for tanto para temer o morrer, talvez seja ainda mais perigoso o viver muito. Bem-aventurado aquele que medita sempre sobre a hora da morte, e para ela se dispõe cada dia. Se já viste alguém morrer, reflecte que também tu passarás pelo mesmo caminho.

Pela manhã, pensa que não chegarás à noite, e à noite não te prometas o dia seguinte. Por isso anda sempre preparado e vive de tal modo que te não encontre a morte desprevenido. Muitos morrem repentina e inesperadamente; pois na hora em que menos se pensa, virá o Filho do Homem (Lc 12,40). Quando vier aquela hora derradeira, começarás a julgar muito diferentemente toda a tua vida passada, e doer-te-á muito teres sido tão negligente e remisso.

Quão feliz e prudente é aquele que procura ser em vida como deseja que o ache a morte. Pois o que dará grande confiança de morte abençoada é o perfeito desprezo do mundo, o desejo ardente do progresso na virtude, o amor à disciplina, o rigor na penitência, a prontidão na obediência, a renúncia de si mesmo e a paciência em sofrer, por amor de Cristo, qualquer adversidade. Muito fácil é praticar o bem enquanto estás são; mas, quando estás enfermo, não sei o que poderás. Poucos melhoram com a enfermidade; raros também se santificam os que andam em muitas peregrinações.

Não confies em parentes e amigos, nem proteles para mais tarde o negócio da tua salvação, porque mais depressa do que pensas te esquecerão os homens. Melhor é providenciar agora e fazer algo de bem, do que esperar pelo socorro dos outros. Se não cuidas de ti no presente, quem cuidará de ti no futuro? Muito precioso é o tempo presente: agora são os dias da salvação, agora é o tempo favorável (2 Cor 6,2). Mas, ai! Que melhor não aproveitas o meio pelo qual podes merecer viver eternamente! Tempo virá de desejares, um dia, uma hora sequer, para a tua emenda, e não sei se a alcançarás.

Olha, meu caro irmão, de quantos perigos te poderias livrar e de quantos terrores fugir, se sempre andasses temeroso e desconfiado da morte. Procura agora de tal modo viver, que na hora da morte te possas antes alegrar que temer. Aprende agora a desprezar tudo, para então poderes voar livremente para Cristo. Castiga agora o teu corpo pela penitência, para que possas então ter legítima confiança.

Ó louco, que pensas viver muito tempo, quando não tens seguro nem um só dia! Quantos têm sido logrados e, de improviso, arrancados ao corpo! Quantas vezes ouviste contar: morreu este à espada; afogou-se aquele; este outro, caindo do alto, quebrou a cabeça; um morreu comendo, outro expirou jogando. Estes se terminaram pelo fogo, aqueles pelo ferro, uns pela peste, outros pelas mãos dos ladrões, e de todos é o fim a morte, e, depressa, qual sombra, acaba a vida do homem (Sl 143,4).

Quem se lembrará de ti depois da morte? E quem rogará por ti? Faz já, irmão caríssimo, quanto puderes; pois não sabes, quando morrerás nem o que te sucederá depois da morte. Enquanto tens tempo, ajunta riquezas imortais. Só cuida da tua salvação, ocupa-te só nas coisas de Deus. Granjeia agora amigos, venerando os santos de Deus e imitando as suas obras, para que, ao saíres desta vida, te recebam nas eternas moradas (Lc 16,9).

Considera-te como hóspede e peregrino neste mundo, como se nada tivesses com os negócios da Terra. Conserva livre o teu coração, e erguido a Deus, porque não tens aqui morada permanente. Para lá dirige as tuas preces e gemidos, cada dia, com lágrimas, a fim de que mereça a tua alma, depois da morte, passar venturosamente ao Senhor.

Tomás de Kempis in «Imitação de Cristo».

25/10/2015

Solenidade de Cristo Rei


Velas que passam Tejo abaixo...
É vê-las todas orgulho e glória
Velas que passam Tejo abaixo...
Nelas vão sonhos de fazer futuro e história.

Velas que passam Tejo acima...
Além nasce a rosa do Sol que as ilumina.
Velas que passam Tejo acima...
Quem as faz andar pela manhã divina?

Talvez não seja o vento... Talvez não.
Basta a luz acordá-las, logo as velas
Abrem no céu enamorado, e vão
Como se houvesse um anjo à espera delas!

