10/04/2016

Contra o hedonismo


Precisamos combater, cerradamente, na escola, no lar, na sociedade, este preconceito erróneo e funesto de que viver é gozar. Acima do prazer, está o código do dever; acima do gozo, está a dignidade da honra; acima das sensações de prazer, estão os imperativos de consciência recta; fora do hedonismo, estão o dever conjugal, o direito dos filhos, o interesse nacional. Lutemos contra mais este entorpecente social, que é o inimigo da família e da pátria.

Marechal Philippe Pétain, citado por Frei Mansueto in «Pio XII: o Pastor Angelicus».

06/04/2016

O ideal humano da superclasse mundial


Para o sistema dominante, o homem é concebido como uma matéria-prima (dito "recurso humano"). Ele deve, antes de tudo, ser permutável para as necessidades da oligarquia mercantil. Deve portanto ter quatro características negativas:

– Não ter raízes (nem raça, nem nação, nem religião);
– Não ter um ideal: deve ser um consumidor e um produtor materialista e relativista, disposto a engolir todos os produtos lançados no mercado (incluindo os produtos bancários permitindo endividá-lo e, portanto, submetê-lo melhor);
– Não ter religião para além da do seu próprio ego, para ser mais facilmente isolado e, portanto, manipulável;
– Não ter personalidade a fim de se fundir na massa (deve por isso ser educado de forma puramente técnica e utilitária, sem cultura que lhe permita situar-se como homem livre do sistema dominante).

Jean-Yves Le Gallou in «Les convergences paradoxales de l’extrême gauche et de la superclasse mondiale».

03/04/2016

Contra o mito do absolutismo


Voltando ao tema do absolutismo, tomemos o exemplo de França:

Como bem o mostraram os trabalhos de Fustel de Coulanges, o poder de Clóvis e de todos os seus sucessores, era de facto tão absoluto como o dos reis depois de Luís XIV. Este rei, na pessoa do qual se encarna o absolutismo, não destruiu em parte alguma os estados provinciais, os quais a monarquia costumava respeitar, quando tinham bastante vitalidade.
José Pequito Rebelo in jornal «Monarquia», Junho de 1917.

Tal como hoje em dia a esquerda acusa de "fascismo" qualquer oposição à sua direita, os liberais do século XVIII e XIX acusavam os reis de "absolutismo" como forma de os tornar odiosos aos olhos de todos, para assim melhor passar a sua mensagem revolucionária (maçónica, democrática, republicana). Foram portanto os liberais quem inventou a tese do "absolutismo", segundo a qual a monarquia do período barroco seria uma degeneração totalitária da monarquia medieval, que segundo eles era democrática. Mas como demonstrou Fustel de Coulanges, entre outros autores, não existia diferenças no poder real entre o período medieval e barroco. Fica assim mais uma vez desfeita a teoria segundo a qual estávamos perante dois tipos diferentes de monarquia. Pelo contrário, a natureza e as leias da monarquia sempre foram as mesmas, até que vieram os revolucionários e introduziram o veneno do constitucionalismo, usurpando a soberania do Rei. Contudo, o pior disto tudo é verificar que existem alguns monárquicos que se auto-intitulam como tradicionalistas, mas que seguem a mesma tese maçónica. Ora, com esses pseudo-tradicionalistas há que ter muita cautela, para que o seu erro não leve os incautos. Que ninguém se engane, numa monarquia católica, seja em França ou Portugal, sempre a soberania residiu no Rei, responsável pela governação, e cujo poder e legitimidade vinha de Deus, não do povo por meio das Cortes.

29/03/2016

Europa acorda!


A hora de hoje é confusionista e adversa. Reinam os miasmas e as várias formas de opressão. Nós somos um reduto de fiéis, uma simples minoria contra a avalanche dos bárbaros e dos guzanos, hábeis, diabólicos, aliciadores. Mas quando a dissolução e o paganismo dominavam o Império Romano (o mundo de então), a minoria cristã soube resistir e criar prosélitos e expandir-se; quando a heresia dos arianos tomou conta dos povos europeus, a minoria ortodoxamente católica resistiu e jugulou-a; quando a Península caiu, de lés-a-lés, nas mãos dos mouros, a minoria cristã, confinada a um migalho das Astúrias, resistiu e desencadeou dali a Reconquista.
Na História, nenhum estádio é definitivo, nenhuma provação é inultrapassável. Os ventos da História são pretensiosa invenção e grosseiro determinismo de quem nos quer desarmar. «O mundo só tem o sentido que nós lhe dermos», proclamou Schiller.
Lúcidos, fiéis, ardorosos, combativos – acabaremos por vencer.

Goulart Nogueira in jornal «Agora», 9 de Setembro 1967.

27/03/2016

Cristo foi imolado como nossa Páscoa


Que os cristãos soltem louvores
Ao seu Cordeiro Pascal,

Que resgatou as ovelhas:
Cristo Jesus, inocente,
Vem pôr em paz com seu Pai
As almas dos pecadores!

Um duelo singular
Travou a morte com a vida:
O Autor da vida morreu,
Mas reina agora imortal!

Podes dizer-nos, Maria,
O que viste no caminho?

– Vi o sepulcro de Cristo,
Já vivo e ressuscitado!

Vi testemunhas angélicas,
Mais o sudário e a mortalha!

Ele ressurgiu – minha esperança! –
E aguarda na Galileia.

Sabemos bem que Jesus
Já ressuscitou dos mortos:
Vós, ó Rei vitorioso,
Compadecei-Vos de nós! Ámen. Aleluia.

Sequência de Páscoa (século XI)

23/03/2016

A imigração massiva é efeito e não causa

Decadentes

É bem evidente que não resolveremos os problemas do Terceiro Mundo convidando as suas populações a vir em massa instalar-se nos países ocidentais! Ao mesmo tempo, temos que ter uma visão mais global dos problemas. Crer que é a imigração que atenta principalmente contra a identidade colectiva dos países de acolhimento é um erro. O que atenta contra as identidades colectivas é, em primeiro lugar, a forma de existência que prevalece hoje em dia nos países ocidentais e que ameaça estender-se progressivamente ao mundo inteiro. Os imigrantes não têm culpa que a maioria dos europeus já não seja capaz de dar ao mundo o exemplo de um modo de vida que lhes seja próprio! A imigração, deste ponto de vista, é uma consequência antes de ser uma causa: ela constitui um problema porque, face aos imigrantes que normalmente conservam as suas tradições, os ocidentais já decidiram renunciar às suas.

Alain de Benoist in «C'est-à-dire», 2006.

21/03/2016

Poema: Conta e Tempo


Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta,
Não quis, sobrando tempo, fazer conta,
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta
Chorarão, como eu, o não ter tempo...

Frei António das Chagas (século XVII)

19/03/2016

As monarquias modernas

Constitucionalistas pseudo-monárquicos.

Dizem-se constitucionais as monarquias hodiernas. Porque comportam consigo um princípio contrário à sua índole, terminam sempre numa balbúrdia inglória da rua, depois da insignificância de meia dúzia de tiros. É que o poder sobe-lhes de baixo para cima, derivado dessa heresia social e religiosa que é a concepção materialista da soberania do povo. São por isso a negação da verdadeira Realeza, que depõe na fé e na legitimidade do direito a inspiração segura do seu carácter providencial.

António Sardinha in «Ao Ritmo da Ampulheta».

16/03/2016

Não precisamos de pragmáticos


Surgiu no nosso tempo uma moda muito peculiar: a ideia de que, quando as coisas estão a correr muito mal, do que nós precisamos é de um homem pragmático. Ora, é bastante mais correcto afirmar que, quando as coisas estão a correr muito mal, do que nós precisamos é de um homem que não seja pragmático; precisamos, pelo menos, de um teórico. Um homem pragmático é um homem que só conhece a prática do dia-a-dia, o modo como as coisas habitualmente funcionam. Quando as coisas não funcionam, temos de recorrer ao pensador, ao homem que tem algum conhecimento da razão pela qual elas funcionam. É má ideia tocar harpa enquanto Roma está a arder; mas é uma excelente ideia estudar hidráulica enquanto Roma está a arder.

G. K. Chesterton in «Disparates do Mundo».

13/03/2016

Todos têm opinião sobre tudo


Hoje, pelo contrário, o homem médio tem as "ideias" mais taxativas sobre quanto acontece e deve acontecer no universo. Por isso perdeu o uso da audição. Para quê ouvir, se já tem dentro de si o que necessita? Já não é época de ouvir, mas, pelo contrário, de julgar, de sentenciar, de decidir. Não há questão da vida pública em que não intervenha, cego e surdo como é, impondo a sua "opinião".
Mas não é isto uma vantagem? Não representa um progresso enorme que as massas tenham "ideias", quer dizer, que sejam cultas? De maneira nenhuma. As "ideias" deste homem médio não são autenticamente ideias, nem a sua posse é cultura. A ideia é um xeque-mate à verdade. Quem queira ter ideias necessita antes de dispor-se a querer a verdade, e aceitar as regras do jogo que ela imponha. Não vale falar de ideias ou opiniões onde não se admite uma instância que as regula, uma série de normas às quais na discussão cabe apelar. Estas normas são os princípios da cultura.

José Ortega y Gasset in «A Rebelião das Massas».

11/03/2016

Poema para sexta-feira de Quaresma


Se sois Riqueza, como estais despido?
Se Omnipotente, como desprezado?
Se Rei, como de espinhos coroado?
Se Forte, como estais enfraquecido?

Se Luz, como a luz tendes perdida?
Se Sol Divino, como eclipsado?
Se Verbo, como é que estais calado?
Se Vida, como estais amortecido?

Se Deus, como estais como homem nessa Cruz?
Se Homem, como dais a um ladrão,
Com tão grande poder, posse dos Céus?

Ah, que sois Deus e Homem, bom Jesus!
Morrendo por Adão enquanto Adão,
E redimindo Adão enquanto Deus.

Frei António das Chagas (século XVII)

08/03/2016

Como homossexuais entraram para os seminários


As dioceses têm que ter cuidado para rejeitar aqueles que demonstram tendências para as perversões sexuais. As evidências, contudo, mostram que muitos dos psicólogos contratados para fazer a selecção [dos seminaristas] para a diocese, recusam-se a recomendar homens que se atenham ao Magistério da Igreja em matérias sexuais, especialmente em relação ao celibato do sacerdócio e à homossexualidade. Tais candidatos são chamados de sexualmente imaturos ou sexualmente disfuncionais. Assim, aqueles que abraçam o celibato sacerdotal como proposto pela Igreja e que dão evidências que não aceitam relações homossexuais como normais e aceitáveis do ponto de vista comportamental, são tratados como os que mostram sinais de perversões sexuais.

Michael S. Rose in «Goodbye, Good Men», 2002.