Talvez não seja o vento nem a luz.
Talvez não seja nada, senão isto:
O eterno apelo do Sinal da Cruz
Que é na terra o sinal de Jesus Cristo.

Mons. Francisco Moreira das Neves

22/10/2015

Monsenhor Lefebvre e o Barroco

Capela de São João Baptista (Lisboa)

Já na arte barroca da contra-reforma católica, o meu julgamento é bem diferente, especialmente nos países que resistiram ao Protestantismo: o barroco utilizará ainda anjinhos rechonchudos, mas esta arte de puro movimento e expressões às vezes patéticas é um canto de triunfo da Redenção, um canto de vitória do Catolicismo sobre o pessimismo de um Protestantismo frio e desesperado.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

18/10/2015

Visão de Portugal em 1799


Alguns autores medievalistas ou ligados à Hispanidade, costumam divulgar o erro de que Portugal depois dos Descobrimentos ter-se-ia tornado num reino decadente, governado pela maçonaria e corrompido tanto moral como politicamente. Essa ideia difamatória não tem qualquer correspondência na nossa História, uma vez que é precisamente no século XVIII que Portugal conhece o seu expoente máximo, no reinado de Dom João V. Além disso, todos os antigos historiadores são unânimes em dizer que a maçonaria só entrou em Portugal com as invasões napoleónicas, no século XIX. Contudo, ouvi hoje mais um disparate por parte de um castelhano. Disse o referido castelhano que Portugal no início do século XVIII era «o país mais secularizado do mundo». Absurdo completo! Vejamos, por exemplo, como o Marquês de Penalva descrevia Portugal dez anos depois da Revolução Francesa:
Neste dilúvio quase geral, como o primeiro, tem Portugal, graças a Deus, conservado pura a sua fidelidade Religiosa e Política; e o Céu tem-nos pago com usura; porque os géneros de primeira necessidade não nos têm faltado, as searas são abundantes, o flagelo da guerra ouve-se ao longe, e ricos comboios atravessam os mares com segurança, e vêm fazer Lisboa o Empório da Europa. Contudo não são para desprezar os riscos, que corre a mocidade indiscreta, e são temíveis os efeitos da lição de perniciosos escritores, que com engraçado estilo enganam leitores de pouca capacidade e mal educados.
Marquês de Penalva in «Dissertação a Favor da Monarquia», 1799.

16/10/2015

Consumismo: a nova religião da direita liberal


A direita não é hoje mais do que a esquerda no culminar da sua fase senil. A guerra ao sagrado, nunca finalizada pela esquerda, é mais eficazmente conduzida pela direita ocidentalista (...) com as bandeiras da liberdade e da democracia, duas ilusões que não têm sequer necessidade de alimentar utopias mas apenas de formal enunciação. Onde o materialismo científico falhou, o Pentágono triunfa, com o chapéu de ideias da direita liberal que impõe o modelo único do indivíduo constrangido a um único destino: o consumo. E a consumir-se a si.

Pietrangelo Buttafuoco in «Cabaret Voltaire: L'islam, il sacro, l'Occidente».

11/10/2015

Não há progresso sem verdade


Eu compreendo as dúvidas e hesitações. Vivemos um momento crítico da história do pensamento político e mais simplesmente um momento crítico da história do mundo. Tudo está em crise ou é sujeito a crítica (...). Os espíritos mais puros inquietam-se, perturbam-se, não sabem como orientar-se e repetem angustiadamente a pergunta de Pilatos ao próprio Cristo: "O que é a verdade?"
A dúvida em suas hesitações e desvairos não permite trabalho eficiente; o espírito humano precisa de aderir à verdade, precisa de certezas para se orientar e agir. Nenhum Estado pode existir sem basear-se nelas ou presumi-las definidas e aceites. (...). Independentemente do que transcende a ordem natural, a desapaixonada observação dos factos e a experiência dos povos, através da sua vida milenária, revelam-nos algumas dessas certezas. (...). A verdade é por essência imutável e a adesão do espírito à verdade, ou sejam as certezas do espírito, são essenciais ao progresso das sociedades humanas.

António de Oliveira Salazar, discurso de 28 de Maio de 1966.

07/10/2015

Portugal: quase mil anos de história


Não herdámos as canções do invasor,
herdámos a nossa voz para cantar a Pátria.
Não herdámos ouro para comprar a liberdade,
herdámos ferro para a defender!