05/03/2016

"Fascismo" em todo o lado


Por razões de estratégia política, o marxismo militante divulgou a tese que confundia todos os movimentos políticos ou atitudes de direita, que a ele se opusessem, debaixo da mesma designação – Fascismo – até porque esta ideologia fora estrondosamente derrotada na II Guerra Mundial pelos aliados, gerando assim uma reacção primária contra os visados. Se bem que se possa entender tal atitude numa perspectiva de combate político, ela é inaceitável do ponto de vista histórico e politológico. A ciência existe para distinguir e classificar e não para baralhar e confundir.

António de Sousa Lara in «Da História das Ideias Políticas à Teoria das Ideologias».

03/03/2016

Da abdicação do papel de Pai


Arriscar-me-ia a dizer que há uma correlação directa entre um pai dominante e as animosidades dos filhos. É claro que a dominação não necessita ser brutal. Na família da minha mulher eram cinco crianças e nunca houve rivalidades odientas. O pai era um animal alfa – imbatível e incontestável chefe. Os seus avisos eram do mais moderado que se pode imaginar: "Estou realmente surpreendido que tenhas podido fazer isso". E era terrível. A hostilidade que se vê hoje entre irmãos é um fenómeno novo, particularmente observável nos Estados Unidos.

Konrad Lorenz, entrevista in «Etologia - Colectivo Nova Geração».

28/02/2016

Os actores principais da História


Tradução: «Sem os chefes, sem os santos, sem os heróis, sem os reis, a História é ininteligível.»

26/02/2016

Porque se desenvolveu a ciência no Ocidente?


A ciência desenvolveu-se no mundo ocidental por três razões:
1. Porque a natureza se desviou da significação mitológica, tal como existe no Oriente, onde se mistura o animismo com o politeísmo e o panteísmo. E a ciência só pode desenvolver-se apenas quando a Natureza é estudada como Natureza.
2. Porque o pensamento ocidental aplica à Natureza dois princípios básicos da razão: a causalidade e a uniformidade. Estas constituem a base de toda a ciência.
3. O Cristianismo, acentuando a disciplina, a razão e o valor da Natureza, como tal, tornou-se a rocha em que a ciência empírica se fundamenta. A ciência nasceu e pode desenvolver-se apenas numa civilização cristã. O Oriente, sem este fundamento, nunca se tornará científico. O pensamento oriental dá pouca importância à causalidade e está muito mais relacionado com a sensação, as emoções, a consciência e a inconsciência [exemplo: Budismo e Hinduísmo], em que tudo principia a aglutinar-se e a fundir-se numa unidade.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar».

25/02/2016

B'nai B'rith e o Vaticano II


Vocês sabem, e é um facto histórico publicado na ocasião pelos jornais de Nova Iorque, que o Cardeal Bea, na véspera do Concílio, foi visitar os B'nai B'rith, os "filhos da Aliança", uma seita maçónica reservada aos judeus de grande influência no mundo. Na qualidade de secretário do Secretariado para a Unidade dos Cristãos, fundado por João XXIII, ele perguntou-lhes: – Maçons, o que vós quereis? Eles responderam-lhe: – A liberdade religiosa, proclamem a liberdade religiosa e cessarão as hostilidades entre a Maçonaria e a Igreja Católica! E eles ganharam a liberdade religiosa; ela é pois uma vitória [judaico-]maçónica!

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar».

21/02/2016

Marxismo e Ateísmo


Marx não foi primeiro um comunista e depois um ateísta. Foi primeiro um ateísta e depois um comunista. O comunismo era uma mera expressão do seu ateísmo. Assim como odiava Deus, odiava também aqueles que possuíam propriedades. Eis o que ele escreveu: "O que o Ateísmo é para o pensamento, o Comunismo é-o para a acção social". A sua relação intrínseca explica-se deste modo: "O Comunismo principia onde principia o Ateísmo". Quando uma pessoa é desenraizada espiritualmente pelo ateísmo, fica preparada para economicamente ser desenraizada pela destruição da propriedade privada. O comunismo não nasceu do pensamento: nasceu do ódio, o ódio pelo que o homem é, um filho de Deus; e o ódio pelo que o homem possui, em especial a propriedade, garantia da sua liberdade económica. Fundi estes dois ódios e fazei com eles uma teoria, e aí tereis a filosofia comunista.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar».

18/02/2016

O Rei como Pai da Nação


Sendo a Nação, no seu melhor conceito, uma família extensa e permanente, na impossibilidade de a manter sob o governo do mesmo chefe, recorre-se ao benefício da hereditariedade para que o poder não sofra interrupção. Por isso o Rei representa tanto a Nação, como cada um de nós os seus antepassados. Ninguém escolhe o Rei, como ninguém escolhe o próprio Pai para lhe obedecer.

Adaptado de «Cartilha Monárquica», 1916.

14/02/2016

Quem está a mais?


A resposta para quem fala em excesso de população, é perguntar se essa pessoa faz parte do excesso de população; e se não faz parte, como é que sabe disso?

G. K. Chesterton in «Introduction to a Christmas Carol».

11/02/2016

Detalhes sobre Humberto Delgado

O (des)governo da República decidiu atribuir ao Aeroporto de Lisboa o nome do General Humberto Delgado, militar conhecido por ter traído e feito oposição ao Estado Novo, tornado herói pelos democratas de Abril.
Sobre a traição propriamente dita, nada direi de momento. Retomo apenas dois panfletos das eleições de 1958, que dão conta da baixa moral do General sem medo.


08/02/2016

A tirania do politicamente correcto


3ª Tese: A ideologia politicamente correcta não é apenas dominante, tornou-se também a única ideologia.
Diz-se que "o maior truque do Diabo é fazer crer que não existe". A força da ideologia politicamente correcta consiste em ter imposto a ideia que os debates ideológicos estavam ultrapassados. Mas como observou oportunamente Dominique Venner em "O Século de 1914", não vivemos numa sociedade a-ideológica, mas numa sociedade saturada de ideologia, de uma ideologia única [e falsa].
É por isso que não há mais debate ideológico nos grandes meios de comunicação social, já que os únicos que podem exprimir-se – incluindo nas páginas de "opinião" dos jornais – são aqueles que respeitam os cânones da [falsa] ideologia única.

Jean-Yves Le Gallou in «Douze thèses pour un gramscisme technologique», 2008.

05/02/2016

A inversão do espírito missionário católico


É também este falso pensamento que foi sugerido aos missionários: inicialmente não falem de Jesus Cristo a estes pobres indígenas que morrem de fome! Dai primeiro de comer, depois ferramentas, depois ensinai a trabalhar, o alfabeto, a higiene... e, porque não, o controlo de natalidade?! Mas não falem em Deus, pois eles têm o estômago vazio! Eu porém diria: precisamente porque são pobres e desprovidos de bens terrenos, eles são extraordinariamente acessíveis ao Reino dos Céus, a este "procurai primeiro o Reino dos Céus", ao Deus que os ama e sofreu por eles, para que eles participem por suas misérias, do Seu sofrimento Redentor. Se, ao contrário, vocês pretendem pôr-se no nível deles, farão eles gritar contra a injustiça e acender neles o ódio. Mas se levam Deus até eles, os levantarão, os elevarão, e eles serão verdadeiramente enriquecidos.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

02/02/2016

Os tíbios


Por cobardia ou por estupidez, levam a cabo a política dos nossos inimigos. É o inimigo que os define. E eles permitem-no. Conformam-se à imagem desenhada pelo inimigo. Acusam-nos de etnicismo, e eles desculpam-se. Acusam-nos de xenofobia, de racismo, de anti-semitismo, e eles desculpam-se. Passam a vida a desculpar-se, quais colonizados. A desculpar-se de pensar, de existir, de ser.

Pierre Falardeau in jornal «Le Québécois», Novembro de 2001.

30/01/2016

O que é o Liberalismo?


O que é o Liberalismo? Na ordem das ideias é um conjunto de ideias falsas; na ordem dos factos é um conjunto de factos criminosos, consequência prática daquelas ideias.
Na ordem das ideias o Liberalismo é o conjunto do que chamam princípios liberais com as consequências lógicas que deles se derivam. Princípios liberais são: a absoluta soberania do indivíduo com inteira independência de Deus e da sua autoridade; soberania da sociedade com absoluta independência do que não provenha dela mesma; soberania nacional, isto é, o direito do povo para legislar e governar-se com absoluta independência de todo o critério que não seja o da sua própria vontade expressa primeiro pelo sufrágio e depois pela maioria parlamentar; liberdade de pensamento sem limitação alguma em política, em moral ou em religião; liberdade de imprensa, igualmente absoluta ou insuficientemente limitada; liberdade de associação com igual latitude. Estes são os chamados princípios liberais no seu mais cru radicalismo.
O fundo comum de todos eles é o racionalismo individual, ou racionalismo político, e o racionalismo social. Derivam-se deles a liberdade de cultos mais ou menos limitada; a supremacia do Estado em suas relações com a Igreja; o ensino laico ou independente sem nenhum laço com a religião; o matrimónio legalizado e sancionado pela intervenção exclusiva do Estado; a sua última palavra, a que abarca tudo e tudo sintetiza, é a palavra secularização, quer dizer, a não intervenção da religião em nenhum acto de vida pública, verdadeiro ateísmo social, que é a última consequência do Liberalismo.
Na ordem dos factos o Liberalismo é um conjunto de obras inspiradas por aqueles princípios e reguladas por eles. Como, por exemplo, as leis de desamortização, a expulsão das ordens religiosas; os atentados de todo o género oficiais e extra-oficiais, contra a liberdade da Igreja; a corrupção e o erro publicamente autorizado na tribuna, na imprensa, nas diversões, nos costumes; a guerra sistemática ao catolicismo, que apodam com os nomes de clericalismo, teocracia, ultramontanismo, etc.
É impossível enumerar e classificar os factos que constituem o proceder prático liberal, pois compreendem desde o ministro e o diplomata, que legislam ou intrigam, até ao demagogo, que perora no clube ou assassina na rua; desde o tratado internacional ou a guerra iníqua que usurpa ao Papa e o seu principado temporal, até a mão cobiçosa que rouba o dote da religiosa, ou se apodera da lâmpada do altar; desde o livro profundo e sabichão que se dá como texto na Universidade ou no instituto, até à vil caricatura que regozija os frequentadores de taberna. O Liberalismo prático é um mundo completo de máximas, modas, artes, literatura, diplomacia, leis, maquinações e atropelamentos completamente seus. É o mundo de Lúcifer, hoje disfarçado com aquele nome, e em radical oposição e luta com a sociedade dos filhos de Deus, que é a Igreja de Jesus Cristo.
Eis aqui, pois, retratado, como doutrina e como prática, o Liberalismo.