Sangre Cavallum

04/10/2015

Não importa em quem votem, nada vai mudar


Curiosamente, Marxismo, Comunismo, e o seu derivado, o Socialismo, quando analisados anos mais tarde, na prática, não são nada mais do que capitalismo de estado e governo por uma minoria privilegiada, exercendo controlo total e despótico sobre uma maioria que fica virtualmente sem nenhum direito legal ou de propriedade. Isto explica porque os Rothschild estavam tão interessados em subsidiar estas ideologias, as quais poderiam evoluir para "democracia", um sistema de dois partidos no qual ambos são controlados pela mesma força, e embora eles possam lutar sobre matérias insignificantes, de modo a dar a impressão de se oporem um ao outro, na realidade eles seguem a mesma ideologia básica. É por isto que os habitantes das democracias cedo descobrem que não importa em quem votem, nada vai mudar.

Andrew Carrington Hitchcock in «The Synagogue of Satan».

01/10/2015

A Monarquia tradicional é absoluta


A Monarquia Portuguesa desde a sua instituição, quando o nosso primeiro Afonso foi aclamado, até os nossos dias, é uma prova de facto de tudo quanto tenho dito em favor desta casta de governo; e para que as provas ainda favoreçam mais a minha opinião, sucede que os nossos Reis são os mais legítimos e absolutos Senhores de seus Reinos. Espero que o meu Leitor suponha qual seja o sentido em que devem tomar-se estas palavras: a legitimidade dos nossos Soberanos consiste na justiça do seu domínio, e o seu absoluto poder, não quer dizer um poder despótico, que ofende a razão, e que eles mesmos recusariam, entende-se este absoluto poder pela extensão e independência da sua jurisdição verdadeiramente Real.

Marquês de Penalva in «Dissertação a Favor da Monarquia», 1799.

28/09/2015

Os cristãos estão impedidos de se defender?


A passagem muito citada "amai os vossos inimigos" (Mateus 5:44; Lucas 6:27) diz "diligite inimicos vestros" e não "diligite hostes vestros"; não é do inimigo político que se fala. Também no combate milenar entre a Cristandade e o Islão nunca um cristão chegou ao pensamento de que, por amor aos sarracenos ou aos turcos, se tinha de entregar a Europa ao Islão, em vez de defendê-la. Não é preciso odiar pessoalmente o inimigo em sentido político e só na esfera do privado faz sentido amar o seu "inimigo", isto é, o seu opositor. Aquela passagem bíblica toca tanto menos a contraposição política quanto mais quer destacar as contraposições entre bem e mal ou entre belo e feio. Sobretudo ela não quer dizer que se deve amar os inimigos do seu povo e apoiá-los contra o seu próprio povo.

Carl Schmitt in «O Conceito de Político», 1932.

26/09/2015

D. João V e as "praxes" académicas


Hoje têm o nome de "praxes", mas até ao século XVIII fala-se de "investidas". Os rituais destinados aos novatos da Universidade de Coimbra foram muitas vezes marcados por alguma dose de violência, várias vezes postos em causa e até proibidos. Em 1727, por exemplo, D. João V interditou totalmente qualquer "investida". Alegou o Rei que as actividades, apesar de serem muito antigas na universidade, se haviam tornado cada vez mais bárbaras. A morte de um estudante, no ano anterior, poderá ter sido a última gota. E o monarca deliberou: "É por bem, e mando que todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos".

23/09/2015

Por que razão o Ocidente não gosta de Bashar al-Assad?


Algumas das razões mais importantes:

1. Na Síria, a lei islâmica não tem liberdade judicial.
2. Na Síria, a religião cristã goza de liberdade pública.
3. Na Síria, o Estado é detentor da única empresa petrolífera.
4. Na Síria, o Banco Central controla todas as operações de câmbio e comércio externo.
5. A Síria não tem dívidas ao Fundo Monetário Internacional.
6. A Síria tem uma política externa anti-sionista.
7. A Síria faz parte do movimento não-alinhado.
8. A Síria tem boas relações políticas e económicas com a Rússia e o Irão.

E para terminar, peço-vos que vejam o vídeo que se segue:

18/09/2015

O que é a Nação?