D. Félix Sardá y Salvani in «O Liberalismo é pecado».

27/01/2016

Homossexualismo não é norma, é desvio


Transcrição das legendas:
Eles não dizem que os gays perdem a vida 20-30 anos antes das pessoas normais. Eles ocupam-se activamente com a propaganda do seu estilo de vida. Aumentam as suas fileiras às custas de adolescentes ingénuos. Eles não falam sobre a velhice solitária dos gays. Ninguém precisa de um gay envelhecido. Eles falam de "liberdade", mas retiram das nossas crianças a liberdade de escolha, igualando a perversão à norma! Tolerância, liberdade... como nos falam dessas palavras! Mas onde estão os limites da liberdade? Dizem-nos que os pais podem ser do mesmo sexo. E se as pessoas preferem o sexo homossexual, porque não deixar que adoptem crianças? Eles também são pessoas, e isso não importa para as crianças.
E o que dizem os cientistas? O professor da Universidade do Texas, Mark Regnerus, iniciou as suas pesquisas ainda em 2010. E estes são os resultados: Uma em cada quatro crianças criadas por homossexuais tendem ao suicídio, doenças venéreas, e 60% enfrentam dificuldades na identificação da sua preferência sexual. Além disso, uma em cada três crianças criadas por duplas homossexuais foram sexualmente aliciadas. E é exactamente por isso que os gays querem que as crianças aceitem casais homossexuais. Eles precisam de crianças para saciar a sua sede! Estas são as estatísticas: 50% dos pedófilos são gays. Nos EUA, existe a associação de luta NAMBLA, ela milita a favor da legalização da pedofilia. Nesse país, os gays, como no resto do mundo, são 3%, mas eles cometem 30% dos crimes contra as crianças.
Na opinião dos cientistas, a região do cérebro responsável pela orientação sexual pode ser curada mais facilmente do que a responsável pelo alcoolismo. Mas eles não querem ser curados! Eles mentem ao dizer que são incuráveis. Eles mentem ao dizer que são normais! Pense bem sobre como eles estão em toda a parte nos média e nas profissões públicas. Tão grande que é a sua influência! Eles dizem que violam os seus direitos, mas essas são algumas publicações que propagandeiam o homossexualismo mensalmente. A primeira foi a revista Bolshoi Gorod, que anunciava uma "semana gay" nas suas páginas. A revista AFISHA trouxe até uma capa com a bandeira da comunidade gay. Trinta gays de Moscovo falam sobre como isso é importante e está na moda! A revista New Times chama uma vida pervertida entre homens de "amor".
Aqui mais alguns dados: Os gays representam quase 50% dos infectados com HIV. A probabilidade dos gays contraírem HIV é 4500 vezes superior às pessoas normais.
Antes de cantar a velha canção de que a tolerância à perversão é a nova moda, pense duas vezes. Você quer que o seu filho caia sobre a influência deles? Você quer que o nosso mundo se torne "tão civilizado" que pare de se reproduzir? O homossexualismo exalta a sua marcha, fazendo dela um sentido de vida. Aquilo que a natureza nos deu para continuar a espécie, agora apenas estimula fantasias de pervertidos? Estes valores coroarão a nossa civilização? Pense bem, enquanto não é tarde! Homossexualismo não é norma, é desvio!

25/01/2016

A República tem um novo Presidente (Parte 2)


O novo Presidente da República prova que também domina a arte de passar a ferro.
Está visto que é o homem certo, para o lugar certo!

21/01/2016

Pecado contra a verdade

Destruição de Sodoma.

A comunidade ou a nação que peca contra a verdade, que perde a reverência pela verdade e o ódio pela mentira, está perdida. Abandonada pela mão de Deus. E que maior castigo que este... A Verdade não pode impor-se por si mesma pela força. Se não a aceitam, retira-se. Temei a Verdade que se retira!

Pe. Leonardo Castellani in «San Agustín y Nosotros».

18/01/2016

A tirania ideológica das elites dominantes


2ª Tese: Os meios de influência são utilizados pelas elites dominantes para impor uma ideologia de ruptura com as tradições do passado.
No início do século XX, foram vários os autores que se inquietaram com a Rebelião das Massas (Ortega y Gasset). No entanto, é à Rebelião das Elites que assistimos nos últimos quarenta anos. Para Christopher Lasch, são as elites económicas, mediáticas e políticas, que impõem aos povos uma ideologia de ruptura com o passado.
Para nós, a "tirania mediática" impõe um cárcere de ideologia dominante assente em quatro dogmas:
– Os benefícios da mundialização;
– A ruptura com a tradição;
– A Esquerda apresentada como ontologicamente superior à Direita;
– O anti-racismo e a culpabilização dos povos.

Jean-Yves Le Gallou in «Douze thèses pour un gramscisme technologique», 2008.

§

Aos "dogmas" enunciados por Le Gallou, estão subjacentes alguns falsos princípios, que são:
– A igualdade universal;
– O relativismo ético-moral;
– O progresso indefinido;
– A religião (sobretudo a católica) como sinónimo de superstição anacrónica.

15/01/2016

Suécia: a nova utopia marxista


Sublinho a informação de que, segundo um relatório da ONU, a Suécia será um país de terceiro mundo dentro de 15 anos, caso mantenha o mesmo modelo político-social.

12/01/2016

Um só Deus, uma só Fé, uma só Igreja


Assim como há um só Deus, um só Cristo e um só Espírito Santo, assim também há uma só verdade divinamente revelada; uma só fé divina que é o princípio da salvação do Homem e o fundamento de toda a justificação, a fé pela qual o justo vive e sem a qual é impossível agradar a Deus e chegar à comunhão de Seus filhos. Há uma só Igreja, una, verdadeira, santa e católica, que é a Igreja Apostólica Romana. Há uma só cátedra fundada sobre Pedro pela palavra do Senhor, fora da qual não podemos encontrar nem a verdadeira fé, nem a salvação eterna. Todo aquele que não tiver a Igreja como mãe não pode ter a Deus como pai, e quem quer que abandone a cátedra de Pedro sobre a qual a Igreja foi fundada, confia falsamente que está na Igreja de Cristo. Na verdade, não pode haver crime maior e mancha mais repugnante do que se opor a Cristo, do que dividir a Igreja gerada e comprada pelo Seu Sangue, do que esquecer o amor evangélico e combater com o furor da discórdia hostil, a harmonia do povo de Deus.

Papa Pio IX in «Singulari Quidem», 1856.

§

Com base na autoridade da Tradição e na autoridade do Magistério infalível da Igreja, digo convictamente que este vídeo promocional é herético.

10/01/2016

Solenidade da Sagrada Família


A Casa de Nazaré

Casinha branca, asseada,
Ó casa de Nazaré,
Louvada sejas, louvada,
Por quem no Lar tenha fé.

Era a família sagrada,
Jesus, Maria e José.
A nossa casa, coitada,
Já foi o que hoje não é.

Tu, na costura, entretida,
Eu trabalhando na vida,
E ele entre mimos ao pé...

Sem ser a tanto elevada,
Lembrava a nossa morada,
A casa da Nazaré.

António Sardinha

07/01/2016

Capitalismo e Comunismo


Tanto na vida individual, como na colectiva, o factor económico é hoje o mais importante, real e decisivo. Uma era económica é fundamentalmente anárquica e anti-hierárquica, representa uma subversão da ordem natural. Este carácter subversivo está presente tanto no marxismo como no seu aparente antagonista: o capitalismo moderno. O maior absurdo é aqueles que hoje dizem representar uma direita política permanecerem no círculo escuro e nebuloso desenhado pelo demoníaco poder da economia – um círculo habitado tanto pelo marxismo como pelo capitalismo, juntamente com uma série de fases intermédias. Hoje, aqueles que se alinham contra as forças da esquerda deveriam insistir nisto. Não há nada mais evidente do que o facto de o capitalismo ser tão subversivo quanto o marxismo. A visão materialista da vida, que é a base dos dois sistemas, é idêntica.

Julius Evola in «Men Among the Ruins».

§

Atenção: Este autor e esta obra não são inteiramente recomendáveis. A passagem aqui citada é divulgada apenas pela informação verídica que contém.

04/01/2016

Da tirania mediática


1ª Tese: Os instrumentos utilizados para influenciar a opinião nunca foram tão potentes.
Primeiro, porque o tempo passado em frente à televisão representa hoje em França quase 20% da vida dos nossos compatriotas (40% do tempo total em transportes e trabalho), e os produtores televisivos servem-se da informação para fazer passar as suas opiniões, e do entretenimento para promover os seus valores (ou anti-valores).
Em seguida, porque o capital consagrado à comunicação e à publicidade nunca foi tão importante, representando actualmente uma percentagem importante do produto interno bruto (PIB). Ora, tanto a publicidade como a comunicação social não se limitam a promover os seus produtos comerciais ou políticos, eles veiculam também as imagens e os valores. Televisão, publicidade e comunicação são de resto mais eficazes para influenciar opinião porque agem através da emoção em vez da razão.
Por último, para completar o dispositivo do suave totalitarismo, a escola e a empresa são também mobilizadas ao serviço do conformismo dominante.

Jean-Yves Le Gallou in «Douze thèses pour un gramscisme technologique», 2008.

31/12/2015

O que fazer?


Finalmente, refiramo-nos ao facto de que o mundo mudou dramaticamente nos últimos dez anos. A velha União Soviética está aparentemente morta; a Eutanásia, o desejo de matar os velhos por lei, aproxima-se da vitória em vários parlamentos nacionais europeus; a SIDA faz tombar pervertidos por todo o mundo, a vingança de uma Ordem Moral ridicularizada e ignorada durante demasiado tempo; o movimento New Age tenta preencher um vácuo espiritual mundial com uma filosofia de vida da treta, que não é mais do que Bruxaria e Satanismo travestidos como um novo e atractivo Modo-de-Vida. Sim, o mundo mudou, e continuará a mudar para pior. Cada dia se torna mais inaceitável, mais insuportável.
(...) A Verdade e os Valores Correctos não estão apenas a desaparecer de vista, mas começam a tornar-se incompreensíveis para um número cada vez maior de pessoas: consequência inevitável de um mundo mergulhado no veneno do Liberalismo de todos os tipos. (...)
Confrontado por todos os lados com injustiça e exploração, o homem comum rezinga: "O que posso eu fazer?". A resposta é assustadoramente simples: LUTAR, LUTAR e LUTAR OUTRA VEZ! Acaba com a baixeza e a cobardia que caracteriza a nossa época. Desfralda os estandartes da Verdade, Heroísmo e Sacrifício. Tornem-se os Guerreiros e Santos que outrora tornaram esta terra digna de amor e respeito. Vive a tua vida para que outros possam viver, e vive [heroicamente]. Lança a Guerra Santa que limpa a alma, purifica a mente e expulsa para sempre os traidores e cobardes do nosso seio! Luta com coragem, determinação granítica e um coração alegre até à Vitória Final!

Derek Holland in Novo Prefácio a «O Soldado Político», 1994.