Possivelmente para alguns, associação transitória ou permanente de interesses materiais, a Nação [Pátria] é para nós sobretudo uma entidade moral, que se formou através de séculos pelo trabalho e solidariedade de sucessivas gerações, ligadas por afinidades de sangue e de espírito, e a que nada repugna crer, esteja atribuída no plano providencial, uma missão específica no conjunto humano.
Só esse peso do sacrifício sem conta, da cooperação de esforços, da identidade de origem, só esse património colectivo, só essa comunhão espiritual, podem moralmente alicerçar o dever de servi-la e dar a vida por ela.

António de Oliveira Salazar in discurso «O Meu Depoimento», 7 de Janeiro de 1949.

16/09/2015

Um romance premonitório


Um dia, num futuro que não vem longe, uma estranha frota de velhos navios corroídos pelo tempo e pelo uso parte do golfo de Bengala e ruma em direcção à Europa. Traz a bordo um milhão de estropiados: os esfomeados dos "países subdesenvolvidos", que, cansados da miséria, resolvem bater às portas do paraíso do homem branco.
Como irá ele reagir à invasão pacífica dos que vêm buscar abrigo nas suas terras? Com a respiração suspensa, o mundo espera. Entretanto, ao longo de todas as fronteiras do hemisfério rico, outros milhões de homens – muitos – aguardam para se aventurarem também à conquista do paraíso...
Ficção científica? E talvez não, se tivermos presentes as previsões demográficas para o ano 2000...
É este o grave problema que Jean Raspail nos propõe neste romance grave. Um romance em que, através do trágico ou do burlesco das situações imaginadas, o autor assume uma posição que o leitor pode aceitar ou rejeitar. O problema, esse, talvez não possa ignorá-lo...

Sinopse do romance «Le Camp des Saints» de 1973.

14/09/2015

Socorro!


A Junta de Freguesia do Socorro, na Mouraria, tem cerca de 15 mil habitantes, 11 mil dos quais já são estrangeiros, revelou à Lusa o presidente da junta, Marcelino Figueiredo (PSD).
A população envelhecida da freguesia do Socorro, bairro histórico da capital, tem sido renovada com imigrantes estrangeiros «que diariamente solicitam os serviços da junta com o objectivo de regularizarem a sua situação em Portugal», afirmou o presidente.
Questionado sobre a evolução do número de estrangeiros que têm chegado à freguesia, o presidente da junta respondeu: «Não sei. O que sei é que todos os dias tenho mais processos de legalização para tratar».
«Ultimamente, a maior comunidade que tem chegado à freguesia é a do Bangladesh e as nacionalidades com maior expressão continuam a ser a chinesa, a indiana, a paquistanesa, e mais recentemente também, a ucraniana, macedónia, e de países africanos muçulmanos», revelou Marcelino Figueiredo.
O presidente da Junta salientou que «uns chamam os outros e são quase todos familiares e estabelecem-se como vendedores de brinquedos, produtos electrónicos e na restauração».
Nesta área existem dois centros comerciais ocupados na sua maioria por comerciantes asiáticos, com as tradicionais lojas chinesas até às lojas de electrónica.
Marcelino Figueiredo salientou ainda que «nesta altura, os católicos até já estão em minoria» e que «a comunidade muçulmana já abriu uma pequena mesquita na freguesia».

12/09/2015

A tolerância entre a virtude e o vício


O único fundamento lógico possível da tolerância, encontra-se na necessidade de permitir um mal para impedir outro maior que ele. Esta necessidade é uma exigência absoluta, não relativa ou condicionada, ainda que indubitavelmente se prefira algo que só de um modo relativo (em sentido ontológico, não na acepção gnoseológica) é admissível. O tolerável é sempre um mal (o bom não é tolerado, senão positivamente querido, amado) e um mal é tolerável unicamente na qualidade de mal menor, sendo esta qualidade um valor objectivo, isto é, absoluto ou em si.

Antonio Millán-Puelles in «Ética y Realismo».

02/09/2015

A Cavalaria: excertos


Quando os cavaleiros assistiam à Missa e chegava a leitura do Evangelho, em silêncio, eles desembainhavam as espadas e as mantinham nuas e erectas diante do rosto, enquanto durasse a leitura sagrada. Esta altiva atitude queria dizer: se for preciso defender o Evangelho, nós estamos aqui! Neste gesto estava todo o espírito da Cavalaria. (página 30)

Recebe esta espada, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, serve-te dela para a tua defesa, para a defesa da Santa Igreja de Deus e para a confusão dos inimigos da Cruz de Cristo. Vai e lembra-te que os santos não conquistaram os reinos pelo gládio, mas pela fé. (página 47)