28/12/2015

TV: arma de estupidificação em massa


Ver televisão é a actividade de lazer (ou melhor, não-actividade) preferida de milhões de pessoas em todo o mundo. O americano médio, aos sessenta anos, passou quinze anos em frente a um ecrã de televisão. Passa-se o mesmo em muitos outros países.
Muitas pessoas acham que ver televisão é "relaxante". Observe de perto e perceberá que quanto mais tempo o ecrã for o centro da sua atenção, mais a sua actividade mental se torna suspensa, e nos longos períodos em que está a ver um talk-show, um concurso, uma comédia, ou até publicidade, não há qualquer pensamento gerado na sua mente. Não apenas não se lembra mais dos seus problemas, como se torna temporariamente livre de si mesmo – o que poderá ser mais relaxante que isso?
Ver televisão cria um espaço interior? Torna-o presente? Infelizmente, não. Apesar de, por longos períodos a sua mente possa não gerar qualquer pensamento, está ligada ao show televisivo. A sua mente está inactiva apenas no sentido em que não produz pensamentos. Continua, no entanto, a absorver continuamente pensamentos e imagens que atravessam o ecrã de televisão. Isto induz a uma espécie de transe, um estado passivo de alta susceptibilidade, não muito diferente da hipnose. Por isso, a televisão está ligada à manipulação da "opinião pública". Políticos e grupos de interesse, assim como publicitários, sabem-no e, por isso, pagam milhões de dólares para apanhar o espectador nesse estado de receptividade descuidada. Eles querem que os seus pensamentos se tornem os pensamentos do espectador, e normalmente conseguem.

Eckhart Tolle in «A New Earth».

26/12/2015

O Natal é uma festa pagã?


Alguns ateus, neo-pagãos, ou simplesmente anti-cristãos, gostam de dizer que o Natal (nascimento de Jesus Cristo) é uma usurpação da antiga festa romana pagã do Sol Invicto. Nada mais errado. Pelo contrário, a festividade do Sol Invicto foi introduzida e oficializada pelo imperador Aureliano no século III depois de Cristo, como forma de combater a rápida ascensão do Cristianismo no seio do Império Romano. A 'New Catholic Encyclopedia' de 1967 diz: "A 25 de Dezembro de 274, Aureliano mandou proclamar o deus-sol como o principal padroeiro do Império e dedicou um templo a ele no Campo de Marte". Desde essa data, Júpiter deixou de ser o maior e principal "deus" do Panteão Romano. Este imperador também se auto-proclamou como pessoa divina, mudando assim o costume romano que só reconhecia a "divindade" dos imperadores após a sua morte. O culto do Sol permaneceu como religião oficial até ao imperador Constantino.

Em relação a Jesus Cristo, e para aqueles que duvidam da Sua existência histórica, relembro que o historiador romano Tácito escreveu sobre a condenação e crucificação de Jesus nos Anais do século I. Já sobre as datas relacionadas com o Seu nascimento, morte e ressurreição, recomendo a leitura do seguinte texto: Datas da Concepção, Nascimento, Morte e Ressurreição de Cristo.

24/12/2015

Adeste Fideles


Vinde fiéis e acorrei,
Alegres e jubilosos;
Vinde todos a Belém!
Porque este recém-nascido
É o grande Rei dos Anjos:
Vinde todos adorá-lO. (3x)

Abandonando os rebanhos,
Encaminham-se ao presépio,
Os pastores deslumbrados!
Também nós, por nossa vez,
Corramos todos vibrantes:
Vinde todos adorá-lO. (3x)

Ali veremos oculto,
Sob o véu da carne humana,
O eterno esplendor do Pai!
Ao Deus, que Se fez menino,
Envolto em pobres paninhos,
Vinde todos adorá-lO. (3x)

A Quem por nós Se fez pobre,
E jaz em palhas deitado,
Abracemos e aqueçamos
Ao calor dos nossos beijos!
Como ficar sem amar
Àquele que tanto nos ama?
Vinde todos adorá-lO. (3x)

22/12/2015

Das alterações na oração do Pai Nosso


O Pai Nosso é a oração que o próprio Cristo nos ensinou. A sua formulação "a qual aprendemos desde pequenos" está avalizada pela tradição da Igreja, e o seu uso perde-se nos séculos e gerações. Talvez nada se deve considerar mais intangível.
Apesar disso, a Igreja do aggiornamento, que alterou substancialmente o rito da Missa, não podia deixar de pôr a sua marca na nossa oração mas íntima e entranhada, nas palavras do mesmo Cristo. Já temos um Pai Nosso conciliar e aggiornato...
Trata-se, ao que parece, de um texto novo, idealizado sob o desígnio da mudança pela mudança, e sabe Deus se com outros desígnios. Vamos ao próprio conteúdo do novo texto.
Substituiu-se nele a petição do perdão de "nossas dívidas" pelo de "nossas ofensas". Mas, dívida e ofensa são o mesmo?
Posso ter dívidas com outro (de gratidão, de apoio, de caridade) e não lhe ter ofendido nunca. Inversamente, alguém pode ser nosso devedor e não nos ter ofendido jamais. O que ofende (causa dano, injuria) contrai, certamente, uma dívida com o ofendido (a de repará-lo), mas nem toda a dívida contém ofensa. A oração do Pai Nosso é de uma tal perfeição, sendo de origem divina, que não se pode alterar uma letra sem prejudicá-la.
Facilmente se compreende o objectivo progressista, se se considera que com a nova formulação, a Virgem Maria não teria podido rezar a oração que o seu Divino Filho ensinou aos homens. Porque a Virgem tinha, certamente, grandes dívidas para com Deus (tê-La criado, tê-La escolhido entre todas as mulheres, tê-La preservado do pecado original, etc), mas jamais cometeu ofensa alguma contra Deus.
Ensinemos, pois, a nossos filhos a oração que aprendemos de nossa mãe, e que Ele mesmo nos ensinou.