Cavaleiros, não esqueçais que Deus vos fez para serdes a muralha da Igreja. (página 49)

Diante dos pobres é preciso que te humilhes, é preciso que te faças pequeno. Tu lhes deves ajuda e conselho. (página 53)

Oh Deus, Vós só permitis aqui na terra o uso da espada para combater a malícia dos maus e para defender a justiça. Fazei, pois, que o vosso cavaleiro jamais utilize do gládio para lesar injustamente quem quer que seja; mas que se sirva dele, para defender, aqui na terra, o que é justo e recto. (página 86)

Toma esta espada. Exerce com ela o vigor de justiça; abate com ela o poder da injustiça. Defende com ela a Igreja de Deus e seus fiéis. Dispersa com ela os inimigos de Cristo. O que está por terra, levanta-o. O que levantastes, conserva-o. O que é injusto aqui na terra, abate-o. O que é conforme a ordem, fortifica-o. É assim que, glorioso e altivo, unicamente pelo triunfo das virtudes, justitiae cultor egregius, chegarás ao Reino dos Céus, onde com Jesus Cristo, de que trazes a marca, reinarás eternamente. (página 304)

Léon Gautier in «La Chevalerie», 1884.

30/08/2015

Liberdade de ensino e relativismo


Guardemos pois estas palavras do Papa [Leão XIII na encíclica Libertas]: o poder civil não pode dar nas escolas chamadas públicas o direito de ensinar Marx e Freud, ou o que é pior, dar licença de ensinar que todas as opiniões e doutrinas têm igual valor, que nenhuma pode reivindicar a verdade para si, que todas devem tolerar-se mutuamente; isto constitui a pior das corrupções do espírito: o relativismo.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar».

27/08/2015

26/08/2015

A honra sobre o proveito

Depois da conquista de Ceuta de 1415, surgiram dúvidas sobre a manutenção da cidade...


Mas um dos conselheiros do Rei parece ter mantido a clareza de espírito quando disse: Eles antepõem as coisas proveitosas às honrosas! Senhor, se quereis largar a cidade, sois corsário e não rei!

21/08/2015

600 anos da tomada de Ceuta


Não sofre o peito forte, usado à guerra,
não ter amigo já a quem faça dano;
e assim não tendo a quem vencer na terra,
vai cometer as ondas do Oceano.
Este é o primeiro Rei que se desterra
da Pátria, por fazer que o Africano
conheça, pelas armas, quanto excede
a lei de Cristo à lei de Mafamede.

Luís Vaz de Camões in «Os Lusíadas».

18/08/2015

O erro fundamental dos dias de hoje


Incontestavelmente, o erro simultaneamente mais pernicioso e mais irredutível é aquele em virtude do qual não há e não pode haver, nem para os indivíduos, nem para as sociedades, verdades impostas, isto é, objectivamente existentes. Portanto, em direito e em facto, não há e não pode haver, nem verdade, nem erro. A consequência estritamente lógica é que não há, nem bem, nem mal, nem direito, nem justiça. Todos os direitos são atribuídos no mesmo título, ao erro e à verdade, ao bem e ao mal.

Pe. Philippe C.SS.R. in «Catecismo dos Direitos Divinos na Ordem Social».

16/08/2015

Dos "migrantes"


Desde a antiguidade, facto já assinalado por Aristóteles, Tucídides e Xenofonte, toda a nação que admite no seu seio a entrada desenfreada de alógenos [estrangeiros] está condenada à decadência, sendo que estes últimos substituem progressivamente os autóctones e tendem a persegui-los e a destruí-los culturalmente e/ou fisicamente. Esse processo está em marcha em inúmeras zonas da França.

Guillaume Faye in «Pourquoi nous combattons», 2001.

14/08/2015

Rosácea d'Aljubarrota


À vista do Mosteiro
da Batalha
– há conquista
que resista,
há lá guerreiro
que valha?!...

...Deixai, então, que vos fale
(– porque me dá cuidado
e por mais nada!)
d'aqueloutro Portugal
talhado à espada
– e condenado, afinal,
a não ser nada... –

...Sala d'aula do Além,
anfiteatro do Mar,
– que ninguém, que já ninguém
hoje vem
contemplar...

Rodrigo Emílio

12/08/2015

Contra o irrealismo utópico


Tradução: O maior desarranjo do espírito, é acreditar nas coisas porque nós queremos que elas sejam, e não porque as vimos que elas são realmente.