Rafael Gambra Ciudad in revista «Roca Viva», Janeiro de 1994.

§

Recebi a confirmação de que o Pai Nosso foi alterado em 1941, sob o papado de Pio XII. Mas não é de admirar que estas alterações sejam anteriores ao Concílio Vaticano II, pois o veneno liberal-modernista foi introduzido em doses menores bem antes da década de 1960. Relembro, por exemplo, o que disse Mons. Lefebvre: 1926 marca na França uma etapa decisiva na "ocupação" da Igreja pela facção católico-liberal.

19/12/2015

Não acredite em relativistas


Tradução: Um escritor que diz que não existem verdades, ou que toda a verdade é "meramente relativa", está a pedir para não acreditar nele. Então, não acredite.

16/12/2015

O declínio da autoridade


Se é certo que o Mundo perdeu o respeito da autoridade, isso se deve ao facto de o ter perdido, primeiro, na família. Por um singular paradoxo, à medida que o lar ia perdendo a sua autoridade, a autoridade do Estado ia-se, por sua vez, tornando tirânica. Muitos são, hoje, os homens que tendem a inchar, sem conta, peso, nem medida, a sua personalidade.

Mons. Fulton Sheen in «O Primeiro Amor do Mundo».

14/12/2015

Intolerância


A intolerância não é estupidez ou fúria cega. Não é mesmo digno de ser intolerante quem não sabe por que deve sê-lo, quem não sabe por que o é. Intolerância é amor da verdade, e tanto da Suprema Verdade, como de qualquer verdade. É a face exterior da convicção, que por sua vez é a face interior da verdade, que, se não depende de nós para ser, só o é para nós quando a procuramos, a amamos, e sabemo-la defender.

Jackson de Figueiredo in «Trechos Escolhidos».

11/12/2015

Sem um ideal elevado de vida, perecemos


A natureza humana não pode subsistir sem algum tipo de esperança e de propósito, ou como diz a Bíblia, quando não há ideal, o povo perece.

G. K. Chesterton in «Hereges».

06/12/2015

Relativismo: a fraqueza do Ocidente


A fraqueza do Ocidente consiste em não estar seguro de qualquer espécie de verdade. Somos como Pilatos, quando Nosso Senhor lhe disse: «Vim a dar testemunho da verdade, e os que são da verdade ouvem a Minha voz». Pilatos sorriu cinicamente e perguntou: «O que é a verdade?». E voltou-lhe as costas. O seu pragmatismo levara-o a acreditar que a filosofia da vida era um mero expediente e não um princípio.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar».

03/12/2015

A desigualdade é a primeira lei social


Uma sociedade é um grupo de seres desiguais, organizados para fazer face a necessidades comuns. Em todas as espécies sociais a igualdade dos indivíduos é uma impossibilidade natural. A desigualdade deve, portanto, ser considerada como a primeira lei das estruturas sociais, quer nas sociedades humanas, quer em outros tipos de sociedade animal.

Robert Ardrey in «The Social Contract».

01/12/2015

Sobre o 1º de Dezembro de 1640


Quem negará ser o melhor dia de Portugal o primeiro de Dezembro, em que se viu sujeito a Vossa Majestade, e livre do governo d'el-Rei D. Filipe IV de Castela? Não digo que se viu livre Portugal então de um mau Príncipe, porque o decoro que se deve às Majestades, o não permite, nem as excelências pessoais d'el-Rei católico poderão nunca ser menoscabadas. De um mau governo digo, que se livrou justamente, e nesta parte não fica ofendida a católica Majestade, a quem sempre veneraremos, pelo que foi enquanto tolerado Rei deste Reino... Nunca da nação Portuguesa, observantíssima veneradora dos Príncipes que teve, emanarão indecências descorteses, contra a imunidade de Príncipe tão grande. (...)
Nas Crónicas de São Francisco se conta que estando o Seráfico Patriarca em Portugal, vaticinara que nunca este Reino havia de ser unido a Castela. Muitos, que, sem considerar as coisas as desestimam, negavam esta predicação vendo que entrou Filipe Segundo na herança do Reino: mas ainda assim sustentava o doutíssimo Padre Frei Lucas Wandingo, cronista da mesma Ordem, ser verdadeira a profecia do Santo, porque ainda que unidos os Reinos de Portugal e Castela num herdeiro, entre si eram distintos, tanto que os naturais de um Reino se reputavam por estrangeiros no outro; a moeda era diferente e as provisões se passavam em diferentes línguas, em forma que se não podiam chamar Reinos unidos. Intentou nos dois anos passados a soberba Castelhana apertar mais o ponto, e fazer que esta união de Reinos, que havia na pessoa do injusto possuidor, estivesse também entre os mesmos Reinos. Aqui acudiu São Francisco, e mostrou com efeito o entendimento de sua profecia, que era não ser Portugal nunca unido a Castela, e assim quando naquele Reino pretendiam a união de ambos, executámos nós a total separação...

Frei Francisco Brandão in «Discurso gratulatório sobre o dia da feliz restituição e aclamação da Majestade d'el-Rei D. João», 1642.