10/08/2015

Onde não há ódio à heresia, não há santidade


Se odiássemos o pecado como deveríamos odiá-lo; puramente, profundamente, valentemente, deveríamos fazer mais penitência, infligir em nós próprios maiores castigos, deveríamos chorar os nossos pecados mais abundantemente. Pois, então, a suprema deslealdade para com Deus é a heresia. É o pecado dos pecados, a mais repugnante das coisas que Deus desdenha neste mundo enfermo. No entanto, quão pouco entendemos da sua enorme odiosidade! É a poluição da verdade de Deus, o que é a pior de todas as impurezas.
Porém, quão pouca importância damos à heresia! Fitamo-la e permanecemos calmos... Tocamo-la e não trememos. Misturamos-nos com ela e não temos medo. Vemo-la tocar nas coisas sagradas e não temos nenhum sentido do sacrilégio. Inalamos o seu odor e não mostramos qualquer sinal de abominação ou de nojo. De entre nós, alguns simpatizam com ela e alguns até atenuam a sua culpa. Não amamos a Deus o suficiente para nos enraivecermos por causa da Sua glória. Não amamos os homens o suficiente para sermos caridosamente verdadeiros por causa das suas almas.
Tendo perdido o tacto, o paladar, a visão e todos os sentidos das coisas celestiais, somos capazes de morar no meio desta praga odiosa, imperturbavelmente tranquilos, reconciliados com a sua repulsividade, e não sem proferirmos declarações em que nos gabamos de uma admiração liberal, talvez até com uma demonstração solícita de simpatia tolerante [para com os seus promotores].
Porque estamos tão abaixo dos antigos santos, e até dos modernos apóstolos destes últimos tempos, na abundância das nossas conversões? Porque não temos a antiga firmeza! Falta-nos o velho espírito da Igreja, o velho génio eclesiástico. A nossa caridade não é sincera porque não é severa, e não é persuasiva porque não é sincera.
Falta-nos a devoção à verdade enquanto verdade, enquanto verdade de Deus. O nosso zelo pelas almas é fraco, porque não temos zelo pela honra de Deus. Agimos como se Deus ficasse lisonjeado pelas conversões, e não pelas almas trémulas, salvas por uma abundância de misericórdia.
Dizemos aos homens a metade da verdade, a metade que melhor convém à nossa própria pusilanimidade e aos seus próprios preconceitos. E, então, admiramo-nos que tão poucos se convertam e que, desses tão poucos, tantos apostatem.
Somos tão fracos a ponto de nos surpreendermos que a nossa meia-verdade não tenha tanto sucesso como a verdade completa de Deus.
Onde não há ódio à heresia, não há santidade.
Um homem, que poderia ser um apóstolo, torna-se uma úlcera na Igreja por falta de recta indignação.

Pe. Frederick William Faber in «The Precious Blood: The Price of Our Salvation», 1860.

06/08/2015

Bomba de Hiroshima e Fátima


6 de Agosto de 1945: Oito sacerdotes jesuítas que viviam a apenas alguns quarteirões do local da explosão sobreviveram milagrosamente à bomba atómica. Todos os que viviam num raio de 1,5 km morreram instantaneamente, e os que estavam fora do raio de alcance, morreram de radiação dias depois.

Os sacerdotes foram examinados mais de 200 vezes por cientistas, não encontrando nenhuma explicação natural para o facto. Mas cada vez que confrontados com perguntas, os sacerdotes repetiam: "Nós acreditamos que sobrevivemos porque vivíamos a Mensagem de Fátima".

Eis uma entrevista com um dos sacerdotes:

04/08/2015

A fidelidade católica de Portugal


Sobre o elogio do Bispo de Ampiano a Portugal, na festa de São Domingos de Gusmão, a 4 de Agosto de 1561:

Disse-me diante de todos que tinha para si que Portugal era o mais feliz dos Reinos do Mundo, desde os tempos de Noé, por quatro grandes proeminências de que nenhum outro reino cristão goza: I - Nunca apostatou da fé que recebeu; II - Nunca se afastou da obediência da Santa Sé Apostólica; III - Nenhum outro reino levou tão longe o nome de Cristo; IV - Nunca fez guerra agressiva senão contra infiéis.

D. Fr. Bartolomeu dos Mártires in «O Patriotismo de D. Frei Bartolomeu» de Fr. Raul de Almeida Rolo.